1063 – O rei, a rainha e o valete da Copa

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LULA-DILMA14

Para o Saci, tanto no carteado quanto na política, a Dama de Copas pode “estar pra cima ou pra baixo”, assim como uma presidente na Copa, pode ser aplaudida ou vaiada. O mesmo pode se dito do rei, do valete e de outras cartas do baralho…

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Q.

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uem disse que não haveria copa, perdeu. E perdeu feio. Segundo o Saci, a presidente Dilma mostrou para que veio. Primeiro, acionou os seus já conhecidos financiadores de campanha, qual bancos, empreiteiras, construtoras e outros bichos, para a construção pesada da infraestrutura e o provimento dos recursos financeiros e patrocínios milionários. Depois, foi a vez de convocar os papas da comunicação para a construção simbólica midiática. Finalizando, para arrematar tudo e assegurar a ordem das pelejas, convocou as Forças Armadas e outras armas menores para inibir os protestantes dos gastos da Copa, justos ou não.

De cabo a rabo, o verde-amarelo da seleção canarinha se espalhou pelo país do carnaval e do futebol. De palacetes suntuosos a humildes choupanas, lá está o lábaro estrelado a tremular garboso e ufanista – “porque me orgulho do meu país” –  , a confirmar o que o patriótico hino vaticina: Verás que um filho teu não foge à luta, nem teme a própria morte quem te adora. Ainda que nem sempre a Pátria Amada (Salve, Salve!) venha cuidando dos seus filhos como qualquer boa mão o faria… Mas isso não é assunto para ser discutido em dias de festa de gala. Afinal, para que existem as partes  baixas dos tapetes? – perguntaria o Saci piscando o olho direito.

O verde das matas e o amarelo do ouro fazem luzir os olhos e trazem esperanças aos corações dos que vivem do comércio, da indústria hoteleira e outras carpintarias afins, além da indústria cultural e publicitária. Dos pequenos camelôs de bugigangas verde-amarelas às grandes redes de supermercados e shoppings – mercadores de bens luxuosos, nem sempre acessíveis à massa ignara -, o sorriso se escancara no rosto: Copa is money! Calçados, roupas, perucas, adornos diversos, alimentos, bebidas brinquedos, veículos, bandeiras, bolas, utensílios caseiros, eletrodomésticos, preservativos, livros, revistas, objetos decorativos e um sem número de quinquilharias e bugigangas semi-inúteis que podem ser tingidas de verde-amarelo, potencialmente, são itens comercializáveis e quiçá lucrativos. Tanto é que as programações das emissoras televisivas sabem  disso, a exemplo do “Jornal da Manhã” Global, do “Mais Você”, do “Bem Estar”, do “Encontro com Fátima Bernardes, só para citar alguns dos principais programas da Vênus Platinada, emissora oficial da Copa, apinhados de ricos comerciais e propagandas milionárias do governo federal. Estas pagas regiamente com o dinheiro do contribuinte, lamentavelmente sem a devida autorização.

Não é de hoje que o esporte e os jogos olímpicos se prestam a propagandear projetos de poder. Da Grécia antiga aos dias de hoje, muitas coroas de louro serviram de pretexto para o marketing político. Alguns, é verdade, completamente desastrados, qual o que vitimou Adolf  Hitler, nos Jogos Olímpicos de Berlim,  em 1936, quando um negro jogou por terra o mito da supremacia ariana…

Como o movimento do real às vezes se torna imprevisível e incomensurável, nem sempre os planos de uma intelligentsia política cartesiana acertam o alvo com tanta precisão. No caso do governo nazi alemão, a impecável logística montada não contava com o imponderável, e a propagando política do regime do Führer acabou dando com os burros n’água. Para a felicidade dos sobreviventes.

Em outros contextos em que a propaganda política faz dobradinha com a publicidade comercial, pode ocorrer que uma das esferas saia exitosa e outra não. E vice-versa.

O certo é que, segundo um grande carteado que conjuminou o meu amigo de gorro vermelho e pito, qualquer que seja o resultado da Copa do Mundo nas Terras de Pindorama, cavada maestralmente por D. Luiz Inácio Lula I e executada pelo pulso forte de Sua Alteza e Sereníssima Rainha Dilma Vana Rousseff, qualquer que seja o resultado da parada, o talentoso jogador Neymar da Silva Santos Júnior – que pode ser tranquilamente comparado a um eficiente Valete de Copas -, vai levar a melhor, pois o dito cujo, além de ter sua sua conta bancária astronomicamente estufada, como num conto de fadas, leva para os domínios do seu coração uma das mais hermosas muchachas do reino, já que a propaganda – que é a alma do negócio -, valorizou o seu passe…

O curioso disso tudo, segundo observa o Saci, é que a figura do “valete” (do francês valet), sempre ligado a  “reis” e “rainhas”, fosse qual fosse o naipe, ou brasão nobiliárquico, designava a figura masculina de um empregado doméstico de uma casa senhorial do baixo medievo ou de um castelo da nobreza real do século XIX.

Talvez seja o caso de dizer, segundo o Saci, que a “classe operária” está indo ao Paraíso. E bem acompanhada, diga-se de passagem…

 

NEYMAR-VALETE-2014Segundo o Saci, para as emissoras televisivas é sempre rentável cultivar e investir nos “fenômenos” futebolísticos, catalisadores que são dos “plimplins” das caixas registradoras…

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