1031 – A coruja de Minerva

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João-e-Câmara

Nas “filosofices” pertinazes do Saci, cedo ou tarde a Coruja de Minerva baixa nas mentes humanas, quando a noite chega. Esta postagem  imagética é dedicada a L. B., lembrando-lhe que a obra aberta umbertiana deve ser considerada sempre…

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Menandro Ramos
FACED/UFBA

S (3).

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egundo o Saci, em tempos imemoriais e heroicos, a Coruja de Minerva só saía à noite, conforme aprendeu na Mitologia grega. Para quem gosta de detalhes, muito além dos de RC, o vegetariano propagandista da Friboi, Minerva, era a deusa da sabedoria e da justiça. Filha de Zeus, o maioral dos deuses do Olimpo, e de Métis, deusa da prudência, era conhecida também como Palas Athená. Consta que Minerva não se separava de uma simpática coruja que a acompanhava por onde andava, com a qual formava uma dupla  muito unida, qual uma dupla de cantores sertanejos. A razão do xodó entre as duas, era que a coruja, como uma ave que alça voo no início do crepúsculo, embrenhava-se noite adentro com o propósito de enxergar na escuridão o que o olhar comum não conseguia observar sequer à luz do dia, conforme atinou o filósofo alemão Friedrich Hegel, em sua Filosofia do Direito. Por conta disso, Minerva a adotou como o símbolo da sabedoria, da perspicácia, da agudeza do olhar e das grandes “sacações”.

Esse bolodoro todo, que o Saci foi buscar tão longe, teve por objetivo mostrar que, talvez, ao chegar a noite da campanha para os reitoráveis, alguns esclarecimentos, que não foram feitos durante os inúmeros e cansativos debates pelos campi da UFBA, alcem voos profícuos nos últimos dias que antecedem a votação, para os eleitores escolherem, com segurança, o futuro reitor da Universidade Federal da Bahia.

Recentemente, constatei que um dos candidatos, o Prof. João Carlos Salles, de forma muito gentil, como lhe é habitual, esclareceu publicamente uma dúvida do Prof. Tavares-Neto (Famed). Dias atrás, também, o Prof. Salles prestou esclarecimentos ao Prof. Fernando Conceição (Facom) acerca de assuntos abordados em um dos debates, concernentes a questões ligadas à comunidade do Calabar e do Alto das Pombas.

Estimulado pelo êxito dos meus dois colegas que tiveram suas dúvidas esclarecidas, o meu amigo de gorro e pito animou-se em me pedir, através deste Blog, para indagar, em especial ao colendo Prof. João Salles – visivelmente com muitos apoios de docentes de diversos credos políticos -, o que se segue, extensivo, claro, aos demais reitoráveis:

Preclaros e mui nobres candidatos, os senhores seriam capazes de se comprometer, caso eleitos, em não permitir que a Reitoria da UFBA se transforme num aparelho do partido do governo? Comprometem-se, em outras palavras, em zelar bravamente pela Autonomia da nossa querida Universidade?

Antes que eu pudesse raciocinar sobre o que significava tanta indagação, ele fez questão de mostrar o seu lado generoso e compreensivo:

– Caso não possam responder, por comprometimentos já celebrados anteriormente, nós haveremos de entender o significado  desse silêncio…

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4 Respostas to “1031 – A coruja de Minerva”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ——————————–

    Caríssimo Prof. José Tavares-Neto,
    Caros Colegas,
    Registro minha total concordância com a inclusão dos Médicos-Residentes e dos Residentes do Programa Multiprofissional/Complexo HUPES na lista de eleitores da presente consulta.
    Não o fizera antes por julgar que se trata de questão a ser deliberada diretamente pela Comissão Eleitoral, tendo em conta ser de interesse direto dos candidatos, que não deveriam portanto interferir nessa matéria.
    Dada, porém, sua interrogação direta e gentil, não posso deixar de registrar minha posição, ao tempo que registro também meu apreço pessoal, cumprimentando os colegas,
    Cordialmente,
    João Carlos Salles

    ——————————————————————–
    Congratulo-o por ter reiterado a denúncia de 6 de abril p.p. (abaixo transcrita), e, mais especialmente, pelo tempestivo alerta, também por ser absoluto absurdo a EXCLUSÃO dos Médicos-residentes e Residentes do Programa Multiprofissional da lista de eleitores nessa p. Consulta à Comunidade para os cargos de Reitor e Vice-Diretor da UFBA.

    Copio com destaque ao candidato a Reitor da UFBA NELSON PRETTO (http://tocom.pretto.info), bem como aos outros 3 candidatos, porque foi o único candidato que manifestou seu apoio (abaixo transcrito) a favor da INCLUSÃO dos Médicos-residentes e Residentes do Programa Multiprofissional/Complexo HUPES na lista de eleitores nessa p. Consulta à Comunidade para os cargos de Reitor e Vice-Diretor da UFBA.

    Infelizmente, até presente data (após 30 dias daquela denúncia de 6 de abril), a Presidente da Comissão da Consulta e os outros 3 candidatos, mantiveram o silêncio sobre essa pretendida exclusão dos Médicos-residentes e Residentes do Programa Multiprofissional da UFBA, isso mesmo após a segunda mensagem de 15 de abril, também abaixo transcrita.

    Saudações Acadêmicas,

    José Tavares-Neto

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ——————————–

    Prezado Prof. João Salles Pires da Silva,

    desde já declaro meu respeito e estima pessoal pelo colega, de trajetórias política e acadêmica respeitáveis. Torço para que faça uma feliz campanha pela disputa à Reitoria da UFBA, embora, como já anteriormente aqui informei, meu voto é do nosso também admirável Prof. Nelson Pretto.

    É uma opção política que faço, riscando o colega das minhas preferências por conta daquilo que em mensagem que gerou vossa resposta a mim, apontou o Prof. Paul Regnier.

    Sua resposta, aliás, deixa de lado o ponto nevrálgico apontado pelo Prof. Regnier, relativo à suposição de que, eleito ao comando desta UFBA, sua administração estaria comprometida com o projeto de poder que faz quase 8 anos governa a Bahia. Ao qual faço sérias restrições e acuso de conivente com o genocídio do povo negro deste Estado, além de outros descalabros administrativos.

    Como democrata, sou a favor da alternância no poder. Razão porque me engajarei na derrota da chapa Rui Costa/João Leão empurrada por Jaques Wagner/Otto Alencar. Se trabalhar pela derrota de tal projeto passa por negar meu voto ao ilustre colega João Salles Pires da Silva, assim o farei.

    Como o senhor, em sua resposta a mim, não negou essa suposição de alinhamento, que se constituirá em fato gravíssimo à autonomia da Universidade perante governos -, suposição baseada na análise do seu arco de apoio político-partidário nessa campanha à Reitoria da UFBA -, deixa margem à confirmação da hipótese.

    Não se trata aqui de criticar atabalhoadamente seu arco de alianças, à maneira como quer nos fazer acreditar, como se ingênuos fôssemos todos, o Prof. Waldomiro Silva Filho, ao defender o voto no seu projeto de poder, alegando sua capacidade de “dialogar tranquilamente com pessoas de diferentes posições políticas”. É justamente essa “tranquilidade” que deveria nos intranquilizar – vez que não se trata, no caso da disputa pela Reitoria, de obter a vitória a qualquer custo, ainda mais a custa do atrelamento ideológico-partidário da Academia.

    Talvez seja querer demais, mas penso que a Universidade deveria resistir à tentação de se deixar corromper pelo oportunismo eleitoreiro. A sociedade necessita de uma gestão universitária crítica aos desmandos governamentais que assistimos, por conta do silêncio de supostos intelectuais que servem não à sociedade, mas ao Partido, por adesistas que se fizeram.

    Em sua resposta a mim dirigida o senhor mira exclusivamente na justificativa de suas opiniões quanto ao veto que fez, quando diretor da FFCH, à construção de uma residência universitária em terreno limítrofe às comunidades do Alto das Pombas e Calabar, de onde eu vim. A base do seu veto é aquilo que o senhor diz ser “a vizinhança do tráfico” [de drogas], afirmando inclusive que a área seria dominada por traficantes. Desculpe, mas o senhor estava, como ainda permanece, equivocado. E perdeu, com o veto, a oportunidade de fazer a Universidade dialogar melhor com a comunidade – que está ali muito antes do campus de São Lázaro.

    A comunidade não é nem nunca foi dominada por traficantes. Eu e milhares de moradores não o somos nem aceitamos essa pecha – moto de todo o trabalho e toda a luta política que ali desenvolvemos, criando escolas modelos, grupos culturais, alternativas de geração de renda-emprego, grupos de mulheres e de jovens, equipes de esportes que disputam campeonatos regionais, estaduais e nacionais saindo-se vitoriosas.

    O senhor perdeu a chance de rever a visão elitista e preconceituosa em relação a essas comunidades. Todas as manhãs que chego para dar aulas na Facom, ou à tarde ou à noite, quando saio, encontro pessoas no vão de entrada consumindo drogas tranquilamente. No campus de São Lázaro o senhor sabe que o mesmo ocorre, e na Politécnica, e nas áreas verdes dos PAFs etc. Essa droga não dá por geração espontânea nos campi da UFBA. Ainda assim, são os moradores do Calabar e do Alto das Pombas os responsáveis pelas disputas advindas da enorme demanda de gente diferenciada como nós, a inteligência que quer comandar a Reitoria… Como são as vítimas do genocídio que vimos nas últimas semanas as responsáveis por terem sido mortas, como cinicamente difunde o discurso oficial.

    Desejo boa sorte à sua candidatura, candidato.

    Fernando Conceição.

    —————————————

    Prezado Prof. Fernando Conceição,

    Escrevo-lhe para fazer um importante esclarecimento inicial, em deferência à sua história de lutas e à seriedade de sua mensagem. Creio que o tema da relação da UFBA com seu entorno é de extrema relevância, e pretendo me posicionar de forma ainda mais extensa e detalhada.

    Considero fundamental uma relação rica e aberta da Universidade com o Calabar e o Alto das Pombas, bem como com outras comunidades do seu entorno. Mas não se tratava disso com a proposta que nos foi apresentada tempos atrás.

    Simplesmente, tivemos que responder uma pergunta específica sobre a localização de uma residência estudantil, que foi planejada sem que tivéssemos sido consultados. A localização, naquele momento, não nos pareceu nada segura.

    Vivíamos um momento em que a política de relação com o Calabar era inadequada. A Universidade não interagia com a comunidade, e exatamente procuramos em nossa gestão reverter isso.
    Hoje, a relação de São Lázaro com o Calabar e o Alto das Pombas é bem mais rica e intensa, estando ainda muito distante do que pode vir a ser.

    Naquele momento, porém, a região específica de contato da área da Faculdade com o Calabar e o Alto das Pombas comportava, ao que tínhamos ciência e vimos ao visitar o local, um claro domínio do tráfico, sendo bastante tensa até mesmo a nossa aproximação ao local. Quando chegávamos perto, por exemplo, éramos recebidos com rojões de adrianino, que alertavam sobre nossa presença.

    Além disso, em um baixio em área dentro da Faculdade, a localização proposta era de difícil acesso e precária a visibilidade do local, não sendo claro como seria o futuro acesso cotidiano dos estudantes, uma vez que a Faculdade tem horários restritos, e não cabe submeter ou restringir os horários de uma residência a alguma norma monástica ou militar.

    Questionei sim a localização. Ela ainda me parece inapropriada, sendo difícil o acesso dos estudantes, que aí ficariam isolados. Para não haver isolamento, outros locais de São Lázaro seriam bem mais adequados.

    Observo que a localização não era no Calabar, mas sim nos fundos da FFCH, na fronteira com o Calabar e o Alto das Pombas, cujos moradores se viam nesse ponto igualmente afetados por tal situação de risco.

    Nos vários contatos que mantivemos ao longo de todo esse processo, inclusive reunindo com representantes do Calabar e do Alto das Pombas, sempre ficou evidente a gravidade da situação, que direta e indiretamente atingia tanto os nossos estudantes como também os moradores do Calabar e do Alto das Pombas.
    Respeito e defendo imensamente, por minha militância, por minhas convicções, a integração da UFBA com seu entorno, mas julgo ser uma responsabilidade nossa decidir se uma localização é adequada ou não, se oferece mais ou menos risco. O fato genérico de que a violência pode ocorrer em qualquer lugar não torna desimportante a avaliação específica de risco. É também uma responsabilidade nossa lutar pela segurança de nossos jovens, que têm sido constantemente vítimas sobretudo da violência policial, bem como de outras formas de violência, como as relacionadas à guerra do tráfico.

    Enfim, creio que o Prof. Paul Regnier, que tomou anotações de minha fala, não o fez com o cuidado devido, sobretudo se consideramos a gravidade do tema. Assim, não só as retirou de um contexto argumentativo mais amplo, como ainda as modificou por completo, contribuindo muito pouco para o debate sério de um tema tão relevante.

    A situação é sim muito séria, exige-nos um compromisso real com o destino da Universidade e com a transformação de nossa sociedade, não devendo ser distorcida em um contexto eleitoral.
    Tive enfim acesso ao áudio desse encontro no Instituto de Matemática. E fiz divulgar a transcrição literal da passagem que foi distorcida, sendo referente à menção feita a meu filho.

    A passagem segue abaixo.

    Um abraço cordial,
    João Carlos Salles

  3. Vavá Oliveira Says:

    o saci tá cada vez meçhor. quando a gente pensa que ele já atingiu o seu ponto áureo, ele nos brinda com mais uma pérola!

  4. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ———————————–

    Aos Reitoráveis da UFBA,

    Só na Boa Terra do Governador Octávio Mangabeira, é possível a orquestração de mais outro absurdo: o da pretendida exclusão dos Médicos-residentes e dos Residentes do Programa Multiprofissional/Complexo HUPES e MCO da categoria Discente, nessa p. consulta para os cargos de Reitor e de Vice-Reitor. Logo após a denúncia dessa exclusão à Presidente da Comissão, em 6 de abril p.p., o candidato Nelson Pretto censurou essa agressão aos Residentes da UFBA e, mais recentemente, também o candidato João Carlos. Os outros candidatos ainda não opinaram. Daí o desafio aos Reitoráveis: dos mesmos conjuntamente encaminharem à Comissão censura e veemente protesto contra essa agressão aos Residentes da UFBA.

    No caso da Residência Médica na UFBA, primeiro programa foi criado no HUPES em 1958 (primeiro da região Nordeste; e o terceiro do Brasil). Desde 1982, os programas são credenciados pela CNRM/MEC (Lei n. 6.982 de 1981), duram de 2 a 5 anos (dependendo da especialidade médica), com 60h/semana ou 2.880h/ano (no total com 5.760h a 14.400h). Os médicos-residente têm matrícula na SGC-UFBA, fazem parte do corpo clínico e têm registro SIAPE.

    Também peço aos Estudantes de Medicina da FMB-UFBA, divulgarem nas redes sociais essa pretendida agressão à categoria Residente do Complexo HUPES e MCO. Como anexos desta mensagem, as providências e os documentos encaminhados, contra esse absurdo, pelo Prof. Roberto Badaró, Coordenador da Comissão de Residência Médica (COREME)/Complexo HUPES e MCO (vide mensagem adiante do Prof. Roberto Badaró).

    Saudações acadêmicas,

    José Tavares-Neto
    Médico do Complexo Hospitalar Universitário Prof. Edgard Santos

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