– A matadeira de São Lázaro

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urante a greve dos docentes da UFBA, o “Monte São Lázaro”, celeiro de cientistas políticos, enviou “poderosos contigentes” da sua aguerrida tropa às Assembleias, com o propósito de acabar com o movimento paredista. Em vão, pois os professores souberam distinguir os que, de fato, lutaram por um movimento coeso, e os que estavam em sintonia fina com o desejo do governo federal de ferrar com os servidores públicos, e, em especial, os professores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) – nas palavras nada acadêmicas do Saci-Pererê da UFBA. O curioso é que, se o Monte São Lázaro ministrou o veneno, dialeticamente, o próprio Olimpo da UFBA forneceu o antídoto.  Para quem não sabe, os professores  lutaram (e lutam!) por um plano de carreira e por melhores condições de trabalho. Segundo o Saci, os historiadores progressistas da UFBA assim registrarão a memorável resistência da base da APUB, seção sindical do ANDES-SN, ocorrida em 2012.

Abaixo, o Prof. Francisco Santana faz algumas considerações acerca da saída da greve.

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A quarta-feira de cinzas

 

Francisco Santana
Prof. Aposentado/UFBA

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orna-se muito suspeita essa nova data limite para se sair de greve. Antes era 31/08/2012 como limite irrevogável. Inventaram que tinha uma tal de LDO que devorava criancinhas, pior de que o lobo mau e de que o boi da cara preta. Se ela fosse aprovada em 31 de agosto antes de um acordo, o mundo se acabaria. Mas depois ela foi desmoralizada, passando a LDO a ser a Lorota Para Docentes Otários. O dia 31/08/12 nada mais é do que a data limite para a aprovação de diretrizes orçamentárias (diretrizes gerais apenas) e a da mensagem do governo da LOA com sua proposta de orçamento; a partir daí é que vai começar a luta no Congresso para a apresentação de emendas que dura até a meia noite de 31/12/2012. E mesmo assim ainda podem-se propor mudanças em 2013.

Desmoralizada a tal de LDO, inventaram uma nova data limite. E só pode ser mas uma arte do PROIFES/Governo a que são sensíveis os ouvidos de certas lideranças de nervos fracos. Qualquer data limite é suspeita. Não existe isso em greve nem em guerra. Mas a LDO foi para o espaço. Que novo fantasma inventam agora? Uma religião. A religião do bem sair de greve. Tem que se sair da greve como se fosse num desfile de escola de samba ou parada de sete de setembro; nem como dois de Julho pode, pois é muito anárquico. A nossa greve é uma greve para inglês ver; perfeccionista para nenhuma Globo botar defeito.

Ora, não conheço nenhuma greve que entrou unitária ou saiu unitária em termos absolutos. A unidade é relativa. E quem tem de avaliar essa unidade relativa e o momento certo é o comando nacional, que tem a visão geral nacional, já os comandos locais só têm a visão de sua Universidade. Só lhe cabe dizer se a UFBA está disposta ou não a sustentar a greve. E isso foi dito magnificamente na primeira votação. Até os âncoras das TVs ficaram visivelmente confusos com essa história de indicativo de saída de greve para quarta feira quando tinham por unanimidade (quase) aprovada a continuidade da greve. Sobre esse aspecto particular a Proposta de Paulo Fábio foi mais honesta e franca; ela foi desonesta e pérfida por outras razões.

A unidade é necessária para mostrar força e conseguir os objetivos da greve que são as nossas conquistas pretendidas. Ela serve aos nossos objetivos. Jamais nossos objetivos podem ser sacrificados em função de uma saída perfeita de greve. É justamente o inverso do que pretendem os defensores da RELIGIÃO DO BEM SAIR DE GREVE.

Nunca vi uma greve unitária em termos absolutos nas IFES. As IFES iam entrando aos poucos e sem pressa. Essa agora foi a mais unitária que eu já vi, apesar do PROIFES que não existia nas anteriores. E também a saída era aos poucos com a avaliação do comando nacional sobre até que ponto as restantes poderiam manter a greve. Só então se determinava o indicativo de fim greve para avaliação das IFES que ainda estavam em greve. E a UFBA tinha a fama de ser a primeira a entrar e a última a sair.

É tristes que o Governo/PROIFES consigam incutir nas lideranças de greve fobias ridículas. A primeira foi a LDOfobia e agora é nãosaídaunitáriofobia.

Se Dilma mandou algum recado para se acabar a greve na quarta-feira se não ela vai acionar represálias, que esse recado seja colocado transparentemente na assembléia para nós e não através de mitos e ilações.

4 Respostas to “– A matadeira de São Lázaro”

  1. altino Says:

    Prof.
    importante contribuição para aclarar QUEM É QUEM NA UFBA, quais os agrupamentos políticos, que interessses defendem e quem necessita de sindicato como instrumento de luta em defesa de direitos.
    abraços,
    altino

  2. osaciperere Says:

    Circulou nas listas de discussão:

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    PREZADOS!!
    vejam a ORDEM UNIDA DO PROIFES algo já colocado em pauta por Ana Alice, Paulo Fábio e prepostos em São Lázaro.

    Observar:

    – não usaram a estrutura da APUB

    – o porta voz passou a ser o COMUNISTA do PCdoB JOÃO AUGUSTO.

    – email enviado DIRETAMENTE para nossa lista!!!!!!

    abraços,

    altino
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    Resultados e orientações do ConsehoDelibarativo do PROIFES Federação

    O Conselho Deliberativo do PROIFES-Federação, reunido em 29 de agosto de 2012, considerando a presente conjuntura, o iminente encerramento do prazo previsto na LDO (31 de agosto de 2012) para o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei referente ao Acordo firmado pelo PROIFES e, também, o fato de que esse Acordo se mostrou o melhor dentre todos os pactuados neste ano pelas diversas entidades do funcionalismo público federal, com reestruturação da carreira e reposição salarial média de 32% em março de 2015 ? mais do dobro dos 15,8% que receberão as demais categorias nesse mesmo mês, avaliou que a assinatura do Termo de Acordo pelo PROIFES foi absolutamente correta e uma grande vitória, e decidiu indicar aos sindicatos federados que orientem os seus filiados em Universidades Federais e Institutos Federais de todo o Brasil no sentido de defender o pronto encerramento da greve ora em curso.

    É necessário frisar que, se o PROIFES não tivesse assinado o Termo de Acordo, com o senso de responsabilidade, a capacidade propositiva e a correta avaliação da correlação de forças que tem caracterizado sua trajetória, os docentes do Magistério Superior e do Ensino Básico Técnico e Tecnológico teriam ficado com reajuste zero.

    ORIENTAÇÕES DO CONSELHO DELIBERATIVO (CD) DO PROIFES FEDERAÇÂO

    O CD do PROIFES propôs também o debate imediato de uma nova agenda: é hora de iniciar a discussão dos temas que serão objeto do Grupo de Trabalho acordado, cuja instalação está prevista para setembro, no qual serão tratadas questões de grande interesse dos professores.

    Como já deliberado na última reunião do CD, os sindicatos federados indicarão os participantes que, junto com a Diretoria, representarão o PROIFES nesse GT.

    O CD destacou ainda que é preciso, desde logo, começar a pautar um cronograma de discussão dos diversos pontos que serão tratados, dentre os quais mencionamos, com particular ênfase, a “Expansão das Universidades e Institutos Federais, com qualidade”.

    Dar continuidade à greve neste momento é um desatino, sobretudo se consideradas as importantes conquistas salariais e de carreira alcançadas, mas, também, levando-se em conta a absoluta ineficácia de um movimento paredista que se prolongue para além de 31 de agosto, bem como os riscos inerentes à possibilidade de corte de ponto ? em que pese o posicionamento público do PROIFES, decididamente contrário a essa medida, a nosso ver injusta e ilegal, conforme já protocolado junto à ANDIFES.

    Portanto, conclamamos todos a se empenharem forte e decididamente no sentido do encerramento da atual greve.

  3. José Guilherme Says:

    Que me expliquem ous doutores da UFBA:

    – Uma federação, essa tal Proifes, pode sentar à mesa com o governo e negociar acordo? Isso não seria de um sindicato proprio da categoria?

    Como sou de um outro tempo, não estou entendendo nada. Se recorro aos jornais para entender melhor, fico ainda mais confuso. Quanto á mídia televisiva, ela só fala agora de coisas que estão acontecendo na longínqua China…

    Parece que é coisa mesmo da pós-modernidade, pois a própria universidade, cada vez mais vem perdendo sua capacidade crítica. Se os próprios professores de nível superiro estão todos baratinados, o que dirá da população com baixa escolaridade?

    Desliguem o tubo que eu quero voltar ao meu coma!

    José Guilherme

  4. Francisco Santana Says:

    O PROIFES não é federação também. Uma federação tem que ter um número mínimo de sindicatos registrados qua a compõem e precisa ter também o seu registro no MTE de federação. Eo PROIFES não tem nem uma coisa e nem outra. O PROIFES continua sendo o que sempre foi, um forum. Não pode ter nenhuma atribuiç~sao sindical: nem como sindicato e nem como federação.

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