– Ode ao Dois de Julho

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Façam suas apostas!

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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Hoje presenciei um ruidoso grupo recolhendo apostas para o Dois de Julho próximo.

É que alguém teve a brilhante ideia de questionar a ida ou não do governador Jaques Wagner ao desfile cívico em homenagem à data magna da Bahia. Visto que nos últimos tempos o atual inquilino do Palácio de Ondina tem recebido estrondosas vaias nos locais em que comparece, alguns palpiteiros acham que ele não terá coragem de pagar mais esse mico, apesar dos dois mil policiais que convocou para o evento. Afinal, quem pode calar a voz dos descontentes, dos injustiçados? Quem pode?

Por falar em injustiçado, recebi uma carta de um conterrâneo que me pediu para dar ampla publicidade aos desabafoS de uma professora, vítima das malvadezas dos prepostos da SEC-BA.

Enquanto a batata do governador está sendo assada para as futuras eleições, que certamente concorrerá como candidato a qualquer coisa, juntamente com seus pares governistas, acho que é sempre bom que a população tome conhecimento do que a TV  – comprada por ele!  – não mostra:

Professor,
Segue uma dor que deve ser de conhecimentos de todos aqueles que não deixam de indignar-se com o sofrer do outro. Não tenho agora neste instante grandes palavras, somente uma profunda agonia,  um chorar por dentro, um profundo sentir. São lágrimas solidárias que no silêncio escorrem na alma, pelo horror e assédio vividos pela professora. Que esse grito, em momento de 2 de julho, se propague pela Bahia em solidariedade a todos que pelas mãos desse governo autoritário,  fascista e tirano liberal, sentem no seu concreto viver o punho das injustiças, da arrogância e do individualismo.
FJBJ
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Relato de uma professora da rede pública…

Eliana Santos Andrade

COMPANHEIROS, ALUNOS E AMIGOS – ESTOU VIVENDO UM PESADELO!!!!!

Na manhã do dia 26/06 (terça-feira) quando acordei e sai de casa pra trabalhar, nem imaginava que teria um dos piores dias da minha vida!!! Sou professora com 20hs de REDA e 20hs efetiva em estágio probatório no Estado, fui uma das “convocadas” a dar aulas no projeto emergencial do governo de retorno às aulas do 3º ano e tive como outros colegas, que começar a dar estas aulas no dia 25 (segunda-feira) no Colégio Davi Mendes. Fiz até o relato da minha experiência deste primeiro dia de funcionamento do projeto e postei aqui no face, como forma de desabafo. No 2º dia, 26, pela manhã, após sair da segunda turma, por volta das 10hs da manhã, estava na sala dos professores junto com outros colegas de várias disciplinas, quando entrou uma senhora a serviço da SEC, que estava “fiscalizando” as escolas polos, e perguntou qual disciplina cada um ali ensinava…eu e outra colega respondemos História. Fomos então “convidadas” as duas a sair com esta pessoa pra ter uma conversa a parte… simplesmente eu e minha colega não sabíamos do que se tratava, mas a acompanhamos. Chegando na sala, vazia, ela fechou a porta e começou a nos fazer perguntas: se havíamos recebido o “material” da matéria pra dar aula e se estávamos dando aulas… quando eu tentei explicar, sem maldade, que havia estado com alunos que não conhecia e então estava tendo uma conversa prévia com eles, fui interrompida, com estupidez e esta senhora começou a me dizer vários absurdos, de forma bem grossa, e em alguns momentos até aos berros…

Me falou que os alunos foram até ela me “denunciar” que eu não estava dando aulas e que estava falando sobre a greve na sala… começou a “salientar” de que eu havia sido convocada, que estava ali pra trabalhar e não fazer greve ou falar disso com os alunos… frisou que sabia que eu era reda e probatório e de que minha situação era frágil, que eu tinha que fazer o trabalho para o qual eu fui designada…

Num certo momento, pedi a palavra, pra me explicar, contra-argumentar. Falei , já começando a ficar abalada emocionalmente, que eu não estava entendendo o porque daquela abordagem, falei que estava me sentindo constrangida e desrespeitada, tentei falar mais, porém, ela não deixou….

Mais uma vez, me interrompeu, aos berros, fazendo pouco caso do fato de eu já estar chorando (eu já me encontrava depressiva naquele dia), disse que não havia constrangimento nenhum, que eu não estava ali obrigada, e que se eu estava descontente, fosse embora e arcasse com as consequências…usou de um discurso bem ameaçador, de que ou eu trabalhava ou teria consequências…

Tentei ainda argumentar, mas, a pessoa se levantou e lembro-me bem que sua última fala foi que sabia dos meus dados profissionais (números de matrícula) e de que eu ia ver… estou resumindo a “conversa”, mas foi longa…

Ela se foi, segundo o pessoal da escola pediu meus dados e levou com ela, dando claras intenções de me prejudicar… permaneci na sala aos prantos, sem acreditar no que havia acabado de passar, eu já estava abalada emocionalmente havia dias, por conta desta tensão da greve, etc, até desabafei isto aqui no face várias vezes, mas este episódio foi a gota que faltava pra desencadear em mim uma forte crise emocional. Fiquei cerca de meia hora na sala , na mesma posição, chorando compulsoriamente, lamentando o dia que me tornei professora, toda a dedicação que tive pra isso, sou licenciada, especialista e mestra, pra ao final de tudo, já não bastasse tudo que já havia acontecido com a categoria até aquele momento, eu ainda ser vítima de constrangimento, abuso de poder e ameaça de perder meu emprego, os dois cadastros. Não tenho “costas quentes”, não tenho outra fonte de renda, estou tentando me estabilizar na vida pessoal e profissional, mas este (contando com o trato dado pelo governo à categoria), foi um golpe duro demais!!! Não há uma palavra pra definir o que foi isso… Me senti “um lixo” como pessoa e como profissional, me senti nos porões da ditadura, sendo interrogada e coagida… me senti num campo de concentração, sob a “máxima” de ou trabalha ou “morre” (lembrando que muitos morreram mesmo trabalhando), enfim, não sei mesmo descrever com precisão O QUE FOI / O QUE É ISSO QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A EDUCAÇÃO, NAS ESCOLA PÓLOS DESTE PROJETO E COM MEUS COMPANHEIROS ESPALHADOS POR AÍ ,AINDA TRABALHANDO NESTAS CONDIÇÕES!!!

Parece que eu fui escolhida pra ser “bode expiatório”, deste sistema, ou quem sabe, exemplo do que está ocorrendo nos bastidores desta solução do governo…

Depois que tomei conhecimento de que a mesma pessoa já havia “aprontado” outras coisas na escola, antes de falar comigo, o sindicato tomou conhecimento disto e do meu caso, me ofereceram suporte e orientação jurídica, fui levada a prestar queixa, contra o constrangimento sofrido e tentar tomar precauções contra a possível exoneração, retaliações, etc. neste mesmo dia, acabei dando entrevista pra duas emissoras de tv, eu não queria me expor, mas não teve jeito…terminei o dia na emergência de uma clinica na Pituba, onde fui receitada com remédio tarja preta e obtive atestado para não trabalhar nos próximos dias, dado o meu estado físico e emocional.

De terça pra cá, quase não tenho dormido, tenho tido dias de angustia e de incerteza, sobre o hoje e o amanhã… minha mãe ficou horrorizada, em estado de choque, quando contei. Muitos me dizem que eu fiz errado, que eu deveria ter me calado diante do constrangimento, acatado as “ordens”, não ter tentado argumentar e voltar pra sala, pra não sofrer consequências… outros me dizem que fui corajosa, mas a partir de agora eu terei consequências…

O que eu sei é que como pessoa e como profissional de História, não posso me calar diante das injustiças, de meus opressores, não posso, e não fiz, mesmo sabendo que sofreria as consequências, achar isso normal, abaixar a cabeça e voltar à sala de aula naquele momento soluçando de chorar!!! Minha natureza jamais deixaria isso!!!

POR FAVOR, COLEGAS DE ENSINO, ALUNOS E AMIGOS, DIVULGUEM MEU TEXTO, EU NÃO SEI O QUE ME ACONTECERÁ, EU NÃO SOU MELHOR DO QUE NINGUÉM, MAS QUERO QUE MINHA HISTÓRIA SIRVA DE EXEMPLO DE LUTA, DE RESISTÊNCIA E COM FÉ EM DEUS, DE SUPERAÇÃO!!!! OBRIGADO PELO APOIO QUE TENHO RECEBIDO.

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Uma resposta to “– Ode ao Dois de Julho”

  1. altino Says:

    BEM, cabe divulgar que eles devem entrar com ações por ASSÉDIO MORAL.
    Em relação à pungente pergunta da professora “O QUE É ISSO QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A EDUCAÇÃO” não devemos olvidar que esse massacre está sendo organizado e implementado por um PROFESSOR UNIVERSITÁRIO da UFBA!!!
    Será que ninguém lembra isso? Se esquecem que o secretário estadual de educação é OSVALDO BARRETO DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO???
    Ademais, QUE FAZEMOS NÓS, SEUS COLEGAS? CONTINUAMOS A ASSISTIR O DESCALABRO IMPASSÍVEIS???
    saudações,
    altino

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