• Israel lança míssil e erra o alvo

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

Oblata

O presente texto, reconheço, é maçante e de difícil degustação. Pouca gente conseguirá lê-lo até o fim, mesmo com o expediente que tomei de dividi-lo em capítulos, para torná-lo menos pesado e chato.  O pequeno truque não funcionou. Examinando-o depois de pronto, reconheço que não adiantou muita coisa. Paciência. Dedico-o ao atual presidente da APUB. Não por ser indigesto, mas por eu nutrir uma certa simpatia pelo ilustre professor, que recentemente, assim com eu em muitas outras vezes, foi vítima de um tremendo mico, por parte do debochado Saci-Pererê. O pilantra não se intimida por nada neste mundo…

Que o meu apreço pelo insigne presidente, me faça merecedor de ter o meu modesto texto publicado na mui nobilíssima lista de discussão “apubdebates-l”, espaço virtual de reconhecida isenção e espírito democrático.

Atenciosamente,
O Autor

 

 

CAPÍTULO I – SE ARREPENDIMENTO MATASSE…

Para dizer a verdade, já estou arrependido de ter dado o título proposto pelo Saci ao presente texto. Fiz um acordo com ele para que me deixasse em paz. O gaiato me convenceu que a sua sugestão tinha tudo a ver com o contexto internacional pauleira da atualidade, mutatis mutandis, ou seja, aquela luta assimétrica, fratricida e cruel do oriente médio, se assemelhava com uma outra incruenta entre os que combatem a Unimercado e os que lançam bombas virtuais para defendê-las. Sendo que, por analogia, um lado, mais aparelhado, contava com o efetivo, porém silencioso apoio dos que representariam os Estados Unidos, isto é, os prepostos da reitoria na esfera local e, em instância mais elevada (porém bem mais abaixo o que a do capital financeiro), a dos signatários do Proifes do governo Lula da Silva.

Talvez eu tenha cometido um grande erro em manter a minha palavra dada. Com o pilantra não se deve fazer concessão. Sei que se eu bobear ele apronta. Não tem a mínima consideração por ninguém. Mas, o que fazer? Agora é aguentar as consequências, pois são favas contadas: o texto está na rede e pronto.  Mas, uma coisa é certa, se arrependimento matasse eu já estaria mortinho da silva.

Quando ele me deu a tal sugestão, achei-a pertinente, uma vez que o mui digno Prof. Israel Pinheiro, presidente atual da Apub e comandante-em-chefe das últimas operações aguerridas contra o Saci e seus amigos, abrira fogo, impiedosamente, ou assim me pareceu, contra o nosso modesto front. Apontou a sua ogiva parlatória para a nossa casamata e… Pum!

 

CAPÍTULO II- LERDO ENGANO

O pior é que, rigorosamente, sua mira laser (com S mesmo!) escolheu o lado oposto do que deveria mirar. O ilustre professor, segundo leitura que fiz, na azáfama zelosa de rebater a ponderações contrárias à sua visão de mundo, atribuiu-me palavras escritas e postadas na lista “Debates-l” por outro colega, o Prof. Telésforo Martinez, em 14/2/2009, às 08:49h, devidamente  aspeadas e citada a autoria, em texto por mim redigido e também divulgado (acredito que a censura, digo, o moderador o liberou para todos…) na referida lista. Além de injusta, a leitura apressada e imperfeita, em outras circunstâncias, seria suficiente para levar qualquer estudante desleixado, que a tomasse como modelo, a uma justa e irrecorrível reprovação; ou, ainda, nos limites extremados das lides judiciais, poderia resultar, para o descuidado escritor, um processo por difamação e, quiçá, por injúria. Não queimaria, aqui, meus poucos neurônios, tentando tipificar a natureza da ação. Qualquer calouro do Curso de Direito, faria isso muito melhor do que eu. Mas isso não tem a menor importância. Não gostaria de reprovar ou processar quem quer que seja… Este é um espaço para trocar idéias e nada mais. Pelo menos é como eu o entendo.

 

CAPÍTULO III – ENTRE MORTOS E FERIDOS…

Para a minha felicidade e a do Saci, a inconsistência do conteúdo e sua descuidada carga disparada pelo preclaro professor e presidente da Apub, logo fez o projétil desintegrar-se, qual uma bolha de sabão. Assim, o que pretendia ser uma bomba de grande poder de destruição – de acordo com análise posterior feita pelo Saci -, não provocou senão um leve estampido, muito menos do que o de um traque de massa junino, além de estrondosas gargalhadas de amigos, isso sim, tempo depois, quando souberam da “inaudita operação belicosa isolpiense”, nas palavras do Saci. Quem sabe, um dia eu conto como foi essa parte hilária…

De qualquer forma, o esforço de guerra do professor-presidente-comandante foi o suficiente para o moleque do Saci fazer o maior estardalhaço, a maior patacoada, aos berros:

- Fui atingido, fui atingido. Atingiram-me com um petardo verboso. Sei que não vou resistir, uai, uai… Acudam-me! Logo em mim, que não aguentei pagar o Plano de Saúde!

Sem dizer uma só palavra, deixei que o endiabrado estroina se espalhasse todo. Deu pinotes, rodopiou, babou, rastejou feito um réptil, patético, até perder o fôlego. Esgotado o seu repertório de bestagens, nem quis me encarar, de envergonhado que estava. Eu continuei impassível. Meus olhos passearam pelo nada. Seguiu-se um silêncio sepulcral, com perdão do triste clichê. Decorridos alguns minutos, que me pareceram horas, diga-se de passagem, depois de ter caído na real, ele sorriu para mim com sorriso de açafrão. 

Logo em seguida, com o semblante simulando contrariedade, meneou a cabeça. Cada movimento me pareceu ensaiado no espelho. Fingindo falar para si próprio, o velhaco foi além do simples sussurro, para que eu pudesse escutar:

- Eu, hem! É cada uma!

 

CAPÍTULO IV – TUDO QUE É BÓLIDO DESMANCHA NO AR

Banquei o durão. Fiz pouco da sua tentativa de ganhar a minha cumplicidade. Continuei no terrível labor de tentar cortar as unhas dos pés. Eta mão de obra dos diabos! E depois dos cinquenta anos, então, que tudo é mais difícil… É esclerose para todos os lados. As juntas rangem, as vértebras lombares lancinam, as vistas embaçam, e todos os incômodos corporais chegam a galope, enfim. Qualquer um desses sintomas já é diagnosticado pela sabedoria popular, simplesmente, como PVC, que pode ser traduzido eufemisticamente como a “piora da velhice chegando”. Talvez, por isso mesmo, os parceiros do famoso Manifesto terem concluído que tudo que é sólido desmancha no ar, como que adivinhando que o pior ainda estaria por vir, quando chegasse a velhice…

Enquanto bancava o pedicuro, dei trato aos pensamentos, justamente para não me ocupar com o Saci. Eu sei que se ele fizesse uma carinha triste, minha dureza iria para o espaço.

 

CAPÍTULO V – OUTONOS ESGARÇADOS

Lembrei-me de meus colegas um pouquinho mais velhos do que eu. Como será que eles estão “se virando” com essas coisas que tanto afligem os meus outonos esgarçados? Ou será que a roda do tempo escolheu somente a mim para girar em cima, qual corrupio tresloucado? Seria pretensioso pensar assim? Que fosse, mas o fato é que, apesar de eu achar a velhice uma droga sem barato, ela cada vez mais está caidinha para o meu lado.  E sei que não há retorno.  Foi-se a mocidade. Em cada milímetro do meu corpo, eu já venho sentindo uma profusão de células gagás em adiantada formação…

Não sei por quanto tempo eu fiquei cismando sobre aquelas coisas. De toda forma, ao contrário do que podia imaginar, um assunto que no passado me dava calafrios, só em pensar, agora, já era tratado com tranqüilidade e interesse pelo meu cérebro. Ocorreu-me até escrever, num dia desses, um ensaio sobre a terceira idade. Quem sabe algo que explorasse uma polarização do tipo “Velhice Emancipada  X  Velhice Acorrentada”? Imediatamente lembrei-me de pessoas conhecidas que os anos não esmoreceram. Pelo contrário: fizeram-nas ficar mais dignas e combativas, a exemplo de Felippe Serpa (68 anos), de Florestan Fernandes (75), de Paulo Freire (76), e de tantos outros e outras – menos conhecidos do grande público -, que se tornaram uma referência para mim e que eu queria mencioná-las, sempre, para os meus filhos e futuros netos, como exemplos de envelhecimento com dignidade humana e combatividade.

 

CAPÍTULO VI – HELPDESK , OH MY GOD!

Só me dei conta que a tarde findara pelo alaranjado-vivo da brasa do cachimbo do Saci. Ela fazia um contraste forte com o breu do meu quarto. Acho que dei um cochilo. Levantei com a coluna reclamando. Acendi a luz e recolhi da cama os resíduos de unha para jogá-los na lixeira do banheiro.

Sentado à minha frente, lá estava o diabrete envolto em uma nuvem de fumaça. Pacientemente, havia esperado eu sair das minhas meditações.  Enquanto me aguardava, pitava e poluía o ambiente. Aquilo chegou a me incomodar, mas permaneci calado. Quando ele se certificou que eu havia voltado ao mundo concreto, aproximou-se de mim todo manhoso.

- ‘Tá com algum problema chefe? Indagou desconfiado.

- Muitos e os mesmos de sempre. Dizendo isso, fui saindo para a sala.

Ele sacou que eu ia ligar o computador e saltou na minha frente, todo obsequioso. Ouvi o estalido do estabilizador e o zumbido do pequeno ventilador da CPU. Não demorou muito e escutei a musiquinha, já manjada, do sistema operacional do todo poderoso Bill. Eu o havia instalado no dia anterior. Recebera de presente de um amigo que costuma disseminar, de forma não autorizada, a cultura digital. Instalei-o mais por curiosidade e me arrependi amargamente. A praga do programa restringia, por demais, a instalação dos meus joguinhos preferidos. Decididamente, não preciso desses softwares sofisticados. Eles são bons para as empresas que querem bisbilhotar a vida das pessoas e exercer controle rígido sobre seus empregados. Comigo não! Sai pra lá bicho feio! Preferia ficar com o anterior mesmo, apesar de ter, também, suas broncas. Parece que o tinhoso do Saci leu meus pensamentos. Foi logo se oferecendo:

- Se quiser, eu desinstalo pra você.

Agradeci-lhe o oferecimento meio sem jeito. Ele sabia me deixar pisando em ovos. Disse-lhe que queria manter em dia a “minha forma mental”, pois de uns tempos para cá, tudo o que eu queria resolver, pedia help para os meus filhos, o que me tornava muito dependente deles. O antivírus vencia a validade e olhe eu ligando para eles; a hélice do cooler partira e eu pedia socorro novamente. Um horror! Até um simples HD denotado eu não sabia mais recuperar. Onde já se viu isso? Acho que, mesmo dos filhos, não podemos abusar.

O moleque do Saci sabia que aquele arrodeio todo era para não aceitar os seus préstimos. Ouvi quando respirou fundo. Daquela vez, sua estratégia de me envolver falhara. Eu já estava escaldado de sua generosidade. Não teve como eu não me recordar do notebook do BI. Daqui para frente, vou sempre me lembrar da expressão estratégia de envolvimento. Sempre!

Não quis mais alimentar papo com o pestinha, entretanto, por um átimo, ainda esbocei perguntar, a mim mesmo, onde ele aprendera o prestigioso ofício de helpdesk. Tive meus pensamentos interrompidos.

- Cê hoje não pra brincadeira, hem Pró? Insistiu ele irritantemente

- Não mesmo não! do contra, respondi-lhe secamente. virado no capeta.

Sei que fui grosso, mas, às vezes, o moleque merece um tranco. Assim, ele já sabia que eu não estava para conversinha fiada.

Ainda tentou me bajular dizendo que eu merecia ser tratado com respeito pelo presidente do meu sindicato e, cínico como sabe ser nessas horas, chegou até a ensaiar um tratado de boas maneiras:

- Acho que uma ofensa pessoal numa lista de discussão denuncia, simplesmente, que perdemos a palavra elegante. Isso significa que la parola, como a chamava il grande Giovanni Boccaccio, simplesmente, nos deixou, escafedeu-se, foi para longe, muito longe. Restou apenas, ao nosso repertório cultural, o lúmpen semântico e léxico, o rebotalho de uma língua, a escória, a ralé da comunicação humana. Após o sujo linguajar, só restam os punhos e a clava…

- Chega, chega, chispa daqui, seu tapeador! Meu ouvido não é …

Por incrível que pareça, ele acabava me influenciando, mesmo quando dizia maluquices ou fazia gozação. Eu não queria perder a elegância também, se é que tinha alguma… Pensando nisso, acalmei-me. Agradeci-lhe pela manifestação de solidariedade. Disse-lhe que responderia de forma cortês ao presidente do meu sindicato, mas que, ainda assim, não deixaria de lhe dar uma resposta. Eu conhecia bem o fôlego da sua insistência e, de uma maneira polida, garanti-lhe que acataria a sugestão do título que me dera para o texto.

Cheio de dedos, dei voltas para dizer-lhe que precisava de concentração. Tinha que escrever, urgentemente, um projeto para submetê-lo à aprovação do meu Departamento. Disse-lhe, ainda, que tão logo pudesse, estaria postando um texto-resposta para as minhas listas costumeiras de discussão. Ele ainda tentou me dizer que os moderadores que me censuravam, dessa vez, não poderiam barrar o meu texto, pois eu tinha o direito de resposta assegurado por lei etc e tal. Polidamente, para não render mais conversa, concordei com ele.

Concentrei-me na desinstalação do maldito programa. Caso não obtivesse êxito, teria que negociar com o meu vizinho mal-humorado o empréstimo do seu notebook. Sei que ele talvez fizesse cara feia, mas, ao menos, tinha que tentar. No último caso, teria que recorrer aos meus filhos… Relpidesqui, oh maigodi! Como odeio essa palavra!…

 

CAPÍTULO VII – O SEGREDO DO UNIVERSO

Quando o pilintra (sempre achei que era uma corruptela mais bonita do que pilantra) do Saci viu que de mim não arrancava mais um único fonema, anunciou que ia “se mandar” pelo mundo afora. Antes de zarpar, porém, ainda tentou me comover com um pungente queixume.

- Já que não quer mais a minha interlocução, vou adiantar meu expediente. Ainda tenho um montão de coisas para resolver por aí…

Continuei com os olhos cravados no monitor, mas de esguelha vi o torvelinho rubro-negro dirigir-se para o vão da janela e desaparecer como que por mágica. O breve silvo denunciava a incrível velocidade que o tinhoso conseguira imprimir. O som desaparecia em fade-out, como no cinema. Nenhuma turbina da ciência “mais de ponta” conseguia reproduzir, nem de longe, tamanha proeza. Um desafio para os mais eminentes teóricos da física. Brincando, brincando, sua velocidade atravessa, tranquilamente, o limiar dos trezentos mil quilômetros por segundo.  Ali na bucha. Todas as vezes que isso acontecia, e não foram poucas, eu notava que a luz parecia ficar um tanto tênue, “empalidecida” de repente. Coisas da metafísica. Ou seria de Física Quântica? Os céticos farão beicinhos se souberem disso. Fazer o quê? É o que venho testemunhando desde que o Saci se aproximou de mim. Só relato isso porque eu próprio vi, e não porque me contaram…

Enquanto prosseguia o meu penoso ofício de desinstalar o maldito software, seguindo os preceitos do DIYDo It Yourself (faça você mesmo), como dizem os patrícios de Barak Obama, agora sem-teto, depois da queda do muro de Wall Street -, fiquei conjuminando algumas coisas que o Saci me dissera e, sobretudo, na sua insistência para que eu respondesse com veemência a mensagem que o presidente do meu sindicado havia postado na lista. Hum, ali tinha coisa! Com certeza! E eu tinha que investigar o que era. Ele fora igualmente contundente quando recebi, no ano passado, um petardo por parte da outra (da outra?) diretoria – de saudosíssima memória – da Apub. Só que, daquela vez, resisti e não dei bolas para os insultos sofridos.

- Que bobagem, argumentei na época.  – Aquilo era só diferença de pontos de vista. E depois, eles também eram tão festivos!…

Mas ele me atanazou bonitinho o tempo todo. Não foi por falta de insistência do calhorda que não paguei com igual moeda ou com o mesmo petardo. Até de frouxo me chamou.  Agora ele batia na mesma tecla, dizendo que eu não devia deixar aquele ultraje passar em branco; que eu tinha que responder ao presidente Isolpi (era assim que ele chamava o insigne professor). Resisti. Pensei, pensei e pensei. Ali tinha coisa!

Conclui que quilo não podia ser resolvido com emoção mal-entendida, mas com raciocínios bem elaborados, sem desprezar, naturalmente, a velha e boa intuição. Eu sentia uma angústia me corroer as entranhas.  Era como se tivesse na minha caixinha de intuir, um negócio engasgado, mas que não sabia bem o que era. Eu queria dar uma resposta ao presidente, mas ao mesmo tempo não queria. Pode uma doideira dessa?

Tomei a decisão de não me precipitar, de olhar tudo como um verdadeiro cientista ou até mesmo como um investigador criminal. Acho que era por ali mesmo, sem pestanejar. Aquilo acabava sendo como o trabalho de um detetive. Era praticamente a mesma coisa um cientista e um detetive.

Na minha adolescência, quando mergulhava nos romances de Agatha Christie ou nas aventuras das espiãs Modesty Blaise e Brigitte Montfort, de Peter O’Donnel e de Lou Carrigan respectivamente, achava que um dia também eu seria um escritor de histórias de espionagem. Pouco depois, quando conheci as investigações cerebrais de Sherlock Holmes, decidi que seria um detetive. Mas o mundo dá muitas voltas e acabei não sendo nem uma coisa, nem outra. E agora, vislumbrando a possibilidade de desvendar algo muito sério, meu coração transbordou de júbilo. Era a possibilidade de um sonho juvenil se materializar: eu professor fulano de tal, investigador por um dia!

Pensando dessa forma, senti-me um grande detetive, jurado e sacramentado. Achei-me o próprio personagem de Sir Arthur Conan Doyle. Num esforço razoavelmente grande, tentei lembrar-me dos procedimentos iniciais adotados por qualquer profissional do ramo.  As perguntinhas básicas saltaram-me à mente: quem matou fulano, quando desapareceu beltrano ou como morreu sicrano? Só que aí tinha um pequeno problema. Lembrei-me que não existia nenhum cadáver. Isso era elementar.

Interiormente sorri com a minha esperteza. Aquilo era algo claro e facilmente demonstrável. Ninguém havia morrido. Mas aí bateu-me um desânimo. Senti-me quase morto para ter o que investigar. O negócio pareceu-me muito mais complicado do que sugeria inicialmente. Eu intuía que tinha que começar por saber elaborar perguntas. O diabo era que elas me fugiam ariscas. Eu não estava sabendo fisgá-las. E as ditas cujas desfilavam pelo meu cérebro aturdido, me dando vertigem. Não me lembro de ter lido nada, durante toda a minha vida, sobre “como fazer perguntas”. Mas ali estava o segredo do universo: saber perguntar. Muitas vezes, a pergunta é mais importante do que a resposta. Só então dei-me conta da complexidade do tema. Não bastava colocar uma interrogação no final da frase. Até porque, cada língua tem o seu jeito de indagar sobre as coisas, os fatos e os feitos. O espanhol, por exemplo, pergunta com dois sinais de interrogação. Um antes (e de cabeça para baixo!) e outro depois. Senti que aquilo era pura piração e que eu já não estava mais juntando coisa com coisa. Como que pretendendo me prevenir de um surto logorreico, ou até de coisa pior, indaguei-me com veemência:

- Sim, mas, e daí?

- Daí, nada, pensei. Provavelmente, o que eu não estou conseguindo é fazer uma boa pergunta. Só isso.

 

CAPÍTULO VIII – CONFESSO QUE BEBI

Senti que estava dando voltas e chegando sempre ao mesmo lugar. O que fazer? Fiquei uns vinte minutos de olhos fechados. Em vão, procurei concentrar-me em algo. Tudo estava muito disperso. As palavras e as coisas se confundiam. A res e o semeion estavam totalmente amalgamados, numa justaposição estonteante. Mais uma vez lembrei-me do Saci. Ele me dissera que, de uma forma elegante, o Prof. Isolpi havia me chamado de esquizofrênico. De fato, isso até que fazia sentido, pois, com todas as letras escreveu que o meu limite entre o real e o imaginário era muito tênue, muito indefinido.

Pensando bem, se a interpretação do Saci estiver correta, acho que foi muita delicadeza da parte desse renomado cientista político em prestar-me tal esclarecimento e, sobretudo, preocupar-se com a minha saúde mental.  Contudo, sinceramente, não consigo enxergar nenhum mal no que ele disse. Pelo contrário, não acho que a sua observação tenha sido uma ofensa. Às vezes, eu sinto isso mesmo que ele descreveu. É como se a realidade fosse uma ópera-bufa composta por um demiurgo debochado e cruel, cujo limiar não consigo distinguir. É como se o real e a fantasia, ou, no limite, o delírio dos insanos, pactuassem morbidamente uma alternância de estados. O que vem a ser mesmo o real, e o que é que designamos de fantasioso? Como distinguir o fato concreto do imaginário?

Nos últimos tempos, tenho me perguntado se é fato concreto ou produto do imaginário a criação, às escuras, de um sindicato chapa-branca, o PROIFES, em exatos 15 minutos de duração, num galpão da CUT, com a participação de apenas 115 presentes e 485 votos por procuração, cuja Assembléia referendária foi truculentamente protegida por seguranças particulares, para impedir que mais de 200 docentes do ensino superior tivessem acesso ao recinto.

A cabeça nesse momento dá um nó. Acho que só um cérebro seriamente afetado pode acreditar que um sindicado combativo tenha sido rachado pelas hostes de um presidente, ex-sindicalista, com o propósito de enfraquecer o movimento docente; que um sindicato nacional teve seu registro sindical cassado pelo Ministério do Trabalho por se manter crítico e independente do governo. E o pior: que alguns professores deram e continuam dando suporte a um despautério de tamanha magnitude. Docentes maduros, experientes, com capacidade de exercer a crítica. Certamente li mal ou pensei que li essa notícia em algum lugar. Por certo, meu cérebro sombrio, qual um caleidoscópio léxico, juntou palavras a esmo, alterou sentidos e adulterou grafias com o único propósito de produzir uma fantasiosa Matrix de extravagante teoria conspiratória.

Tudo é muito confuso para mim. Agora mesmo me pergunto, em oposição à farsa que a minha mente criou sobre essa entidade quimérica chamada de PROLULA (professores lulistas) ou PROIFES – sei lá! -, se não existiu uma outra que nasceu após ampla consulta às bases, em Assembléias locais, e da realização de um grande Congresso nacional, com as bandeiras da antiga Associação: autonomia e independência sindical. Será que é delírio ou é fato que, o referido sindicato, o ANDES-SN, tenha surgido de uma longa luta dos professores universitários, de um enfretamento à ditadura militar e de sua proibição de organização sindical no setor público de mobilizações nacionais da categoria? É fruto do imaginário ou é realidade que, desde sua criação como associação em 1981, contou com a participação efetiva da APUB? É fruto do imaginário ou realidade que a categoria, num bloco coeso e solidário, um dia lutou – e continua lutando – por melhores condições de trabalho, salários dignos e, sobretudo, por um projeto de educação superior pública gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciado?

Por incrível que pareça, só em fazer essas indagações, eu senti um enorme alívio, como se tivesse tirado um peso da minha cabeça, ainda que tudo fosse pura viagem.

Já mais animado, pensei também na possibilidade de não ser nada de delírio ou de qualquer outra psicopatia, mas de algo provocado pela ingestão excessiva de bebida alcoólica. Tentei recuperar a memória de quando isso acontecera pela última vez. Vasculhei todo o espaço etílico trilhado e quase ia sentenciar que havia décadas não tomava uma boa carraspana quando, de repente, a imagem de bandeiras vermelhas tremulando me veio à mente. Fora lá no Largo do Rio Vermelho, para comemorar a vitória de um trabalhador que chegava à presidência e prometia construir, com o povo, um Brasil diferente. Nunca eu podia imaginar que, um dia, ele fosse se aliar aos banqueiros e se render ao capital financeiro. Eu era todo esperança e queria comemorar. Naquela noite, confesso que bebi. Muito, muito mesmo.

Talvez o que eu estava sentindo, quase oito anos depois, fosse ainda reflexo daquela encharcada e alegre celebração. Vá saber lá como é que a cabeça da gente funciona!…

 

CAPÍTULO IX – AB ABSURDO

Acordei com a TV ligada e o sol batendo no meu rosto. Estava tão cansado que nem o maldito plim-plim me afetara o sono. Simplesmente, desmaiei na cama. Agora, sentia-me novinho em folha, totalmente recuperado. Imediatamente o petardo do Prof. Isolpi me veio à mente. Para decidir se deveria ou não lhe dar uma resposta, eu precisava me debruçar diante da objetividade do real. A coisa me pareceu muito simples. Eu já tinha convicção absoluta de onde deveria começar, o que já era um bom começo. O campo de investigação teria que ser a própria missiva eletrônica do presidente da APUB. Letra por letra, linha por linha, parágrafo por parágrafo. Montei meu plano. Nada de lupa, nada de fio de cabelo ou de resíduos orgânicos, nada de mordomo e nada de estricnina. E, sobretudo, nada de Watson. Eu próprio teria que soltar o foguete e recolher a vara. Cartesianamente, teria que duvidar de tudo. Principalmente se a solução me parecesse moleza demais. Talvez fosse interessante pensar como os matemáticos, num teorema ab absurdo. Hum, talvez fosse isso… Talvez, não, tinha que ser isso! Ou seja, eu deveria partir do absurdo, usando o método de demonstração para provar a validade de uma proposição, por meio do confronto com uma impossibilidade.  Sim, era por aí.

Comecei a pensar no improvável. Aventei logo a possibilidade de eu estar louco. Descartei a idéia, pois aquilo era algo perfeitamente admissível. Tanto eu quanto o missivista, humanos que éramos, estávamos sujeitos às variações cerebrais. Tinha que ser algo impossível e inimaginável. Pensei, matutei, marquei o piso de tanto caminhar em círculos.

Para não abusar do leitor, vou saltar essa parte em que passei todo o final de semana absorto, “emimesmado“, sem saber por que a idéia de responder ao Prof. Isolpi me causava tanto desconforto. E, ainda assim, o Saci havia insistido tanto e torrado a minha paciência… Vou encurtar a história. Na manhã da segunda-feira, por acaso, ou, diriam amigos pesquisadores, por serendipidade, uma luzinha fulgurou na minha mente, ao reler pela tricentésima vez o referido texto isolpiensi. Um pequeno detalhe chamou-me a atenção. Na frase “Agora o que foi mesmo que a (sic) Andes” (…) havia algo que não coadunava com a história e a bagagem do ilustrado professor. Depois, fui elencando outros atentados que o texto cometia contra o bom senso, contra a lógica e até mesmo contra a ética, só para falar de alguns…. Mas o que escancarava o embuste, na sua forma mais grosseira, era a maneira como o artigo que antecedia o acrônimo ANDES fora grafado: o artigo feminino ocupava, equivocadamente, o lugar do artigo masculino. O sábio professor sabia, melhor do que ninguém, que desde o ano de 1988 a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior – ANDES transformou-se, por decisão democrática de seus associados, em Sindicato Nacional, tornando-se o ANDES-SN, representante legítimo dos docentes de todas as instituições brasileiras de ensino superior. Sem falar que, melhor do que ninguém, o Prof. Isopi conhecia a história gloriosa de resistência e autonomia dos docentes das IFES…

- Na mosca! Diria Arquimedes se tivesse nascido no Brasil. Ali estava o xis do problema, devidamente equacionado e resolvido. E a resposta já saltava aos olhos. Mesmo míopes como os meus. Se aquilo era, aparentemente, mais do que improvável, então era aquilo mesmo que eu procurava. A charada estava matada: ab absurdo. Elementar, meu caro Saci. Desta vez, te peguei!…

 

 

CAPÍTULO X – TROCANDO EM MIÚDOS

Complicada a conclusão, caro leitor, com tantas premissas obtusas? Eu explico. É até muito simples. Só requer um pouco de atenção.

Pense bem, acompanhe o meu raciocínio: como poderia o renomado Prof. Isolpi ser responsável por aquele texto, como já vimos, eivado de equívocos e maledicências? Como um experiente pesquisador, tarimbado que é nas exigências acadêmicas e científicas quanto às citações e fidelidade à fonte, além do mais, ocupando a presidência de um sindicato de docentes, poderia cometer deslizes tão elementares? Estava na cara o propósito danoso do texto. Queria, simplesmente, jogar-me contra os colegas da UFBA, como se eu tivesse me auto-investido de juiz para decidir quem entrava, ou não, no reino da virtude. Aquilo seria um golpe muito baixo para um respeitável cientista político desferir. Com certeza, absoluta, o Prof. Isopi não escrevera aquele texto.

Aí tudo ficou muito claro para mim e a fazer sentido. As peças começavam a se encaixar. Lembrei-me da insistência do velhaco do Saci para formatar o meu computador e de “otras cositas más” que, na hora, não tinha dado importância. Na ocasião, fiquei meio intrigado, mas não cheguei a comentar nada com ele. Só registrei na minha cachola.

Desde a minha infância, em Riacho de Santana e Caetité, através de primos, de amigos ou de pessoas mais idosas, eu já sabia que o Saci aprontava “sem ter nem pra que”. Gratuitamente. Só por pura molequeira mesmo. Sabia de sua fama de dar fim nas “marcas” que colocávamos nos caminhos para não nos perdermos. Em muitas ocasiões vivenciei isso. Às vezes, adentrávamos por mata fechada para pegar ovos de anum, tendo antes o cuidado de marcar as pequenas trilhas, por onde passávamos, com galhos ou forquilhas de gravetos, ou mesmo de amarrar palhas de ouricuri nos troncos dos pequenos arbustos, como uma espécie de Fio de Ariadne sertanejo. Quando acontecia o moleque estripulento aparecer no pedaço, era um deus-nos-acuda. Cansamos de entrar em desespero vendo a noite chegar e sem acertar o caminho de volta. Sacávamos logo que ali tinha o dedo do moleque travesso. Ele, simplesmente, retirava todas as marcações que havíamos feito. Não foi uma nem duas vezes que ficamos no mato, perdidos sem cachorro, por vontade do patife. Havia até aqueles mais chegados a crendices demoníacas que diziam ser obra do “Romãozinho” ou do “Pé-de-Garrafa”, por termos desobedecido nossos pais ou coisa semelhante, mas a voz geral era a de que aquilo não passava de arte do safado trocista.

O próprio Monteiro Lobato, nas palavras de um dos seus personagens, o Tio Barnabé, descreveu as traquinagens do Saci. Em livro homônimo, elencou algumas delas como azedar o leite, fazer o dedal de costura cair nos buracos, botar mosca na sopa, queimar o feijão que está no fogo, gorar os ovos das ninhadas e por aí vai. Só que tem um detalhe: na época em que viveu o autor de Reinações de Narizinho, o Saci ainda morava nas matas fechadas e nas florestas deste imenso e cobiçado Brasil (os estranjas que o digam). Mas, de lá para cá, os moradores do campo foram se deslocando para as cidades, além das nossas florestas e matas ficarem cada vez mais minguadas. E foi exatamente numa dessas levas de emigração, acompanhando um bando de andorinhas, que o irrequieto Saci assentou praça pelas matas do entorno de Salvador. Logo no início, ficou entre o Parque de São Bartolomeu, a Estrada Velha do Aeroporto e o Alto do Cachoeirinha, no Cabula VI. Cada dia, ele se acoitava num desses lugares. Mais tarde, estabeleceu-se no Parque de Pituaçu.  Nos últimos tempos, decidiu ocupar o bosquete do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia. Por sinal, uma área federal!… Dali para o CPD da UFBA foi um pulo…

Vez ou outra, ele se esconde no bambuzal da Faculdade de Educação, no Vale do Canela. Dali para a sede da APUB, na João das Botas, é meio rodopio. Ou até menos.

Meu primeiro contato com ele, assim cara a cara, foi num final de tarde, no Lab I da FACED/UFBA. Eu desligava os computadores do laboratório de informática, após aula de uma das disciplinas que leciono. Como o ar condicionado havia pifado, algum aluno teve a iniciativa de abrir uma das janelas, que dá para os fundos da Faculdade, exatamente onde fica o bambuzal. Ao sair apressado, esqueceu de fechá-la. Com o problema da insegurança dos campi da UFBA, mal escurece e o pessoal já fica alvoroçado para dá no pé, que ninguém é bobo.

Pois foi pela janela aberta que o Saci entrou sem-cerimônia, de gorro vermelho e tudo. De repente me aparece aquela figura incomum, de olhar vivaz e curioso. Nem é preciso dizer que tomei o maior susto. Simplesmente foi entrando sem pedir licença. Ainda por cima, impressionou-me a cara-de-pau da figura com aquele cachimbo no canto da boca, soltando baforadas asfixiantes, como se tivesse na casa da sogra. Passado o espanto, logo atinei de quem se tratava.

Talvez, pelo fato de ouvir falar dele durante toda a minha infância e de conhecê-lo através de ilustrações de livros e impressos que tivera contato, achei até natural que ele ali estivesse. Tratei-o com a maior naturalidade, como se fôssemos amigos de longa data. E, de uma certa forma, éramos mesmo.

Daí para frente, eu sempre demonstrei uma grande admiração por ele, pela sua coragem, pela sua inteligência. Sobretudo pelo seu espírito indômito. Talvez isso o tenha deixado muito à vontade na minha presença. Talvez até demais. Para falar a verdade, o livro “O Saci”, de Monteiro Lobato, foi o meu primeiro portal, por assim dizer, para o mundo das letras. E olhe que já são quase cinquenta anos. É isso mesmo: praticamente cinco séculos com a figura do moleque arteiro me rondando. Nunca lhe revelei isso. Certamente ia ficar todo convencido, achando que é o meu mentor intelectual. Confesso que tenho um certo carinho pelo cafajeste, mas, às vezes ele abusa. De uns tempos para cá, então, suas visitas são frequentes e nos horários mais inconvenientes. E o pior é que, do bambuzal da FACED para o Jardim da Piedade é um pinote.

Você leitor perspicaz, certamente já percebeu onde quero chegar com todo esse volteio. É isso mesmo, é essa a banda larga por onde o cybersaci vem trafegando: Mata do campus de Ondina/CPD da UFBA – Bambuzal da FACED – Mangueiras do estacionamento da APUB – Árvores da Praça da Piedade. Daí para a banda estreita do AP em que eu me escondo, é o tempo de um suspiro…

O que significa dizer que ele, de mansinho, foi se aproximando dos computadores desses citados locais, sacando suas fragilidades, principalmente seus antivírus vencidos, bisbilhotando os escritos neles contidos, testemunhando dowloads, uploads, pageups, pagedowns, memorizando senhas e logins e daí para a molecagem não precisou de muita coisa.

Ufa! Quanta baboseira para dizer as coisas mais simples do mundo: não tem censura na lista da UFBA nem na da APUB; o Prof. Isolpi não é autor do texto maledicente a meu respeito; idem para o petardo que recebi da outra diretoria (outra?) – na verdade, ninguém escreveu nada, a não ser o Saci; cada texto barrado pelo moderador, tem a “moderação” exclusiva do moleque safado; até as letras trocadas e os conceitos truncados não podem ser atribuídos a ninguém senão ao pestinha digital.

Ufa, a justiça foi feita, ainda a tempo, ao colendo professor! De qualquer forma, podemos dizer que temos algo em comum: ambos pagamos mico para o maldito Saci… Há quem diga, entretanto, que esse do Prof. Isolpi foi um verdadeiro King Kong.

Bem, pessoalmente, eu discordo. Mico é mico. Mas é uma questão de ponto de vista. É o que penso, SMJ (salvo melhor juízo).

Só espero não ser taxada de autoritário por isso.

 

CAPÍTULO XI – A LUTA CONTINUA, COMPANHEIRO!

Foi-se o verão. O dia já ensaia, sanguinolento, o seu primeiro alumiar. Ainda com roupa de dormir e mal-acordado, ponho-me a cismar. Cá com o meu velcro (meu pijama não tem botões), fico propenso a levantar outra lebre: não seria o infame do Sacia o magnífico autor do projeto infalível da Univelsidade Noiva, inspilando-se no conhecido pelsonagem de Maulício de Souza?  Sei não… Essa infalibilidade!… Até porque, da APUB para o Palácio da Reitoria é quase a distância de um tapa. Sem falar na possibilidade de o safado ter escavado um túnel entre aqueles… sítios geográficos. Ou seria, quem sabe, um backbone entre os dois pontos virtuais, construído por ele mesmo, com os restos de fibra ótica esquecidos pelos campi? De tanto bisbilhotar, know-how é o que não lhe falta.

Assim ou assado, não é novidade se ele trouxer mais problemas para o combativo presidente da APUB. Ainda ontem conferi uma mensagem aflita de um professor, postada na debates-l@listas.ufba.br. Parece que o biltre já aplicou um golpe baixo no seu contracheque (abro aspas):

 

“ATENÇÃO!!! Golpe no Contracheque.

 Até o contracheque de janeiro 2009, nós recebíamos GAE e GTMS (Bruto: R$5.403,62). No contracheque de fevereiro o Governo trocou GAE e GTMS  por RT e GEMAS (Bruto: 4.531,56). No meu caso, Prof. José Roque Mota Carvalho, perdi com a troca R$872,05 (Bruto). O suposto aumento em vencimento básico e anuênio teve pouca valia, ou seja, não estamos sabendo negociar com o Governo. Sugestão: na próxima negociação colocar a ASSUFBA no lugar da APUB. Os servidores técnicos-administrativos estão levando todas, só perdem em números de festas. vem aí: APUB-páscoa; APUB-Corpus Christi; APUB-Santo Antônio; APUB-São João, etc., etc.

Prof. José Roque Mota Carvalho
dqoiqufba. sex 6/3/2009 15:23″
(fecho aspas).

 

Agora sou todo dúvidas. Seria mesmo Prof. Roque o autor do texto acima, ou o Saci já está rondando também pelas bandas do Instituto de Química? Coisa de louco. Vou avisar ao Prof. Dirceu para não descuidar com a segurança da sua unidade. Nunca se sabe o que o pilantra pode aprontar…

E pelo visto a sacizada não vai parar por aí. Se por um lado, o ilustre Prof. Isolpi recita, com todas as letras (mas sem os números), odes sobre os feitos e conquistas do sindicato chapa-branca (se é que ele faz isso mesmo), por outro, a manchete do Jornal A Tarde deixa os trabalhadores do Estado brasileiro, incluindo-se os docentes das IFES, com uma pulga atrás do hollerith, depois de uma declaração do presidente Lula:

 “Crise pode adiar reajuste do funcionalismo”.

Será que aí também tem o dedo do pilantra? Nesse andar da aeronave, o presidente Israel vai ter que pedir ajuda aos mísseis do país homônimo para se livrar dos traques do traquino do Saci. Traquinagem é com ele mesmo.

Ô pestinha traquinas!

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