1130 – UFBA: Batismo de sangue da nova gestão

C.

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ertamente, o novo reitor da UFBA, já sabia, mas confirma o que ele talvez só tivesse uma vaga ideia: administrar uma universidade não é tarefa fácil. O incidente do estudante baleado na Politécnica por estar pichando uma parede, atesta isso. E lá se vai o magnífico reitor, recentemente empossado, sair das suas nobres lides acadêmicas para se envolver com a banalidade violenta do cotidiano por dever de ofício. Assim, de forma lamentável, pode-se dizer, que foi o batismo de sangue de sua administração, bem diferente da bela e concorrida cerimônia de posse que aconteceu na última segunda-feira. Felizmente, o estudante passa bem.

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Por coincidência, a última vez que estive em São Lázaro – e fui orientado cordialmente pelo Prof. João Salles, então diretor do Curso Filosofia, quando eu procurava uma determinada sala -, foi justamente para me juntar a outros membros de uma banca que examinaria a apresentação (defesa, para muitos) de uma dissertação de mestrado de um orientando do Prof. Antônio Câmara. Por sinal, um trabalho muito interessante, do qual alegrei-me bastante de ter participado como examinador. O trabalho tratava  justamente sobre a grafitagem em vias públicas…

O lamentável ocorrido na Escola Politécnica/UFBA, reflete o cotidiano que os cidadãos estão acostumados a conviver, seja no plano micro, seja no plano macro. Os recentes ataques do governo de Israel contra o povo palestino, ilustra bem a desproporcionalidade de força empregada pelo mundo afora. No mês passado (dias 6 e 9 agosto), os japoneses lembraram os 69 anos dos ataques da aviação estadunidense às cidades de Hiroshima e Nagasaki, inaugurando a temida Era das mortíferas armas atômicas. Em nível local, quem tem boa memória não terá dificuldade em lembrar a desproporcionalidade do aparato de repressão do Estado brasileiro para repelir as manifestações de junho de 2013, que contestavam os gastos do governo federal com a Copa do Mundo. E isso para não mencionar a desproporção policial que ocorre cotidianamente contra, principalmente, o trabalhador pobre e negro…

As manifestações de repúdio dos quadros de mando da universidade contra o ato brutal praticado por um segurança armado contra um estudante do Curso de Ciências Sociais da UFBA, provavelmente, não estarão isoladas de outras providências que a Administração Central da universidade, ora empossada, com certeza irá agendar para discutir sobre a segurança dos campi da UFBA e da formação adequada dos terceirizados, inclusive no que diz respeito ao atraso dos seus proventos, tão comuns nos últimos tempos.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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Abaixo, algumas imagens geniais providenciadas na rede pelo meu amigo de gorro vermelho e pito acerca da arte da grafitagem. Aliás, ele me lembra sempre que a grafitagem de boutique é a pichação domesticada…

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