1033 – Louco por Assembleia

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LOUCO-POR-ASSEMBLEIA.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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N.

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esse mundo tem de tudo. Certamente deve ter alguém louco por Assembleia, como tem gente que corre atrás de avião para ler a placa. Ver, eu nunca vi, não, porém deve ter. Mas, convenhamos, que assembleia é um porre, isso é. Ficar até horas a fio sentado desconfortavelmente, quase sempre suando como um cuscuz, já que, na maioria das vezes, o calor é insuportável… UFA! Só em pensar, a cabeça lateja… Entretanto, qual a alternativa que temos à assembleia? Infelizmente, só há o porrete e a força bruta.

Não é à toa que quem aprecia o Prof. Francisco Santana, aprecia de verdade. Espontaneamente. Sem ele pedir. Aprendi a admirá-lo pela sua dedicação e coragem em se doar pelo bem comum. Sei que muitos docentes estão pensando e andado para as assembleias. Quantos, no lugar do Prof. Chico, com duas aposentadorias – como professor da UFBA e engenheiro eletricista da Coelba -, estariam se desgastando com problemas que muitos docentes da ativa rejeitam participar, na busca de uma solução coletiva? Quantos? Sou testemunha do quanto tentaram desqualificá-lo, humilhá-lo, destruí-lo. Tenho certeza que se ele não fosse a pessoa de fibra é, já teria desistido das tais assembleias há muito tempo. Talvez o Prof. Raimundo, personagem de Chico Anísio, contando os dias para se aposentar, num completo descomprometimento com a Educação do país, não seja tão caricatural como pode parecer  num primeiro momento…

Mas, voltando às assembleias, na própria lista “debates-l”, já li de colega da UFBA, como tentativa de justificar a não participação, mensagens em que alegam ter pavio curto.  O fato de se melindrarem facilmente com as críticas, de não levarem desaforo para casa e coisa e tal, de certa forma, o blindam e justifica o não envolvimento dos mesmos nas coisas da “ágora” contemporânea. Certamente, que por muito menos do que o Prof. Francisco Santana ouviu de insultos, esses tais de “pavio curto” já estariam chamando o colega para resolver eventuais conflitos, ideológicos ou não,  no braço ou, quem sabe, até revivendo os duelos do passado “em defesa da honra”, com pistolas e tudo mais.

***

Por essas e outras,  é que gosto da lista “debates-l”. Espero que o próximo reitor não a extermine sob qualquer pretexto. Felizmente, a atual reitora cumpriu a promessa que fez, em campanha, de não sepultá-la, como os últimos diretores da APUB o fizeram com a “apub-l”: o Prof. Israel Pinheiro iniciou censurando-a, e a Profa. Silvia Ferreira a esquartejou definitivamente. Fico feliz quando vejo colegas que nunca participam de qualquer assembleia, pelo menos na UFBA, mas corajosamente se lançam a escrever verdadeiros tratados sobre a dita cuja. Isso é magnífico. Mais do que ser reitor. “Para o livre pensador, é só pensar”, diria o escritor e humorista Millôr Fernandes. É isso que fortalece a democracia e a livre expressão. Fico pensando na doideira que seria o mundo – mais ainda! -, se  apenas aos físicos e especialistas da área  fosse permitido falar em energia nuclear . Possivelmente, o Planeta Terra já estivesse se dividido em duas bandas…

Também fico feliz, ao saber que um docente envolvido em grandes e sérios projetos acadêmicos – que certamente escreverá a  verdadeira história heroica da UFBA -, se dignou a reservar alguns míseros minutos do seu precioso tempo para conhecer um pouco a história do ANDES-SN. Quem sabe não fossem as provocações feitas na “debates-l”, suas laboriosas sinapses repousariam virginais no leito sacrossanto acadêmico, sem saber sequer que “chove lá fora”!… Pena que não tenha reservado o mesmo tempo para também se informar, através de fontes confiáveis, a respeito do Proifes e das manobras para “viciar” plebiscitos por parte de seus aliados apubianos, de suas alianças, de seu modus operandi. Mas uma vez, é o Prof. Francisco que nos ensina: “Tenho divergências de princípios políticos com o ANDES, mas com a APUB/PROIFES não os tenho pois eles não têm princípios de espécie alguma. As minhas discordâncias com eles são de Ética e de moral, caso portanto de polícia ou de justiça; por isso entrei contra eles na Justiça.”

Fico feliz, finalmente, que uma Assembleia tão mixuruca de participação – inclusive não participei dela, porque estava em aula – tenha produzido tanto furdunço. Se eu tivesse sido picado pelo mosquito que picou Pollyana – menina, moça e o escambau -, talvez acreditasse que alguns colegas pudessem acordar de um sonho dogmático de muitos e muitos lustros e mergulhar numa dialética do concreto cotidiano… Patolulismo, mensalão, petismo, entreguismo, flexibilização do trabalho, produtivismo, mais-valia, Banco Mundial, globalitarismo… Bobagens, dirão alguns! Isso são coisas que plantaram na sua cabeça…

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Uma resposta to “1033 – Louco por Assembleia”

  1. Francisco Santana Says:

    Não omissão não significa, simplesmente, participar de assembleias; ou omissão significa não participar de assembleias.

    As pessoas que estão atentas aos problemas sindicais da UFBA, e têm posição firmada, e a todo movimento defende sua posição em listas de debates, órgãos colegiados de todos os tipos, e até nas aulas e nas poucas vezes que vai às assembleias faz valer sua posição, não é omissa.

    A assembleia não é uma instituição burocrática para se assinar o ponto ou ir lá votar por ordem do Reitor como já aconteceu.

    A assembleia exige não só a sua participação física mas sobretudo a sua participação política.

    Tem que se estar atento aos problemas que ocorrem em seu sindicato e a como nossos dirigentes conduzem nossa política.

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