1029 – Paralisação Padrão FIFA

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TANQUE.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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D.

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ificilmente se vê unanimidade nas paralisações e greves decididas pelos movimentos sindicais. Diferente, entretanto, de quando se conquista algo. Nunca vi, por exemplo, alguém se dirigir ao Serviço de Pessoal para abrir mão das conquistas obtidas a partir do movimento paredista.

É sempre a mesma história ouvida  de alguns: “Não posso interromper minhas aulas”; “meus conteúdos são muito importantes!”; “meu compromisso com a Capes é inadiável!” etc. etc. A  ladainha é a mesma. Como se os compromissos da categoria em lutar pela melhoria da Educação e das condições de trabalho dos docentes também não fossem importantes.

Volta e meia, nessas ocasiões, lembro-me de um jovem professor-doutor da UFBA que chegou das “estranjas” com todo gás, após um doutorado laborioso e profícuo. Já contei esse caso neste Blog. Apenas relembro-o aos esquecidos.

Durante uma tensa Assembleia para decidir se a APUB entrava ou não em greve, ele pediu a palavra mui solene e foi atentamente ouvido. Falou bonito e complicado, embolou a língua para pronunciar palavras e termos in English, desconhecidos para a grande maioria presente, ignorante daquelas belezuras – creio, como eu -, e lá pras tantas sentenciou firme e forte: “A greve é um instrumento superado! Precisamos ser criativos para buscar outras forma de convencer o governo”…

Logo após a fala do douto jovem professor, um docente que o ouvia, sem piscar os olhos arregalados de assombro ou encantamento, pediu a palavra e inocentemente indagou:

– Caro colega! Sugira, então, para esta Assembleia uma outra forma que não seja a greve ou a paralisação! Traga-nos a luz!

De fininho, o douto foi de esgueirando até a porta de saída, e nunca mais apareceu a uma Assembleia. Até a presente data!

Acredito não ser necessário ir além do milagre contado. O santo sabe muito de quem estou falando… Mas o que quero salientar aqui é que, às exceções de todas as regras, pelo menos em se tratando de profissionais conscientes e responsáveis, não vejo ninguém feliz por não dar aulas. Insisto: um dia de paralisação, conforme é proposto, não significa um dia de praia ou de outro lazer qualquer. Se a diretoria da APUB manifestou-se preocupada, na última Assembleia, com o esvaziamento da UFBA no dia 21, data aprovada para a paralisação docente e de outras categorias de servidores públicos, nacionalmente, e um dos dias de votação para a eleição de Reitor e Vice da UFBA, é porque, certamente, sabe de alguns professores que, lamentavelmente, aproveitam das interrupções de aulas decididas em Assembleia para tosar seus cachorrinhos ou cuidar dos seus interesses particulares. Como a APUB tem a mídia nas mãos, a solução torna-se muito fácil e simples. Se for o caso, é só pedir aos seus “comandados” que votem logo no primeiro dia. Lembramos que a consulta ocorrerá nos dias 20 e 21 de maio, se for o caso de alguém optar por botar as pernas para cima, de sunga, maiô, bermuda, hobby, camisola, peignoir, pijama, ou coisa que o valha, ao invés de participar das atividades programadas para acontecer nas unidades da UFBA no dia da paralisação…

Agora que os olhos do governo estão direcionados apenas para os interesses da FIFA, dificilmente outras  “soluções criativas” vão superar os velhos e bons métodos utilizados já faz um tempão… Ainda assim, é só uma tentativa de se fazer uma paralisação “Padrão FIFA” de qualidade, pois pelegos existem aos cachos.

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