1015 – A UFBA não precisa de “manés”

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MANE-GOSTOSO

Para o Saci, A UFBA não precisa de “mané-gostoso”, de “mané-malvadeza” ou de “mané-pirotécnico”, mas de um gestor disposto a dialogar com sua comunidade e a arregaçar as mangas por ela…

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“TÁ TUDO DOMINADO”? VOTAR PARA QUE? VOTAR EM QUEM?

Altino Bomfim – FFCH/UFBA

A.

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desmoralização do voto é local, nacional e internacional: desde representante de turma, sindico a presidentes. Político profissional ou não, os eleitos apenas utilizam os eleitores para os legitimarem. No poder, não fazem o que querem mas, o que os grupos de interesses, os  apoiadores e financiadores mandam. Daí a cruel interrogação: se tá tudo dominado, votar para quê? Votar em quem? Na UFBA é diferente do que ocorre na sociedade?

Percebe-se nesse período eleitoral algo novo no ar. Os que acompanham e participam da cena política local percebem um frisson, uma agitação das pessoas na universidade não anotada em eleições passadas, a exemplo da surpreendente plateia no primeiro debate com os reitoráveis promovido pela Oposição Sindical á Diretoria da APUB, no dia 10/4.

Será que os fluidos positivos da greve de 2012 estão a iluminar corações e mentes fazendo ressurgir vibrante na UFBA o pensar e fazer política? A comunidade vai sair dos guetos das unidades, salas de aula, núcleos/grupos de pesquisa, das compartimentalizações para não apenas ouvir os candidatos mas ser sujeita na discussão de projeto para uma UFBA autônoma e independente de partidos. Aleluia! Use-se as eleições como momento e espaço para nos exercitarmos como sujeitos sociais.

No primeiro debate ouvi gozações por afirmar estar em cima do muro: -“ahahah, como pode militante sem definição?” Pois é, em inicio de processo buscava conhecer os candidatos, suas posições políticas, programa de governo, projetos por áreas, características de personalidade, se são personalistas, individualistas, concentradores, como se relacionam com as pessoas mas, também, saber como foram como gestores, se construíram algo que permanece, se voltam-se para a instituição entre outras interrogações.

Entretanto, essa santa ignorância foi sacudida durante a Páscoa: se nem a ciência é neutra, pode haver candidaturas?

Na disputa pelo poder na UFBA, há candidatos neutros, sem filiação, coloração? Importante nesse processo é entender os movimentos das forças políticas existentes dentre as quais se destacam os partidos e correntes que dominaram a UFBA e a APUB nos últimos tempos. Ou seja, que candidatos apoiam os diretores do sindicato? O ex-reitor, o grupo de ex-diretores alguns deles secretários de Estado? em qual (is) candidato (s) seus liderados descarregarão os votos? Igualmente, lideranças e seguidores do PT e PCdoB que se conflagram em categorias mas seguem ordem unida no apoio aos governos e suas políticas, independente de quais sejam.

Igualmente envolvidos outros partidos mesmo os que estão à esquerda, administrando seus apoios mas, também, sem priorizarem o debate sobre as questões sócio-políticas, éticas e morais envolvidas no processo eleitoral, a questão da representação.

Até as últimas eleições no início da década existia uma polarização cristalina entre a situação – que implantou religiosamente na UFBA as políticas do governo federal – e opositores. Essa situação ganhou novos contornos quando das composições para formar o grupo do atual reitorado, ocasião em que membros da oposição foram cooptados e receberam seu quinhão em cargos.

No presente é difundido discurso por candidatos que ao longo da atual administração houve liberdade de ação dos ocupantes do alto escalão permitindo que os mesmos se movimentassem livremente gerando safra de pretendentes, o que resultou no lançamento de duas candidaturas vinculadas à atual gestão. Esse discurso tende a induzir a compreensão de que diluiu-se e/ou fragmentou-se o poder do grupo que durante oito anos foi majoritário politicamente na universidade.

De fato, observa-se no processo que lideranças apoiam candidatos distintos. Todavia, há indicadores que se trata de estratégia camaleônica similar à que ocorre na política profissional geral praticada por próceres de partidos políticos que sobrevivem junto ao poder há décadas, seja qual seja: apoiam candidatos diferentes e,  “vença quem vencer, estamos no poder!”. Ah! Como diz o adágio, “política é coisa para profissionais”!

Dessa onda não escapou a Oposição Sindical cujos integrantes, engajando-se sofregamente em campanhas, perdeu a condição e oportunidade de contribuir socialmente para a conscientização política dos 44 mil eleitores da UFBA.

Enfim, o que orienta o voto? Simples obrigação de legitimar os que empolgam o poder? Tirar uma casquinha, levar um pedacinho? Amizade? Princípios?

O movimento docente organizado no ANDES-SN luta há décadas por uma universidade pública, autônoma, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, ao que acresce-se, e independente de partidos. Já a lógica dos partidos é ocupar ou senão dividir ou influenciar o poder político com sua ideologia e projetos e, suas lideranças e militantes atuam com esse e só esse objetivo.

O quadro que se delineia é de continuidade dos aparelhamentos em detrimento do bem coletivo maior que é a instituição orientada para atender os interesses das camadas majoritárias da sociedade, mantendo-se a subordinação e dependência ao governo central. E frise-se os apoios de correntes/partidos não são gratuitos!

Socialmente, qual é a da famosa maioria silenciosa da chamada comunidade universitária, professores, técnico-administrativos e estudantes? Que pensam sobre o processo eleitoral, o voto, os candidatos e as alianças e apoios? Interessa, preocupa? Estão incomodados com a intervenção partidária histórica na instituição? Se sim, têm a oportunidade de se rebelarem e rejeitar os candidatos que indiquem, de alguma forma, vão aparelhar a instituição. Daí alerta-se a Comissão Eleitoral para contar direitinho os votos brancos e nulos que podem indicar insatisfações.

Concretamente, o movimento docente não tem candidato. Cabe identificar entre os quatro candidatos, qual o suficientemente independente dessas forças e partidos e que, por isso, pode empalmar os princípios e bandeiras do movimento docente nacional.

Se o pensar ainda não está dominado e a história não acabou continuamos a lutar por outra UFBA possível!

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Salvador (BA), 22/04/2014

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Uma resposta to “1015 – A UFBA não precisa de “manés””

  1. Menandro Ramos Says:

    Que os “manés” me perdoem, mas a UFBA não precisa deles.

    A UFBA que queremos não está no gibi, pois ela precisa ainda ser construída. Coletivamente. Tijolo por tijolo. E todos, sem exceção, podem colaborar. Não apenas os doutos ou que assim se supõem. Enquanto isso, alternam-se os estados de pessimismo e esperança… Mas a roda da História vai se movendo!

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