1032 – O Pica-Pau e o Palácio em chamas

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PALACIO 1

No animado diálogo provocado pela modesta Assembleia, ora um chama para a peleja, ora o outro. Assim, entre “chamas” de ambas as partes, o Palácio vai reluzindo… Lembrando o Saci, que nem tudo que reluz é ouro…

PALACIO-2

E.

nquanto sofás e  chifres voam como um condor andino que se lança enfurecido à caça da tenra presa, o Saci se esbalda com o animado diálogo causado por uma inofensiva Assembleia da APUB…

***

 

Prezado Francisco,

Sendo possível também outros tipos de solução: por exemplo, instalar câmaras para vigiar a mulher, trocá-la por outra mais fiel, ou (em sendo pessoa que não faça caso de cornos) passar para uma relação de casamento “aberto”. Continuar com a mesma mulher, fazendo de conta que nada aconteceu, como você está propondo, é que me parece a solução menos criativa e mais primária.

SOFA G

Até mesmo os instrumentos decisórios e políticos podem e dever ser mudados e aperfeiçoados. Mudar é estar vivo.

Se democracia fosse algo sem história e movimento, estaríamos ainda hoje usando o modelo da Ágora grega, onde os escravos, as mulheres e os estrangeiros não tinham voto.

Saudações

Marcos Palacios

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[Palacios]

O primarismo desse argumento está parecido com o da piada em que o marido surpreendeu a sua mulher transando com o amante no sofá e aí mandou jogar o sofá fora.

A assembleia não tem absolutamente culpa do uso que se faz dela.

Eu suportei de 2006 até hoje massacres golpistas contra minhas posições cobertas de razão. E absolutamente não sou masoquista. E porque fiz isso?

Porque sei que as assembleias não eram culpadas dos golpismos e da direção autoritária que a direção da APUB dava a elas baseada numa maioria relativa. NEm mesmo a direção da APUB era a principal culpada.

Os principais culpados era os 2.600 associados que não só não compareciam mas se omitiam em relação aos vícios cometidos.

“A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.”

Parodiando:

A assembléia é ao pior forma para praticar  democracia, à exceção de todas as outras que foram experimentadas (principalmente pelo PROIFES e pela APUB).

Se se acha errado aprovar uma greve por 13 a 8, a culpa foi dos ausentes.

[Francisco Santana]

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chapeu-de-touro

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Caro Tomasoni,

em priscas eras, nos idos dos inícios dos 80, quando eu era docente da UFPA, participei de Assembleias com centenas de docentes que aprovaram greves então ilegais ou ilegalizáveis, que tiveram imenso impacto na vida daquela Universidade e na consciência dos docentes e estudantes. Aqui mesmo na UFBA, nos meados dos 80’s,  tivemos modelos de organização sindical muito mais representativos, com seções da Apub funcionando nas Unidades, com delegados eleitos que reuniam previamente os membros de suas Unidades, em situações críticas, para discussão e deliberação, levando às Assembleias sondagens prévias da vontade dos docentes em cada Unidade.

Foram outros tempos. Outras gentes, outras vontades, outras disposições.

O que temos hoje são Assembleias esvaziadas nas quais, sem ponto de pauta previamente estabelecido, vota-se uma paralisação, para ocorrer em um dia que deveria ser de intensa mobilização local. Faz-se isso para atender a uma “palavra de ordem nacional”, com o ridículo quorum total de 23 votantes, sendo 13 a favor, 08 contra e 02 abstenções. Uma maioria de 05 em 23 decidindo por uma categoria.

Se a questão é sofismar, todos têm o mesmo direito. Fiquemos então apenas nos números. Na citada consulta digital temos um ratio de 120.000/5.000 = 24 por 1 em números redondos; no caso da recente assembleia local (arredondemos também aqui o número de docentes na UFBA, pois hoje não sei ao certo quantos somos…) e temos algo como  4.000/23 ou seja cerca de 180 por 1.

Conclua-se o que se queira…

Saudações,

Marcos Palacios
FACOM/UFBA

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 Caros

Não pude ir a Assembleia e não vou questionar o mérito de sua decisão.

Seria justo questionar números? Voltamos a outra questão: são os números ou são as instâncias?

Caso emblemático: Aceitamos então que a consulta digital do proifes que atingiu aproximadamente 5.000 votantes (em todo Brasil) e onde 3.700 (aprox.) votaram pelo acordo (saída da greve) contra mais de 120.000 professores então em greve. Aceitamos que ela foi seja justa?. Tal saída resultou no horrível acordozinho dos 3 anos que parece ter sido aceito.

Se a Assembleia não nos representa, será uma consulta digital insuflada e sem transparência que irá fazê-la?

A história de minoria e maioria me parece pouco clara para alguns, ou é utilizada conforme o argumento mais confortável, mesmo que antagônico.

Perdoem-me a expressão, mas a “chatice” da Assembleia é ainda um espaço onde a construção ocorre/pode ocorrer, onde o contraditório aparece, e não apenas o maniqueísmo digital de um SIM ou NÃO impessoal e sem compromisso que assistimos no caso citado.

Greves ou movimentos muito maiores tomaram vulto a partir de poucos.

Mesmo um movimento “pós-assembleia” (que destitua a assembleia como instância deliberativa) precisa de corpo e ação.

Att.

Marco Tomasoni
Professor Adjunto – UFBA

Instituto de Geociências

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6 Respostas to “1032 – O Pica-Pau e o Palácio em chamas”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    —————————

    Waldomiro,
    Respeito sua posição, muito bem explicitada. Mas são pontos de vista diferentes, que estão em questão, e aí a disputa se dá em determinado campo, no caso o sindical.

    Vejamos:

    1. O debate e assembléia não foram chamadas pela apub, porém os companheiros da oposição colocaram a pauta para nós e o calendário. A apub não pautou a discussão na convocatória da última assembléia . Que outro caminho teriam? Seguir as prerrogativas regimentais, dentre elas a inserção de pontos na pauta. Poderiam esperar? Não, pois a diretoria tem a prerrogativa de não chamar a assembléia e assim perderiam a oportunidade. Infelizmente colega, é assim que tem funcionado. Aí invoca-se o Vandré: quem sabe faz a hora…

    2. A pauta nacional, na sua avaliação, é difusa, interpreto como uma pauta implicada, ou seja, as questões conjunturais precisam estar em nossa plano de lutas. Universidade é sociedade. As especificidades como a melhoria das condições de trabalho, são fundamentais e devem ser negociadas localmente. Um aluno me descreveu o tamanho da sala e o aquecimento do lugar onde estuda em FCH, se é difícil para ele, não seria para o docente? Há anos peço um microfone para dar aula, termino minha semana rouca, sei que vai me prejudicar no futuro, porém, permaneço nestas condições de trabalho, não tenho sindicato para ver sequer um probleminha deste.

    3. Destaco que as entidades citadas por você, estão na mesma situação que nós porque são governadas pela proifes. Existem reações iguais em todos os lugares onde ela está. Não há disputa entre Andes e os proifenses, há usurpação, há desobediência constitucional, por parte deles. Não há como sustentar a legalidade sindical e trabalhista das entidades tomadas pela proifes. O que está em questão não é a destituição da diretoria da Apub, até poderia continuar, mas dentro do Andes, que é o nosso lugar, pela Constituição. Pede-se a destituição porque os prepostos proifenses, porque não querem atender às determinações da justiça.

    3.1- A diretoria ter permitido que o pessoal ganhasse a proposta não foi gratuito, sempre tiveram seus votos nas assembléias, pois, na hora da votação, chamavam pelo telefone. Não fizeram isto por quê? Para construir esta situação, divulgando que a oposição está boicotando as eleições. Não teria poderes para tanto.

    4. Tenho plena concordância com você quanto à questão de definir lugar do candidato no cenário sindical e disse isto aqui na lista. Entendo que o candidato deveria, no máximo, demonstrar conhecimento do problema, que não é só sindical, é institucional, e comprometer-se a analisar a situação no Consuni, posto que, o sindicato está na vida da instituição, conselhos, comissões.
    Não creio que os comentários na lista, tenham diminuído o interesse dos docentes pelas eleições, de forma generalizada. Para alguns eleitores, é importante saber de que lado o docente candidato está. Perguntar em debate é uma atitude esperada, faz parte do processo de convencimento de candidaturas. A polêmica originou-se de uma pergunta em um debate, não vejo isto como um movimento de docentes para desviar atenção do processo eleitoral, até porque, e até onde sei, não conseguiriam este intento com facilidade.

    5. Agora a questão é a eleição. No dia da paralisação, que é fato, você pode manter sua sala ativa. Só quem te pode te parar é você, pela sua vontade e/ou consciência.

    6. Eu, como você, quero manter minhas posições e convicções, isto só pode acontecer no convívio democrático. Para existir democracia temos que respeitar as leis, porque regulam nossos limites. O pessoal da apub e proifes está detonando com a justiça. Não estou no Andes, não tenho qualquer ligação com diretorias há muitos anos, logo, estou livre de qualquer interesse, para dizer o que digo e pensar o que penso. Diferente de você, acho que o lugar dos docentes da Ufba é no Andes. Sei que a proifes por sua proximidade com o governo pode conseguir o que quiser, acontece que ela não gera idéias ela copia do Andes, ajusta no manequim do governo e sai de vitoriosa, não sem antes tratorar o movimento organizado. Isto é bom? Não posso dizer que seja.

    Adorei nossa conversa. Um beijo.
    Maria Inês Marques

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    —————————

    Estimada Profa. Maria Ines Marques,

    Agradeço sua mensagem atenciosa. Conheço bem a forma e dinâmica de uma assembleia e não tenho dúvidas de que a introdução, no item “o que ocorrer”, da votação sobre a paralisação foi regular. Tanto que a direção da APUB – tão questionada – encaminhou e acatou.

    Mas tenho duas reservas:

    1) Se os proponentes estivessem avidamente preocupados com a
    “democracia”, e se esse fosse seu valor primordial, seria mais
    razoável esperar que eles fizessem a proposta de uma nova assembleia dedicada exclusivamente a esse assunto e se empenhassem para mobilizar o maior número possível de professores para debater e, caso fosse vontade da maioria, aderir à paralisação.

    Mas é claro que não era esse o valor que estava em jogo. Essa é uma mobilização da “agenda ANDES/Com Lutas”. Tive o cuidado de entrar no site do ANDES e tentar entender as motivações da paralisação (sou professor de filosofia e entender “motivações”, “razões” faz parte do meu ofício). Há apenas uma pauta difusa – direitos dos trabalhadores, melhores condições de trabalho, Copa do Mundo etc. – e não há qualquer ponto claro e distinto que justifique a mobilização.

    Mas, é claro, há um projeto de retomada da hegemonia sindical. É o que muitos colegas pregam, desde a (não-)greve passada: destituir a diretoria da APUB e refiliar a APUB ao ANDES. Em conversas com colegas da UNIFESP, UFMG e UFG fui informado de que o cenário é idêntico ao nosso.

    Não vale a pena retomar aqui as razões que levaram a grande massa dos professores de Norte a Sul do país a pular fora desse barco.

    2) Há um claro movimento de muitos docentes em desviar a atenção do debate sobre a eleição para reitor. Em vez de discutir um projeto
    acadêmico, tentam criar um tema fictício: os candidatos reconhecem ou não o ANDES como seu único e magnânimo sindicato? O bem e o mal, o certo e o errado, girariam em torno desse (falso) dilema. A paralisação, justo no dia da consulta e totalmente voltada para a “agenda ANDES”, além de ser um elemento de desmobilização do eleitorado, imporia um tolo constrangimento aos candidatos. Qualquer candidato que se apegue a isso cairá numa armadilha boba. Esse é um tema exclusivo do movimento sindical…

    Por isso, estimada colega Ines, mantenho meu desconforto em relação à decisão da última assembleia. Como sou um homem autônomo, tenho a liberdade de avaliar as decisões legais e da maioria e declarar meu assentimento ou não. Existem coisas legais ou até mesmo coisas que a maioria concorda, mas que eu, na intimidade das minhas razões, não aprovo e me sinto impedido de acatar. Este é o caso.

    Atenciosamente,

    Waldomiro Silva Filho

  3. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    —————————

    Waldomiro,

    Bom dia! Tanto no mundo sindical quanto acadêmico, existe um recurso na pauta para introduzir novos temas a serem deliberados: “O que ocorrer”.
    Existia uma pauta nacional de luta das Ifes, que, para acontecer, necessita de aprovação em assembléia. Embora o calendário de lutas tenha sido amplamente divulgado pelo Andes, os gerentes da OG proifes, negam as pautas nacionais. Deste modo, deixaram de encaminhar o debate para saber de nossa posição sobre a paralisação.

    Os 13 colegas que estiveram na assembléia, não iriam conseguir fazer nada fora do regimento. A decisão é absolutamente legal e legítima, se houve erro, não foi dos sindicalizados que foram para lá defender a proposta. O erro foi da diretoria que não anunciou as intenções do Andes, até para derrubar, poderia até ter conseguido sair vitoriosa, mas não saiu.

    Então caro colega, o questionamento deve ser feito àqueles que estão nos impedindo de atuar nacionalmente e, negando nosso direito de somar forças com a imensa maioria professores do país, que são do Andes. Que estão nos jogando uns contra os outros. Não temos inimigos, temos posições diferentes em disputa, algo próprio da democracia. É o que penso.

    Tenho certeza que você conseguirá atrair os estudantes e docentes para as urnas.

    Saudações
    Maria Inês Marques

  4. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:

    ———————————————

    [Palacios]

    A democracia é baseada na participação e não na omissão.

    Já diziam os gregos, Ghandi, Martin Luther King e talvez outros que eu não saiba:

    Não tenho medo dos gritos dos maus mas do silêncio dos bons (discordo da palavra bom).

    As assembleias continuam e continuarão sendo o instrumento universal de pratica democrática. A ausência a ela é que é antidemocrático.

    Portanto não são as assembléias que estão se tornando superadas, mas a democracia é que está sendo degenerada em fascismo, pela a omissão dos …

    [Francisco]

    ———————————————

    Bem, meu caro Prof. Francisco, se algo se pode concluir de tais números é que a Assembléia, enquanto forma e instrumento decisório acabou-se! Ou devo entender que V.Sa. continua a defender a validade da “decisão soberana”, mesmo quando tomada por 13 pessoas em nome de milhares?

    Marcos Palacios

    ———————————————

    [Palacios]

    Foram de 30 a 60 professores o número presente nas assembléias que defiliaram a APUB do Andes e fundaram o sindicato APUB.

    Na assembléia que decidio comprar a nova sede e gastar os 5 milhões em caixa sem consultar antes outra assembléia para decidir foi também dessa ordem 30 votos a favor.

    Com a diferença:

    Para decidir greve não precisa córum qualificado, maioria simples dos presentes. O regimento permite.

    Já para desfiliar e mexer no patrimõnio precisa de córum qualificado pelo regimento: 50% dos associados (na época deram 2.701) mais um reunidos em assembléia. Art. 17 do regimento.

    Que tens a dizer sobre isso?

    Ninguém é proibido de ir às assembléias. As oposições não contratam segurança para impeir a entrada com fazem a CUT e o PROIFES.

    [Francisco]

    ———————————————

    Prezados,

    Foram 13 professores. Não foram 1.300 nem 130. Foram 13 professores que decidiram que a
    UFBA não deverá ter aulas no dia 21 de maio.

    Uma vez mais, usou-se a estratégia de “mudar a pauta” para votar uma paralisação, posto
    que a assembleia não fora convocada com esse objetivo. Isso não é razoável.

    Waldomiro Silva Filho

    • Menandro Ramos Says:

      Prezado Chico,

      Essas coisas ligadas ao sindicato são complicadas, mesmo. Dificilmente alguém que não tem intimidade com as Assembleias poderá entendê-las. É mais fácil compreender os mistérios do ser, enquanto ser… Rss.

      Sds.
      Menandro

  5. osaciperere Says:

    Nota de pé de página:
    ————————-

    Para quem gosta de arquitetura, a bela edificação acima trata-se do Istana Nurul Iman, que é um palácio em que reside o Sultão do Brunei, Hassanal Bolkiah. Passando lá, suba para tomar um cafezinho…

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