1045 – A dança castilha

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A-DANÇA-CASTILHA.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

D.

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iria o gume machadiano: “Ao vencedor as batatas!”. Já o meu amigo de gorro e pito, vai além: ao vencedor a comemoração, o júbilo, a festa! A dança frenética – que ninguém é de ferro! E quem sabe, depois, “a parte que me toca”, “a boquinha”, o “justo quinhão”.

A cordial mensagem assinada cordialmente pelo colendo nome do Prof. Caio Castilho, me faz cair na real. Talvez a condicional ressalva “Se houve lisura no processo eleitoral como um todo, o novo reitorado tem a legitimidade do coletivo“,  consignada no e-mail dirigidoa à “debates-l”, nem proceda, uma vez que, talvez,  tenham sido miragens os apoios dos representantes dos partidos governistas e de teóricos petistas, assim como, da mesma forma, foi miragem o financiamento da campanha por patrocinadores abonados – eleitores ou não. As denúncias ocorridas – antes do resultado ser  conhecido -, da distribuição generosa de camisas e quentinhas, provavelmente nunca existiram, ou foram, não mais que o gesto cordial para com um colega servidor público, com um aluno, ou coisa que o valha. Certamente os vencedores haverão de mostrar, de maneira transparente, as solidárias doações de campanha.

Também sou obrigado a concordar com o valoroso professor e pesquisador, que a UFBA até hoje lamenta por não tê-lo conduzido à cadeira Magna de Edgard Santos: “Pobres seres medíocres capazes apenas de criarem blogs domésticos!” AH! como o pobre vaga-lume gostaria de ser o Sol!- lembrando mais uma vez a pena machadiana.

***

Abaixo, as sábias e sensíveis palavras do preclaro lume:

 

Prezados,

Este cidadão, que se esconde em uma perna, ou em mugidos não confessos, tem dificuldade em aceitar o que foi manifesto pela comunidade. Ainda ontem, este mesmo “ser”, utilizava este meio aqui para fazer propaganda do seu candidato. Legítimo. Legítimo? Agora, vez que derrotado, utiliza do mesmo meio para descaracterizar uma vitória que, se ao seu aceite, seria legítima, face à realidade objetiva, resulta agora reduzida a acordos que supõe ter ocorrido. E se tivessem ocorrido a seu favor? Legítimos seriam?

O processo de escolha é o mais adequado? Não preciso mais me manifestar sobre o tema, pois que já o fiz. E o fiz navegando “contra a corrente”.

O “ser” escondido acena com falta de lisura. Tem prova disto? Ou a falta de lisura resulta do resultado?

Ou é aquela conversa de que democracia é quando eu ganho e autoritarismo é quando sou derrotado?

Pobres seres medíocres capazes apenas de criarem blogs domésticos!

Serão capazes de passarem disto? O futuro dirá! O passado os condena!

A nova reitoria tem desafios enormes. O principal desafio, na minha modesta opinião, é o de combater a incompetência, a mediocridade e a visão burocrática. Características que, por sinal , não padecem de esterilidade. Muito pelo contrário. Se reproduzem em altas taxas.

A instituição, por vias que talvez não sejam as mais ortodoxas, deu um grito. Um grito de basta! Basta de enganação, basta de mediocridade, basta de simplificar as coisas que são complexas, basta de tentar enganar às custas de mesuras simplesmente assistencialistas, basta de, a cada vez mais, se afastar de valores acadêmicos universais em favor de promessas simplistas, demagógicas e que favorecem à mediocridade. Basta de adicionar adjetivos ao substantivo Universidade, como NOVA ou POPULAR. A instituição universitária possui já cerca de mil anos e tem o seu papel plenamente estabelecido: formar pessoas, gerar conhecimento novo e proporcionar competência, eficiência e eficácia, à sociedade que a financia, principalmente no caso de uma Uma Universidade Pública. O resto é “água de cheiro”.

O novo Reitor tem uma tarefa difícil!

Que tenha sucesso!

Cordialmente,

Caio Castilho.

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Leia também:

As quentinhas eleitorais

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4 Respostas to “1045 – A dança castilha”

  1. Saci-Pererê Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ———————————–

    1) A voz do povo é a voz de Deus. Alguns exemplos:

    a) A ascensão do nazismo na Alemanha. Na última eleição da Alemanha, inclusive com urnas nos campos de concentração, Hitler teve 90% de aprovação.

    b) Pilatos perguntou a turba quem deveria ser poupado. A turba respondeu: Soltem Barrabás.

    c) O Cavalo de Tróia. Cassandra se opôs à entrada do cavalo, mas a maioria dos troianos aprovou. A literatura grega fala também de um tribuno troiano que se opôs e lançando sua lança no cavalo disse: Olhem, ela treme. Mas prevaleceu a maioria.

    d) Recentemente a população de bairro de S. Paulo assassinou barbaramente uma doméstica baseada num boato falso.

    e) Sobre esse tema tem também a fábula de Esopo: As rãs buscam um rei para elas. Essa é bem aplicável a certas eleições.

    Não é que a voz do povo não seja a voz de Deus. É que Deus às vezes é sádico.

    2) Quando o ilícito vira normalidade e toma ares de lisura.

    Eu me lembro que as esquerdas e principalmente o PT combatiam o financiamento de campanhas pelo poder econômico. Há ainda petistas que defendem o fim do financiamento desigual das campanhas.

    O grande diferencial entre esquerda e direita nas eleições, é que os fiscais e a boca de urnas da direita recebiam lanches, transporte e um adicional em dinheiro, enquanto os das esquerdas o faziam voluntariamente sem ganhar nada. Quanto ao uso da máquina governamental a lei da ficha limpa proíbe ou proibia, levando alguns prefeitos e governadores a perderem seus mandatos.

    Mas hoje essa diferença entre a esquerda e direita parece que desapareceu.

    Francisco Santana
    Prof. Aposentado da UFBA

  2. Ângelo Guimarães Says:

    Meu Deus do céu! Caio Castilho agora virou também esquerdinha! Onde vamos parar com tanta adesão? Vai ter pró-reitoria pra tanta gente assim, ou Salles vai passa o calote?

  3. Saci-Pererê Says:

    Circulou na “faced-l”:
    ———————————-

    Pessoal,

    Vou fazer uma breve reflexão sobre o que representa o Saci para mim, isto porque me pergunto as razões para tanta idiossincrasia contra o personagem. Se pensarem bem, ele é atentadinho, arisco, some e aparece quando quer. O nosso tem até um Pica-pau de assistente.

    As colocações do Saci, são deslocamentos necessários ao exercício da crítica, é fruto de uma pessoa criativa que pensa, que é lúdica, que transgride a forma convencional de se manifestar. Mas não se pode insinuar que as atitudes do personagem se confundam com o ilustre criador. Um acadêmico dedicado ao seu campo de conhecimento, um colaborador de primeira linha no âmbito institucional. Cuidado para não confundir criador com criatura.

    O Saci nos ajuda nos ajuda a sair do lugar, nos tira do conforto de uma verdade aparente, que também pode não ser verdade. Desloque-se, descubra a sátira que desequilibra, que provoca reações em ti e em nós. O efeito paralaxe, é este deslocamento mágico, que temos por um breve tempo, que nos permite ver o que não está ali, estando. É o que a criação de Menandro me sugere.

    Quem fala o que quer, ouve o que não quer, diz o ditado. Por isto acho que o Saci quer respostas, manifeste-se. Não poderia ser de outra forma, mas, não machuque o criador com tanta ira, inclusive porque, a criatura é imaginária…em paralaxe…

    Saudações
    Maria Inês Marques

    • Saci-Pererê Says:

      Circulou na “debates-l”:
      ——————————–

      Concordo Maria Inês. O Saci é um suspiro de uma universidade que se distancia da crítica, sempre argumento isso com aqueles que tentam desqualificá-lo.

      Abraços

      Luiz Freire

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