••• COLUNA DA VACA TATÁ •••

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Florestan temia descarrilamento do PT

Há sociólogos e sociólogos. Sejamos justos. Florestan Fernandes foi um desses com S maiúsculo. Deputado pelo PT por duas legislaturas, sendo o mais votado depois de Lula, por diversas vezes se manifestou temeroso de um “endireitamento” de seu partido. Sua inteligência aguçada, mais de duas décadas atrás, já temia que o pior acontecesse e que, lamentavelmente, aconteceu.

 “o socialismo comprometido com a democracia burguesa ainda é uma forma de reprodução do sistema capitalista de poder. A revolução proletária volta-se para a emancipação coletiva dos trabalhadores pelos próprios trabalhadores. Ou o PT decifra a solução correta dessa necessidade histórica na cena brasileira ou ele engrossará as fileiras dos partidos reformistas imantados à ‘reforma capitalista do capitalismo’, ao ‘capitalismo melhorado’ ou ao ‘capitalismo do bem-estar social’. Penso ser esta a principal resposta às indagações, às esperanças e às convicções que nos lançam, dentro do PT, à luta pelo socialismo proletário e revolucionário”.

Infelizmente, o PT não soube decifrar a solução correta para o trabalhador. Se hoje ainda estivesse vivo, por certo, Florestan estaria lamentando o descarrilamento do outrora grandioso Trem da Esperança, transformado em Trem da Alegria para uns poucos.

Contraditoriamente, o grande Mestre da Sociologia brasileira não conseguiu ensinar FHC – seu ilustre aluno -, a dirigir um país de acordo com os interesses da classe trabalhadora. Muito menos conseguiu que o seu partido honrasse o nome que enverga.

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O déficit de intelectuais de esquerda na UFBA

Filósofos, sociólogos e historiadores têm a boa ou má fama, a depender do ponto de vista, de serem sempre de esquerda. Para o senso comum essa é uma ideia frequente. Da mesma forma, acredita-se que professor universitário é sempre crítico e por dentro da política e das coisas do mundo.

Recentemente, o Prof. Perry Anderson, historiador inglês e docente da UCLA, EUA, filiado à tradição do marxismo ocidental, assim se manifestou na rede:

Há uma ideia generalizada de que para ser um intelectual é preciso ser crítico da ordem estabelecida. Não é verdade. Desde o nascimento moderno do termo, possivelmente mais intelectuais têm sustentado os sistemas dominantes nas suas sociedades.

Após a leitura da entrevista do aludido historiador, não tive como não pensar na UFBA e no silêncio dos seus intelectuais, ocorrido na última década. Quase não se ouve qualquer crítica. Principalmente, se for em relação ao governo de plantão. Reina uma paz sepulcral nos corredores acadêmicos. Há um fervor em exibir-se e publicizar feitos e ditos na Plataforma Lattes, em saudar publicações ranqueadas pelos “qualis” da vida, em alimentar o ciclópico vulcão produtivista. Nunca na história do país se produziu tantos papers in english. Haja estantes frias e virgens de consultas futuras para abrigá-los! Se o papel continuar convivendo com o digital, o antepasto das traças estará garantido por muitos e muitos milênios!

Enquanto isso, o povo continua a ver navios, confuso diante das opções políticas existentes e, quem sabe, esperando que a universidade seja o cadinho das grandes e boas transformações para o conjuto da população, e não apenas para os illuminati da vez.

O respeitado  professor marxista ainda esclarece para quem não quiser continuar sendo míope de massa cinzenta:

O papel dos intelectuais de direita é defender e ilustrar a ordem estabelecida. O papel dos intelectuais de centro é dar eufemismos e conformidade à ordem. O papel dos intelectuais da esquerda é atacá-la radicalmente. E nós precisamos de mais intelectuais assim.

Só por curiosidade, pergunto para os meus cornos, na moral:

– Qual será o déficit da UFBA, para com a sociedade baiana, de intelectuais incluídos nessa última tipologia?

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A APUB clandestina continuará sendo acolhida pela UFBA?

Andei pensando com os meus carrapatos, rigorosamente, a APUB está clandestina. Ou, melhor, sua diretoria. Ou serão as duas? A partir do momento em que a Justiça do Trabalho decidiu pela anulação do plebiscito, anulação essa provocada pela ação do Prof. Francisco Santana, tudo volta ao ponto inicial. A APUB continua seção sindical do ANDES – Sindicato Nacional. Na verdade, a Justiça não entra no mérito se a APUB deve ou não permanecer ligada ao ANDES-SN. Isso é problema dos professores. Só eles próprios podem decidir. O que foi julgado foi a maneira como se realizou o plebiscito. Em bom eufemismo acadêmico, diz-se que houve “vícios” no processo, pois a academia é constituída somente de gente fina. Dir-se-ia, entretanto, em linguagem chula, que houve cambalacho por parte da diretoria patrocinadora do tal plebiscito.

Atualmente, há na UFBA os que insistem em deixar para lá as constatações dos “vícios” e os que não admitem que a UFBA conviva com qualquer tipo de fraude, por menor que seja. Esta última é a tese da chamada “Tolerância Zero”. Enquanto isso, a atual diretoria, corrente parceira da diretoria fraudadora, vai singrando em mares de mel e de leite. Hoje, um rega-bofe aqui; amanhã, um evento acolá para discutir as questões ligadas aos docentes em estado probatório. E por aí vai. Assim, gota a gota o biênio vai se esgotando serelepe. Para gáudio do Proifes governista. 

Se houvesse interesse na correção das ações desse processo turbulento e enfraquecedor da força da categoria, o certo seria – assim que a Justiça se pronunciou pela primeira vez acolhendo o pleito de anulação do referido plebiscito pelo Prof. Francisco Santana -, a realização de uma nova eleição para a escolha de uma nova diretoria, com base no Estatuto original aprovado licitamente em Assembleia. O apego ao poder e a pressão de forças governistas fizeram com que a atual diretoria se fingisse de morta e tocasse o esquife…

O cenário ficou mais sombrio quando a direção central da UFBA encarregou essa mesma diretoria de realizar eleições para a representação docente em seus conselhos superiores. Isso sem entrar no mérito da pertinência da referida representação docente, já que uma grande parte dos conselheiros é constituída também por professores… Segundo entendo, juntamente com os meus pobres cornos, a UFBA estará conivente com todas as indignidades praticadas, por quem quer que seja, se tomar conhecimento da situação e continuar alimentando o equívoco.

Assim, se ninguém se manifesta, eu me manifesto. A condição de bovina simpatizante da UFBA me autoriza, creio, a informar à direção central dessa honrada instituição que há algo torto no Reino da APUB. E quem disse isso, em outras palavras,  foi o TST.  Com multa e tudo. Desconhecer a sentença exarada pelo egrégio Tribunal é uma grande temeridade…

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Seriam bobinhos os professores da UFBA?

Deus me perdoe se estou julgando mal, mas tenho pra mim que a eleição para a representação docente nos conselhos superiores foi algo articulado alhures. E bem articulado. Só uma criancinha de colo pode não perceber o quanto o partido do governo se articula com a UFBA e a APUB, e as tornam aparelhos do PT e coligados. Veja quantos secretários do governo de Jaques Wagner são professores licenciados da UFBA e ligados ao Partido dos Trabalhadores: SESAB, SEC, SECULT, SETRE, SEPLAN. Fora os de escalões inferiores. Sendo que o titular da SEPLAN já começou, sem muita discrição, sua campanha para inquilino do Palácio de Ondina…

Como se não bastasse, me vem agora um simpático e jovem professor, recém chegado na UFBA, ausente do movimento docente, das Assembleias, e PIMBA! De repente, não mais que de repente, foi carimbado conselheiro. Esse mesmo jovem docente, vem da direção do importante Instituto Anísio Teixeira (IAT). Aliás, já tentara, pelo PT, eleger-se vereador. Percebeu, leitor? Percebeu, leitora? Ah! Ainda tem mais. A insipiência da direção da APUB em matéria de política partidária foi temperada com o traquejo do seu vice-presidente, sem falar que contou com a logística de um ex-dirigente da UFBA e voraz empreendedor, já experiente nos labirintos palacianos… Quem esteve na sede da APUB na época da greve pôde ver o ex-magnífico da UFBA (e agora magnífico noutras plagas ‘tra vez!) firme e forte, emprestando o fruto de suas laboriosas sinapses à diretoria encurralada e destituída em Assembleia Geral.

Pois é. Ninguém tira da minha pobre cabeça bovina que essa última eleição foi mais que um simples movimento de urnas virtuais e analógicas. Segundo eu soube, pelas unidades da UFBA foi um corre-corre dos diabos. As orelhas de alguns professores fizeram robustos calos de tanto telefonar para os colegas comparecerem à votação. Ou seja, a máquina institucional foi usada para legitimar o pleito convocado por uma diretoria visceralmente ligada ao Proifes, entidade criada sob os auspícios do ilibado ex-presidente petista, o Dr. (honoris causa!) Luiz Inácio Lula da Silva!

Que conclusão eu cheguei? Bem! Claro que eu sei que os professores da UFBA não sou bobinhos. Isso não. Mas talvez tenham sido ludibriados na boa-fé que muitos têm… Simplesmente, foi criado um canal entre a diretoria da APUB – orientada por gurus de alhures -, e os corredores das unidades, para que fosse disseminada a ideia de que era preciso eleger  representantes nos conselhos superiores da UFBA para neutralizar “a diretoria pelega”. UAU!

Apesar da Comissão Eleitoral não ter, que eu saiba, divulgado o mapa da votação com o resultado dos votos em branco e nulos, deu para concluir que as chapas 1, 3 e 4 foram vitoriosas. E aí, cara-pálida? Dá para dizer que os conselhos superiores estão livres da doença infectocontagiosa do peleguismo disseminado na UFBA na última década ? Será que dá? Se der, ótimo.

Depois, eu é que sou bovina!…

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Um engodo chamado ENEM

Ninguém tira da cabeça desta pobre bovina que vos fala que o tal Exame Nacional do Ensino Médio, vulgo ENEM, é uma das maiores provas da incompetência ou má vontade do Estado. Em ambas as situações, só penaliza a classe trabalhadora. Toda vez que leio que ele é utilizado “para avaliar a qualidade do ensino médio”, tenho vontade de mandar tudo que o brilhante Prof. Cipriano Luckesi, docente aposentado da UFBA (e também da Faculdade de Educação) escreveu sobre a avaliação, para os técnicos do MEC e chegados. Primeiro, que a avaliação, principalmente se for diagnóstica, não exclui ninguém. Se eu entendi bem o que li do Prof. Luckesi, ela é uma espécie de bússola para correção do percurso cognitivo do ser em situação de aprendizagem. A avaliação como deve ser entendida, jamais pode excluir. O que exclui é o exame. Aliás, assumido na composição da sigla do ENEM.

Através do exame, os prepostos do Estado brasileiro decidem quem passa a gozar das benesses do sistema e quem é jogado às traças. Num Estado voltado para o trabalhador, diferente do estado burguês que está aí, teriam tantas vagas quantos fossem os interessados em fazer um curso superior. Assim como, teoricamente, ocorre no ensino fundamental e médio.

O governo Lula/Dilma conseguiu religiosamente dar continuidade ao catecismo de FHC, no governo do qual foi conjuminado o famigerado ENEM, em 1968. Mudar o nome do vestibular para ENEM, não altera a perversidade do exame excludente.

Depois, eu é que sou bovina!

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Criança esperança precoce

Há pessoas que exageram nos cuidados com seus pimpolhos; outras pecam por menos. O mundo é exatamente assim. E é por isso que as histórias e “causos” não param de ser contados.

Eu soube, outro dia, que uma mão zelosa quase desgastou a unha do indicador esquerdo para marcar um psicólogo para o seu filho. Que fique claro que ela era canhota. Tentou, tentou, tentou e nada. Já exausta, soube que talvez o Planserv não contasse mais com o atendimento de psicólogos. Informaram-lhe que havia um tal “controle de saúde mental”. As atendentes  com as quais ela falou estavam muito confusas e ela ficou mais baratinada ainda. Resolveu, então, tentar um psiquiatra. Novamente o mesmo sufoco.

– As consultas para o Planserv já estão esgotadas para os próximos trinta dias. Mas se a senhora tiver convênio com outros planos de saúde, o médico pode atendê-la em outro lugar. Também atende particular. O valor da consulta varia de cento e vinte a duzentos e cinquenta reais.

Após fazer muitas ligações, ela conseguiu marcar uma consulta para dois meses depois.

Enquanto isso, ela se angustiava com o comportamento do seu primogênito, de apenas cinco aninhos. O menino recusava sempre a assistir ao filme que o pai lhe comprara, para alegria de alguns dos seus coleguinhas do prédio em que morava. O vídeo passava de mão em mão pela vizinhança inteira. A avó, a tia e a madrinha do garoto eram taxativas: aquilo não era normal. Por certo, a criança tinha algum distúrbio mental.

Chegado o dia tão esperado, depois de esperar por quase três horas, ela entrou com o filho no consultório. Foi curta e objetiva.

– Doutor, este meu menino tem um problema…

– Por favor, mãe, diga-me qual o problema dele, então.

– Doutor, não há meio dele assistir a um vídeo de Renato Aragão. Seus coleguinhas, com a mesma idade que ele, são loucos pelo vídeo, dão boas gargalhadas…

O experiente profissional dirigiu-se ao garoto e afetuosamente o inquiriu.

– Então meu rapaz, por que você não assiste ao vídeo do Didi?

– É que o Didi é muito sem graça…

Fazendo girar bruscamente a cadeira, o psiquiatra levantou-se, estendendo a mão à genitora da criança.

– Fique tranquila, minha senhora. Pode depositar todas as suas esperanças no seu filho. É que, simplesmente, ele tem inteligência além da média. Ele é uma criança precoce!

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Por que a vaia aos médicos cubanos?

Essa eu não entendi mesmo. Se as vaias fossem destinadas ao nosso governo pela capitulação ao capital, eu até entenderia. Mas aos médicos cubanos? Eu, hem!

Apesar de ser uma bovina e de viver aqui quietinha no meu pasto, sei que existem médicos bons, responsáveis, com fortes sentimentos humanitários e fiéis ao Juramento de Hipócrates. Existem e não são poucos. Conheço uma cacetada deles. Mas, como toda a profissão, existem também os que têm como meta a compra de um AP de 800 m2 na Vieira Souto ou na Av. Paulista ou, ainda, a aquisição de um “Lady Laura” igualzinho ao do multimilionário autor de “Jesus Cristo eu estou aqui” etc, etc. Qualquer criança que nasce, hoje em dia, já fica sabendo disso tudo pela Rede Globo. Sei que pra esses que navegam nas dulcíssimas águas do ideário capitalista é impossível conceber que um médico venha de longe só por sentimento humanitário. Muito menos irão entender que se contentarão em ficar com apenas uma parte dos proventos e a outra destinarão a ajudar o seu país, vítima da malevolência do governo do Reino Encantado de Tio San. Seria muito pedir a eles que compreendessem esses gestos estranhos, demasiadamente humanos…

Creio que nenhuma criancinha de colo duvida que o “Mais Médico” e o “Mais Professor”, agora anunciado pelo ministro da Educação – como também o “Mais Bolsa Qualquer” -, têm fins eleitoreiros. Isso é ponto pacífico. Tudo isso eu compreendo. Só não compreendo a vaia aos médicos cubanos. Justamente os cubanos tidos como tão competentes e tão dedicados! Seria pelo fato de não serem loirinhos, do tipo ariano? Eu, hem! Depois, eu é que sou bovina!

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Casé – Matta – Pretto

Quem quiser pode falar tudo sobre a Globo. Só não pode dizer que ela é incompetente para ganhar dinheiro ou para fazer o seu próprio marketing cultural. Confirmei isso que estou dizendo no último “Esquenta” de Regina Casé, aquela menina simpática de risada gostosa.

No último domingo, de repente, quando ligo a TV, quem eu vi lá? Nem acreditei! Aquele homão bonito de olhos de mar azul! “Uau! Pensei com os meus cornos! Vou aprender tudo sobre redes sociais, sobre novas tecnologias e esses trecos de uns e zeros, pois o homem é fera nisso tudo!” Mas qual! Subutilizaram o grande pesquisador da UFBA. Na verdade, acho que ele foi convidado mesmo foi para falar sobre o Dia dos Pais (confira AQUI). Felizmente, ainda deu uma breve canja sobre o que vem pesquisando, mas foi tudo muito rápido do tipo “vai ser bom, não foi?”.

Meio frustrada, comecei a associar a ida do Prof. Nelson Pretto com a ida do Prof. Roberto da Matta ao “Esquenta” (veja AQUI). Assim como o docente da UFBA, o Prof. da Matta é um antropólogo ocupadíssimo, também cheio de compromissos acadêmicos e com o agravante de morar nos States. Tentei e logo desisti de fazer o cálculo do quanto a emissora gastou com translado e hospedagem desse cientista de renome lá da Califórnia, só para falar míseros minutinhos! Melhor dizendo – gastou, não, investiu!

Depois de muito ruminar, cheguei à conclusão que o que a Globo fez, não foi apenas convidar dois intelectuais conhecidos nacionalmente para falar sobre um determinado tema, mas foi, sobretudo, uma propaganda “competente” de si mesma. Com a ida tanto de Pretto quanto de Matta em Casé, quem matou a pau foi mesmo a emissora. É como se dissesse ao público: essas duas feras da academia subscrevem o que estamos fazendo pela cultura deste país. Logo, a Globo tem o aval do pensamento crítico brasileiro – partindo do suposto que os intelectuais são críticos. Isso sem falar da Unesco, com o “Criança Esperança”…

Depois disso tudo, pensando melhor, e abrindo um parêntesis – ou recorrendo à intertextualidade, como dizem os acadêmicos -, acho que passei a apreciar a Globo. No duro, no duro, fico até feliz pela propaganda “machista” que o Tony Ramos faz sobre uma empresa de carne bovina. Já pensou se ele anunciasse a “Frivaca”? Deus seja louvado! Aliás, não faz muito tempo que a mídia publicou (veja AQUI) que essa empresa que o galã anuncia na Globo deve R$ 66 bilhões de impostos à Viúva, e doou, ainda assim, R$ 18,1 milhões para as campanhas de Dona Dilma, de “Seu” Serra, além de agraciar também com muita grana o PMDB, PSB, PSDB e DEM. Como se vê, é a versatilidade em pessoa… jurídica!

No meio dessa competência toda, dialeticamente, como dizem os da academia, o samba, a capoeira, o morro, o negro, o sarará, o rap, o pagode e outras manifestações populares autênticas acabam sorvendo um oxigeniozinho…

Viva a Indústria Cultural da sociedade globalitária!

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APUB debate programa “Mais Médicos”

Uma professora da UFBA me escreveu manifestando-se perplexa com o “gesto largo” da APUB que se propõe a debater o programa “Mais Médicos” do governo federal. Como eu não entendo nada dessas coisas que ocorrem na entidade dos professores, fiquei meio baratinada também, enxergando vaquinhas aladas ao meu redor. Primeiro, porque estou sempre escutando alguém dizer que a atual diretoria se orienta apenas pelas determinações do Proifes –  que é governista até a alma. E isso não é mistério nem para criancinhas de colo… Segundo, porque, de alguma forma, isso diz respeito à luta de um segmento do trabalhador da saúde, e, pelo que me consta, o forte da atual APUB é organizar saraus, eventos culturais e buffets, com o rico dinheirinho dos docentes. Lutar para a diretoria atual é coisa de dinossauros…

Ora, se estão certos os analistas quando dizem que esse e outros programas recentes do Palácio do Planalto têm por objetivo fazer arrefecer o ânimo das manifestações de rua – incluindo-se nesse bolo o Programa “Mais Médicos” -, não entendi o que levou a direção da entidade a cometer a audaciosa rebeldia de discutir um ato ou proposta governamental.

Digamos que, durante a discussão no referido evento, seja tirada uma moção no sentido de exigir do executivo federal a suspensão de mais essa demagogia pré-eleitoral. Nessa vida tudo é possível, não é mesmo?… Teria – pergunto eu -, a ilibada e impoluta diretoria a coragem de encaminhá-la de verdade?

Sem deixar de reconhecer que a discussão é sempre louvável e bem-vinda, que Deus me perdoe por ter ficado um tanto maliciosa, mas isso tudo está me cheirando mais um redondíssimo caô…

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O papa foi politicamente incorreto?

A mídia alardeou uma das passagens do discurso do Papa Francisco: “nunca falar mal dos outros”. Isso é bonitinho, mas também é meio ambíguo… Parecendo até o discurso dos governistas para poupar Zé Dirceu e a tchurma do Mensalão. Ou o discurso tucano para preservar os mensaleiros bicudos…

Será que a piedosa colocação do representante das potestades celestiais na Terra estaria considerando como “falar mal dos outros” as críticas aos homens públicos (e mulheres) que exorbitam com a res publica?

Como se não bastasse, continuou Sua Santidade: “Não é preciso ir ao psicólogo para saber que, quando alguém denigre (sic) o outro, é porque ele mesmo não pode crescer e precisa humilhar o outro para se sentir alguém” (o grifo é meu).

Bom seria que algum cardeal chegado ao representante de Pedro o avisasse que o uso verbo “denegrir” nessa acepção vem sendo questionado aqui no Brasil por alguns militantes sociais ou assemelhados, pois é apontado como um termo que pode fortalecer o racismo. Sem querer me meter nas arapucas insossas da academia, o dicionário Aurélio traz o significado de denegrir como “Tornar negro, escuro; enegrecer, escurecer”.  Como sentido figurado traz também que denegrir é “Macular, manchar” […] E ainda “Desacreditar, desabonar, infamar”. Ora, se ele concorda que o negro é tão belo quanto o branco, aos olhos de Deus, não tem porque usar esses termos que acabam menosprezando o povo africano e seus descendentes.

No embalo, que não abrigue também no seu vocabulário o termo “judiar”, já que, nessa mesma mesma lógica, seria ofensivo ao povo judeu.

E que Deus seja louvado (como criação humana ou não)! E que não mais desampare – como milenarmente vem fazendo -, os pobres, os gays, as lésbicas e simpatizantes, as mães que são obrigadas a recorrer ao aborto, os negros, os índios, os sararás, os albinos, os que não se enquadram nos cânones estéticos europeus e greco-romanos, e muitos outros seres humanos que povoam este lindo e maltratado planeta, transformado pela mais-valia praticada pelo dominador num vale de lágrimas. E também, claro, que não desampare as bovinas como eu, por via das dúvidas…

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CPD revive FAPEX

Acabo de ler que o CPD da UFBA foi ocupado pelos estudantes. Eles clamam por mais assistência, mais restaurantes e mais buzus.

Segundo os estudantes, os itens solicitados são poucos, ou melhor, são ínfimos para atender às demandas crescentes a partir do aumento de vagas da universidade. Provavelmente, os criadores do Reuni e da Universidade Nova imaginaram que não seria necessário mexer nesses itens. Aumentar as vagas nas Universidades Públicas sem pensar neles é muita moleza. Vê-se mesmo que a coisa só funciona para fins estatístico-eleitoreiros: “Nunca, na história do Brasil, se aumentou tanto o número de vagas nas Universidades Públicas como no governo petista”.

Quem insiste em apoiar o atual governo – desgoverno para alguns! -, certamente está com dificuldades em continuar mantendo o apoio e, ao mesmo tempo, esconder essa flagrante contradição sob o tapete “vermelho de araque” como gosta de se expressar o meu amiguinho Saci-Pererê da UFBA. E haja retórica!

Talvez a ocupação desse importante centro de dados da UFBA chame a atenção da mídia e, consequentemente, sensibilize quem de direito. Parece que com a FAPEX (centro de vultosa grana, segundo dizem) foi assim…

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Diretoria da APUB vai costurando apoios e simpatias na maciota

Se eu entendesse metade de uma patinha bovina do poder que seduz os humanos, arriscaria em dizer que a APUB está se mirando no espelho do governo para assegurar “governabilidade”. Habilmente, segundo chegou ao meu pasto, a diretoria vem costurando parcerias jamais imaginadas por uma simples bovina. Já há algum tempo esses rumores me chegam e eu não tenho dado a atenção que merecem.

Para minha surpresa, ontem, ao ligar o meu Netcow – para quem não sabe é um computador de colo com apenas quatro teclas para vacas -, surpreendi-me com a publicação do “Manifesto de solidariedade e apoio aos povos indígenas contra o genocídio e pela preservação dos seus direitos” pela APUB. Sim, porque se essa APUB que está aí apoiasse alguma ação em favor do governo, não seria de causar espanto. A partir da enturmação de diretorias pretéritas da entidade com o que se costuma chamar de “o braço do governo petista nas IFES”, ou mais pomposamente de Proifes, o vagão da seção sindical começou a sair dos trilhos…

Você deve imaginar, então, qual não foi a minha surpresa, quando vi estampada a “manchete” no site da entidade. E mais surpresa ainda quando vi a origem do Manifesto. Foi aí que passei a ligar os fios dos fatos. Então, era verdade que no cortejo do Dois de Julho uma das pessoas “criminalizadas” pela diretoria destituída da APUB, por fazer greve estava lá, ombro a ombro com a diretoria atual, sob o manto-faixa do Proifes/Cut. Por um momento cheguei a indagar a mim mesma por inspiração machadiana: mudei eu ou mudou o Dois de Julho?

Após umas boas ruminâncias, constatei, de fato, a estúpida que fui. AHHH! Só agora vejo com clareza que gastei meus dois únicos neurônios inutilmente, tentando entender as ações políticas dos humanos. A ficha caiu. Tardiamente, consigo compreender que os “contendores” não eram contendores, mas simplesmente atores que representavam numa grande ribalta…

Prazam os céus que a dura e sincera luta travada pelos povos indígenas e trabalhadores do MST não seja maculada a partir de certos apoios mediáticos (de fazer média)… Afinal, algo ser divulgado num site com inclinações pelegas não significa estar em sintonia com o ideário pelego. Pelo menos, é o que penso na minha estultice ruminante.

Ademais, é bom lembrar que, pela decisão da Justiça, em terceira instância, essa diretoria que está aí já deveria ter realizado outra eleição para a escolha dos novos e autênticos dirigentes da APUB, uma vez que se elegeu com um estatuto fajuto – para escrever com elegância. Para não largar o capim facilmente, os atuais inquilinos da casinha da rua padre Feijó apelaram para o Supremo. Afinal, grana do associado não falta para bancar as tais custas processuais. De forma que, pelo sim ou pelo não, moções e apoios humanitários resultam sempre em resíduo de simpatia e custam muito pouco ou quase nada…

Vem pra cá! Depois, eu é que sou bovina!…

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Os docentes da UFBA são todos pelegos?

 Não faz muito tempo eu conversava com o Caipora sobre os professores da UFBA. Ele, para me provocar, escancarou o sorriso maliciosos e me disse que os professores da UFBA estavam seguindo o caminho das ovelhinhas do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin.  Protestei com veemência, e creio com razoável conhecimento de causa. Daqui do meu pasto, venho acompanhando a movimentação dessa simpática universidade, e posso percebo perceber o quanto uma ovelha equivocada – na melhor da hipótese, para usar de um eufemismo, muito caro aos acadêmicos – pode manchar com a reputação da categoria.

De um modo geral, os trabalhadores vão tocando sua vida na trabalheira cada vez mais precarizada do cotidiano, mas nos momentos necessários eles comparecem às Assembleias e decidem coletivamente o que precisa ser decidido. Com os docentes da UFBA não é diferente, pelo menos nas condições naturais de temperatura e pressão (CNTP), como costuma dizer o Prof. Petrô, lá do Instituto de Química. Ocorre que uma diretoria com fortes ligações palacianas se instalou na direção do sindicato e vem fazendo tudo segundo sua conveniência para a base não se manifestar. Só para refrescar a memória de alguns esquecidos, agora mesmo, em que pese a decisão da Justiça, em terceira instância, de anular o plebiscito que um grupo armou para desligar a entidade do ANDES-SN, a diretoria da APUB vem se negando a atender a justiça, realizando na semana passada, ao arrepio das decisões, ato para eleição de delegados para encontro do PROIFES, braço do governo nas IFES.

Claro que os docentes, na sua grande maioria, não têm a menor ideia do que está acontecendo. Evidentemente que o colorido boletim impresso da APUB não tem o menor interesse em divulgar informações que possam desnudar a as ações da sua atual direção. E o site, que virou “diário oficial” da reitoria, adota a mesma política da omissão dos fatos que poderiam provocar indignações ao associado.

Dessa forma, a pouca participação dos docentes da UFBA no evento do dia 11 de julho, organizado pelas centrais sindicais brasileiras, para clamar por um país decente, já era prevista pelos mais atentos.  Segundo eu soube, apenas duas dezenas dos mesmos professores abnegados que compõem a Oposição APUB lá compareceram. Os demais, certamente estavam dando aulas, uma vez que não foram avisados em tempo hábil para comparecerem ao evento. Se alguém da diretoria da APUB compareceu, devia estar bem escondido, pois não tive notícia da presença de nenhum deles.

Na verdade, segundo me informaram, rolou até um abaixo-assinado por parte da oposição para que houvesse uma Assembleia Geral, a fim de que os docentes se manifestassem pela participação ou não no Dia Nacional de Mobilização e Luta. Como sempre, a atual direção da APUB se fez de surda.

Corre um chiste nos campi da UFBA que a diretoria não julgou pertinente fazer uma “movimentação” logo após outra, considerando que o forró dos festejos juninos estaria catalogado nos “eventos de movimentação”.

Quem se debruçar diante dos fatos, certamente compreende facilmente a razão do boicote que a direção da APUB fez ao Dia Nacional de Mobilização e Luta. Ocorre que essa manifestação é feita contra a política do governo atual apoiado pela direção da APUB. E aí é muito simples de se concluir: O que teria uma entidade governista para pleitear em vias públicas? Até poderia disfarçar, como o fez os seguidores do olímpico Aldo Rabelo… Mas de qualquer forma, enquanto direção, as mentiras logo seriam apontadas logo lá na frente. Enquanto direção de uma entidade, estariam mais expostos às contradições. Não há como defender o governo Wagner para ficar bem com os compromisso assumidos com a FAPESB ou assemelhados, e reconhecer que os colegas docentes da rede estadual estão sendo preteridos pelo Palácio de Ondina…

Sem ter procuração dos docentes da UFBA para defendê-los, repilo a injúria do Caipora. Os professores da UFBA não são pelegos! Digo isso com absoluta certeza! Ainda que se possa apontar focos de peleguismo na Universidade Federal da Bahia, de um modo geral esses docentes são dignos e bravos. O que não são é bem informados em matéria das ocorrências sindicais. E isso não é nenhum defeito. Até porque são doutos em muitas outras matérias.

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Racha na Oposição APUB?

Recebi uma mensagem de um leitor que se expressou num tom um tanto melancólico. Ele escreveu sobre as dissidências cada vez mais profundas entre os professores da UFBA e, em particular, da Oposição Sindical APUB. Se continuar assim, segundo se posicionou, não vai  sobrar nem professor pra apagar a luz da sala de reunião… O cara me pareceu um leitor cabeça feita de Schopenhauer, tamanho era o seu pessimismo.

Pois bem, o aludido missivista se sensibilizou em ver professores, tidos como revolucionários, engrossando as fileiras da diretoria da APUB, no cortejo do Dois de Julho. Abrigados pela bandeira da CUT, claro, e ostentando um grande embuste em forma de faixa: “Plebiscito, o povo já decidiu”.  Pois é essa certeza que me faz temer as urnas eletrônicas… Parece que tudo já está arquitetado para um megacambalacho.  Há um ano, esses bravos revolucionários estavam entre os aguerridos líderes da greve dos professores da UFBA. Quem diria que “flexibilizariam” tão rápido? Sua bola de cristal mostrou isso, querido leitor, querida leitora? A minha, não!… Se eu fosse uma bovina maliciosa, diria que eles nunca foram oposição, mas, simplesmente, bons atores.

UFA! Nada dos humanos me surpreende. Misérias e virtudes. Sei que as bandeiras da Cut e do PT, os une. Mesmo que tenha dificuldade em compreender o que cimenta o discurso revolucionário anticapitalista de alguns e a magnanimidade do governo em abrir as… as… como digo isso elegantemente?… as… as… as portas dos cofres públicos aos banqueiros e financiadores de campanhas. Vale perguntar que empreiteiras construíram, em Tebas, a Fonte Nova, o Maracanã, o Mané Garrincha, o Castelão? Da mesma forma que vale perguntar, também, com que finalidade… Seria, acaso, prover o trabalhador de bons entretenimentos e de forjar nele o espírito olímpico solidário?

É aí que concordo com Touro Sentado, lá das plagas dos índios do norte: “Citar Karl Marx é moleza. Duro é conciliar o bolodoro retórico com a dureza da coerência das pequenas ações do cotidiano em favor dos obreiros”. E não me pergunte se Touro Sentado falou isso. Se não falou, certamente, falaria se ainda estivesse aqui entre nós, poço de sabedoria que era.

Acabo chegando à conclusão que, às vezes, o racha é salutar. Ainda que diminuindo os braços do coletivo, dá a certeza de que os poucos bravos que sobram são autênticos e confiáveis. Isso é o que consigo enxergar cá do meu pasto. Sem choro nem vela. E sem pessimismo. S.M.J.

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Grampinho negociou, Wagner não.

Alguém presenciou um cena patética, acompanhada de um grito lancinante – digno de Quincas Berro d’Água amadiano -, e me relatou tudo. Foi no Largo Dois de Julho, nas proximidades do antigo cine Capri. Um tipo popular clamava ensandecido: “Grampinho negociou, Wagner não! Grampinho negociou, Wagner não! Eu não aguento mais o PT”.

Pelo visto, o moço desapontado era um romântico que ainda sonhava com noites enluaradas e o companheiro Lula (lá deles!) ofuscando o luar com o brilho de suas estrelas… Provavelmente, o sofrido petista se referia ao fato de o prefeito ACM Neto ter permitido que a manifestação de ontem, dia 27/06, prosseguisse além da barreira imposta pela polícia, e chegasse até a praça Tomé de Souza. E, com isso, o neto do Cabeça Branca se mostrava mais habilidoso com a massa do que o Barba Branca, que, por sinal,  mandou a polícia descer o sarrafo nos manifestantes, dias atrás, quando tentavam chegar até o Palácio de Ondina. Aliás, tem sido a marca do atual governador da Bahia a intransigência. Quem se recorda da greve da polícia e da greve dos professores não me deixa mentir. Claro que, com isso, os petistas vão perdendo terreno para a tchurma do Dem. (Vixe, minha santa! Trocar seis por meia dúzia!). Atualmente, ninguém duvida que a vitória de Neto sobre Pelegrino não foi outra coisa senão o resultado de uma ameaça cumprida rigorosamente pela população, decepcionada com a atuação do atual governador: “Aguarde, carioquinha de meia tigela, pois minha vingança sará maligna!”. E foi.

Resta ao governador se vingar do povo com o tal “canhão sônico”. Dizem as más línguas que não foi à-toa que ele investiu na aquisição dessa diabólica tecnologia… Dizem!

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A superação do fogo do inferno

Mesmo que Tomás Hobbes tenha se equivocado com o seu “Homo homini lupus” (o homem é o lobo do homem), quanto à natureza humana, arrisco dizer que, historicamente, o batidão tem sido esse. Em outras palavras, se não é, tem sido. Ao longo do tempo, alguns indivíduos foram desenvolvendo formas de dominar seus semelhantes, quer pela força, quer pela retórica ou boa lábia. Passeie pela História e encontrará a marca da exploração, pilhagem, mais-valia e o escambau. Releia sobre os medos, persas, assírios, babilônios, caldeus, egípcios, persas, macedônios, gregos, romanos e tantos outros da antiguidade. Continue lendo a “Mestra da Vida”, como queria o romano Cícero e chegue até a História Contemporânea de europeus sugando a última gota de sangue dos africanos, e pare no imperialismo estadunidense.

O que vê na sua espécie, humano? Generosidade, altruísmo, espírito largo? Pois sim! Engana-me que eu adoro ser trouxa!

Nessa linha de rapinagem, o caniço pensante pascalino, chamado homem, é prodigioso. A história da “evolução” das armas e engenhos de aflição escancara uma genialidade bestial e sinistra em cada instrumento de morte e tortura. Stanley Kubrick sintetizou isso bem em “2001 a Odisseia no Espaço”; de um simples osso como tacape – provavelmente um fêmur –, a uma aeronave espacial. Cada um com o seu grande potencial de destruição assegurado. Além dessas ferramentas físicas que as chamamos da hardware, existem as não físicas, como as múltiplas linguagens que foram desenvolvidas em milênios de história. Chamemo-las de software, para diferenciá-las dos dispositivos físicos. É bom ressaltar que, tanto o hardware quanto software, exerce, – ou pode exercer -, individualmente ou conjuntamente, a sua instrumentalização perversa. Redondamente cruel.

De forma bem ampla, pode-se dizer que as armas e as leis explicam a sujeição da maioria pela minoria. Quando a materialidade não é recomendada, por esse ou aquele motivo, vale-se da imaterialidade, do discurso, da linguagem, da lábia, da ladineza verbal, da ideologia, enfim. Veja o que as religiões criaram para economizar prodigiosamente o uso das armas, o uso dos grilhões ou o emprego dos cárceres; mire a genial invenção da figura do fogo eterno infernizando as subjetividades. Quem, ontem, véspera de São João, se queimou com um esquálido traque, ou cobrinha, ou mesmo uma “espada” daquelas grandonas de Cruz das Almas, sabe o quanto o fogo é apavorante. Aliás, não só para os humanos. A simples aproximação de uma tocha flamejante de um equino ou de um bovino como eu, é suficiente para provocar uma corrida ensandecidamente patética.

Dessa forma, a Igreja Católica pôde, de alguma maneira, exercer o controle sobre seus fiéis seguidores fazendo-os, na hora certa do paroxismo do horror, evocar mentalmente o fogo eterno pelas entranhas dos pecadores que não se submetessem ao seu catecismo. E, ainda, fazendo acompanhar o martírio ou desconforto do churrasco eterno com os efeitos especiais do ruído, do choro e ranger de dentes. Tchiiiiii! Dá até para ouvir o ruído da carne fritando!… Dessa forma, a meu ver, a igreja conseguiu amalgamar todos os ingredientes do supremo pavor: fogo, carne assada e osso em medidas e intensidades descomunais para produzir a dor – o maior dos desconfortos! e o odor nauseabundo imaginativo -, por todos os tempos, pela eternidade, temporalmente infinito.

Acontece que o real se movimenta. Inapelavelmente.

Quem sabe a metáfora do fogo eterno não amedronte mais com antigamente!… Quem sabe se nos grandes laboratórios de pesquisas sobre o controle da mente humana, capitaneados pelos cientistas estadunidenses, outras formas mais poderosas de aterrorizar as mente humanas não estão sendo engendrados. Exatamente neste momento!

Por outro lado, fico pensando “qual um outro castigo seria mais aterrorizante do que o da figura do fogo eterno?”…

Parece bobagem, mas fiquei horas e horas ruminando, regurgitando ideias, ao tempo em que tentava imaginar algo que pudesse superar a temível condenação milenarmente inculcada.

—————————– Suei em bicas, não vou mentir, quando a funesta EUREKA! aconteceu. Havia algo, sim, incomensuravelmente pior do que o mármore ardente do inferno sob o lombo. Incomparavelmente. E aí me ocorreu ouvir, por todos os meus pecados cometidos, “per omnia saecula saeculorum” (por todos os séculos dos séculos) – como recitavam em latim os padres e piedosas ovelhas de décadas atrás -, a voz cavernosa de Galvão Bueno: – Bem amigos da Rede Globo!…

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Projeto quer acabar com o “político profissional”

Corre na internet uma minuta de projeto que, entre outras coisas, limita a permanência de políticos a duas legislaturas consecutivas. Creio que não vai passar, pois os políticos profissionais cairão de pau – sem dó nem piedade! -, na proposta. Não é pra menos. Se vingasse a ideia, muita gente boa ficaria desempregada, uma vez que alguns dos tais não sabem fazer outra coisa na vida senão politicar. E, em muitos casos, com p minúsculo.

Imagine, por exemplo, o colendo inquilino atual do Palácio Tomé de Souza. Será que ele ainda saberia advogar se ficasse desempregado na política, uma vez que a sua formação é de Bacharel em Direito? Talvez, sim. Não vou ser radical, porém creio que no início, ficaria que nem uma barata tonta até se aprumar, uma vez que, desde que saiu da Faculdade, não fez outra coisa senão alisar os acolchoados bancos legislativos.

Quanto ao síndico do Palácio de Ondina, salvo engano, sua situação é mais confortável, já que os ex-governadores são contemplados com algumas mordomias após deixarem o mandato. Salvo engano de novo, têm a prerrogativa até de segurança pessoal pela vida afora. Entre outras mordomias. Também, se assim não fosse, o Barba Branca por exemplo, conheceria o inferno que muitos trabalhadores convivem diariamente, pois logo que o dito cujo se envolveu com a política foi adquirindo um porte de imperador que dificilmente o faria caber de novo no velho macacão azul ou cinza.

Por essas e outras, dou meus cornos a paulada se esse delírio de uma noite de verão levantar voo. Ao menos levantar voo!

Quer apostar comigo?

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Diretoria da APUB desrespeita decisão da Justiça

Quem visitar o site da APUB vai se deparar com um flagrante desrespeito da atual diretoria da APUB à decisão da Justiça do Trabalho. Como é sabido por todos, recentemente a Justiça declarou nulo o plebiscito que tentou separar a seção sindical dos professores da UFBA do ANDES – Sindicato Nacional. Fazendo-se de desentendida, a direção da entidade insiste em manter-se ligada ao Proifes, conforme se lê no site: “Eleição de delegados para o IX Encontro Nacional do Proifes”. Para quem ainda não sabe, o Proifes é o braço do governo Lula nas instituições federais de ensino superior (IFES). Ainda que marginal (ou à margem, se preferir o Leitor politicamente correto), conforme a Constituição Federal de 1988, uma vez que contraria a determinação legal da unicidade sindical, tenta astuciosamente incrustar-se de qualquer forma nas federais através de “firulas enrolativas”, nas palavras do meu amigo Saci-Pererê da UFBA, quer pela via de “fórum”, quer pelo caminho da “federação”.

Esse tal encontro significa ataque aos recursos financeiros da entidade, pois delegados recebem diárias… Qualquer pessoa de bom senso sabe que, uma vez batido o martelo da Justiça, definitivamente, como ocorreu em terceira instância pela anulação do plebiscito viciado, qualquer ligação com o Proifes torna-se – para ser elegante –, demasiadamente marota. O que dá margem, futuramente, a uma ação judicial contra quem deveria zelar pelo rico dinheirinho do associado. Depois, digam que não foram avisados por uma bovina intrometida…

Lembrando aos esquecidos, a APUB continua sendo uma seção do ANDES-SN. PT Saudações. Ou melhor, sem PT.

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Que a conta do “preju” seja mandada para o governador da Bahia

Semanas atrás, disfarçada de humano, ouvi num ponto de ônibus alguém aventando a possibilidade de a confusão das filas quilométricas das agências da Caixa Econômica Federal ter ocorrido a partir do falso boato sobre o fim do Bolsa Família, armado talvez pelo próprio governo ou simpatizantes. Segundo o analista popular, a ideia era apresentar o veneno (o boato do fim do benefício) para depois a salvadora (a síndica do palácio do Planalto) assegurar a cura (a permanência da bolsa com as providenciais merrecas). Se o factoide foi criado por algum discípulo de Joseph Goebbels de plantão, não posso afirmar ou negar. Que a desconfiança é plausível, isso é. Alguém duvida da expertise dos Dudas ou dos Bonis? É bom notar que não se identificou nada do “alarmismo” pelas redes sociais. O que se presume ter sido veiculado por telefone. Inclusive para o interior baiano…

Num raciocínio análogo, fico pensando e pergunto aos meus cornos” até que ponto esses baderneiros truculentos plantados nos movimentos da tardia Primavera BR não foram também enfiados lá para justificar a truculência do governo contra as massas insatisfeitas?”

Ainda hoje, o Prof. Francisco Santana chamou atenção, numa postagem que fez neste Blog, para o modus operandi da polícia de Jaques Wagner, “escarrada e cuspida” à do Cabeça Branca de triste memória. Qualquer estrategista em segurança e sensível ao ideal democrático, teria pensado, no mínimo, em estabelecer barreiras físicas para evitar o acesso à Fonte Nova. E isso para não incomodar os ouvidos delicados dos cartolas do futebol mundial. Certamente, as pessoas pacíficas, presentes na manifestação, não a ultrapassariam. O que se viu, entretanto, não foi isso. Após a “forçação de barra” pelos mais afoitos, a polícia foi disparando bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão indefesa. Se quisesse apenas defender o limite estabelecido pela tal Fifa, com um mínimo de respeito pelo Estado de Direito, não teria se comportado como se comportou. Dessa forma, a polícia do Barba Branca se comportou à semelhança dos depredadores do patrimônio público. E, na mesma linha, o seu Comandante-em-Chefe civil, o atual ocupante do Palácio de Ondina.

Que o governador da Bahia pague, pois, do seu próprio abonado bolso, o prejuízo causado pelas depredações, com base na III Lei de Newton, que ele deve ter estudado quando estudante do Curso de Engenharia, antes de abandoná-lo para ser líder sindical e aventurar-se na política: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”…

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Presidente da APUB blefa na Assembleia

Bobo é quem pensa que aqui do meu pasto não fico sabendo das coisas. Pois sim! Que pensem! Que continuem não sabendo que estou cercada de bem-te-vis que nunca dormem…

E foi justamente um deles que me trouxe notícias da última Assembleia da APUB, realizada no Dia dos Namorados.

– Bem-te-vi, Tatá! Bem-te-vi!.. A chefona levou a galera no bico! Viiii! Viiiii! Bem-te-vi!

Pelo que entendi desse misterioso código canoro, a tal assembleia teve como razão maior “a apresentação do parecer do Conselho Fiscal sobre as contas da entidade (exercícios de 2010 e 2011)”, e como acessório de segunda a “Medida Provisória 614/2013, publicada mês passado, que altera a Lei 12.772/12, que dá novas regras à carreira docente, e promoção para Titular.” Claro que os fieis escudeiros proifenses lá estavam para bater palmas e chancelar as contas. A oposição com O maiúsculo também compareceu, mas em minoria. A  outra oposição, com O minúsculo, que se finge de esquerda, desistiu, ao que parece, de se expor, uma vez que fica patente que ela não quer participar de nenhum movimento que ameace deixar as vergonhas do Planalto à mostra. Daí a categorização que vem sendo dada por alguns críticos de “pelegos de direita” e “pelegos de esquerda”. Se entendi bem a classificação, a direção atual da APUB se enquadra mais na primeira posição. Já a chamada “oposição de mentirinha”, se enquadra no segundo tipo. Ambas são uma desgraça para o movimento sindical e para a luta do trabalhador contra o capital.

De acordo com o que havíamos previsto, ao ser interpelada sobre a anulação do plebiscito viciado pela Justiça do Trabalho, em terceira instância, durante a assembleia, a presidente da mesa deu uma de Rolando Lero: “Ah! Foi apenas uma ação declaratória!…” Atente bem para o “apenas”.

Imaginei logo que os doutos do direito lá não estavam, pois certamente contestariam a “instrução programada” recitada pela direção da mesa. E não ficou só nisso, segundo eu soube. Como golpe de misericórdia lascou outra: “Reconhecemos a anulação do plebiscito, mas estamos aguardando que nos digam o que fazer.”

Morro de vontade de perguntar: Ô cara pálida: quem é que vai dizer o que fazer? A Justiça? Desde quando a Justiça vai dar as coordenadas dos passos de uma entidade Sindical? O papel da Justiça era o de julgar a validade ou não do plebiscito. Julgou. E por três vezes. Como consequência do julgamento, todos os atos das diretorias depois desse plebiscito, tornam-se sem efeito. Inclusive a eleição última para a escolha da diretoria da APUB. E, assim sendo, essa diretoria não tem nenhum poder. Nem legal nem legítimo. Sequer para formar um quadrilha junina e torrar o dinheirinho do associado com rega-bofes não autorizados por quem de direito. Fraude é fraude. Inapelavelmente. Assim, se insistir em dirigir a entidade sem o respaldo da base, torna-se impostora.

Ou seja, a assembleia perdeu uma grande oportunidade de tomar as rédeas da entidade. Diante do juridiquês, a plenária ficou catando milho. A presidente da mesa, sem muita opção de retórica, jogou o barro. Colou. E ninguém mais contestou. E tudo seguiu como antes no quartel de Abrantes…

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APUB: uma mão lava a outra

Já soube que alguns professores estão preocupados com o silêncio da APUB, no que diz respeito à anulação do tal “plebiscito da desfiliação” pela Justiça do Trabalho. Eles alegam que o site da APUB fala de tudo que rola por aí, mas só não fala se vai ou não cumprir a decisão dos digníssimos juízes de terceira instância.

Cá do meu pasto, vejo tudo com muita clareza. Boba essa diretoria não é. Está tratando de fazer sua política da boa vizinhança e da simpatia, que ela não é nada besta. Aqui, uma moção de apoio. Acolá, a notícia de um lançamento de livro. E por aí vai fazendo sua mediazinha. Finalizando tudo, claro, com um Forró Pé de Serra. Vamos gastar o solado do sapato, moçada! Olha a chuva! Anarriê! (do francês “an arrière” – para trás – como era antes…) Com isso ela está se preparando também para receber as moções de apoio dos que apoiou, ora bolas. Uma mão não lava a outra, e as duas, o corpo inteiro. Coincidentemente, algumas das mãos que estão sendo lavadas nas moções de apoio são de petistas… Justa ou injustamente, mas são. Detalhes bobos, ninharias, porém só para lembrar aos distraídos…

Só que não vejo problema nesse “lava-lava”. La nave vá!, como dizia Felini. Creio que é precipitação desses professores que acham que a diretoria da APUB está esquecida da decisão da Justiça. Se consultarem a pauta da Assembleia Geral do dia 16 de junho, na Politécnica, divulgada no site da entidade, vão encontrar lá: “Informes – Locais e Nacionais”.  Ora, é justamente nesse ponto que a presidente da mesa falará sobre o plebiscito. E se não falar, a plenária tem todo o direito de pedir sua inclusão na pauta.

Só para lembrar aos esquecidos, há mais ou menos um ano a diretoria finada, destituída em Assembleia, chegava com a pauta “redondinha” para que não houvesse greve. E o resultado, todos acompanharam. Virtualmente ou in loco.

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Diretoria da APUB finge-se de morta

Daqui do meu pasto, sem a telinha platinada, posso ver o mundo com muito mais exatidão. Nu e cru. Sem purpurina e blush. Vejo, por exemplo, a APUB fingindo-se de morta diante da anulação do plebiscito pela Justiça do Trabalho. Não tá nem aí. Na flauta, vai levando o associado. Ou melhor, na sanfona, pois seu site já anuncia um big forró pé de serra, além de bebidas e comidas típicas.

Das duas uma: ou o óleo de peroba tem o mesmo efeito de tranquilizante faixa preta, e justifica essa tranquilidade toda, ou rola na cabeça dos atuais inquilinos da casinha da rua Pe. Feijó um pressentimento de que essa pode ser a última  quadrilha festiva… Anarriê! Olhe a cobra!

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O que fazer com os fraudadores do plebiscito da Apub?

Foram bastante oportunos os esclarecimentos do Prof. Francisco Santana, publicizados em vídeo pelo Blog do Saci-Pererê (assista-o AQUI) sobre a fraude do plebiscito praticada pela diretoria da Apub, e reconhecida pela justiça agora em terceira instância.

Também no vídeo, o Prof. Santana fala sobre a manobra rasteira do advogado da APUB para intimidá-lo, assim como da tolerância da “APUB – Movimento” (de oposição à diretoria) e do próprio Andes-SN com os fraudadores. Segundo o professor, a boa-fé dos  professores acabou por fortalecer a confiança da diretoria na impunidade, atrasando, assim, o processo de resgate da entidade.

Se eu conheço bem a alma dos espertalhões, por certo vão recorrer até onde tiverem fôlego. Afinal, as despesas advocatícias e as custas dos processo não saem do bolso dos diretores. E, depois, pela morosidade dos julgamentos, quando pensar que não, os dois anos de mandato já se foram…

Penso, entretanto, que se a luta ideológica entre ser ANDES-SN e ser Proifes (entidade governista) fosse desconsiderada, restaria aos professores honestos da UFBA a luta pela Ética. A ferro e a fogo, para se dar bem e permanecer na direção da entidade sindical a qualquer custo, a diretoria proificista da APUB não vacilou em recorrer a meios escusos – tudo para levar a melhor no plebiscito da desfiliação ao Andes-SN. Felizmente, por três vezes agora, a Justiça do Trabalho reconheceu a fraude. Resta aos professores da UFBA decidirem o que fazer com os fraudadores: perdoar-lhes o desvio de caráter ou mantê-los afastados para sempre da direção da entidade.

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A esperta diretoria da APUB

Se eu não estou enganada, o evento que a Oposição Apub está organizando para o dia 29 de maio incomodou deveras a atual direção da APUB. Nessa data, há um ano, os professores deflagraram a mais longa greve da UFBA, de 127 dias, a despeito de a diretoria governista, destituída em Assembleia, querer obstaculizar o movimento docente favorável à ação paredista. Nada mais justo do que a celebração da ressureição do movimento sindical que agonizava pelas cooptações  sob o patrocínio do governo Lula da Silva.

Justo no dia 29, a diretoria da APUB tenta furar o olho da Oposição com uma audiência pública sobre o Reuni. Com que objetivo a tal audiência? O que pode uma audiência pública? Desde quando o curso do Reuni seria mudado por ela? Desde quando um projeto assinado e carimbado pelo governo seria passível de críticas? A quem a diretoria da entidade pretende levar no bico?

Para legitimar a coisa, achou por bem misturar na salada insossa o DCE e a Assufba. E ainda dizem que ruminar é coisa de bovinos!…

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E agora, APUB?

A menos que a diretoria atual da APUB queira torrar o rico dinheirinho do associado apelando para o Supremo, a farra acabou para os proifeiros ou proificistas. Com mais essa vitória do Prof. Francisco Santana – dessa vez em terceira instância –, creio que está na hora da Oposição com O maiúsculo assumir, ou pelo menos fiscalizar, a transição. A mim não me surpreende se a oposição com o minúsculo fizer vistas grossas ao veredicto da Justiça do Trabalho, trazendo novamente o argumento fajuto de “justiça burguesa”…

Qualquer criança de colo sabe que o PT e o PCdoB posam de esquerda na UFBA. Com boa vontade, alguns diriam “esquerda ultra light”, cujos discursos só teoricamente vão de encontro ao ideário do grande capital. Na prática, assumiram sem o menor pudor o catecismo neoliberal. O mundo gira e eles vão se virando nos trinta. Só para ilustrar, nas propagandas da TV, de forma sutil, o PCdoB já vai se identificando cada vez mais como “o partido socialista” – sabe-se lá que tipo de socialismo! -, temendo cada vez mais assumir o sobrenome de batismo: “comunista”. Alguns diriam que escolheram, no mínimo,  o “socialismo autoritário” em prejuízo do “socialismo democrático”.

Já o PT vem usando algumas políticas públicas como moeda de troca no Congresso Nacional e com relativo sucesso… Diria Lula, se fosse sincero: “nunca na história do Brasil alhos e bugalhos da base aliada se uniram tanto em busca de uma boquinha”. Em dez anos de governo, a reforma agrária parou, a privataria continuou, a injustiça campeou, os banqueiros e empresários encheram as burras e o Brasil se endividou mais do que nunca. Nessa mesma linha, poder-se-ia dizer também: “Nunca na história da UFBA a entidade sindical dos professores foi tão silente nas questões nevrálgicas concernentes aos trabalhadores, quanto agora tem sido”. Carreira docente, precarização do trabalho e das condições profissionais são tabus que não podem ser discutidos nos conselhos superiores da UFBA. Vivíssima, a direção atual da  APUB acochambra discussões “de mentirinha”. Qualquer crítica que possa macular a imagem do executivo federal (ou estadual!) é habilmente embargada pelos guardiões amestrados do partido do governo e de sua base aliada.

Para finalizar, e ir cuidar do pasto que é da minha conta, creio que, se a verdadeira Oposição da APUB não tomar as rédeas do movimento sindical, as “boas ações” já praticadas pela atual diretoria da entidade, como a liberação recente de recursos para a Marcha a Brasília, no dia 24 de abril passado, entre outras, ofuscarão a importante vitória do Prof. Francisco Santana. Não basta a Justiça do Trabalho anular o plebiscito viciado que a diretoria proificista passada patrocinou. É preciso que a verdadeira Oposição assuma a direção da entidade varrendo qualquer tentativa de manobra por parte dos simpatizantes governistas, com o intuito de preservar sementes pelegas na seção sindical. Afinal, sindicato de trabalhador é para lutar em favor do trabalhador, e, se preciso for, até ostensivamente contra o governo/patrão. Sem medo de ser feliz.

Que o ANDES-SN e a Regional Nordeste III saibam apreciar e tirar dividendos políticos dessa vitória!

Esse é o parecer de uma bovina modesta, porém intrometida. SMJ.

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IFES: expansão de vagas sem professores

AHH! Como seria bom se existissem varinhas de condão! Eu juro que daria uma a cada dirigente das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Inclusive aos responsáveis pela querida Universidade Federal da Bahia.

Pensei nisso a partir do vídeo (confira AQUI) que vi sobre a manifestação da moçada do Instituto de Ciências da Saúde (ICS). Meninada boa essa de lá! Já soube que Fono e Fisio estão no rol dos cursos mais politizados da UFBA. Coisa gostosa de se ver é a juventude lutando pelos seus direitos. Mesmo com a maré da pasmaceira que reina nas universidades brasileiras, desde que os partidos ditos de esquerda foram cooptados pelo governo Lula, alguns jovens ainda honram o espírito de luta próprio da idade.

O certo é que o engodo que foi o Reuni de Lula acaba se desvelando aos pouquinhos. Mais dia, menos dia. E não há propaganda que consiga tapar o sol com a peneira. Muito menos otimismo forjado em laboratório. De todo modo, estou rezando – e de joelhos! –, para que a novíssima Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSBA), que terá o timão nas mãos firmes do ex-reitor da UFBA, não tenha a mesma carência de docentes que tem a Universidade Federal da Bahia.  Como já dizia o meu amigo Saci, construir puxadinhos e batizá-los de “universidade” é moleza. Difícil é fazê-los funcionar decentemente.

No caso dos cursos de Fono e Fisio citados, só para falar deles dois, segundo fui informada, faltam mais de duas dezenas de professores. Sem mencionar as condições laboratoriais dos mesmos. Depois, bovina é a mamãe aqui!…

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O discurso de campanha da presidente Dilma

Não creio que o ghost-writer que escreveu os discursos de campanha de Obama  tenha sido o mesmo que redigiu o discurso da presidente Dilma, no 1º. de maio, Dia Internacional do Trabalho, conforme alguns imaginaram. Que, por sinal, lembra a fala de candidato à recondução do mandato. Mas uma coisa é certa: qualquer ET bobinho que por aqui pintasse, e que escutasse a falação da atual síndica do Palácio  do Planalto, diria logo  “Eu quero morar neste país”. Propaganda bem feita tecnicamente é uma coisa incrível. De fato, a edição ficou um primor. Parece até que o que ela disse é verdade!… Demócrito (460 a.C. — 370 a.C) era que estava certo; o mundo é feito de átomos, vácuo e de muita retórica!

Enquanto isso, o partido do governo dá um show em propaganda e pirotecnia pelos seus 10 anos no poder. O mote é mostrar os obstáculos sendo superados, através de pessoas pulando barreiras encontradas. Só não mostraram Zé Dirceu e sua tchurma  saltando a fogueira do mensalão. Alguns apostam que conseguirão. Pelo menos, grana é que não falta para pagar bons advogados… Assim como não faltou para remunerar regiamente os imagemakers do partido do governo, que vão tomando a telinha de assalto. Mas, como costuma filosofar o Saci, viver é ser tomado permanentemente de sobressalto!…

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O festivo condicionamento das massas trabalhadoras brasileiras

A respeito da postagem abaixo, intitulada “Cut, cútis, cutícula e cutelo” o Prof. Francisco Santana, aposentado da UFBA, fez uma observação simples, porém interessante: “Quem paga a conta? 29 automóveis zero sorteados, show de Leonardo etc. Fora ônibus e lanches”.

Pensando bem, vinte e nove automóveis sorteados X trinta e dois ou trinta e três mil – que é o preço médio de um carro popular zero -,  totalizam quase um milhão de reais! É muita grana bêbeda por aí!  (Provamelmente não foi distribuída generosamente pela GM, que de uma só canetada demitiu 598 operários de seus quadros!). Acrescentado o cachê dos cantores e grupos musicais Sampa Crew, Fundo de Quintal, Grupo Katinguelê, Zezé Di Camargo e Luciano, Leci Brandão e Jorge Aragão, Leonardo, Oswaldo Montenegro, Alceu Valença, Fernando e Sorocaba, Victor e Matheus e Art Popular, entre outros, dá uma pequena fortuna. Isso só na capital paulista! Imediatamente me ocorre indagar: Quem está pagando essa orgia e com que objetivo? Seria destinada ao puro e desinteressado entretenimento da massa? Apenas isso?

Esses agrados de autoria nebulosa me fazem lembrar que, anos atrás, os mais velhos se divertiam e se encantavam vendo galinhas e outros animais dançando em circos e picadeiros chinfrins ao som de alucinantes ritmos musicais. Saíam dos “inocente” espetáculos perplexos e invocados diante da capacidade dos adestradores de ensinarem tamanha façanha aos irracionais domésticos, sobretudo galinhas. Não sabiam eles que o treinamento, nos bastidores, valia-se de métodos deveras cruéis. Primeiro, os animais eram colocados sobre uma chapa metálica aos poucos aquecida. Simultaneamente, tocava-se uma música específica. O incômodo da superfície quente fazia o pobre animal erguer as patas, uma após outra. À  medida que o aquecimento aumentava, diminuía o tempo de cada pata na chapa metálica. A cena, vista de longe, dava a impressão de uma dança frenética do galináceo. As reiteradas sessões de treinamento – ou de tortura! -, faziam com que o animal ficasse condicionado à música para movimentar-se. Desse modo, nas apresentações públicas, os tais treinadores suprimiam o aquecimento das chapas metálicas. O condicionamento à música tocada era suficiente para “promover” a dança das penosas – aparentemente felizes. E tudo de forma muito “natural”.

Se o fisiologista russo, Ivan Pavlov (1849-1936), pioneiro nas pesquisas sobre o reflexo condicionado, sobretudo nos cães, soubesse que a sua descoberta seria utilizada por mentes inescrupulosas para manipularem o comportamento dos animais de forma perversa, com propósitos de lucros financeiros, certamente, iria ficar muito triste. E muito mais triste ainda se tivesse conhecimento dos desdobramentos do controle psicológico, inspirados em suas pesquisas, para segmentos do poder político e social exercerem o controle férreo sobre os seres humanos. Acredito que o mesmo poderia ser dito em relação ao psicólogo estadunidense Burrhus Frederic Skinner(1904-1990), que deu sequência às experiências do seu antecessor, priorizando as pesquisas com pombos e camundongos.

Consta que, após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se valeram de inúmeras referências desses e de outros teóricos para darem curso aos experimentos de controle da mente humana, tanto em épocas de guerra quanto em situações de paz, para maior glória e hegemonia do capital.

Seguramente, os Estados Unidos não estão sozinhos nessa parada. Depois que a Dama de Ferro inglesa, baluarte do neoliberalismo, decretou a morte dos sindicatos, ainda nos anos de 1980, a fim de limpar o terreno para a expansão do capital em nível mundial, marketeiros foram convocados para pensar, se não na destruição total das entidades sindicais, ao menos engendrar formas habilidosas de neutralizá-las. Os festivos eventos organizados pelas centrais sindicais brasileiras, parceiras do governo, neste 1º. de Maio, Dia Internacional do Trabalho, não deixam a menor dúvida sobre os acréscimos e desdobramentos complexos do que a ciência chamou de reflexo condicionado pavloviano.

Enquanto, hoje, pelo mundo afora, os trabalhadores protestaram e reivindicaram trabalho digno e melhores condições de vida, no Brasil, milhões de corpos e vozes, sob a batuta de centrais sindicais governistas, dançaram e cantaram loas aos que deram colo quente ao capital sem pátria. E tudo com muita cor, muito ritmo  e muito plim-plim

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Cut, cútis, cutícula e cutelo

De uns tempos para cá, as entidades sindicais mais chegadas ao governo, transformaram o Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, em showmícios e eventos musicais pirotécnicos beneficentes e assistencialistas. Há dois ou três anos a Cut coloriu as grandes praças da capital paulista com salões de beleza improvisados para cuidar da cútis e das cutículas de trabalhadores e trabalhadoras que queriam embelezar-se naquela data. Nada contra o cuidado com a aparência pessoal dos que produzem a riqueza deste país. Nada contra. Seria mesmo uma estupidez alguém assim se posicionar. Mas, no mínimo, causa suspeita quando uma entidade sindical envolve-se com essas purpurinas e rega-bofes, e esquece que o verdadeiro papel de um sindicato é a luta em defesa de sua categoria. É até um desrespeito à memória dos trabalhadores que deram suas vidas – e que essa data rememora -, para que outros trabalhadores viessem ter melhores condições de trabalho.

O que se viu em São Paulo e outras capitais brasileiras, patrocinado pelas entidades sindicais brothers do governo, foi um desavergonhado e horroroso puxa-saquismo. E com a cobertura da voz/imagem do Brasil globalitário.

Não é à-toa que entidades como a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal (Fenajufe) e do MPU, que representa mais de trinta sindicatos estaduais, aprovou, em Congresso, a desfiliação da Cut. Outras desfiliações virão com certeza. É só sentar e aguardar com paciência o cutelo pró-trabalhador. (Leia mais sobre a desfiliação da Fenajufe, AQUI).

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Docentes do Ceará neutralizam Proifes

Este ano, o 1º. de Maio, que é também o dia emblemático de luta do trabalhador em todo mundo, vai ser muito especial para o segmento progressista dos professores da Universidade Federal do Ceará. É que a Chapa 2 – Por outra Adufc democrática, transparente e bonita de se ver, por três votos apenas, deu um chega pra lá na chapa coligada ao Proifes governista. A eleição aconteceu nos dias 29 e 30 de abril, e teve grande participação dos professores sindicalizados da ativa e aposentados. A luta dos valorosos docentes do Ceará mostra que a máquina governista, por mais azeitada que esteja, jamais poderá com as forças organizadas da categoria. Um exemplo a ser seguido pelos professores da UFBA. Parabéns, pois, aos novos dirigentes da Adufc e da sua laboriosa base. (Fonte: AQUI).

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Evento-teste ou Showmício?

O coração do estádio do Maracanã pulsou forte  com a presença de cerca de oito mil operários, no último sábado, dia 27 de abril. Lá compareceram também seus familiares. E não foram poucos. Todos estavam felizes, pois em cada  centímetro da bela construção podiam reconhecer  a mão de quem, de fato, constrói este país.

Assim sendo, com tanta gente reunida num único pedaço, não é de se duvidar que alguma mente marketeira criativa tenha tido a brilhante idéia de convidar a comitiva presidencial para o que se denominou de “evento-teste”. Poderia ser também denominado de “balão de ensaio” político. Em tempos de campanha, nenhuma inauguração pode ser tripudiada. Afinal, de grão em grão as urnas vão se robustecendo. Já sacaram que qualquer mimo ao trabalhador – de vida tão dura, tão árdua! -, pode gerar uma gratidão eterna. Não é à-toa que se teme tanto a consciência de classe forjada pela Educação emancipadora. Não é de graça que o bordão “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é tão apreciado em certos meios…

Para turbinar ainda mais o evento, ou showmício – por que não? -, organizou-se uma pelada entre times de ex-craques consagrados pela mídia – por sinal, um deles é agora funcionário da poderosa Globo -, e montou-se um espetáculo musical com astros de primeira grandeza da música popular brasileira, regado com um honesto cachê, pois nem relógio é besta pra trabalhar de graça no modo de exploração capitalista.

O balanço geral foi positivo para todos: operários puderam levar seus familiares a um belo espetáculo a custo 0800; cantores faturaram uma graninha boa à custa das burras do estado burguês mecenas, e políticos puderam distribuir seus melhores e mais graciosos sorrisos como investimento. Além da nobre presença da presidente da República, também lá bateram o ponto o prefeito da Cidade Maravilhosa e o governador do Estado do Rio. Sem falar do zeloso séquito de cada um deles. Todos eles com sorrisos de orelha a orelha.

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APUB, Comunicação e Ética Uma questão de ótica? Ah! Dúvida cruel que corrói as entranhas de alguns profissionais!…

Sei que no Programa de Componentes Curriculares de cada curso de Comunicação está presente a velha e boa Ética, tão importante para a formação do comunicador ou do profissional de Jornalismo. Ou melhor, de todo profissional. No Curso de Comunicação da UFBA, por exemplo, estuda-se “Comunicação e Ética”. Para me certificar, dei uma espiadinha na sua ementa: “Ética: definições e controvérsias. A ética em uma perspectiva histórica. A perspectiva jurídica ou contratual. A perspectiva antropológica: universalidade x relativismo cultural. A ética na vida do profissional da comunicação. O sentimento moral.” Creio-a ainda em vigor.

Isso significa que todo o profissional que alisou os bancos da academia, pelo menos em tese, de alguma forma lidou com a problemática que a Ética envolve. A partir dessa constatação, fiquei pensando no drama interior dos assessores de comunicação para redigirem algumas notas segundo a conveniência da diretoria proificista da APUB… Não deve ser fácil mascarar certas deliberações da última Assembleia como, por exemplo, a que foi tirada uma moção de repúdio ao Proifes por interpelar judicialmente o Prof. Ricardo Antunes, da Unicamp. Também não é fácil “dourar” a notícia, para que o associado não entenda que, a contragosto, a diretoria da entidade teve que liberar a grana para alguns professores participarem da Marcha a Brasília, que acontecerá no próximo dia 24 de abril, e que clamará por direitos dos trabalhadores surrupiados pelo governo petista e coligados apoiados pela APUB proificista. A mesma marcha que a Cut governista, toda despeitada, denominou de “Armadilha”. (Leia mais AQUI).

Sinceramente, eu não queria estar na pele desses bravos assessores. Aliás, estou louquinha para ver como o próximo boletim da entidade tratará essas questões… Entre mentir em favor de quem os contratou e perder o emprego, o que preferirão os assessores?

EHH, bovinos da minha espécie! A vida dos humanos não é muito fácil, não!…

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Banco Mundial premia hospital do subúrbio baiano

Acabo de ler na mídia que o Banco Mundial premiou o grande marketing do atual inquilino do Palácio de Ondina. Diferente dos que soltaram fogos por isso, vejo com muito pesar, e creio que a população já deve colocar suas barbas de molho. Tempos difíceis virão. O bicho vai pegar e a nota dá uma pista para quem se dispuser a desvendá-la:

Em dois anos de funcionamento, o Hospital do Subúrbio, de Salvador, recebeu nesta quinta-feira (18), em Washington, nos Estados Unidos, o terceiro prêmio internacional, concedido pelo Internacional Finance Corporation – membro do Grupo Banco Mundial e maior instituição de desenvolvimento global voltada para o setor privado nos países em desenvolvimento –, e pelo Infrastructure Journal, que classificou a unidade de saúde entre os 10 melhores projetos de parceria público-privada (PPP) da América Latina e do Caribe. (Leia mais AQUI)

A esperteza é muito simples: primeiro, enfatiza-se a parceria público-privada; depois, dota-se a unidade hospitalar dos “melhores serviços” e dos “recursos tecnológicos mais sofisticados” – a propaganda televisiva sabe fazer isso muito bem; mais adiante, dissemina-se que se a coisa está dando certo é porque conta com a eficiência do setor privado. Assim, desde já, decreta-se a morte da coisa pública. Depois de algum tempo, restará apenas a privada…

Ou alguém acha que a Rede Globo se daria ao trabalho de, gratuitamente, noticiar no Jornal Nacional uma premiação do Banco Mundial? “Brothers are brothers” – já houve que dissesse isso nos EUA.

A repercussão para as massas foi pra lá de boa. O sorriso do “Barba Branca” vai de orelha a orelha. Sem mentira nenhuma. Verdade é que, ser sócio do Manco Mundial, não é pra todo mundo não! Justiça seja feita.

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A ilusão da redução da maioridade penal

O Estado brasileiro carrega no seu lombo, uma longa história de omissão. Não é raro ver o descompasso das suas ações concretas com os diplomas legais. Na teoria, a norma constitucional garante a dignidade da criança. Mas só na letra fria. Na prática, como já se disse antes, a teoria é outra… A qualidade da saúde, da educação, da alimentação, do lazer, só para falar de algumas das necessidades básicas dos humanos, não me deixa mentir.

Quando a violência cotidiana ganha mais destaque na mídia, é um deus nos acuda. E aí surgem as soluções paliativas que trazem a impressão – para os mais ingênuos -, de que algo está sendo feito. Ledo engano. Para tudo se manter como antes no Quartel de Abrantes, finge-se o empenho pela mudança… Se os nossos ilibados condutores de rebanho não fossem tão sensíveis, eu diria que tudo não passa de pura mise-en-scène, ou seja, de pura encenação.

Infelizmente, as ações punitivas dos aparatos repressores não trarão de volta as preciosas vidas ceifadas. Enquanto os plantonistas dos Palácios de Pindorama insistirem em combater a violência com viaturas novinhas em folha e coletes a prova de bala, a solução que traria a boa educação humanista será postergada ad kalendas græca, ou até o dia de São Nunca de Tarde!…

Depois, eu é que sou bovina!

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Oração aos docentes moços da UFBA

Por que uma bovina, como eu, tem que meter o pitaco nas querelas dos doutos professores da UFBA? Quem souber morre, com o perdão do clichê, mas vamos lá.

Chamou-me a atenção o título da postagem “Apub aposta na ignorância dos docentes” que o Blog do Saci-Pererê publicizou. Acho importante esclarecer algumas manobras que são urdidas e tramadas por aí. Daqui do meu pasto, não tem me escapado o rico material impresso e não impresso que a atual diretoria da APUB vai fazendo chegar até os professores. Creio que o propósito disso tudo é embaçar o olhar dos associados, para que não enxerguem certas verdades inconvenientes.

Nos últimos anos, na UFBA, muitos jovens docentes chegaram para recompor parcialmente o quadro reduzido por aposentadorias. Muitos desses professores chegam sem conhecer o remédio amargo prescrito pela baronesa Thatcher, premiê inglesa recentemente transladada para o andar de cima – nas palavras piedosas do meu amigo Saci-Pererê, “que tenha o descanso eterno se o merecer”  -, remédio esse que foi prontamente ministrado pelo governo brasileiro, fidelíssimo aos ditames do pensamento neoliberal, que consistia em quebrar a coluna dorsal dos sindicatos dos trabalhadores. Ainda que conhecendo por alto essas perversidades, a complexidade do real não permite que esses docentes tenham uma visão panorâmica da situação, e, portanto, compreendam melhor a extensão  de gestos aparentemente sem maiores consequências… Daí a importância do esclarecimento à luz de “lupas mais minudentes”, com o perdão da expressão oriunda do “academiquês” mais sofisticado.

Num dos vídeos que vi das Assembleias dos professores da UFBA, gravado durante a greve passada, um ilustre professor, que se situava como oposição à diretoria destituída, mencionou que “não estava interessado nas pinimbas entre ANDES e PROIFES”. Que “o que interessava de fato era a APUB”. Como se a APUB, descolada de um cenário maior de luta em favor do trabalhador, pudesse significar algo. Houve quem concordasse com o eloquente orador. Afinal, o que o professor da UFBA tinha a ver com o ANDES ou o PROIFES? E é nesse ponto que acho que deve haver um esclarecimento aos novatos ou aos não muito envolvidos com as questões sindicais.

Doutos docentes em suas áreas de formação, não têm que necessariamente conhecer as duras lutas travadas entre capital e trabalho. E, nesse caso, uma mãozinha – ou uma patinha bovina mesmo – é sempre oportuna.

Com esse espírito, é bom que se diga que o ANDES-SN – que havia quebrado lanças para eleger um governo democrático e em sintonia com a causa do trabalhador -, foi às ruas contra a dita “reforma” da Previdência patrocinada pelo governo Lula da Silva, ainda no seu primeiro mandato. Lula não gostou das críticas que recebera do ANDES-SN, e ameaçou jogar a opinião pública contra os servidores públicos. Foi aí que, segundo eu soube, teve a ideia de criar o PROIFES, braço do seu governo no ambiente acadêmico, contando com a “trairagem” – com as devidas desculpas das traíras –, de alguns docentes dispostos a fazer corte à Casa Grande.  Para tanto, o repasse de recursos ao ANDES-SN, oriundo das contribuições dos docentes às entidades sindicais, foi desviado para o PROIFES governista. Nesse ínterim, vendo que a cooptação a algumas centrais sindicais já era realidade, o ANDES-SN rompeu com a CUT. Não fazia sentido manter-se ligada a entidades altamente envolvidas com o Palácio do Planalto, e, ao fim e ao cabo, algozes do trabalhador.

Pelo país afora, alguns docentes das IFES pularam para o barco do governo. Na UFBA não foi diferente. Daí para cá, a APUB passou a estimular quermesses e folguedos, carurus e forrós, esquecendo de que sindicato é para lutar em favor dos interesses do trabalhador. A partir daí, transformou-se numa entidade assistencialista e correia de transmissão da nascente Universidade Nova e dos prepostos do MEC, bem como do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

A situação atual é delicada para a recuperação de um sindicato de luta, com as características que nortearam a sua criação durante os anos de chumbo, radicalmente em defesa do trabalhador. O núcleo de garra e luta, identificado como APUB LUTA – Oposição Sindical, vem sendo maculado com a presença de professores que não dizem a que vieram. Infere-se que querem a conciliação, a flexibilização, pelo fato de estarem ligados de alguma forma ao partido do governo ou aos partidos coligados. Aqueles partidos que pleiteiam cargos e boquinhas… Para os docentes governistas, desse modo, estar ao lado do ANDES-SN é muito mais desconfortável do que estar no PROIFES.

Cabe à Oposição Autêntica – com iniciais maiúsculas –,  esclarecer aos jovens professores que ingressaram recentemente na UFBA, sobre os percalços encontrados para a reconstrução de um sindicato verdadeiramente combativo, voltado para os interesses dos docentes, e descolado dos interesses do governo, de partidos e do capital. Sem a consciência da importância de um sindicato com esse perfil, e vacinado contras eventuais cooptações, o futuro para os docentes será o mesmo que conheceram os da minha espécie – os bovinos –, com destino seguro ao matadouro. Silenciosos e submissos.

Prazam os céus que os novos professores da UFBA meditem sobre essas minhas singelas reflexões.

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APUB governista não envia delegados para o Congresso do Andes

Já prometi a mim mesma que não me meterei nesses arranca-rabos dos professores da UFBA, mas minhas patas ficam coçando… E é aí que perco o controle, e quebro sempre as promessas que faço de não me meter  novamente em briga de branco.

Mais uma vez, a rainha desnudou-se, e mostrou a que veio. Afinal, a diretoria da APUB saiu da toca:

A diretoria informa que a Apub Sindicato não participará do Congresso da Andes, entidade da qual a Apub se desfiliou. Assim, a diretoria respeita a DECISÃO majoritária da categoria, que em consulta realizada nos dias 16 e 17 de junho de 2009, quando votaram 1.023 professores, decidiu pela desfiliação da Andes, por 60% dos votos válidos, e pela transformação da Apub em Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia, por 70% dos votos válidos. A eleição de professores como delegados durante assembleia convocada pela Secretaria Regional da ANDES-SN representa a vontade dos participantes da reunião e não da Apub Sindicato. (Fonte: AQUI)

Mais uma vez, a direção da entidade escamoteia a verdade. Na nota acima, publicada no seu site, mui espertamente, não menciona que o plebiscito está sub judice, e tampo informa aos docentes mais desligados que o argumento do Prof. Francisco Santana “de que o tal plebiscito não passou de armação” foi acolhido pela Justiça. E por duas vezes. Sendo que a segunda, por unanimidade. Diz-se – eufemisticamente! -, no melhor juridiquês que “houve vícios no processo”.

Resta agora à Oposição-Apub se organizar, fazendo com determinação o dever de casa. Trocando em miúdos: radicalizando e aprendendo separar o joio do trigo. Afinal, não se pode pensar numa oposição séria tendo nos seus quadros simpatizantes governistas que atravancam a luta docente por uma entidade livre e combativa. Chega de peias, Oposição-Sindical! Alforria, já!

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APUB fora da boa briga

O Ofício Circular nº 84/2012/PFDC/MPF, encaminhou representação formulada pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (FASUBRA), pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) e pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (FENASPS) junto à Procuradoria Geral da República, questionando a legalidade da lei que criou a Empresa Brasileira de Hospitais (EBSERH). Por motivos óbvios, a APUB e o Proifes estão fora dessa boa briga (afinal, isso não é um camarote carnavalesco!). Anos atrás, os estudantes da UFBA cortaram também o barato da Fundação Baiana de Cardiologia (FBC) que reinava leve, livre e soltíssma no espaço do Hospital das Clínicas… Felizmente o argumento de que se deveria evitar a “justiça burguesa” para resolver questões universitárias não funcionou.  Saiba mais (AQUI).

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Oposição-APUB e serendipidade

Já faz um bom tempo que eu tentava entender o porquê de a “judicialização” provocar tanto frisson numa fração de professores que constituem a Oposição-APUB. Nas minhas ruminâncias, tenho passado horas a ruminar sobre o problema. A explicação racional que dão, é o fato de não quererem buscar a “justiça burguesa”. O diabo é que, mesmo nas circunstâncias em que o amparo legal poderia dar um bom fôlego ao trabalhador para novos enfrentamentos, ainda assim, ele é recusado. E isso quase me deixa pirada! Mesmo a ciência não tendo identificado o neocortex humano nos bovinos, sinto, às vezes, que a minha cuca funciona como a de qualquer mente humana fervendo de tanto pensar…

Mas veja como são as coisas. Palavra que hoje eu acordei ávida de sol. Por Deus que nem estava aí para os problemas da APUB! Eles que são doutos, que resolvam suas pendências!

E, assim, achei-me num pasto maneiro, na companhia de bem-te-vis e sabiás. Sentia no meu lombo aquela quenturinha do sol e ao mesmo temo uma brisa fresquinha gostosa. Empanturrei minhas retinas de azul-celeste. Em cada mastigada, sentia o gosto concentrado da gramínea de boa cepa.

Lá pras tantas, quando já estava prestes a devorar um suculento talo de capim, eis senão quando me deparei com uma lagarta indefesa. A pobrezinha, toda inocente, estava cheia de si, pensando que o limite do mundo fosse aquela superfície cilíndrica esverdeada em cima da qual se contorcia efusiante. Confesso que tive vontade de abocanhá-la com tudo mais que a circundava. Para sua sorte, nesse exato momento, raciocinei rápido: Caraca! Se eu sou vegetariana, porque devorar também esse trêfego e feliz projeto de borboleta, logo hoje nesse belíssimo dia ensolarado? E, assim pensando, com o meu focinho dei uma boa sacudida no talo onde a criaturinha se encontrava, poupando-a, dessa forma, dos meus poderosos dentes e ácidos estomacais.

Um segundo, ou até menos, depois, veio-me à mente a questão que me afligiu por semanas. Imediatamente, tentei estalar os dedos como os humanos. A frustação de não ter conseguido essa proeza, pouco ou nada me frustrou naquelel momento. Eureka! A charada estava matada. O papo de “justiça burguesa” não passava de uma mera racionalização – no sentido freudiano! O problema que acarretaria a tal “justiça burguesa” para esse segmento da oposição, caso o plebiscito fosse anulado, era o impedimento de continuar contribuindo com o dinheirinho do associado para o Proifes e para a Cut. Na mosca!

Como não havia pensado nisso antes? Quem não sabe que a UFBA e a APUB estão infestadas de governistas que matam e morrem para que a orquestra continue tocando o estribilho “Lula lá”?…

Tão logo essas ideias me surgiram, corri para o meu notebook. Pensamento voa, e voa mas rápido do que um lepidóptero. Não quis correr o risco de perdê-los por não fazer um registro imediato. Agora posso voltar a abrasar-me no sol desse dia lindo. Só fico devendo ao Leitor e Leitora, que não são pesquisadores, uma explicação para o termo “serendipidade” do título. Mas sei que eles, que não são nada bobos, logo sacarão por si próprios…

– UAU! O Sole Mio! Fui!

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Movimento pelo depósito em juízo

Há na UFBA um movimento de segmento de professores que forma a oposição à diretoria da APUB, no sentido de buscar, legalmente, a suspensão da contribuição do associado à entidade. Isso até que a Justiça se pronuncie definitivamente a respeito do processo movido pelo Prof. Francisco Santana contra o plebiscito realizado pela diretoria da APUB, tendo em vista desligar a seção sindical do ANDES-SN. Por duas vezes a Justiça deu ganho de causa ao Prof. Francisco. Da última vez, então, por unanimidade.

Para muitos da área do Direito, dificilmente os juízes mudarão sua compreensão sobre os fatos. Dessa forma, apontarão mais uma vez que o famigerado plebiscito não tem validade e a APUB terá de organizar sua casa. A pergunta que se faz é: sendo assim, a última eleição será anulada, uma vez que o Estatuto que a guiou não corresponde ao Estatuto anterior ao tal plebiscito?

Sabe-se que a APUB vem acrescentando na sua documentação e no seu site a palavra “sindicato”. Essa é mais uma irregularidade (vide a Constituição Federal de 1988, Art. 8º, Inc. II) pela qual a direção atual deverá responder.

Recentemente, a diretoria da APUB se recusou a realizar uma AG para a tirada de delegados que participarão de um importante Congresso do ANDES-SN, no Rio de Janeiro. Em outras palavras, ela alega que não tem nada a ver com o ANDES-SN, o que não é verdade, uma vez que o mencionado plebiscito está sub judice. Dessa forma, alguns docentes entendem que é uma insanidade continuar contribuindo para uma entidade que não tem interesse em representá-los.

Ainda assim, há professores que insistem em não buscar na Justiça – segundo dizem, “justiça burguesa”, o que lhes é de direito. Salvo engano das minhas ruminâncias bovinas, isso é um contrassenso dos que se dizem oposição. Ou seja, de que vale o “discurso de revolucionário” se, no frigir dos ovos, entrega de bandeja aos pelegos – ou “cutegos” segundo o Prof. Chico – , os instrumentos para aferrar os trabalhadores?

Enquanto isso, a diretoria da APUB transfere o rico dinheirinho dos professores da UFBA ao Proifes governista e a uma entidade sindical – a CUT – que foi cooptada pelo governo petista, esse generoso patrono dos lucros dos banqueiros. Das duas uma, ou tem gente da oposição querendo favorecer a atual diretoria da APUB, sabe-se Deus o motivo, ou a ração que estou comendo pode ser a mesmo que contaminou aquela vaca inglesa que enlouqueceu…  

Daí o título desta postagem “Movimento pelo depósito em juízo”, mas apenas para os que têm juízo…

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Mensagem aberta à presidente Dilma

Resolvi me dirigir ao Palácio do Planalto. Que a notabilíssima presidente do Brasil não tome esta mensagem como uma ofensa. Os do contra, certamente, irão dizer – “onde já se viu uma bovina dirigir-se a uma Chefe de Estado?”

Cá do meu pasto, entretanto, mui humildemente, ouso manifestar-me, e o faço através de uma “Mensagem Aberta” para que não se diga que estou de cochicho com a mais alta mandatária das Terras Brasilis. Publicizo-a, pois:

Excelentíssima Presidente,

Em primeiro lugar, que a Sra. tenha uma rápida recuperação do seu nobre dedão do pé – tinha que ser o da perna direita! AH! Essa direita! Que tenha muita paciência e aproveite o seu tempo para ler bons autores. Pensando como a menina Poliana, dos tempos de antanho, talvez essa sua fissura ortopédica tenha vindo na hora certa. Sei que o resultado do ranking mundial das universidades a deixou meio aperreada. Mas não assuma sozinha a responsabilidade pelos problemas da Educação brasileira, uma vez que essa herança maldita só pesa sobre os seus ombros a partir  do recebimento da faixa presidencial. Quem não sabe o quão foram negligentes os seus antecessores?

Por outro lado, a lógica do pódio é sempre essa. Dos cento e noventa e poucos países do mundo, atualmente, todos a praticam. Assim, sempre alguém vai ficar lá em cima, e a maioria vai continuar lambendo o pó. A doutrina do modo de produção capitalista, na qual a Sra. se converteu, não é outra coisa senão uma balança desequilibrada. Se equilibra, deixa de ser o que é. Não vale a pena chorar pelo leite derramado. Também, universidade não é tudo na vida, embora seja muito, se. Pense nisso, se isso pode consolá-la.  As universidades dos EUA, por exemplo, estão há muito no topo do tal ranking. Mesmo assim, os EUA são o que são. Lá, presidentes belicosos são escolhidos numa boa – a despeito das ilustres competências que passam por universidades celebérrimas, como as 13 primeiras que estão no topo do ranking mundial – Harvard, Stanford, Massachusetts, Michigan, Pennsylvania 1, California, Berkeley, New York, Columbia, Cornell, Minnesota, Pennsylvania 2, State University, Texas Austin, Yale. Há de se pensar que por essas famosas universidades passaram pessoas influentes, competentes, ilibadas, sábias, éticas, com sólida formação científica e humanista. E é aqui que eu pergunto: o que fizeram para estancar as guerras sangrentas fomentadas pelas grandes indústrias armamentistas lá instaladas? Que providências tomaram para que os megalaboratórios farmacêuticos não lucrassem desenfreadamente em cima das doenças? Enfim, o que foi pensado no ambiente acadêmico de lá para que a ciência por eles produzida, não ameace permanentemente a vida do depauperado Planeta Azul?

Por fim, Excelência, recomendo, enquanto estiver com a perna para cima,  que leia o que escreveu o Prof. Cipriano Luckesi, aposentado da UFBA, sobre “Avaliação” e como a distingue de “Exame”. A propósito, caso não tenha se atentado, a UFBA, ou Universidade Federal da Bahia, ocupou a posição dos lanterninhas nesse diabo de ranking, ou seja, das 500 principais, ocupou a 444º posição (das 1oo universidades brasileiras, a UFBA ocupa o 11 º . lugar, veja mais AQUI). Evidentemente, que escapando do controle dos produtivistas  ufbianos, cujos Lattes são verdadeiras vitrines reluzentes…

Com o respeito de Tatá, bovina baiana desgarrada do rebanho .

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As artimanhas da APUB: “Crediário de Favores”

 Segundo me informaram, continua nas weblistas de oposição à diretoria atual da APUB a discussão sobre o que se chamou de “Crediário de Favores”, que teriam sido urdidos em consonância com a nova tática implantada pelas eminências pardas proificistas. Em pleno Carnaval recebi um excerto de um papo que rolou numa das listas de discussão. Creio que é bom que todos tenham conhecimento do que está rolando na cabeça da oposição, quem sabe atônita pela esperteza dos dirigentes da entidade ora governista. Além da clássica expressão de assombro “de onde não se espera é que sai”, poderações são feitas no sentido de organizar o enfrentamento:

 […] de minha parte, não reconheço NADA que exista na APUB que não seja do conjunto dos associados da APUB. Repito: NADA é da diretoria. Ainda que esta se comporte como proprietária, ela é gestora política. A questão é “como poderemos ter acesso aos nossos direitos como associados?” Como poderemos, enquanto BASE, dar os rumos ao nosso sindicato? A diretoria bancar associados é uma obrigação e não uma benesse. Me ponho a dialogar com todos sobre a base de que “é disto para mais”, quero que os 11 delegados/observadores tenham O LEGITIMO DIREITO de ir ao Congresso do ANDES BANCADOS pela APUB, ou seja, PELA CONTRIBUIÇÃO de todos os associados por deliberação de AG. Não se dirigir a Diretoria da APUB para cobrar o que é nosso é facilitar a vida deles, é abrir mão de uma luta que só começou.

Para resumir, está dada a partida de uma deliciosa queda de braço. De um lado, a base sindical dos professores da UFBA que reivindica recursos para a participação de um importante Congresso do ANDES-SN; do outro, a direção que entende que a grana deve ser dividida apenas entre festanças e contribuição para o Proifes/CUT, entidades coligadas com o governo de plantão. (Saiba mais AQUI).

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Para onde vai o UFBA VIVA?

O que sabe uma ruminante das coisas humanas? Pois é. Alguém dirá que isso é matéria para o exame de cientistas políticos e quejandos. Poderia ser, mas não estou convicta disso, visto que alguns deles são totalmente imprestáveis. Mas isso é assunto para outra oportunidade. Agora, só quero falar de um movimento docente que se insurge contra a chamada “APUB pelega”, aventando a possibilidade de existir uma entidade que defenda realmente os interesses da categoria. Eu vejo, daqui do meu pasto, esse movimento com bons olhos, mas gostaria de dar uns pitacos, a fim de que o simpático movimento não tenha o mesmo destino de tantos outros.

A primeira coisa que direi é que o UFBA VIVA não deve nutrir qualquer esperança em dialogar com a direção da APUB “civilizada”, conforme termo amplamente pronunciado no âmbito da academia. Esse grupo que aí está, não tem compromisso com a causa do trabalhador. Sua vocação é governista e adora “boquinhas” oficiais. Aliás, nesse ponto, a atual presidente da APUB não mentiu durante a campanha eleitoral. Ela mencionou com todas as letras que abraçaria o ideário proificista.

O segundo ponto é que só uma criança de colo acreditou que o encontro sobre Carreira Docente, realizado na Faculdade de Arquitetura/UFBA, tendo a presença do ANDES-SN na mesa, tenha sido um gesto de boa vontade. A diretoria atual da APUB não fez senão executar uma deliberação vinda de cima. Com todo o respeito pelos colendos professores que compõem a diretoria atual da APUB, eles apenas são “operadores do sistema”. Esses abnegados docentes cumprem o notável papel de “laranjas”, uma vez que os capus, de forma tática, resolveram se refugiar em gabinetes mais ou menos blindados. A conjuntura política exigiu esse recuo. A ordem recebida de cima é que a imagem do Proifes seja construída nos moldes de uma entidade forjada na contemporaneidade, capaz de pensar na flexibilização e no diálogo. O resto a mídia governamental de grande penetração nas massas fará sozinha.

Por fim, é preciso que a UFBA VIVA saiba fazer a bíblica separação entre o joio e o trigo. Existem sempre aqueles carreiristas que fazem da luta sindical um palco dos seus próprios interesses. Nas universidades públicas são fartos os exemplos daqueles que entraram na política partidária pela porta da liderança sindical. A UFBA não foge à regra. É sempre bom ficar de olho naqueles que estão sempre dispostos a conciliar óleo com água. De repente, pode-se ter a decepção de vê-los ocupando cargos rentáveis e de não terem mais tempo para o duro corpo-a-corpo cotidiano…

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A APUB e as tecnologias

Em matéria de tecnologia de ponta, ninguém pode dizer que a APUB não está atualizada. Seu site abriga ferramentas de última geração. Sua comunicação, ou melhor, sua informação, em geral, vem vestida dos recursos mais sofisticados da atualidade. Embora com conteúdo duvidoso, dá gosto ver o seu Informativo on-line. Seus impressos entraram definitivamente na Era da Policromia e suas faixas são todas agora realizados em plotagem de corte. Um luxo só. Para lhe fazer justiça, toda a mídia que vem utilizando tem qualidade visual indiscutível. Por assim dizer, a APUB assimilou o espírito tecnológico contemporâneo. Pena que não tenha assimilado também o espírito da comunicação democrática. A prova disso é que continua censurando as mensagem que fazem qualquer crítica à sua diretoria. A prova disso é que, no seu site, os espaços que foram projetados para comentários, continuam fechados ao público, em permanente Comments Off. Nelson  Rodrigues diria de suas peças informativas: “bonitinhas, mas ordinárias!”.

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Direção da APUB joga terra no olho da oposição

Há quem diga que remanescentes da Chapa 2 e militantes da Oposição sindical têm sido muito condescendentes com a atual diretoria da APUB. Parece que acreditam na possibilidade de uma relação civilizada com a tchurma proificista. Alguns deles foram até no Solar Cunha Guedes prestigiar o bota fora da diretoria traidora e destituída em Assembleia.

Talvez ainda caiam na real, agora que tiveram negada a solicitação de deliberação da APUB, a fim de participarem do 32º CONGRESSO DO ANDES-SN, Rio de Janeiro/RJ, em 4 a 9 de março de 2013. Sem muitas alternativas, os remanescentes da Chapa 2 estão fazendo circular um abaixo assinado para que a escorregadia diretoria governista convoque uma Assembleia Geral por livre e espontânea pressão. UFA! Até que enfim! Depois, eu é que sou bovina!

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A Petrobras está em todas… ou quase!

Limitar-me-ei a comentar apenas sobre energias propulsoras, já que a eleição presidencial ainda está distante. Pois bem, quem quiser saber o quanto a gloriosa Petrobras – ex-nossa, segundo o Saci, e agora do mercado multinacional – investe na esfera cultural, é só saindo por aí lendo outdoors e folheando revistas. Seja filme, evento cultural, feira da cultura, aniversário de boneca e outros que tais, sempre está ali o logotipo verde-amarelo. O mesmo não acontece com as manchetes dos jornais, do tipo: “Autossuficiência da Petrobras força queda dos preços dos combustíveis”. Não foi à-toa que o preço da energia elétrica caiu, pois uma coisa está ligada à outra, nesse mundo velho interligado. Ainda que uma coisa não tenha compensado a outra, para quem souber fazer conta de adição e de subtração!

Moral da história: “quem não cumpre o seu papel, tem mesmo é que patrocinar cordel“, como filosofa o meu amigo Saci-Pererê. Afinal, a propaganda institucional assegura a boa imagem, e a boa imagem vende… E rende!…

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Carnaval está garantido no Centro de Esportes

A situação é muito delicada para quem está à frente da Reitoria da UFBA. Principalmente, porque sua titular é uma pessoa cuidadosa e tem-se mostrado respeitosa diante das decisões coletivas ou dos seus representantes legais. Daí o mal-estar causado pela cessão do Centro de Esportes da UFBA para o tal “Camarote da Educação”.

A Congregação da FACED votou pela não autorização do camarote no Centro de Esportes, que fica em Ondina, e é administrado pela Faculdade de Educação. O entendimento que os colendos membros tiveram, como em outras decisões pretéritas, é que a depredação daquele espaço se torna inevitável durante o Carnaval. Para surpresa geral, a ASSUFBA já afixou faixas pelos campi da UFBA divulgando a festiva instalação momesca. Felizmente, dessa vez, a APUB não foi no embalo…

O desconforto dos membros da Congregação é facilmente notado. A decisão do órgão máximo da Unidade de nada valeu.

Quem anda pelas bandas do Centro de Esportes da UFBA sabe que o mesmo está caindo os pedaços. Por anos a fio os dirigentes da FACED pedem socorro a quem de direito e só ouvem promessas. Ele só é lembrado quando o Rei Momo assume as chaves da cidade. Lamentavelmente. Enquanto isso, a UFBA vai carregando o seu contraditório lenho, até Quarta-Feira de Cinzas.

Cruz credo! Depois, eu é que sou bovina!

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2013: Camarote da APUB ameaçado Dizer que a APUB se tornou festiva de uns tempos para cá, já se tornou um pleonasmo sem graça. Mas o diabo é que, às vezes, a língua pátria – principalmente para uma bovina xucra como essa que vos escreve -, se torna pobre ou repetitiva para fazer certas alusões. E eu confesso que hoje estou meio preguiçosa para arranjar um eufemismo mais elegante para denominar a colenda entidade proificista. Mas também isso não faz a menor diferença. O que importa mesmo é situar a sua grande caída por festividades, e dizer o quanto a nova diretoria está em polvorosa… Sim, porque a Congregação da FACED disse não à instalação de camarote no espaço do Centro de Esportes. Para que não sabe, o local em que o camarote da APUB (para ser justo, a ASSUFBA também está nessa) tem sido instalado nas festas momescas é administrado pela Faculdade de Educação. Considerando o desgaste que o espaço sofre com o Carnaval, a Congregação da FACED achou por bem barrar a cessão do referido espaço para a APUB/ASSUFBA. Ouvi rumores que as entidades sindicais ficaram meio aperreadas com a notícia. E agora, José? Que outro local chic poderá ser acionado? Repetir o local dos festejos de final de ano, o Solar Cunha Guedes? Há quem diga, entretanto, que a APUB não está nada preocupada com a decisão da Congregação da FACED. Em outros carnavais, o órgão máximo daquela Unidade também barrou a ocupação do Centro de Esportes (CE), mas no frigir dos ovos, a administração central da UFBA fez pouco caso da decisão tomada e acabou liberando o CE. Como eu entendo muito pouco da política que rola nos bastidores da UFBA, pode ser que os proificistas governistas, mais uma vez, levem a melhor…

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A Globo e o filho do Brasil

 Segundo dia do Ano Novo. Todo mundo em casa descansando. Alguém contou para uma leitora deste blog e essa, por sua vez, me narrou o fato. Foi após a exibição do filme “Lula, o filho do Brasil” que alguém indagou com voz embargada e olhos lacrimejantes:

– Poxa! Será que a história foi assim mesmo? Chuift! Chuift! Chuift! Fung! Fung! Fung!

Não direi que pensei com os meus botões, pois nem roupa os bovinos usam no seu dia a dia, mas disse para mim mesma: Valério se ferrou! Depois desse “Marcelino Pão e Vinho” de Pindorama, quem dará ouvidos às histórias do publicitário ex-careca? No mínimo, dirão que são uma mentiras cabeludas…

Enquanto isso, a competente filósofa Marilena Chauí terá que avaliar se parte da mídia está ou não do lado do partido do ex-presidente nordestino e a que preço.

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Os economistas não são infalíveis

Um Leitor nos escreveu lembrando que uma das causas do descompasso da greve dos professores da UFBA foi o anúncio do colendo Prof. Filgueiras de que o orçamento da União seria votado naquela semana e coisa e tal. Segundo o missivista, houve até quem ouviu, não se sabe de onde, choros e ranger de dentes. Medo é fogo. Principalmente quando o argumento de autoridade está em jogo. Precisar não precisava aquela correria doida, mas são favas contadas, e ninguém de juízo chora o leite derramado. Isso prova que o rigor da economia, – qual o rigor do calendário maia -, tem também sua falibilidade, conforme prova a data em que o tal orçamento será votado, de acordo com a mídia: entre 01 e 28 de fevereiro de 2013. (Saiba mais AQUI).

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O perigo do Natal

Pode até dar um certo gosto bucólico de ver vaquinhas e asnos num presépio. Isso dá. Pode até dar prazer mirar as luzes coloridas das grandes metrópoles e ouvir em butiques e botecos a voz aveludada de Simone anunciar “Blembô, blembô, blembô, Papai Noel chegou!”. Quem sabe até admitir um sentimento gostoso de ver mãozinhas impacientes rasgar o papel do presente para ver o que ele esconde. Ou pode até ser útil, na melhor das hipóteses, ver produtos quase vencidos, que abarrotavam armazéns ou armários, serem destinados aos mais necessitados… Só doi – e é por demais perigoso -, entretanto, com a aproximação do Natal, ver o coração amolecer e indultar o político corrupto ou relevar a prestação de contas não realizada dos gastos feitos com o dinheiro alheio. Que deixem Jesus em paz na sua humilde manjedoura! Até porque, ela nem de longe se parece com o Solar Cunha Guedes…

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Ainda sobre a prestação de contas da ex-diretoria da APUB

O que posso observar, daqui do meu modesto pasto, desprovido de vinho francês e muito menos de queijo do reino recebido de brinde de final de ano, é que desde que o mundo dos humanos é assim denominado, ou talvez um pouco depois, há quem manifesta ter escrúpulos com a grana alheia e há quem não está nem aí para a castanha do pequi. Não posso deixar de registrar a gentil mensagem de um docente que me chegou pelo editor-chefe deste Blog:

“Caro Professor Menandro, por obséquio, registre para o conhecimento do Sacy, do Pica-pau e da Vaca Tatá a minha insignificante ausência à festa da diretoria destituída da APUB, pelo simples fato de não concordar com os que acham bonito dar festas com o dinheiro alheio. Não é de surpreender, pois a destituída foi eleita, reinou por 2 anos e passou a faixa sem ao menos ter um Conselho Fiscal para avaliar suas contas! Não sei se até o momento prestou contas da sua gestão.

Também não sei se a nova diretoria, eleita recentemente, cobrou a prestação das contas e, se não cobrou, a partir de qual base financeira iniciará e prosseguirá com os seus gastos. Eu torço para que ao menos assim proceda com transparência e responsabilidade com o dinheiro dos associados.

No mais, feliz Natal e festas do final do ano. Abraço, Luiz Anibal”.

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Chapa 2 recebe crítica

Talvez tenha havido exagero por parte de um leitor do Blog do Saci-Pererê e professor aposentado, quando o mesmo diz que a Chapa 2 legitimou a gastança da diretoria finada destituída em Assembleia. Se alguns dos candidatos da chapa de oposição participaram do questionável rega-bofe no solar grã-fino do Corredor da Vitória, é bom lembrar que a maior parte da equipe lá não pisou. De toda sorte, julgue o (a) Leitor(a) se o desabafo do professor aposentado faz sentido:

“Se eu me encontrasse em Salvador, por certo votaria na chapa 2. Não que conheça seus integrantes. Com exceção do velho Batista, não consegui identificar nenhum dos jovens professores que dela participaram. Depois que me aposentei, por não mais residir em Salvador, afastei-me das assembleias. Acompanhei a greve pelas notícias que recebia de colegas e do Blog do danado do Saci. Ao longo do tempo fui me inteirando das jogadas sórdidas da ex-diretoria da APUB. Aliás, já conhecia alguns dos diretores de outros carnavais… De modo que não me foi difícil tomar partido pela chapa 2. Achei-a mais antenadas com os interesses da categoria. Daí minha surpresa quando soube que a referida chapa de oposição compareceu à festa de confraternização da ex-diretoria. Parece-me que com esse gesto, ela negou a destituição que ajudou concretizar. Ao prestigiar o evento com sua presença, acredito, frustrou os docentes que votaram pelo impeachment da ex-diretoria da APUB. […] Talvez a coerência não seja um valor que os mais jovens curtam, mas, sinceramente, tolerar um dispêndio inútil de energia como o que foi gasto em infindáveis assembleias, e depois ver tudo terminar em festiva pizza, é no mínimo um desrespeito com os professores  que acreditaram na oposição que se apresentou como tal”.

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“Bonitinha, mas ordinária” foi muito concorrida

Missão cumprida. Os concluintes do curso de Teatro da UFBA fizeram bonito e certamente ficaram muito contentes com a casa sempre lotada, de 1º a 16 de dezembro. A escolha da peça para estrear o espetáculo de conclusão de curso não podia ser mais feliz. No centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues, acertaram de cheio na escolha de “Bonitinha, mas ordinária”, com direção e adaptação do diretor e professor Luiz Mafuz.

Mas nem tudo foram flores. Pelos menos para dezenas de pessoas que ficaram frustradas por não conseguir entrar. Na fila dos que lamentavam, havia um leitor deste Blog. Segundo ele, foi “traído pela Matemática”.  É o próprio que conta sua desdita:

– Caramba! Me dei mal. Cheguei com um pouco mais de uma hora de antecedência, conforme orientação lida na mídia. Como a fila já estava muito extensa, resolvi contar quantas pessoas estavam à minha frente. Descobri que eu era o 109º da fila. Fiquei triste, pois segundo me disseram, havia cem senhas disponibilizadas para o público. Já ia me retirando, quando passou alguém que julguei ser um funcionário do Teatro Martim Gonçalves. Informei-me com ele sobre o total de vagas, e a esperança voltou a reinar na minha cabeça. De acordo com o dito cujo, o teatro comportava 190 lugares. E foi aí que a Matemática me pregou uma peça – mas essa apenas ordinária e nem um pouco bonitinha. Se é assim, pensei na hora, depois de mim, ainda entram 80 pessoas. Só que depois de ficar um bom tempo na fila, veio o balde de água fria. Uma moça muito gentil informava à fila perplexa que a lotação do teatro já estava esgotada. No clima de protesto geral do público desapontado, tentei ponderar com a informante que pelas contas que eu fizera ainda havia cerca de oitenta lugares. Foi aí que a ficha caiu para mim. De fato, se a pessoa me informara o número correto da capacidade do teatro, o cálculo que eu fizera não batia. Tentando entender o que ocorrera, e dialogando com a simpática moça, compreendi logo depois que eu não havia computado a cota de convites especiais destinados provavelmente a “autoridades” e familiares dos concluintes. Saí frustrado, mas fui consolado, imediatamente, por uma Poliana que há dentro de mim. Meu carro não estava muito longe dali. De alguma forma, eu podia ir para casa de carro, curtindo um sonzinho e matando a saudade do velho Lula – o filho de Januário, claro! –, ouvindo confortavelmente as belas composições do autor também centenário. Certamente, o mesmo não podiam dizer aqueles rapazes que diziam ter saído de Pau da Lima, de buzu, só para ver, pela primeira vez, algo de Nelson Rodrigues.

Pois é, Leitores. Em cima de um drama, outros tantos são criados – quando podiam ser evitados… Só me resta parabenizar os alunos e professores da Escola de Teatro/UFBA por essa bela conquista, e me solidarizar com os que se sentiram frustrados por não conseguir entrar. Pelo que soube, não é a primeira vez que isso acontece. Fica a dica para os organizadores de eventos semelhantes no futuro. Deve haver maneiras de não deixar uma parcela do público na mão… Os humanos são tão pródigos em táticas e estratégias! Competência a UFBA tem de sobra. É só querer.

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Como o primeiro sutiã

Mesmo os sutiãs – para os mais antigos “califons” –, não sendo do universo das bovinas como eu, não tive como não pensar numa propaganda, salvo engano da década de 1970, do século passado, cujo slogan dizia que “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”. Logo me veio à mente a imagem da jovem modelo Patrícia Lucchesi com um caderno a proteger-lhe o recatado busto juvenil… Por um momento não sabia se soltava a gargalhada que me corroía as entranhas ou se me apiedava do comentário feito num e-mail por um pobre docente que recentemente havia se associado à APUB:

– É lamentável, manifestou-se o coitado – que o meu primeiro desconto para a APUB (já vi que vem no próximo mês) seja para financiar essa palhaçada.

A “palhaçada” a qual ele se referia era a badalada festa de comemoração da saída da “Old Quenn” e da entrada da “Young Queen” do Reino da Taprobana da rua Pe. Feijó, realizada no chique solar Cunha Guedes, no Corredor da Vitória (para muitos deveria ser no “Corredor do Empate Técnico”…).

Aqui pra nós, Leitor(a), se a diretoria da APUB Nova continuar a orgia praticada pela anterior com o rico dinheirinho do associado, e os docentes da UFBA continuarem com a passividade em que se encontram, me desculpe, mas vou achar que esses ilustres não passam de zemanés!

Do fundo do meu ventrículo esquerdo, gostaria imensamente que os doutos críticos do Monte São Lázaro da UFBA se pronunciassem sobre a tal festa de arromba inspirada na literatura dos Irmãos Grimm.

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O rico dinheirinho da oposição que o Proifes continuará traçando 

Quem pensa que vida de bovina é triste, se engana redondamente. Daqui do meu pasto, eu me distraio horrores espiando o mundo dos humanos! Sem brincadeira! Tanto assim é que  o tempo vai passando e eu nem me dou conta que meus pelos já estão ficando tingidos pela neve do tempo. Esses dias eu observava o fuzuê das eleições da APUB. E isso já passou. Já era. É pretérito mortinho da silva. Demasiadamente passado!  Como é que pode, né?

Pois é. Agora mesmo, creio que já vejo outra movimentação de um setor ligado à oposição da Chapa 1 que se esboça. Não tenho a menor ideia de como ele vai agir ou de como vai ser daqui para frente. Só sei que já se reuniram depois do resultado das urnas. A menos que tenha sido coisas da minha imaginação.  Se é que foi mesmo, não sei se vão adotar atitudes mais pragmáticas ou se vão apenas brincar de fazer oposição. Se optarem pelo pragmatismo, vão querer fazer alguma coisa para impedir que o Proifes, e por tabelinha a CUT governista (se já não mudou), continuem recebendo a contribuição financeira  do associado da APUB. Talvez optem por arranjar alguma forma de depositar em juízo essa grana, claro, durante o biênio ocupado pela Chapa 1… Sim, porque a referida chapa assumiu em campanha, com todas as letras, que continuará com o Proifes. Portanto, ilude-se quem pensar que o depósito em juízo será por poucos meses. A menos que os integrantes da diretoria eleita renunciem em massa, ou que a Justiça do Trabalho bata o martelo, definitivamente, em favor do Prof. Francisco Santana. E acabe, também definitivamente, com a farra dos proificistas na APUB, proclamando-a, para sempre – ou quase isso! -, seção sindical do ANDES-SN.

Uma outra possibilidade é a de os apoiadores da Chapa 2 desistirem da APUB de uma vez por todas, buscando uma forma de se ligarem diretamente ao ANDES-SN. Comenta-se pelos corredores da UFBA que a Reitoria vai pedir de volta a casinha da rua Pe. Feijó, atual sede da APUB, pois a mesma lhe pertence. Conforme se comenta, a APUB já tem em caixa uma grana violenta para adquirir sua sede própria, ou, quem sabe, seu clube recreativo e beneficente.  Pouquíssimos iniciados, entretanto, podem saber sobre esse valor, já que é segredo de Estado. Mas o fato é que, segundo dizem, há muita grana entocada mesmo. Tenho dúvida se a oposição irá abrir mão desse dinheiro, ou se irá cobrá-lo na Justiça, uma vez que os continuadores da diretoria destituída (a mesma que tripudiou da decisão da Assembleia dos Docentes) não deverá querer largar facilmente o suculento osso.

Talvez nenhuma dessas coisas ocorram, entretanto, se os apoiadores  da Chapa 2 se limitarem a brincar de fazer oposição. Caso isso aconteça, farão muito barulho, participarão de interminááááveis reuniões, passarão a sacolinha para recolher uns trocados destinados à confecção de faixas e panfletos, mas não irão além disso, pois a diretoria eleita, montada no grosso da bufunfa, continuará fazendo o mesmo uso da máquina que suas antecessoras proificistas fizeram, até a eleição seguinte quando farão seus sucessores, e assim ad infinitum

Moral da história: ou a oposição toma atitudes concretas para contrapor, de fato, à diretoria continuísta, ou alguns maliciosos vão acabar concluindo que tem um “quinta coluna” com grande poder de convencimento das massas infiltrado no grupo para fazê-lo pensar que está fazendo oposição política de verdade a não se sabe quem…

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A Água dos Montes dos Aposentados.

As eleições da APUB, desta temporada, mostram a razão pela qual os aposentados foram denominados por alguém de “Água dos Montes”, em alusão aos votos do interior, em eleições de executivos e parlamentares, que eram sempre surpreendentes, capazes de derrubar muitas “barragens” políticas. Para alguns exegetas da política sindical, também ficou exclarecida a razão pela qual a presidente da APUB destituída em exercício (os historiadores do futuro não entenderão nada se não forem argutos!) desconheceu ao pedido de esclarecimento da Prof. Celi Taffarel, em Assembleia, na sede da APUB, a partir de uma denúncia recebida, sobre o fato de a direção da APUB estar pagando R$ 50, 00 (cinquenta reais) aos “aposentados/agenciadores” por associado cadastrado. Supõ-se que, se de fato houve isso, muitos aposentados que amargam com aposentadorias magras, adoraram as merrecas extras arrecadadas no “novo bico” beneficente. Quem fica, pelas contingências da vida, recebendo apenas informações “viciadas” da fonte horizontal, infelizmente se torna presa fácil dos impostores. Felizmente, entretanto, ainda há as honrosas exceções. O Prof. Francisco Santana que o diga.

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Violência anunciada Com frequência temos ouvido que chefes do narcotráfico controlam atividades criminosas da prisão, através de celulares. A ousadia dos bandidos desafia os órgãos de repressão do Estado. A distância vão controlando tudo.

Parece que os apenados do submundo do crime vão fazendo escola. Agora é a vez dos que habitam o “sobremundo” da política merecerem destaque na mídia, pelo visto com modus operandi próximo daquele utilizado pelos chefões da droga. Assim os jornais noticiaram:

Condenado a dez anos e dez meses de prisão no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do escândalo do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pediu na noite desta sexta-feira, em plenária do PT na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo, que os militantes façam “um julgamento do julgamento do mensalão” e marquem atos contra a decisão do Supremo por todo o Brasil.

O pau vai comer” relembrarão os de boa memória . Depois não digam que a violência não foi induzida e anunciada, caso militantes fanáticos enfurecidos cometam excessos. (Fonte)

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O uso da “máquina” pela Chapa 1

Eu não perderei o meu precioso tempo – tempo de boas ruminâncias! -, em denunciar o uso da “máquina” pela Chapa 1, segundo denúncia que recebi por e-mail. Se o Ancien Régime está disponibilizando o webdesigner da APUB, contratado com a contribuição do associado, para cuidar do visual da chapa branca que apoiam, isso é problema de desvio de caráter deles lá. O que é preciso ficar atento, agora, segundo ruminei, é em relação à movimentação da Comissão Eleitoral. Supõe-se que os doutos membros que a constituem tenham durante o processo, a mais irreprochável conduta. Como ela é constituída, entretanto, de seres humanos, sujeitos falíveis, às vezes passionais no pior dos sentidos, bom é não assinar cheque em branco para a dita cuja. Até as crianças, hoje em dia, já sabem que não há neutralidade. Assim, ainda que confiando na ética dos colendos membros, não custa vigiar os elos mais fracos da corrente. Isso é o que eu diria aos universitários se eles se dignassem a ouvir uma bovina sem Lattes, e apenas preocupada em não comer os lírios do campo…

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Por que não votar na Chapa 1

Nada pessoal. Nada contra as pessoas que compõem a Chapa 1. Ao contrário. Individualmente, são pessoas amáveis, competentes, que simplesmente foram chamadas para preencher os quadros que o ancien régime não ousou encarar, exatamente por conta do desgaste que sofreu durante esses últimos anos. Portanto, esses professores idôneos que foram chamados para “dar sua cota de sacrifício e participação para o bem comum” foram engrupidos na sua boa-fé, penso eu, e, sem que o percebam, acabam representando o que é mais conservador e reacionário da gloriosa UFBA. Constituíram-se, assim, o que comumente se entende por “laranjas”. Evidentemente, que nem todos são “laranjas”. O tino da astúcia política do alto cardinalato achou por bem escolher um dos eternos diretores para compor o time, mas dessa vez um mais light e menos truculento – ainda que não menos escolado em sutilezas políticas…

Sabidamente, os bovinos não votam. E eu, enquanto bovina, infortunadamente, não tenho a prerrogativa de depositar o meu voto em uma das urnas do colégio eleitoral apubiano. Mas isso não me impede de acompanhar o movimento do real e até de olhá-lo com o conveniente distanciamento. Daqui do meu pasto, portanto, vejo nitidamente a esperteza dos que dão as cartas no ancien régime. A simpática candidata da Chapa 1 à presidência é ligada intelectualmente ao Pai da Universidade Nova. Ao sair do comando do sindicato, em verões pretéritos, ocupou cargo na Casa Grande. Houve até quem brincasse: “do chão de fábrica ao patronato”. Claro que dando o desconto do exagero de toda zombaria. Talvez a ex-presidente da APUB tenha gostado da experiência e está aí de volta. Ou, quem sabe, os vivaldinos dos caudilhos não quiseram carregar o andor carcomido e brocado. Outros membros foram escolhidos de olho no investimento eleitoral (IFBA, UFRB, aposentados). Não que isso não seja legítimo. O que quero chamar atenção é que os cardeais mesmos não colocam seus sagrados pescoços no laço da forca. Mas de longe, eles controlam tudo. Numa das Assembleias decisivas durante a greve dos docentes, no Auditório da Faculdade de Arquitetura, segundo me informaram, lá estava garboso e imperial o Pai da Universidade Nova. Simpático, sorridente, apostou que sua presença faria coagular o sangue novo que começou a circular na UFBA, clamando por mudanças e por justiça aos docentes. Calculou mal. Todos sabem do resultado da Assembleia. Em outra reunião emergencial de cúpula, dessa vez na casinha da Rua Pe. Feijó, lá estava ele novamente. O sinal vermelho fora acionado. O ancien régime estava em perigo. Não só o grande timoneiro, mas também um dos cardeais da UFBA que fora alçado a Secretário de Estado de D. Wagner I.  

Por esses e outros motivos que não teria como abordá-los aqui e agora, até mesmo para não ocupar o precioso tempo do leitor e da leitora, a honradíssima Chapa 1 não teria o meu voto, caso os bovinos voassem, fizessem política ou votassem. Tudo o que constituísse empecilho para a Universidade Pública se tornar democrática, sintonizada com os interesses dos trabalhadores, ou com o interesse dos que, de fato, carregam o país nos ombros, seria impiedosamente riscado com um XIS, escolhendo a chapa certa para tornar a APUB VIVA e a UFBA feliz.

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Destituídos ainda apitam

Insisto. Decididamente, eu não entendo nada de sindicato, de universidade, de instituições humanas. O mundo dos humanos é muito complexo para uma simples bovina acompanhar o movimento das engrenagens. Não faz muito, li que a ex-diretoria da APUB fora destituída, em Assembleia, por traição à categoria. Agora, leio no site da APUB que a presidente demitida desencadeou o processo eleitoral. Pergunto aos meus afiados cornos, como é que pode tal coisa acontecer? Novamente esse tal “ser ou não ser”? Será que a Assembleia foi uma encenação? Que tudo foi “de mentirinha”? Apenas mise en scène? Enquanto isso, a EX vai torrando o rico dinheirinho do associado.

Para que me assegurem que não estou interpretando mal o que li, publico um excerto do que o site noticiou:

A presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia – Apub Sindicato – professora Silvia Lúcia Ferreira, deflagrou nesta terça (6), oficialmente, o processo eleitoral da entidade, ao empossar os membros da Comissão Eleitoral. Ela ressalta o reconhecimento que a entidade tem na sociedade e considera positiva a gestão que se encerra agora, com as conquistas obtidas pela comunidade acadêmica na Bahia. […]

Ainda que eu esteja certa em desconfiar, não sugeriria – nem morta! – vigilância para não haver o uso da “máquina” (APUB/UFBA) em favor de uma das Chapas. Nem morta!

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Eleição da APUB: edital e óleo de peroba

O meu cérebro bovino não me permite compreender o movimento peristáltico ufbiano. Como é que pode uma ex-diretoria destituída em Assembleia convocar Eleições para a direção da entidade sindical docente? Melhor é pensar no “tempo negativo” antes do marco zero do instante que provocou o Big-Bang, nos primórdios do surgimento do Universo, hoje povoado por galáxias, asteroides, pulsares quasares e outras tantas poeiras cósmicas…

Pelo que me chega aos ouvidos, a Comissão Provisória de Transição – CPT – que é constituída de pessoas idôneas e desapegadas ao poder, diga-se de passagem, é que deveria estar à frente do processo eleitoral, conforme decisão tirada em Assembleia. Mas aí tem um senão: para fazer isso, precisaria judicializar a briga com a ex-diretoria enxotada. E isso implicaria em sentar à beira do caminho para esperar a decisão da Justiça, que não é das mais céleres.

Professores mais aguerridos, semanas atrás, recomendaram que se ocupasse pacificamente a sede usurpada pela direção demitida. Segundo eles, qualquer movimentação nas proximidades da casinha da rua Pe. Feijó, pela sua posição geográfica, provocaria um razoável congestionamento a partir daquela via estreita, que logo afetaria o trânsito do Campo Grande e da Cardeal da Silva e logo chamaria a atenção da imprensa. Outros professores ponderaram que a população não deveria pagar o pato pelos destemperos da ex-diretoria exonerada. E, assim, novembro chegou, e os que não deveriam ser, continuam sendo.

Resta indagar: foi vã toda a trabalheira da Assembleia? Esta não tem mais valor? O grupo governista do Proifes conseguiu emudecer a UFBA e transformar em bobos centenas de docentes que acorreram e votaram durante as Assembleias do período de greve? Foi nisso que se reduziu a tal “unidade dos docentes”? Depois, eu é que sou bovina!

Confira o Edital (AQUI).

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Reitoria da UFBA foi palanque?

Daqui do meu pasto, vou à Reitoria da UFBA sem nela pisar os pés. Coisa incrível, não, Caro Leitor, Cara Leitora? Fico pensando como os humanos foram capazes de tantas proezas tecnológicas. Por outro lado, não esqueço, também, das observações que o meu amigo Saci-Pererê me faz sobre os humanos. E ele está certo. O homo sapiens sapiens é muito contraditório. Af!  Avança numas coisas e noutras não arreda o pé. Por exemplo, na nobre arte de conviver na pólis ou na civitate, tem atitudes de fundir o cérebro dos ruminantes. Sinceramente, prefiro meu pasto, ainda que o verde dele esteja agora acanhadinho, acanhadinho… Mas, por que estou fazendo essas considerações? Por uma razão muito simples. Do meu tablet, li o desabafo de uma professora da UEFS. A coitada ficou muito decepcionada com o que viu na Casa Grande da UFBA. Assim ela lamenta:

Caros, recente fui convidada virtualmente, pelo programa de pós-graduação da Universidade Federal da Bahia, para palestra sobre sustentabilidade, marcada para às 18:40 na reitoria! Ok! Matéria de interesse, fui! Ao chegar na reitoria, surpresa! Arranjos de flores tropicais e músicos tocando… Pensei: pô! O palestrante deve ser o máximo! Final da ópera: foi ato político, vergonhoso, dentro da Universidade Federal da Bahia, com a presença da reitora e o tão importante palestrante era nada mais nada menos que este senhor abaixo! Lógico que nem assisti! Os baianos estão acostumados à luta! Nunca fui carlista, mas agora sou acmneto até a vida de Gabrielli!!!!!!!!!!!!! Já estou em campanha política contra Gabrielli na eleição de governo! Tirem meu nome e divulguem!!!!!!!!!!!! Fora PT! […]

Meditabunda, fiquei pensando na ira sagrada dessa professora, e não tive como não deixar de lembrar de um episódio que os humanos contam que aconteceu noutras terras há muitos e muitos anos, em que um moço armou o maior auê  ao encontrar indivíduos vendendo mercadorias mil num átrio religioso, os tais Vendilhões do Templo… Não é difícil entender a sua indignação, mas o certo é que, com chicote e pancada não se pode consertar o mundo, embora o primeiro impulso seja mesmo o de rodar a baiana: Rodarum baianas humanum est – segundo a proverbial fraude latina. É preciso, com paciência, pensar as coisas e os eventos do mundo, como são constituídos, e, a partir daí, agir. Mudar para o DEM quando o PT endireitado fracassa, também é agir por capricho, é ser voluntarioso. Pelo raciocínio, ou pela ruminância neuronal, chega-se à conclusão de que o sagrado está no sentido que damos às coisas. É só lembrar que o próprio “templo” da reitoria já fora profanado pela presença do Dr. Zé Dirceu. Digo “profanado”, pensando na possibilidade de o ministro Joaquim Barbosa estar correto no seu julgamento , na nobilíssima Ação Penal – como quer o PT! –  que parou o Supremo. Você me entende, não é Leitora inteligente? E você, também, Leitor arguto, sacou o que tive preguiça de escrever, não é mesmo?

Se, de fato, procede o juízo de que o excelentíssimo secretário do Planejamento do Estado da Bahia quer se vingar do povo baiano por pinimba com o resultado da última eleição, esse mesmo povo poderá se vingar dele também daqui a dois anos. Tivesse eu alguma influência entre os humanos, certamente os encorajaria a dar boas gargalhadas diante da possibilidade de ver o Salão Nobre da Reitoria adaptado à condição de palanque eleitoral. É só lembrar que o mesmo doutor Zé Dirceu também lá esteve, compareceu, se defendeu e deu no que deu… Com rima e tudo.

De toda forma, é sempre bom tentar decifrar se houve ou não ameaça na nobre fala do atual titular da Seplan, ou se é apenas um equívoco de interpretação (AQUI).

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Chapa 2

Oração ao acordar: Que o Deus dos humanos permita que a chapa de oposição da APUB seja, de fato, de corajosa oposição  e que não caia jamais na lábia dos governistas dos vales da sombra – que simulam mudanças para tudo permanecer como está: pro-governo, proifes, prouni, promessas… Amém!

Ressuscitar o carlismo?

Não creio na tese da ressurreição do carlismo como alguns propagandeiam por aí. Toda vez que ouço alguém falar sobre isso, lembro-me dos governos americanos que tentavam assombrar o mundo com a tese de que os comunistas comiam criancinhas. O Coronel Ramiro Bastos acabou de morrer na telinha platinada. Agora é a vez de Mundinho Falcão mandar na política, mas talvez sem os jagunços de forma tão ostensiva como era antes. Talvez, pois os tempos são outros, embora a sede dos mandriões seja a mesma. É bom lembrar que a ficção bebe sempre na fonte da realidade… Ou seria o contrário?

Aliás, se o neto do senador ACM for o escolhido amanhã, pelas urnas, para ser o futuro síndico do Palácio Tomé de Souza, parte da responsabilidade por isso é do governador da Bahia, gostem ou não os chegados a ele. Sabe-se que a propaganda pode muito, mas não pode tudo. Pergunte aos professores das universidades estaduais que fizeram greve por setenta dias – justa, diga-se de passagem -, em abril/junho 2011, ou inquira os docentes da rede pública estadual que cruzaram os braços este ano, por 115 dias, se estão felizes com o governador petista. Repita a pergunta aos policiais, ou aos que precisam de cuidados médicos ou de segurança. Muitos vão dizer que o “barba branca” não foi tão diferente do “cabeça branca” na manutenção do espaço vital para a mais-valia – prioritariamente –  para os mega-endinheirados. Tanta assim foi que o atual governador, por afinidade certamente, tratou logo de pendurar sua plaquinha de “Lar, Doce Lar” no Corredor da Vitória, para ficar mais próximo dos “vitoriosos”. Detalhe insignificante? MUUU! Me engana que eu adoro!

Assim, não é de se estranhar que, se o partido da presidente da República não faturar a prefeitura de Salvador, logo, logo os que compõem sua cúpula estejam de sorriso largo para o novo “governinho”. Afinal, eles têm um mundo a ganhar, diferente do povo, cujo horizonte próximo é o da mesmice. E a “ressurreição do carlismo” só será lembrada novamente na próxima disputa eleitoral…

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Contas com a Justiça

Só a Justiça do Trabalho para “enquadrar” a diretoria da APUB,  a mesma que foi impedida de continuar barbarizando à custa dos professores da UFBA. Ou a dita cuja não tem nada a ver com a saúde do Plano? Diferente do argumento que alguns usam, no sentido de fazer pouco da “justiça burguesa”, é de se pensar, cada vez mais, como possibilidade, na mão forte do Estado – ainda que este seja um aparelho a serviço da classe dominante – para o trabalhador conquistar a dignidade que merece, e que a todo momento é surrupiada. AH! A dialética! Pena que os diretores (destituídos pela Assembleia), não sejam obrigados a pagar do próprio bolso pelas mancadas cometidas… No frigir dos ovos, eles prevaricam e os docentes associados à entidade sindical pagam o pato, ou melhor,  as contas. Isso não deveria continuar, se os humanos não se julgassem superiores aos bovinos!…

Confira aqui: ATA DE AUDIÊNCIA

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Pobre rica UFBA!

Foi com pesar que soube da capitulação dos titãs do Consuni da UFBA, diante da EBSERH. Mais uma vez, os próceres do conselho máximo da instituição – a exemplo do que aconteceu  por ocasião do REUNI e do marco regulatório biônico institucional -, demonstram sua fidelidade aos projetos espertamente atomizados pelo governo federal, abrigados no grande guarda-chuva de construção neoliberal. Fazer o que, né? De todo modo, se é tristeza de muitos, é também alegrias de alguns. No meio dos que gargalham de felicidade, estão os diretores refratários a cumprir as determinações de suas Congregações. O acaso ou o erro de tática, favoreceu que se determinasse o voto em segredo de cada membro do egrégio Conselho. E eis senão quando os traíras se vêem desobrigados de cumprir a vontade da maioria expressa através das representações de suas Unidades. Sem dúvida, o voto secreto os redime, provisoriamente, do julgamento da História. Pobre rica UFBA, QG avançado do aniquilamento da res publica!

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Eleição da APUB: chapas e chepas

O ano, praticamente, está acabando, e a ex-diretoria destituída da APUB não larga o osso. “Eita osso bão!” – como diria o outro… Logo mais os professores da UFBA estarão escolhendo, pelas urnas, a nova diretoria. Ao que eu saiba, as chapas ainda não deram as caras. Claro que estão em processo de composição. Uma delas, já se imagina como será: conservadora, governista, festiva, uninovista, proificista, ebserhista, etc. Não é preciso ter a imaginação de Dan Brown, ou de ser guardião da senha do segredo do Código Da Vinci, para projetá-la no cineminha da mente – seja humana ou bovina. A outra chapa, que se supõe de oposição, entretanto, é um mistério, como é mistério a face que terá. Pode ser, de fato, a oposição com O maiúsculo, ou pode ser, um, um… sei lá o quê, desses troços que só a máquina academicista jeitosinha consegue engendrar!

Sabe-se que o movimento APUB LUTA – Oposição Sindical começou na FACED, catapultado pelo XLI Encontro da Regional Nordeste III – ANDES-SN. Essa sementinha de sublevação contra a pasmaceira reinante no movimento docente da UFBA germinou e transformou-se na plantinha vicejante que embelezou as Assembleias durante a greve. Ultimamente, não sei como está indo a tal plantinha. Daqui do meu pasto, faço votos que lhe adubem a terra e que lhe nutram de água boa e de luz solar genuína. Há sempre o risco de um movimento começar pelo coração generoso da Educação e de terminar pelo cérebro calculista da Economia. Quem duvidar disso, é só espiar o que acontece no MEC, que deveria cuidar das questões da Educação, mas que se deixa subordinar pela razão instrumental economicista do MPOG. Desse modo, se os valorosos professores que se opõem às mazelas reinantes nas IFES, e, em especial, as ligadas à UFBA não segurarem a peteca, baubau fim da mesmice: vão ser uma bela massa de manobra dos vivaldinos que ficam sempre em off dando as cartas e colhendo as boas chepas. Depois, eu é que sou bovina…

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Mas Prof. Filgueiras!

O Prof. Luiz Filgueiras não me parece uma má pessoa. Ao contrário. Sempre o vi, daqui do meu pasto, até como um bom menino. Talvez, um pouco voluntarioso, um pouquinho autoritário, meio mandão… Mas não creio que se julgue um Luiz XIV, como dizem seus desafetos. No máximo, talvez, um Napoleão Bonaparte quando ainda era cônsul… Não se pode dizer que ele não goze de grande credibilidade na UFBA, e que  não tenha um discurso envolvente, com números, gráficos, tabelas, juros compostos, percentuais, taxas de spread e outras tantas belezuras que só os economistas guardam a sete chave no cofre do Banco Central.  Credibilidade, ele tem para emprestar a juros e vender. Afinal, o homem foi eleito reitor pelas três categorias quando se candidatou em eleições passadas. Só não foi nomeado porque o MEC brecou. Não concordo, conforme aventaram por aí, que tenha cobinado com o Prof. Paulo Fábio para este fazer o papel do “bode na sala de visitas” da histórinha conhecida, com o propósito de ele passar por herói. Isso é uma tremenda bobagem! Até porque EGO é um treco bem sensível, e o do douto cientista político do Monte São Lázaro não deve ser muito diferentes dos outros… Reconheço, aliás, – voltando ao assunto -, até que o Prof. Luiz Filgueiras deu uma boa contribuição para despachar a finada ex-direção da APUB. Isso ele deu, e não se haverá de negar quem justo for.

A única coisa que acho, mesmo, é que ele pisou feio na bola, ao decretar o encerramento abrupto da greve, sem mais nem menos. Sim, simplesmente, ele decretou o fim da greve e fim de papo. Não aceitou nem a proposta da plenária votar uma saída mais maneira, através do Estado de Greve, que foi apresentada no final da Assembleia de ontem, dia 13 de setembro! Isso é um grande defeito dele, e que muitos dos seus colegas já observaram: ele detesta ser contrariado e odeia quando não pode dar a última palavra… O movimento estava tão coeso, tão bonito! Custava esperar mais um pouco para sair unificado com o resto das entidades sindicais das IFES? Custava? Dizem, as más línguas, que ele acabou trincando a taça de cristal do Comando Local de Greve, que estava com uma sonoridade ma-ra-vi-lho-sa!… Dizem, mas não posso provar!…  É um treco dos humanos que me dá um nó no meu cérebro bovino: por que diabos eles têm que fazer com uma mão e desfazer com a outra? Juro que, um dia, eu queria passar pela experiência de ter um neocórtex cerebral!… Por Deus que eu queria!

Merrecas para os docentes no pós-greve

O “velho” barbudo (que em 1848 tinha apenas 30 anos) e seu fiel amigo sabiam o que queriam, quando redigiram “Trabalhadores do Mundo, uni-vos”. Nã é à-toa que o que escreveram é tão atual sob o ponto de vista do trabalhador consciente. Assim, em que pese alguns dizerem que com a greve algumas merrecas a mais acabaram chovendo na horta dos docentes das IFES, há de se pensar se o princípio da isonomia foi cumprido. Se molhou mais intensamente o parreiral dos doutores e apenas respingou timidamente nos pés de couve dos menos titulados, estes, apenas serviram de degraus… Como na velha Revolução Francesa que a esperta burguesia soube tirar partido. E a luta de classes continuou. Salvo melhor juízo, que o cérebro bovino não pode alcançar e realizar!

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Os políticos sumiram das Assembleias

Tempos chochos os vividos na UFBA. Pelo menos no que tange à solidariedade ao movimento paredista docente. Anos atrás, um simples indicativo de greve já era suficiente para fazer abalar de Brasília, ou de outras paragens, um nobre ou uma nobre parlamentar, que vinham hipotegar apoio aos bravos professores. Pelos campi da UFBA desfilavam os ilustres Pelegrino, Pinheiro, Haroldo Lima, Zilton Rocha e tantos outros que fechavam simplesmente com a “causa da educação” e não tinha mais conversa. Alguns deles seguiram caminhos diferentes da política partidária; outros, continuam firmes e candidatos mais do que nunca, os eternos concorrentes a alguma coisa.

A greve dos professores da UFBA terminou e nenhum deles se lembrou de mandar sequer um cartãozinho de simpatia pela luta docente. Nenhum! Parece que o prazo de validade da Educação Superior já venceu para suas excelências…

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Corrida para a direção da APUB ou para a Reitoria?

A pergunta que está até agora martelando a cabeça de muitos professores acabou ressonando na minha: “Por que a greve dos docentes da UFBA acabou de forma tão abrupta?” E aí, eu tenho que aguentar as querelas desses dois entes em permanente conflito no interior da minha pobre consciência bovina, ou as minhas “vanjinhas” interiores. Para a anja, digo, vanja de tridente e rabo de seta, “aí tem coisa!”. Já para a vanja de asas róseas e auréola dourada, “não tem coisa nenhuma!” E eu acabo ficando, de gaiata, entre as duas vanjas. Ora penso que uma está certa, ora penso que a outra é que está com a razão.

Quando li o Comunicado Especial do Comando Nacional de Greve (CNG), entretanto, fiquei totalmente baratinada. Os parágrafos finais me deixaram intrigada. E aí a vanja de tridente deu cambalhotas e gargalhou: “Não disse? Aí tem coisa!… Por que não se esperou pelo menos até o dia 11 de setembro ‘para fazer um balanço do processo de luta e definir as ações do movimento’? Por que não se fez isso? Por que não esperar mais um pouquinho e sair todo mundo junto? Para a vanja de auréola dourada, “isso prova que o Comando Local de Greve tem autonomia para sair quando julgar necessário, depois de avaliar o cenário interno”. A cada argumento apresentado por uma das vanjas, eu me confundo toda. Por último, a vanja de tridente aventou a possibilidade de ter sido dada a largada da construção de um nome para a cabeça de chapa que irá concorrer à eleição próxima da diretoria da APUB, ou mesmo a corrida de um nome para o próximo reitorado da UFBA… Enquanto a vanja de asas rosadas esbraveja que a corrida é legítima, fico pensando, com meus carrapatos, se é legítimo, entretanto, sacrificar o andamento de um movimento paredista tão bonito, tão coeso, em nome de um projeto pessoal de poder… Se foi isso, ou se foi até mesmo o propósito de alguns em preservar a imagem do partido do governo e coligados para as Eleições Municipais, o Comando Local de Greve, as lideranças progressistas e a própria Plenária comeram mosca, ao acreditarem na sinceridade das proposições apresentadas. Se foi isso, é lamentavel!… Como não pensaram sequer na possibilidade de um Estado Permanente de Greve, como mecanismo de pressão, talvez seja reeditado o esforço do grego Sísifo… De toda forma, só o Senhor Tempo poderá dizer se estou ficando muito maliciosa…

Abaixo, os dois últimos parágrafos do Comunicado Especial citado:

O governo concordou em avaliar esta demanda e informou que nas próximas 2 e 3 semanas estaria tratando apenas de negociações dos dias parados e corte de ponto de diferentes segmentos. Assim, ficou agendada para o dia 27 de setembro reunião do Fórum com SRT para tratar dos valores e períodos de vigência dos benefícios, e definir agenda e temas para discussão com a SRT relativas ao processo de negociação coletiva.

 A próxima reunião do fórum será no dia 11 de setembro para fazer um balanço do processo de luta e definir as ações do movimento. (Fonte: AQUI)

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A UFBA e a teoria dos fractais

Acabo de saber que, ontem, dia 05 de setembro, após a votação do final da greve – a priori para o dia 13 de setembro! -, um professor bem-humorado teria sugerido, para seu grupo de amigos, que a próxima Assembleia deveria acontecer no comitê do candidato Nelson Pelegrino. Agora que o meu informante se mandou, fico ruminando a informação que acabo de receber para depois processá-la. Esse é o dia-a-dia dos (e das) ruminantes. Desde o início dos tempos da espécie. E, nesse processo, me vem a pergunta inevitável: Por que ele teria dito isso? Bem, uma das respostas é que o tal docente brincalhão acredita que o final da greve dos professores da UFBA foi pressionado pela base governista. Assumida ou na sombra, na moita. Talvez entendesse que a greve desgastaria mais ainda o partido do governo e coligados. A segunda pergunta é corolário da primeira, e você, inteligente que é, talvez já a tenha antecipado: Por que a direção do movimento comeu mosca e deixou passar sem muita discussão a proposta do encerramento da greve, sendo benevolente com a sua corrosão por dentro? Por que isso, se ainda existiam gordurinhas para queimar? Por acaso o governo ameaçou cortar o ponto dos docentes em greve? Bem, as respostas não são tão simples. Podem-se aventar hipóteses. Uma delas é que as lideranças/comando de greve comeram mosca mesmo. Deixaram-se ofuscar pelo brilho das estrelas em disputa (Guerra das Estrelas). A outra hipótese é ter entrado no jogo político: sabe-se que logo mais estará deflagrado o processo eleitoral para a escolha da próxima direção da APUB. Nesse caso, o apoio das lideranças é fundamental para ocupar, pelas urnas, a casinha da rua Pe. Feijó.

Curioso é que, pelo vídeo publicado sobre a votação da Assembleia de ontem, três propostas foram apresentadas. O Prof. Francisco Santana, graduado em Engenharia Elétrica e Mestre em Educação, propôs a continuidade da greve, por entender que ainda havia fôlego para isso. O Prof. Paulo Fábio, Doutor em Ciências Humanas [Ciência Política], guardando coerência desde o início do movimento paredista, encaminhou o “fim da greve já!” Enquanto o Prof. Luiz Filgueiras, Doutor em Economia, eleito reitor da UFBA na década de 1990, mas não empossado pelo MEC, propôs o fim da greve para o dia 13 de setembro. Não foi nem o “indicativo”. Talvez, temendo que na Assembleia marcada para o dia 13, houvesse o convencimento da Plenária sobre  a necessidade de uma saída unificada com as demais IFES…  Talvez!… Certo ou errado, triunfou o argumento do economista. Igualzinho lá em cima, que sempre MPOG dita as regras. Igualzinho aos fractais. O micro “espelha” o macro. Isso se minha compreensão bovina dos fractais não estiver equivocada, claro.

P. S. – Horas depois de ter postado esta nota, a editoria deste Blog comunicou-me que recebera uma mensagem muito instigante. Entre outras coisas do embate do mar com o rochedo, a missivista – que pediu para não ser identificada -, comentou que, se fosse dessa vez, possivelmente, o Prof. Filgueiras  seria nomeado na bucha… De leve, como diria o Ibraim Deus.

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Purpurina acadêmica

De cá do meu pasto, salvo melhor juízo, vejo, grosso modo, dois grupos distintos. Um deles, constituído pela nobreza da UFBA: ex-dirigentes de qualquer coisa; ex-candidatos – idem -; doutos pesquisadores prestes a descobrir algo que salvará a humanidade dos males que a afligem; neoaspirantes que sacaram que as sobras deixadas pelos tubarões, e outros peixes de grande porte, são bem mais generosas e mais suculentas; “políticos partidários” natos, cujas urnas um dia não lhe sorriram… e outras espécies que ainda não foram classificadas, mas que podem ser  inseridas, tranquilamente, no reino dos protistas. Se não estou enganada, os ditos cujos têm em comum o propósito de colocar o país pari passu ao lado das nações “desenvolvidas”  e exploradoras do primeiro mundo. O outro grupo, salvo engano, tem como elementos de identificação coisinhas simples como justiça social, luta por salários dignos e condições adequadas  para trabalhar. Como se vê, um desses grupos é muito mais reluzente e tem muito mais purpurina…

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Destituição dos Representantes no CONSUNI

Recebi uma mensagem muito simpática de um leitor, provavelmente, professor da Universidade Federal da Bahia. “Estimada Vaca Tatá: Sou seu fã e ao ler suas sensatas ponderações, lamento por não ter nascido bovino também. Sua argúcia e serenidade são exemplos do bom senso que deveríamos ter, e que muitas vezes nos falta – a nós todos humanos, sem exceção. Mas vamos ao que interessa. Já destituímos a diretoria governista da APUB e agora temos de cobrar a destituição dos representantes no CONSUNI… Você concorda comigo? Grande abraço”. Agradeço as palavras carinhosas e estimulantes do docente, respondendo-lhe que está certíssimo. Aliás, essa criação da ala mais à direita da entidade, não faz o menor sentido, uma vez que o CONSUNI é formado basicamente por docentes. Creio que foi algo inventado pela turma do preclaro cientista político Israel Pinheiro para que alguns docentes se sentissem mais importantes. Essas coisas de “guindastar” a autoestima… O nome é pomposo, sou obrigada a concordar: Representante da APUB no conselho Universitário da UFBA. Felizmente nós bovinos não temos essas besteiras.

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A velha astúcia dos de cima

Ainda bem que a usurpação do poder de duas categorias por uma terceira, na Universidade, não é cláusula pétrea. Tudo é pretexto para o urubu de cima acertar os de baixo. O quiproquó da UnB me trouxe de volta a velha astúcia da academia. Anotei na palma do meu casco – se é que casco tem palma -, as três principais correntes dos detentores de neocórtex cerebral acerca de quem pode mais na escolha do rei (ou rainha) da academia: I) Há os que defendem o voto universal para a escolha do magnífico ou magnífica. A justificativa é muito simples: para se escolher o presidente da República, o mais alto cargo do país, cada eleitor vale um voto, portanto, pobre e rico, culto e inculto, pelego e engajado –  o voto de cada um tem o mesmo valor. II) Há os que dizem que a paridade por categoria foi uma manobra de alguns  espertinhos para o estudante não decidir. III) Há os que sustentam que o peso maior na escolha do reitor deve recair no voto do professor. Aí, a razão instrumental fez a III corrente virar Lei. A meu ver, a segunda proposta é menos ruim do que a terceira, que é imoral. Nesse caso, os desfazedores de Leis precisam, urgentemente, revogá-la. Ou, babau! Quem defende, pois, a última, deve também defender as botas dos generais nas partes pudendas do trabalhador, por analogia e coerência… Depois vão dizer que é mais fácil um boi voar do que esse país virar um lugar de respeito. Tudo os bovinos! Tudo meus parentes!

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Como no nascedouro da Proifes

Sinceramente, não é da minha conta, não, mas eu cada vez entendo menos a academia ou o seu sindicato. Até agora fico pensando porque tinha o nobre Prof. João Augusto Rocha, praticamente, biógrafo do valente revolucionário e poeta Carlos Marighella, de contratar seguranças – ou, quem sabe, jagunços! -, para protegê-lo na Assembleia do dia 7 de agosto… Se tivesse oportunidade, eu lhe perguntaria: o que é isso companheiro? Que espécie de comunista é você? Isso é coisa mais daqueles coronéis do cacau que o ex-comunista Jorge Amado tão bem descreveu nos seus instigantes romances! Logo depois, foi a vez de uma outra professora apoiadora do Proifes se valer do mesmo aparato policialesco. Não estou entendendo nada. Essa gente não dizia que polícia e outros só deveriam entrar na Universidade através de vestibular (naquele tempo ainda não havia os assemelhados de acesso que hoje existem)? Eu sempre pensei que gente armada não combina com assembleias. E, muito menos, assembleia de professores universitários. É assim que começa a coisa ruim. Primeiro o quebra-faca; depois o bate-boca; muito depois o PUM! PUM! PUM! E ‘tá lá um corpo estendido no chão. Sei não, viu. Sempre fico cismada quando vejo um vigilante de mochila. Pra mim, ali tem sempre uma submetralhadora. Mesmo sendo uma bovina, penso sempre que é melhor prevenir… Se esses camaradas da Proifes acham que podem ser agredidos fisicamente a qualquer momento, é porque coisas boa não têm nas suas cabecinhas governistas e por demais apegadas ao poder. Sei não, viu!  Olhe o caso de Celso Daniel… Sinceramente, morro de medo desses brutamontes. Quem não lembra dos ameaçadores “armários” no galpão da CUT, em São Paulo, no nascedouro da Proifes, impedindo o pessoal do Andes-SN participar da tal Assembleia do fatídico 6 de setembro? Quem não lembra? Besteira minha. Todos já esqueceram… E depois, eu é que sou bovina!…

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O ex em ação?

A bem da verdade, o pessoal também exagera muito. Ouvi o burburinho até que o tal ex-dirigente, que agora ressuscitou, teria feito um acordo com figurões do Banco Mundial, quando da sua estada nos States, para botar ordem aqui na casa. Isso porque ele, até então, não queria saber de nada que não fosse o seu universo de pesquisador. Em pouco tempo, a partir de umas lições básicas do Cardeal Richelieu, ele já superava o próprio mestre. Tanto assim é que chegou onde seu preceptor não conseguiu chegar… Mas essa história já é por demais conhecida pelos corredores da universitas. O que quero chamar atenção, entretanto, é sobre a comentada a empolgação do ex, segundo dizem por aí, em levantar apoio, por escrito, para os traidores do movimento docente. Se, de fato, isso estiver acontecendo, desconfio que a Força Nacional do MPOG já entrou em campo. Ou em campis baianos, já que o MEC não mais apita…

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Diretoria da APUB sangra bolso dos associados

Uma das coisas boas da vida é ruminar. Enquanto rumino, posso medir, pesar, confrontar, e fazer um monte de coisas interessantes. Assim, estava eu a exercitar as minhas poderosas mandíbulas, às margens do Mondego, quando de repente passou um moço irritadíssimo e mirou uma lixeira azul. Plof! Errou o alvo. Sem se importar, continuou a andar. Chamei-lhe a atenção: “Moço, o senhor errou o alvo. A gazeta caiu fora da lixeira”. Meio envergonhado ele voltou e recolheu o mal feito. Acabou se abrindo depois para mim: a diretoria da APUB está sangrando a entidade. Veja que pagou uma grana violenta para publicar essa josta no jornal A Tarde. Imagine quanto não custou essa nota mentirosa contra o Comando Local de Greve. Multiplique uns 30 cm de altura por uns 12 de largura, e veja quanto dá em dinheiro. Enquanto ele saía dali bufando de raiva,  fiquei a meditar o quanto alguns pensam que dinheiro dos outros é capim. Confesso que, se eu não fosse uma bovina, ligava na hora para o setor de classificados do jornal, só pra saber o valor gasto por aqueles folgados… Ah! Se eu ligava!

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O ex-reitor como aliado

A ida do ex-reitor da UFBA à Assembleia – para fortalecer a posição da diretoria da APUB, alinhada à Proifes, alinhada ao governo, alinhado a Banco Mundial, alinhado ao capital financeiro rentista, financiador da destruição do Planeta e destruidor da solidariedade humana -, acabou por ferrar com os dirigentes traidores da entidade sindical, salvo melhor juízo. Ao participar da histórica Assembleia do dia 07 de agosto último, independente da legitimidade dada à Plenária por mais de 300 professores presentes ao local de votação, o ex-reitor, pai da Universidade Nova e articulador do Reuni, peça de marketing  do governo Lula, sem querer, acabou calando a boca dos que agora só aceitam voto a distância. Qualquer filho de Deus, com um pouco mais de boa vontade, vai raciocinar no mínimo assim: “Se o ilustre epidemiologia deixou suas inúmeras ocupações para prestigiar a Assembleia, é porque ela tem legitimidade e legalidade”. Ora, se o colendo dirigente não pôde ficar para votar o ponto de pauta da destituição da diretoria da APUB, é porque, certamente, tinha outros afazeres mais importantes para ele. Por tudo isso, alguém escrever na lista de discussão da UFBA que um grupo está tramando um atentado contra a democracia sindical ou estultice do gênero – e trazer o golpe de 64 como peça de uma retórica chinfrim -, no mínimo, está zombando da inteligência dos docentes. Se ao menos isso fosse dito por mim que sou bovina…

Palácios na disputa

Se alguém imaginou uma outra reação da digníssima presidente da APUB, então não manja nada de política, e muito menos dos olores do poder. Claro que passado o susto de perder a honra de administrar cento e tantos mil paus de cerca por mês, a providência imediata foi consultar os causídicos. Afinal, eles ganham uma reluzente bolada de dim-dim pra que? Não é exatamente para limpar os trilhos e dormentes de eventuais pedras? Então! Por outro lado, é normal que surjam os advogados sem inscrição na OAB. Por uma razão muito simples: a diretoria da APUB lida com segmentos do poder e precisa ganhá-los.

Tome como exemplo a ligação indireta que a direção da APUB tem com o executivo estadual. É só pensar em alguns secretários que gravitam em torno do barba branca – satélites estes que são oriundos da copa da casinha da rua Pe. Feijó. É sabido que tanto a direção da APUB – que tem sido correia de transmissão – quanto parte do alto cardinalato da UFBA sentam em cadeiras confortáveis reservadas aos coligados do partido do governo. É sabido que a moral do síndico do Palácio de Ondina nos últimos tempos com algumas “zonas eleitorais” não é das melhores. Não me pergunte  o porquê. Somem-se os descontentamentos (são tantos!) das famílias dos policiais mais os descontentamentos das família dos docentes da rede estadual e multiplique por dez. O resultado dessa continha básica vamos saber logo mais em outubro, quando as urnas forem abertas e já soubermos quem sentará à cabeceira da mesa principal no Palácio Tome de Souza…

Mais adiante um pouco, saberemos também se um professor da UFBA será mesmo o novo inquilino do Palácio de Ondina, ou se ficará chupando o dedo com cara de bebê chorão. Como se vê, os palácios acabam sendo objetos de disputa e a simples posse da casinha singela da rua Pe. Feijó, mesmo  não parecendo, pode significar o domínio de mais uma trincheira das muitas que o poder necessita para se sustentar.

Até o ex-reitor compareceu!

Desespero faz coisa. Contaram-me que até o ex-reitor da UFBA, o pai da universidade nova, compareceu à Assembleia dos docentes, ontem, 07 de agosto, na Faculdade de Arquitetura. Viram-no escondidinho, perdido no meio do mar de professores entusiasmadíssimos que defendiam a carreira docente. Dizem que foi uma proeza e tanta a da diretoria da APUB em levá-lo para lá, pois na história do ilustre ex-dirigente, consta que aquela foi a primeira vez que ele compareceu a uma assembleia de professores… O que não sei se é verdade. Entretanto, mesmo não conseguindo mudar o curso do caudaloso rio da plenária em  chamas, sua presença fortaleceu a tese de que uma mão lava a outra… Quem não se lembra que o grupo APUB-Governo deixou o ex-reitor soltinho, na ocasião da submissão ao Reuni e também na época em que ele arregaçou as mangas para erigir o marco regulatório da UFBA, apenas com seus fiés cardeais, a léguas de distância da Estatuinte? Quem não se lembra? Pena que, talvez, a experiência da Assembleia não  tenha sido das melhores para ele. A imagem dos jagunços fortões, contratados pela diretoria da entidade para proteger a presidente da APUB e o diretor Acadêmico – segundo as más línguas, proteção essa que ocorreu com os recursos não repassados ao Comando Loca de Greve! -, pode deixar no notável epidemiologista a ideia ruim de que o nosso meio sindical é o mesmo do filme “Sindicato de Ladrões”, da década de 50, dirigido por Elia Kazan e protagonizado por Marlon Brando… Quanto a atual dirigente da UFBA, ninguém a viu – nem escondida! –, por lá. Segundo me contaram, embora ela tenha sido apresentada pelo ex, para concorrer pelo voto ao seu magnífico cargo, parece que   referida não considerou a indicação como uma dívida a ser cobrada e paga por toda a eternidade. O que é bom para a dignidade da instituição.

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As densas teses do sábio

Eu sempre digo que estou muito feliz com a minha condição de bovina. Quanto mais vivo e vejo  o que fazem os bípedes, não agravando a todos, me orgulho da minha condição de quadrúpede. Nos últimos tempos, entretanto, ao saber notícias das Assembleias dos professores da UFBA, tenho sabido tantas coisas interessantes, que me fazem refletir se não é hora de reelaborar minha visão de mundo. Hoje, por exemplo, já não reluto mais para não voltar, em outras vidas – se isso for possível! -, na condição de “humano”. E digo mais: se algum dia tiver alguma  chance com papai do céu, vou pedir a ele que me faça reencarnar como cientista político, só para entender as densas e profundas teses do colendo Prof. Paulo Fábio…

De olho no futuro

Alguns docentes, pouco afeitos às filigranas do investimento da política, estão perguntando como a direção atual da APUB pode dar um tiro contra a sua própria cabeça – pois não é mais no pé! -, convocando uma Assembleia Geral (AG) que a irá derrotar. Bom, primeiro que a diretoria não tem outro caminho senão o da AG para dar prosseguimento ou encerrar uma greve, pois isso é estatutário/regimental. Segundo, porque ela sabe que será esmagada como o foi na Assembleia histórica de 29 de maio passado, realizada no PAF,  que modificou a pauta inicialmente proposta pela direção da entidade, e votou pela deflagração da greve dos docentes da UFBA. Claro que ela sabe disso. Mesmo que quisesse convocar seus antigos sustentáculos (sus-tentáculos!) do reitorado passado, a diretoria sabe não teria êxito. Ou alguém acha que os secretários de Wagner, e outros neo-ilustres vão querer mais sentar numa cadeira desconfortável de uma AG? Então, não é!… É ruim, né!… O que a diretoria quer, principalmente alguns dos seus traíras – não ofendendo a todos, e muito menos os colegas irracionais do Reino Animal -, o que querem é dar uma satisfação aos dirigentes “capas” da Proifes, do MEC e do MPOG. Assim sendo, eles  se credenciam, no futuro, a algumas boquinhas nas hostes governistas daqui e de alhures. O raciocínio é muito simples: vá que dê uma zebra no STF e  o Mensalão termine em pizza; vá que o partido do governo e seus coligados arranjem uma fórmula “milagrosa” na política ou através das urnas eletrônicas de eleger o secretário atual Sérgio Gabrielle a síndico do Palácio de Ondina. E aí? Como ficariam os tais dedicados colaboradores governista? Hem? Hem? Alguém me respode isso? Depois eu é que sou bovina!

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O abacaxi da terceirização da UFBA

Mesmo os professores estando preocupados com assuntos concernentes à greve e indignados com a  trairagem que praticou a presidente da APUB com a categoria, é preciso que não se esqueçam de colocar no rol das suas preocupações – no que diz respeito aos pepinos que a UFBA precisa digerir -, a questão da terceirização que macula seus quadros. É humilhante o que os terceirizados da Universidade Federal da Bahia passam. Há época em que precisam contar com a solidariedade dos docentes, servidores técnico-administrativos e estudante para se deslocarem até o trabalho ou mesmo para se alimentarem. Mesmo ser querer, a instituição UFBA acaba sendo cúmplice das empresas gananciosas e desrespeitosas dos Direitos Humanos, que ganham as tais concorrências e não cumprem com seus deveres de empregador. Tem de haver meios de chamá-las às suas responsabilidades. Afinal, na universidade residem os supostos melhores cérebros que são pagos para dar aulas e para pensar também soluções dessa ordem. Ou será que estou enganada? Será que só existem essas fecundas cucas para tramar universidades novas que já nascem velhas, para ajudar a construir trampolins de espertalhões, ávidos pelo poder?

Neste exato momento em que escrevo estas mal traçadas linhas, centenas de ex-trabalhadores terceirizados da UFBA amargam a aflição do desemprego, pois estão no olho da rua! Foram demitido em massa pela empresa de vigilância que os contratava, conforme foi veiculado na rede. Na Faculdade de Educação, há o caso do vigilante Sr. Vitorino, conhecido pela sua forma responsável e cordial de trabalhar, muito querido por todos. São quase trinta anos de trabalho. Como fica a cabeça de uma pessoa que, com idade mais ou menos avançada, perde o emprego? Que a magnífica reitora, os diretores e diretoras de unidades da querida UFBA e seus docentes em geral, se dignem  pensar também nesse abacaxi da terceirização que vão precizar descascar direitinho. Sob pena de sustentar mais essa contradição flagrante. Depois, eu é que sou bovina!

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A força dos bancos privados

Acabo de ler uma interessante nota da assessoria para assuntos internacionais da UFBA,  sobre a força que o Banco Santander está dando para um programa de bolsas luso-brasileras para estudantes. Cada vez mais se estreitam os laços dos bancos particulares e da iniciativa privada com as Universidades Públicas brasileiras. Prazam os céus que nunca queiram ditar as normas e usurpar a autonomia já estremecida das IFES. Afe! Não quero nem pensar!…

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Federação não é sindicato

 Transcrevo uma mensagem que recebi, a respeito do artigo masculino ou feminino que antecede o acrônimo “Proifes”.  E, com isso, poder gozar do prazeroso “ruminar”, que é a atividade predileta dos bovinos como eu, segundo denominação dos humanos.  Aqui pra nós, acho escrever um saco. Principalmente porque as letras do teclado são muito pequenas para as minhas robustas patas. A partir dessa dica da qualificadíssima leitora, mudaremos a nossa forma de denominar a tal federação governista. Assunte, então:

“A Proifes acatou a proposta do governo que prevê reajustes de 25% a 40% para a categoria. O acordo será assinado ainda nesta quinta-feira (2) no Ministério do Planejamento e, posteriormente, encaminhado ao Congresso”.

Diga aí, por que as transcrevi? Porque existe uma vogal que vi pela primeira vez antes de Proifes, a letra A. Claro, é federação, não O sindicato, estamos usando uma vogal errada, que reforça a vida dos caras.

Brincadeiras proificistas

 Creio que um Blog voltado para a comunidade universitária ou que, pelo menos, tem o seu foco principal nela, não deve dizer que “os caras da Proifes tem a picaretagem no sangue ou no DNA. Para dizer a verdade, não tive tempo de ler o manual de instrução deste Blog, mas também ninguém ainda me cobrou nada. Mesmo assim, prefiro apenas dizer que os proificistas são muito astutos. Vejam como “brincam” com os números: “Com 74,0 % dos votos, base do Proifes aprova proposta do governo“.  Isso foi o que a diretoria da APUB publicou no seu site. Sacou ou ou quer que eu explique? Tudo bem. Eu explico. Até eu que sou uma bovina, como dizem por aí, percebo a astúcia dos “espertinhos” proifistas. Qualquer pessoa mais antenada vai sacar que o resultado da votação on-line da armação que fizeram foi pífio, portanto, nem alegar que houve uma participação grandiosa podem. E mais: em termos de representação, a Proifes não representa nem 3% dos docentes das IFES, ao contrário do ANDES-SN. Assim, só se explica a tal federação ter assento nas mesas de negociação com o governo, pelo fato de ser a sua filha dileta, criada para controlar os professores das instituições federais de ensino superior. O resto, são “brincadeiras” com as estatísticas.

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Diretoria da APUB pratica falsidade ideológica Eu me preparava para pastar, quando alguém passou esbaforido, dizendo que a direção da APUB tinha empombado a Assembleia de hoje, dia 02 de agosto. Lembrei-me do que o Prof. Francisco Santana, com base no velho barbudo, brother de Engels, costuma dizer: não se pode recusar o braço forte do Estado se o direito do trabalhador precisa ser protegido. E isso deve ser tomado como princípio – Tudo pelo trabalhador! Pois agora os docentes botam a mão na cabeça perguntando o que fazer. Pra mim, que não sou jurista, a coisa é muito simples. É dar uma prensa na diretoria da APUB por falsidade ideológica. Se a APUB não é sindicato – conforme a Justiça se pronunciou no processo do Prof. Chico -, e a diretoria diz que é, então, seus diretores podem responder na justiça por isso. O caminho é o ANDES-SN enfrentar essa parada, em respeito à Assembleia, ou um professor, individualmente, como o Prof. Chico fez – ou mesmo um grupo! -, e um deles dar o ponta pé inicial. Também o governo pode ser acusado de improbidade administrativa ao acoitar o Proifes. Remédio para o sindicalismo amarelo há. Depois eu é que sou bovina!

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Questão de ética ou ou ótica?

O doutor Marco Aurélio Mello, STF, tinha que  lembrar que  não participou das decisões que a Corte tomou contra seu primo Fernando Collor na ocasião  do impeachment, “apesar de parentesco de quarto grau não gerar impedimento”. Como estará agora a cabeça do seu colega Dias Toffoli, que foi advogado do PT e a sua “companheira estável” pegou a causa de três mensaleiros julgados? Participar ou não do julgamento como ministro?

Proposta escatológica Recordar é viver! Senão vejamos: há quem prefira aquela Profa. Bete Bittencourt, meio hippie, meio radical, que propôs, em plena AG no PAF, em período de greve, que cada docente providenciasse um saquinho de cocô e um vidrinho de xixi e os despachassem em um prédio público, como protesto contra o governo. Há quem prefira, entretanto, a Bete Bite toda light, recém ex-diretora da APUB, paz e amor, rindo pelos cantos e dizendo que o governo é bom companheiro e que o Proifes é tudo de bom. Tudo bem que seus adversários digam que o Proifes é exatamente o contrário do que ela diz,  ou seja, tudo de ruim. Mas, aqui pra nós, se a proposta que ela fez outrora tivesse sido aprovada, a situação dos prédios publicos também não seria nada boa. Imagine a produção diária de mil e tantos professsores, multiplicada não sei por quantas gramas… Misericórdia!

Trocando as bolas

 Foi um baita susto. O assustado Prof. Zeca de Tal fez questão de nos contar, por e-mail, o mico que pagou. Diante da subserviência da entidade fantasma Proifes às armações do governo, já meio paranoico, ele leu na manchete do Jornal A Tarde do dia 25 de julho passado: “Governo faz proposta para acabar universidades em greve”. O pobre coitado, todo nervoso, botou a mão na cabeça apavorado. Quase sai sem pagar o jornal. Em casa, já quase conformado e pronto para dar a má notícia à sua família, foi que descobriu ter trocado as bolas. Na verdade, a machete era: “Governo faz proposta para acabar greve em universidades“. Sua mulher e seus filhos foram unânimes em recomendar-lhe um chá bem esperto de melissa.

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O Guru dos Pampas

 Na vida, o chorar e o sorrir se alternam, segundo a grande lei universal. É a tal da Dialética. Que o diga o ínclito cientista político, Prof. Israel Oliveira Pinheiro, do Monte São Lázaro/UFBA. Ontem, ele se aperreava com o espaço perdido nas Assembleias da APUB, melancólico, macambúzio, ausente, sem uma boa alma sequer para ouvir suas cerebrais análises de conjuntura; hoje, nos longínquos pampas, a glória, os louros. Lá, ele é considerado um verdadeiro guru, um titã (confira AQUI)! Benza a Deus e viva a generosidade dos gaúchos!

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Desvoto

Mesmo sem querer ser indiscreta, acabei ouvindo um papo entre o Prof. Menandro Ramos, da FACED e o Prof. Joaquim Xavier, do IGEO. Eles falaram longamente, por telefone, sobre a instalação do Sistema do Desvoto BR. A ideia é boa, mas certamente precisa ser bem burilada. Provavelmente, seus cultores serão chamados de visionários, na melhor das hipóteses. Na pior, serão esquartejados como o xará do Prof. Xavier, na Inconfidência Mineira… Se entendi bem, a semente veio da lavra do estudioso César Périssé, que consiste, a partir da tecnologia digital e de rede, em assegurar ao cidadão brasileiro o direito e possibilidade de retirar o seu voto dado a um político relapso com a res publica que ele jurou honrar. Daí os termos “des-voto” e “des-votar”. Prometo que vou ficar ao encalço do Prof. Xavier para que ele explique melhor essa ideia. De qualquer forma, fica, aqui, lançada a primeira semente da cidadania hi-tech ou tecnocidadania como instrumento da emancipação humana.

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Trilhas

 Juro que se fosse possível colocar um corante ou uma marca qualquer na contribuição que os professores fazem à APUB, eu o faria. Só pra acompanhar o seu percurso… Que trilhas o rico dinheirinho percorre durante um mês, um semestre, um ano ou um biênio? Seriam montes altaneiros ou vales sombrios? Sabe Deus! Só dei que ele não galga o ANDES… Pelo menos, por enquanto!…

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Muito estranho Bota estranho nisso! A presidente da APUB, Profa. Silvia Ferreira, acordou uma coisa na Assembleia e com o Comando de Greve Local, segundo as boas línguas, e decidiu outra em Brasília, no Conselho Deliberativo do Proifes… Eu, hem?

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Na escuta

Contaram-me, e eu não digo quem foi nem sob tortura, que uma certa conselheira da APUB, após a votação de repúdio à proposta do governo, pegou o celular e chamou o Rolim para dar o informe. Atrás dela tinha um agente da KGB, e ela não percebeu. Depois disso o dito cujo ficou na cola da conselheira. Dizem que, se o celular  usado for da entidade, a APUB vai pagar uma nota…

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Na moita

O Prof. João Augusto Rocha, depois da Assembleia de ontem, dia 25/07/2012, tentou dar uma entrevista a um jornalista, mas foi torpedeado pela turma do Comando Local de Greve. Com medo do vexame, esgueirou-se de fininho, e, mais tarde, foi correndo atrás do repórter, falando o que bem quis. Escondido, é claro.

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 A natureza do escorpião

Se eu não estou enganada, o Prof. Luiz Filgueiras ainda acredita que pode converter o  PROIFES. Já o Prof. Chico acha que é da natureza do PROIFES  ferroar a categoria, como é da natureza do escorpião ferroar traiçoeiramente. Quem viver, pulará de dor.

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Renúncia em nome da dignidade

No meio da pancadaria ao Proifes, o Prof. Ailton Júnior, da Politécnica, em nome da dignidade, pediu à diretoria da APUB que renunciasse. Não se sabe ainda se sua solicitação será acatada.

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Nenhum voto contrário

Votado o repúdio à proposta do governo, o resultado foi: 2 votos contra e 4 abstenções. O diretor acadêmico da APUB, Prof. João Rocha se absteve, e  a conselheira  Profa. Ana Alice foi um dos votos contra. Já na votação pela continuidade ou não da greve, só houve 5 abstenções. Nenhum voto contrário.

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Presidenta com “a” no final

Para mim é novidade, mas parece que três quartos da UFBA já sabe. Ou, pelo menos, metade dela. Contaram-me que a Dra. Profa. Lúcia Ferreira deixou bem claro que não admite outro tratamento, senão o de “Sra. Presidenta”, com “a” no final. Está certíssima a doutora. Se a Dona Dilma de lá pode, por que a Dona Dilma de cá não haveria de poder? Pelo menos, é bem melhor do que “Majestada”.

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Já virou sindicato?

Ninguém, até o presente momento, conseguiu explicar a razão pela qual  a mídia empresarial menciona “os sindicatos que representam os docentes”. Se perguntar não constituir ofensa, então, alguém me diz, por gentileza, se o Proifes já virou sindicato? Com número de registro e tudo?

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PNE na surdina

Se o mal feito é da conta de todo mundo, a crocodilagem já caiu na boca de Matilde. Fala-se à meia boca que o PROIFES vem negociando em nome da categoria, a revelia do ANDES-SN, o novo Plano Nacional de Educação (PNE), desde 2010, sob o comando do tesoureiro Prof. Gil Vicente, aquele mesmo denunciado pela mídia como consultor do MEC, e que teria recebido a bagatela de R$ 24.794,55, de acordo com dados publicados no Portal da Transparência do governo federal. É bem provável que o deputado Newton Lima (PT-SP) possa dar melhores informações. O Andes-SN também ficou interessado em saber o motivo dessa dinheirama toda, mas não se sabe se obteve alguma resposta.

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 __________________ Não é que eu seja burra: meu mal é não ter malícia!… (Vaca Tatá por ela mesma)

15 Respostas to “••• COLUNA DA VACA TATÁ •••”

  1. osaciperere Says:

    Sobre “As densas teses do sábio”:

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    A bem da verdade, parece que nem só a Vaca Tatá tem dificuldades em sacar o sentido de certas teses complexas. Pesssoalmente, também tenho minhas limitações em entender os percursos sinápticos que algus segmentos da academia elaboram.

    Não se pode negar que a mística de certas elocuções são belíssimas, ah! isso são! As pausas, a entonação, o molho que só os bons oradores sabem dar! Ah! As belas formas!

  2. Valter Luiz Says:

    Adorei as ruminâncias!

  3. O multicolorido Informativo Apub « Blog do Saci-Pererê Says:

    […] lebre sobre o envolvimento da entidade dos docentes da UFBA com a mídia contemporânea (veja em  A Apub e a tecnologia). De repente, o Saci-Pererê  se empolgou com a leitura e arriscou exercitar a […]

  4. Menandro Ramos Says:

    Recebi por e-mail:
    —————————

    Prezado Menandro,

    Li a coluna “Acarajé com Jujuba” da Vaca Tatá e, cada vez mais, a minha admiração por esse mamífero bovino cresce. Vejo como espetacular a forma como esse mamífero se adaptou à substituição dos teclados da máquina de escrever pelos teclados do computador. Tudo bem apreendido e bem utilizado.

    Textos bem escritos, críticas bem feitas, sátiras bem construídas.

    Mesmo até hoje não entendendo a mistura do “acarajé com a jujuba”, eu venho aprovando o gosto e sigo desfrutando do estado de privilegiado por poder ler esse informativo/formativo que Essa Coluna (com letra maiúscula), produz.

    Parabéns querido Colega Menandro, Vc representa, no momento, as únicas teclas contra o imperialismo sindical.

    Profº Batista

    • osaciperere Says:

      Querido Amigo Prof. Batista

      Transmitirei seus mimos à Vaca Tatá.

      Também achei estranha a combinação de “jujuba com acarajé”, mas o título foi dado pela própria colunista. Já ameacei várias vezes provar a excêntrica combinação, mas na hora H a boca trava…

      Grande abraço,
      Menandro

  5. Francisco Santana Says:

    Uma pergunta que não é feita: Quem paga a conta?
    29 automóveis zero sorteados, show de leonardo etc.Fora ônibus e lanches.

  6. Itamar Ferreira Says:

    Caríssimo Menandro,
    Infelizmente sou obrigado a discordar de você.
    Sem dúvida, há professores não pelegos, ou dignos, na UFBA.
    O problema, meu caro, é a quantidade, ou melhor, o índice de peleguismo.
    Aposentei-me da Unicamp no ano passado e, sem dúvida, convivi com muitos pelegos durante décadas. Foi uma convivência que causou espécie, mas nada que um sal de fruta não resolvesse.
    Sem dúvida, na Unicamp, nos momentos de dificuldade, uma quantidade significativa de docentes se dirigiam à Adunicamp, para tomar decisões decentes, apesar da imensa aparente desmobilizacão.
    E aí, na UFBA, meu caro, vocês tiveram muitas oportunidades para decisões decentes e o que aconteceu?
    É pelego para ninguém botar defeito!
    Sinceramente, eu teria vergonha!
    Um abraço.
    Itamar

  7. osaciperere Says:

    Prezado Prof. Itamar,

    Quero lembrar-lhe que eu sou apenas amigo da Vaca Tatá, uma bovina muito doce… O mesmo não ocorre em relação ao Caipora. A começar pela forma com se posicionam seus pés. Quando a gente pensa que o ele está avançando, na verdade está recuando. E aí eu sou obrigado a admitir que na UFBA há algumas dezenas desse tipo.

    De toda forma, é sempre bom contar com o seu olhar experiente.

    Um abraço,
    Menandro

  8. altino Says:

    PREZADO,
    de longa data verificava namoros de “revolucionários” oposicionistas com as diretorias pelegas da APUB. Chamo de revolucionários por que, “no discurso” propõem mudanças estruturais porém, na prática são militantes/apoiantes do PT e coligados que infelicitam a nação. No 2 de julho fiquei estupefato: caminhavam no bloco da APUB, de braços dados com a direção que levava faixa apoiando plebiscito que não é de interesse da população!
    Esse fato causou não só indignação mas, também, mal-estar, tristeza, pesar e outros mis sentimentos. Foram companheiros de longas lutas, batalhadores, ativos, organizados.
    Importantissimo termos presenciado isso, isso ter acontecido: a adesão e fisiologismo desses ex-companheiros serve para limpar e clarear o campo oposicionista porém, lamento profundamente a grande perda da oposição à APUB-BA.
    Saudações,
    altino

  9. Menandro Ramos Says:

    Através de e-mail, o Prof. Luiz Aníbal, da Politécnica, comentou o post O déficit de intelectuais de esquerda da UFBA“:

    ———————————————–

    Caro Prof Menandro,

    penso que, à rigor, entre nós o déficit é antes de tudo “de intelectuais”! Existe até um bom número que reinvidica tal condição em razão dos títulos formais que adquiriu. Não me refiro a esses e sim aos que se predispõem a pensar livremente.

    Excetuando-se os que sempre foram e são explicitamente “orgânicos de direita e de centro”, os quais se equivalem em momentos críticos, bem como os da “ex-esquerda hoje endireitada” que no momento fazem um esforço danado para iludir as consciências dos outros, sobram as pouquíssimas e raras excessões explicitamente minoritárias tentando sustentar uma visão crítica independente das políticas de plantão.

    O produtivismo atual da “ex-esquerda hoje endireitada” substituiu os princípios por puro oportunismo e conveniência. Hoje chegam a rir dos princípios que antes apregoava em alto e bom som! O negócio é se dar bem, rápida e intensamente, tal como a direita sempre fez, enquanto ela não toma de volta o espólio! Topam até mesmo dividi-lo com a direita/centrão caso isso lhes faculte a manutenção de alguns dos seus lucro$ atuais.

    No entanto, a vida sempre engendrará os que preferem viver PENSANDO livres, independentes e autônomos.

    Abraço,
    Luiz Anibal.

  10. Francisco Santana Says:

    Como antropólogo tenho o maior respeito pelo Dr. Florestan Fernandes. Como sociólogo eu o considero um grande Dr. Frankstein. Ele criou os piores monstros da política Brasileira, como, FHC, Lula Weffort e muitos outros. Além de avalisar a grande fraude acadêmica da USP que é o tal do populismo. Nunca houve populismo no Brasil e o Getulismo é o oposto do populismo. Aconselho às pessoas que empregam esse termo populismo a deixar de fazê-lo para no futuro não ser classificado de imbecil. O caso de FHC inclusive é terrível. FHC foi fazer sociologia porque perdeu o vestibular de direito e antes tinha perdido os exames na academia militar o que era quase impossível pois ele dera filho de militares e tinha preferência; nem na sua cota ele passou. Se olharmos bem o perfil de FHC veremos que ele tem uma grande queixada que dá a falsa impressão de que ele tem uma grande cabeça; ele está mais para um neandertalensis de que para um Cromagnon. O espírito de antropólogo do Dr. Frankstein Fernandes o traiu e ele se apaixonou por esse espécime primitivo. Assim ele passou a ser o protegido principal do Dr. Frankstein. Quando Sartre veio ao Brasil o Dr. Frankstein encarregou temerariamente FHC de ser o intérprete promovendo o medíocre antropóide a intelectual. O próprio FHC confessa isso em sua autobiografia prematura (não precoce): “NAQUELA ÉPOCA MEU FRANCÊS NÃO ERA ESSA MARAVILHA, MAS INTERPRETAR NÃO DEPENDE DE CONHECIMENTO, É SÓ PEGAR O SENTIDO E SER RÁPIDO NO NEGÓCIO”. Tudo indica que não é só ao interpretar que FHC age assim, mas em todas as suas atividades. O Dr. Frankstein de o Médico e O Monstro pelo menos foi mais honesto, perseguiu o monstro até o fim para destruí-lo. O Fernandes deu uma desculpa fajuta para se inocentar.

    • Altamiro Miro Says:

      O que é isso Prof. Santana? Florestan não deve ser responsabilizado pelo mau caratismo das pessoas! Se o Sr. ler a obra dele, vai constatar o quanto foi brilhante. Só não vale dizer que “não li e não gostei”!…

      Quanto a Getúlio, não se compara que foi melhor do que Lula e que foi responsável por leis que beneficiaram o trabalhador, mas não se pode negar que tinha uma vocação enorme para ditador. A ideia do herói ou do Pai da Pátria é coisa superada…

    • Patrícia Albuquerque Says:

      A linguagem é polissêmica. O que faz a palavra ser dicionarizada é o uso. Assim, o termo “populismo” como sinônimo de algo que se faz para enganar o povo, de alguma forma, já tem uso garantido na língua de Machado de Assis.

      FHC montado no jumento no semiárido nordestino, soa como populismo, da mesma forma que o é Dilma colocando um chapéu de cangaceiro para apresentar-se num comício.

      Quanto à mencionada classificação de “imbecil” a quem o fizer, não faz o menor sentido. Chega a ser ingênua. A liberdade da língua não deve admitir o autoritarismo de proibição de uso… O fato de alguém “querer” que seja assim, ou do ato voluntarioso individual, não repercute no acervo do léxico…

  11. Francisco Santana Says:

    Altamiro Miro Disse: …Florestan não deve ser responsabilizado pelo mau caratismo das pessoas! Das outras pessoas não, mas dele sim. O Prof. Florestan Fernandes costumava dizer em suas aulas que não criava gatos, mas tigres e leões; formou algumas hienas sorridentes. Parece que predadores não deve ser o paradigma de humanistas. Os alunos que não caíam na sua, criticavam essa pedagogia de resultados do eminente professor, pois estimulava a competitividade sem ética com todos os seus vícios incluindo a bajulação. Um intelectual, que se firma como marxista, ou no mínimo socialista, promovendo a competitividade do capitalismo selvagem é uma incoerência. Eu prefiro usar a palavra incoerência, mas como quem introduziu o termo maucaratismo não fui eu, tanto faz. Essas informações estão na tal biografia de FHC. Mas não é esse o nível da discussão que comecei. Eu disse que como antropólogo o respeitava, mas como sociólogo… De fato um sociólogo brilhante que funda um movimento fascista e se quer percebe isso, tem algo errado com ele. E aqui funciona bem o princípio da incerteza: quanto mais em brilhantismo menos em honestidade e caráter. Não é possível que um cientista político brilhante, militando no centro político do país, dentro dos bastidores da política e com o máximo de informações disponível não percebesse que o PT e a CUT eram um movimento fascista por excelência. Enquanto pessoas sem a qualificação de Dr. em ciências sociais perceberam isso e o demonstraram com argumentos irrefutáveis bem antes do Dr. Florestan perecer sem suspeitar disso. Hoje o fascismo do PT é voz geral até para ex-fundadores do PT. Comparemos o “brilhante” Florestan Fernandes com os de fato brilhantes intelectuais que apoiaram o fascismo e Mussolini. Marinetti, considerado o maior poeta revolucionário da Europa assim como seus colegas futuristas, Danunzio, etc., fundaram juntamente com Mussoline o Partido Fascista Italiano. Mas o mais emblemático de todos, foi Ezra Pound, considerado o maior do mundo de sua época. Adotou a nacionalidade italiana para apoiar Mussolini. De Ezra Pound, dissse, T. S. Eliot com outras palavras, quando recebia o Premio Nobel de Poesia em 1948, que quem deveria estar ali recebendo o prêmio era Ezra Pound, o seu mestre. Entretanto todos esses intelectuais brilhantes futuristas e modernistas foram severamente punidos pela história pelo crime de terem apoiado o fascismo. A punição de Ezra Pound foi, em minha opinião exagerada, pois por ser americano, foi punido até fisicamente pelos seus conterrâneos, um povo fascista bíblico. E, no entanto esses têm um atenuante: eles eram poetas, artistas e não cientistas políticos ou sociólogos. O poeta futurista Fernando Pessoa, pouco antes de morrer repudiou categoricamente o fascismo, na minha opinião um pouco tarde, mas o Sr. Florestan em sua última aparição pública deu uma entrevista muito fajuta, culpando pessoas para se justificar sem nenhum arrependimento. O Dr. Florestan traiu aqueles que confiaram nele tanto como o cientista e como o político. Em minha opinião o Dr. Florestan foi uma personalidade altamente negativa para a política brasileira.

  12. Francisco Santana Says:

    Respondendo à mensagem da Profa. Patrícia Albuquerque.

    Comecemos com a declaração do grande historiador Nelson Werneck Sodré:

    “Tem que ser enterrada definitivamente a palavra populismo; ela só fez deter o avanço das lutas populares no Brasil.”

    Quando se discute política em alto nível, os conceitos têm que ser definidos precisamente, o mais cientificamente possível, ou então chegaríamos ao caso parecido com o daquele humorista de programa de TV: “O populismo é meu e eu uso com o significado que eu quero”.

    A palavra força, por exemplo, tem uma infinidade de significados vulgares ou populares, mas quando se discute um assunto seriamente e em profundidade, em que ela está em questão, prevalece a definição: F=ma ou o que é o mesmo, F=d(mv)/dt. Essa definição passa ser a referência desprezando-se ou enquadrando-se todas as outras.

    Quando aqui introduzi a palavra populismo, o fiz acusando de ser uma fraude dos epígonos USPIANOS de Júlio de Mesquita, o chamado populismo brasileiro ou da A. Latina. Dessa maneira lancei um repto para uma discussão séria e profunda e por isso temos que encontrar uma definição de populismo mais consistente do ponto de vista científico possível, se é que ela existe. E para azar dos USPIANOS, ela existe e é bem conhecida e inclusive dos USPIANOS.

    O que é populismo? Se existiu um movimento que se assemelhe mais a um conceito consistente de populismo no Brasil, foi a guerrilha maoista do Araguaia. É a imagem mais didática do verdadeiro populismo. Só não se pode dizer que foi um movimento populista brasileiro, pois foi como vários movimentos de esquerda, um implante artificial de um modismo internacional. Não refletiu a realidade nacional. Que relação pode ter um movimento revolucionário violento, dirigido por jovens universitários na maioria, tentando fazer uma revolução camponesa radical socialista contra o estado dominante, com Getúlio Vargas ou outros políticos brasileiros e latino-americanos rotulados pelos USPIANOS de populistas? É brincadeira.

    O populismo é um conceito muito bem definido e catalogado em ciências políticas para caracterizar um fenômeno político-social surgido a partir de 1860 na Rússia, provocado pela abolição da servidão pelo Tzar Alexandre II e pela influência da Europa revolucionária, exportando literatura revolucionária como, anarquismo, blanquismo e mesmo marxismo. Eram os chamados Narodiniques em russo.

    A característica principal do populismo é a construção do socialismo em um país ainda medieval e a Rússia era o último grande império medieval encravado na Europa, saltando a etapa capitalista, apostando na recuperação de um tipo de exploração agrária comunitária em decadência, a Obchtchina russa. Marx deu alento a essas teses populistas no Prefácio à segunda Edição Russa de 1882 do Manifesto Comunista. E por isso os populistas usaram Marx nas suas polêmicas contra o marxista lógico Plekhanov do POSDR, mesmo partido de Lenin. Lenin polemizaria também contra os populistas, mas dando às vezes razão a eles contra Plekhanov em aspectos relativos à volição revolucionária.

    Repetindo. As características do populismo, por ordem de importância, são:

    1) Estratégia: Construção do socialismo, pulando a etapa do capitalismo, a partir de uma economia agrária comunitária, com a conseqüente subordinação da cidade ao campo. Primazia do camponês sobre o proletariado.
    2) Dirigentes: Intelectuais de classe média, principalmente estudantes e professores (um professor primário russo poderia ter tanto conhecimento como um professor universitário, como era o caso de Tsiolkovsky, criador da astronáutica soviética). Esses intelectuais deveriam ir para o campo atender ao chamado de uma pretensa massa revolucionária camponesa.
    3) Tática 1: Adotavam a violência revolucionária, incluindo o terror individual, influência do blanqismo ou do anarquismo. Cometeram vários atentados contra o Tzar Alexandre II até que o mataram. O irmão de Lenin, um populista, participou de um atentado fracassado contra Nicolau II, foi preso e enforcado.
    4) Tática 2: Não acreditavam num partido organizado disciplinado e centralizado. Acreditavam que as massas camponesas entenderiam no momento certo a chegada do líder.

    Getúlio Vargas e Peron são o oposto disso além de serem diferentes entre si. Getúlio Vargas priorizou o desenvolvimento industrial independente brasileiro, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional cuja ausência estrangulava a nossa indústria, a Vale, a Cia de álcalis, Eletrobrás, Petrobrás, BNDS, a FNM – Fábrica Nacional de Motores, além de financiar a iniciativa privada para complementar o que o Estado não podia fazer, etc.

    Quanto à uma revolução agrária, não estava no horizonte dele. Getúlio disse: “Eu não gosto da expressão Reforma Agrária. Reformar o quê? Há tudo por se construir!! Eu prefiro Colonização Agrária”. O que não impediu que Getúlio fizesse a maior reforma agrária da história do país, distribuindo as terras dos cafeicultores dadas como pagamento de dívidas ao estado, com agricultores especialistas em hortigranjeiros e com um mercado ávido e próximo que era a cidade cosmopolita de S. Paulo. Até hoje ainda há cidades do nordeste que consomem alface produzida em S. Paulo.

    A revolução de 30, liderada por Getúlio foi decorrente de uma grande articulação política de chefes e líderes políticos de diversos estados descontentes com o monopólio do poder por um grupo cada vez mais isolado, o apoio da baixa oficialidade revoltada do exército e adesão de alguns generais e das massas urbanas e trabalhadores também descontentes com o statu quo. Não foi evidentemente uma revolução camponesa, foi urbana por excelência.

    Quanto ao terrorismo individual e violência, deu-se justamente o contrário. Foi um revolucionário de 30 a vítima de atentado. João Pessoa que seria um dos chefes da revolução de 30 caso estivesse vivo, foi assassinado num crime mais passional do que político, mas se tornou o estopim político da deflagração da revolução. João Pessoa, revolucionário de 30 reviveu Alexandre II e João Dantas, o populista Ignacy Hryniewiecki, com conseqüências opostas: o primeiro assassinato gerou uma reação e repressão violenta do governo russo, o segundo a queda do governo brasileiro.

    Quanto a característica nº 4 do populismo, poder-se-ia fazer uma analogia dela com o caudilhismo dos Pampas. Mas essa além de ser uma característica puramente acessória e não essencial, não teria relação alguma com Getúlio, talvez pudesse ter com Peron, pois os pampas são o berço do caudilhismo. No Brasil o caudilhismo é uma característica dos maragatos, vertente de onde vem Leonel Brizola. Getúlio vem da linhagem dos ximangos, o oposto dos maragatos, de Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros cujo poder era exercido através do controle de grandes centros urbanos com a ajuda do poder central dentro de uma cadeia sucessória tradicional. Por isso os ximangos eram chamados também de legalistas.

    Já a guerrilha maoista do Araguaia tem todas essas características do populismo, sendo a de nº 4, adquirida, não congênita. Mas não é só ela. O programa do PCB em 1935 continha a principal característica do populismo, fazer uma revolução socialista saltando por cima da etapa capitalista e o mais grave, já tinha sido feita a revolução brasileira, a de 30 e duas revoluções não acontecem na mesma época. Aliás, todas as esquerdas tinham essa bandeira; afirmavam que as condições objetivas para o socialismo estavam prontas, além da indefectível Reforma Agrária.

    As esquerdas pró soviéticas queriam implantar o socialismo para mostrar serviço a Moscou e as anti soviéticas para mostrar a Moscou que elas fariam melhor.

    Mas o populismo dos USPIANOS não seria outro? Sem nenhuma relação com o populismo russo? Realmente esse populismo USPIANO não é coisa alguma, mas usa o populismo russo para se legitimar. As convenções cartoriais das “pesquisas acadêmicas” internacionais exigem que pesquisas sobre populismos sejam autenticadas com o pedigree do populismo russo, pois esse tem uma conotação pejorativa junto às esquerdas mesmo sem elas saberem o que é populismo. É o que veremos claramente no livro, A FORMAÇÃO DO ESTADO POPULISTA NA AMÉRICA LATINA, do fraudador nº 1, Octávio Ianni, que além de USPIANO era CEBRAPIANO. O CEBRAP não está aqui por acaso.

    Octávio Ianni, parte como sendo uma revelação bíblica de que o populismo é uma realidade incontestável na A. Latina, sendo desnecessária qualquer comprovação. A função de seu livro é apenas de convencimento e de borrar com cores sombrias as memórias de grandes lideranças do passado que ainda incomodam o IMPERIALISMO AMERICANO: Cárdenas, Getúlio e Perón. Mas como disse antes, para ter credibilidade, ele tem que autenticar sua tese com o carimbo do velho populismo russo. Ele faz isso na primeira parte, cap. III pg. 18/25: “Nota sobre os populismos russo e norte-americano”. E o que diz ele lá? Citemos:

    “Em primeiro lugar, há uma característica que parece ser comum a todos esses populismos (incluindo o russo), quando focalizados em perspectiva histórica ampla….”

    Então Otávio Ianni pretende criar uma teoria unificada de todos os populismos, incluindo o russo e não um novo conceito de populismo totalmente à margem do populismo russo. E adiante ele diz:

    “….Em todos procura-se preservar e valorizar a vida social e econômica de base agrária. A indústria é colocada de lado, como nociva (parece até a descrição do regime maoista do Kmher Vermelho de Pol Pot no Camboja), ou em nível secundário…”

    É evidente que nem Otávio Ianni acredita que esse tipo de utopia tenha alguma coisa a ver com Getúlio Vargas, que sempre priorizou a industrialização e nunca endossou a bandeira de Reforma Agrária das esquerdas e se fez uma distribuição de terras eficaz foi aproveitando uma oportunidade fortuita, vide acima. Teve o cuidado de sustentar a política de exportação de café porque era a quase única base de adquirir divisas e se não o fizesse criaria um caos econômico no país. Contrafeito ou não, ele beneficiou os latifundiários do café. Mais adiante Otávio Ianni diz:

    “Esse tipo de populismo busca transformar todo trabalhador – principalmente o rural – em cidadão, com direitos e obrigações políticos que o defendam da supremacia da cidade sobre o campo e da indústria sobre a agricultura.”

    O art. 7 da CLT desmoraliza qualquer tentativa de ligar Getúlio Vargas à insanidade acima por essa via também. Vejamos:

    “Art. 7º Os preceitos constantes da presente Consolidação salvo quando fôr em cada caso, expressamente determinado em contrário, não se aplicam :
    a) aos empregados domésticos, assim considerados, de um modo geral, os que prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas;
    b) aos trabalhadores rurais, assim considerados aqueles que, exercendo funções diretamente ligadas à agricultura e à pecuária, não sejam empregados em atividades que, pelos métodos de execução dos respectivos trabalhos ou pela finalidade de suas operações, se classifiquem como industriais ou comerciais;”

    Populistas, no sentido deturpado de demagogos barato, portanto são as esquerdas que estenderam a CLT às domésticas, aos boiadeiros etc. Não se aplica a Getúlio esse termo.

    Otávio Ianni, portanto conhecia muito bem o populismo russo e pretendia construir a sua farsa legitimando-a com ele. Então porque não o fez da maneira correta, colocando suas características em primeiro lugar, dissecando-o e só depois provando as similaridades deste com os outros que quer chamar de populismo também? Porque ele não o conseguiria, tal a diferença do populismo russo para os outros, falsos, que ele queria impingir.

    Note-se que Otavio Ianni ateve-se somente à primeira característica do populismo russo, eliminando as demais. Será por desconhecimento? Acaso ele não estudou o fenômeno tão já conhecido? Ele não citou até a polêmica de Lenin contra os populistas (pg. 20)?

    Essa é a sua grande malandragem. As demais características do populismo russo, oriundas das condições revolucionárias da Europa eliminariam in limine qualquer tentativa de associá-las com qualquer fenômeno político dos países atrasados, oriundo de suas raízes. Seria suicídio intelectual.

    Então ele preserva apenas o aspecto político-econômico de construção de um socialismo agrário. Ora todos os países ex-colônias ou semi colônias que irromperam o século vinte eram atrasados industrialmente, bote atrasado nisso, e com a economia baseada na monocultura. É fácil para um pescador de águas turvas, manipular as palavras camponês, agrícola, rural etc., para turvar a água no ponto que quer e tirar dela o caranguejo do tamanho que quiser.

    Vejamos como se faz essa proeza:

    Cárdenas é o ponto melhor de começo. Mas para se enquadrar Cárdenas como populista pelo critério camponês é primeiro necessário enquadrar Zapata e Pancho Vila como populistas, mas aí ele não tem coragem e se abstrai desse detalhe. Cárdenas nada mas fez do que retomar os rumos da revolução mexicana de Vila e Zapata. A revolução mexicana foi eminentemente camponesa; os exércitos de Vila e Zapata eram compostos de camponeses, mas não tinha um projeto econômico político de nação como um todo, nem uma teoria revolucionária como tinham os populistas russos, entretanto é mais fácil associar Cárdenas ao populismo por esse pretexto do que Getúlio e Peron.

    Aí Otávio Ianni começa a fazer sua fieira de caranguejos (populistas). Cárdenas fez uma senhora reforma agrária e muitas intervenções para emancipar o trabalhador do campo, incluindo educação e direitos, logo ele é populista. Mas ele nacionalizou o petróleo, enfrentou as 5 irmãs do petróleo, Inglaterra e EUA na luta pela emancipação do México; como se enquadra isso no populismo? Um detalhe de somenos importância, que deve ser esquecido por enquanto, para não perturbar sua brilhante lógica.

    O próximo é Getúlio. Getúlio nacionalizou o petróleo e enfrentou o imperialismo americano, a mesma coisa que Cárdenas, logo ele também é populista porque se assemelha a Cárdenas. Mas essa parte não era um detalhe de somenos importância? Era para Cárdenas que já tinha sido enquadrado como ruralista, mas para Getúlio é importante. Mas getúlio não tinha nada a ver com reforma agrária nem trabalhador do campo, como é que fica? Esse passa a ser agora o detalhe de somenos importância. E assim sucessivamente, vem Peron, Paz Estensoro etc.

    Evidentemente estou fazendo um resumo simplificado e didático do seu método. Na realidade ele é muito mais sofisticado, cheio de falsas polemicas, de mil citações, como manda o manual do pescador de águas turvas: “Hay que enlamar bién la água, pero sin perder de vista el cangrejo”.

    E aí Otávio Ianni sai exultante com sua fieira de populistas para vender como na música do vendedor de caranguejos: “populismo dá, populismo dá, pego ele na lama e boto no meu caçuá…”. Só que nesse caso a lama foi artificialmente montada para denegrir a imagem de grandes estadistas da A. Latina.

    O caso de Paz Estensoro é o mais surrealista. A região da Bolívia foi sede de uma civilização agrícola que se reporta a 2.000 anos a.c., que depois daria origem ao império Inca, portanto muitas vezes mais antiga do que a constituição e estabelecimento dos povos da Rússia. Essa civilização era estruturada sobre comunidades agrícolas chamadas ayllu; a ayllu seria o equivalente da Obchtchina russa, sobre a qual, os populistas russos pretendiam construir seu socialismo rural.

    Então, Paz Estensoro, Juan Lechin e outros líderes do MNR, tinham a seu dispor as condições supostamente objetivas de fazer uma revolução populista ou no mínimo camponesa! E preferiram fazer uma revolução apoiada no trabalhador assalariado urbano, particularmente nos trabalhadores das minas!! Entre o populismo russo e o bolchevismo russo, Paz Estensoro optou pelo segundo. Das revoluções socialistas feitas depois da segunda guerra a mais parecida com a de outubro de 1917 é a Boliviana(1952). E vem agora um bando de irreponsáveis e rotulam Paz Estensoro de populista!? A quem servem esses mercenários?

    Mesmo que existisse um conceito pejorativo de populismo com significado de político demagogo, não se aplicaria a Getúlio. Getúlio foi o estadista brasileiro que realizou sempre mais que o discurso em prol da classe trabalhadora. Quando foi candidato a presidente em 1950, o discurso que ele preparou e fez no principal comício em S. Paulo, foi puxando as orelhas dos paulistas que deveriam pensar mais nos brasileiros dos outros estados. E venceu a eleição em S. Paulo. As massas entenderam e apoiaram seu discurso franco e honesto.
    Um bando de falsos cientistas políticos e políticos, carreiristas, arrivistas, militantes da política fácil, lucrativa, sem risco, pichando de termos pejorativos, o maior estadista do Brasil, Getúlio Vargas que deu conscientemente a sua vida em holocausto por um Brasil justo e soberano!! Que inversão de valores. Sim, ele deu sua vida em holocausto pelo Brasil. Onde isso é populismo?

    Se observarmos bem, depois de 1969, com a criação do CEBRAP, HOUVE uma enxurrada de ensaios, livros sobre o populismo na A. Latina e no Brasil, financiados por este Centro. E esses trabalhos eram produzidos por pesquisadores estrangeiros, os brasilianistas, além dos USPIANOS. O CEBRAP era financiado pela Fundação Ford. E esta cumpria ordens da CIA.

    Por isso faço minhas as palavras de Nelson Werneck Sodré:

    “Tem que ser enterrada definitivamente a palavra populismo; ela só fez deter o avanço das lutas populares no Brasil.”

    Notas:

    1) A USP foi fundada pelo arquiinimigo de Getúlio Vargas, Júlio de Mesquita, seu primeiro professor, dono do jornal Estado de S. Paulo, um das cabeças da contra-revolução liberal (escravocrata seria um termo melhor pois era contra a CLT) de 32, fraudulentamente apelidada de Constituinte. Ao fundá-la, sempre teve um alvo certo: Getúlio Vargas.

    2) O CEBRAP foi uma iniciativa da Fundação FORD, americana para arregimentar os intelectuais brasileiros órfãos do regime militar e produzir conhecimento sobre a realidade brasileira sobre o controle da inteligentzia americana. Assim o imperialismo não seria pego de surpresa. É uma velha e milenar técnica de dominação, primeiro a porrada e depois a catequese. Primeiro Cortez e depois os jesuítas. Todas as Universidades Americanas têm convênios com a CIA, para projetos nas áreas humanas. Para se ter uma idéia. foi uma missão da Universidade de Colúmbia, considerada de esquerda por ter um professor considerado marxista, Wright Mills, que foi usada para dar o golpe de Ngu Dien, começando a guerra do Vietnam.

    Todas as universidades burguesas abarcaram e abarcam teorias de dissidentes do marxismo, ou criadas com o propósito de marginalizar a dialética marxista. Tais como Tectologia (Alexader Bogdanov), análise sistêmica, holismo, estruturalismo etc., sob o pretexto de superar o cartesianismo das ciências exatas, cartesianismo este que há muito foi superado pelo materialismo dialético, este sendo proibido de ser usado plenamente, mas permitido ser usado superficialmente apenas para validar produtos piratas. Aí empregam essa metodologia invertida. Os verdadeiros autores, anônimos, das linhas de financiamento, têm a visão sistêmica, ou holística, de seus objetivos pérfidos, já os pesquisadores manipulados têm a visão segmentada (expressão dos holistas) da situação.

    Ora dirão, é impossível manipular tantos assim. Lêdo engano. Os engenheiros e cientistas da COPPE – UFRJ, (incluindo Pinguelli Rosa) depois de um badalado seminário nacional sobre energia útil, concluíram que a segunda lei da termodinâmica não funcionava no Brasil, só para o resto do universo. Baseado nessa conclusão estapafúrdia, o Ministro Cézar Cals do governo Figueiredo, fez uma lei que dava o direito às multinacionais do alumínio a comprar energia elétrica por um preço dez vezes inferior ao do mercado. As duas multinacionais do Pará consumiam na época metade da energia produzida por Tucuruí. Bonito!! Se isso pode ocorrer em ciências exatas imaginem em ciências humanas onde o número de meandros inexplorados é maior.

    O General Grooves, chefe do projeto da bomba atômica americana declarou: “É mais fácil lidar com cientistas de que com operários”.

    Recentemente, a Noruega, país onde houve um mega atentado (cerca de cem mortos) de extrema direita contra migrantes, financiou uma série de seminários e encontros no Brasil e fora do Brasil para a delegação brasileira, visando discutir o trabalho doméstico. O chefe da OIT no Brasil, que manipulou os seminários, era o indefectível Stanley Gacek, suspeitíssimo de ser agente da CIA, ex-diretor da AFL-CIO, homem dos fundos de pensão americanos e principal articulador do fim da aposentadoria integral do funcionário público brasileiro. A metodologia era, envios de três levas de formulários com perguntas já direcionadas para serem discutidas e aprovadas em sucessivos encontros. Com isso foi aprovada a convenção 189 da OIT, racista e colonialista, visando impedir e expulsar o migrante da Europa, primeiro tirando-lhe um dos empregos mais fáceis de obter que é o doméstico, segundo policiando seus passos sob o pretexto de protegê-lo contra a exploração. Da convenção 189 saiu a PEC das domésticas para legitimar a convenção 189. Há muitos outros exemplos.

    3) O regime do Kmehr Vemelho do Camboja, 1976-1979, começou com uma guerrilha de uma frente de libertação contra os EUA e seu títere Lon Nol e acabou como um governo pretensamente socialista maoista sob domínio total e pessoal de Pol Pot. Sob esse regime houve um genocídio de quase 40% da população. Foi deposto por um exército de refugiados armado no Vietnam e com apoio de seu exército. Os EUA e o ocidente se aliaram a Pol Pot quando ele atacou o Vietnam em 1979 e foi derrotado e o protegeram até 1984 pelo menos.

    4) A revolução da Bolívia de 1952, foi a primeira com caráter socialista da A. Latina. Na realidade tinha mais um caráter estatista e nacionalista. Seria melhor definida como, “Reformista e Antiimperialista”. Sua base de sustentação foi uma aliança de setores de classe média com o sindicalismo de esquerda, incluindo comunistas . Sua grande falha foi não perceber o potencial político dos camponeses, hoje a base do governo de Evo Morales. Sua reforma agrária não foi profunda e nem resolveu a problemática camponesa. Essa falha foi aproveitada por René Barrientos que num curto mandato fez uma reforma agrária mais radical e ampla e depois construiu um exército de camponeses com armas contrabandeadas pela CIA, que lhe permitiu enfrentar e derrotar as milícias operárias, e daí em diante houve uma sucessão de governos militares de direita. O Fracasso da guerrilha de Guevara lá é atribuída justamente porque os camponeses apoiavam René Barrientos.

    5) O populismo norte-americano. Foi caracterizado assim usando o aspecto de ser uma revolta de pecuaristas, portanto do campo, contra a política do governo de beneficiar o capital financeiro proprietário das ferrovias, portanto da cidade. Mas diferente do populismo russo, era uma reação de homens livres proprietários de gado de todos os tamanhos. O populismo russo era um movimento ideológico saído da classe média intelectual que via nos camponeses pobres uma classe revolucionária a ser politizada. Para o caso norte-americano seria melhor o termo ruralismo, talvez. Há semelhanças com os maragatos do RGS.

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