1101- Elite pensante, pero no mucho

.DUNGA

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 Francisco Santana
Prof. Aposentado da UFBA

T.

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odos os assuntos são importantes. Mas existe o que se chama prioridade dado o momento e a objetividade.

Poderíamos listar milhares e milhares de assuntos, todos importantes, como, por exemplo, a contratação de Dunga para a seleção, mas por que determinados assuntos suscitam a atenção imediata de muitas pessoas e outros não?

Por exemplo: Está circulando a um bom tempo na internet que hoje, dia 24, se expira o prazo para o Brasil denunciar a Convenção 169 ou, então, os brasileiros poderão perder direito sobre 50% do território da Amazônia.

Eu denunciei, e não foi a primeira vez, esse fato na lista, e não houve eco. Entretanto assim que se falou de lixo, várias vozes se levantaram.

Não é, portanto, que lixo não seja importante, mas porque ele é mais importante do que a perda de 50% da Amazônia a partir de hoje.

Há anos eu denuncio a necessidade de se discutir o problema da dívida pública, que inclusive se não se resolver esse problema não se poderá resolver o do lixo, o de nossos salários, o de nossas aposentadorias, da educação, saúde etc. Entretanto ninguém nessa lista de debates o acha importante como o do lixo.

Da mesma maneira, o problema da urna eletrônica. Cada vez mais se evidencia que ela não é confiável. Entretanto se aproximam as eleições e nós iremos depositar o nosso voto sem a certeza que ele será computado para o nosso candidato. Mas ninguém na UFBA quer discutir essa questão.

E há muitos professores de informática na UFBA. Existe um departamento especializado nessa área.

A matéria lixo deve ser estudada na UFBA em engenharia ambiental ou Engenharia Sanitária (ou hidráulica, não sei, já estou desatualizado). Não sei se existe um departamento especializado só para esse assunto. Mas acho que não tem tantos doutores especializados nesse assunto quanto como em Ciência da Computação. E suspeito que não são esses especialistas sanitarista que estão querendo discutir o assunto lixo nesta lista.

Além disso, os temas com, Dívida Pública, Amazônia etc. são temas relevantes e estratégicos políticos que nossos governantes precisam do apoio do cidadão e, principalmente, de nossas elites formadoras de opinião para enfrentar forças poderosas, principalmente internacionais para resolvê-los. Já a questão do lixo, as forças que se opõem à sua solução não são tão poderosas assim.

E como são assuntos estratégicos e polêmicos (dívida pública, etc.) sofrem uma tremenda censura dos meios de comunicações oficiais, o que não acontece com o tema lixo.

Daí não são só os governantes que precisam de nosso posicionamento urgente, mas a maioria da população altamente carente em informação.

Ao não se pronunciar sobre esses assuntos estratégicos, a elite pensante (créditos a Caio) está sendo cúmplice com a censura sobre esses assuntos.

Essa síndrome da lista é muito parecida com uma certa síndrome das reuniões das empresas. Nas reuniões de discussão do orçamento das grandes empresas, o tempo gasto de discussão num item é inversamente proporcional à importância financeira ou econômica do item.

Por exemplo, se o conselho da PETROBRAS se reúne para aprovar o seu orçamento o item compra de uma plataforma marítima é aprovado em poucos minutos; já vem com um relatório pronto feito por especialistas e que nem precisa ser lido integralmente, pois todos confiam em quem fez o relatório. Quando passa para a compras de carros, aí já demora mais, pois representantes de vários setores opinarão. E finalmente quando chega a discussão sobre a verba do cafezinho, se o presidente da mesa não tiver pulso forte a reunião se prolonga pelo dia todo.

DILMA-E-GABRIELLI

Ora, dirão, é porque todos tomam cafezinho. Ledo engano. Há muitos que não tomam, mas aproveitam o ensejo para pedir para substituir o cafezinho por chá verde; outro divergirá e defenderá chá de ginseng, outro chocolate etc.

Os psicólogos da empresa dizem que se explica pelo fato de que as grandes discussões acontecem sobre assuntos em que se exige pouco comprometimento, pouca responsabilidade e até pouco conhecimento.

Mas para não dizer que tenho má vontade contra o tema, se novamente voltar à baila tentarei dar a minha humilde contribuição sobre tão aplaudido tema dessa lista. A maioria manda. Mas por enquanto parece que também o lixo perdeu o atrativo inicial.

Reflitamos também sobre lixo, pois refletir é preciso (Prof. Caio).

Enquanto isso a Amazônia, a dívida pública, a urna eletrônica e outros assuntos de somenos importância podem esperar pela boa vontade das nossas elites pensantes.

ESFINGE-DA-URNA

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