1173 – Quero você!

 

.Quero você
.

 

Assim escreveu o meu amigo de gorro e pito, e eu torno públicas as suas “escrivinhagens”:

 

P.

ode-se dizer que, de um modo geral, enquanto a população amarga os problemas do seu dia a dia, com saúde precária sem tratamento condigno, desemprego, falta de segurança, educação escolar pífia, déficit habitacional, mobilidade urbana estrangulada etc, etc, etc – os políticos vão cada vez melhor obrigado. Vamos combinar, desde já, que a propaganda televisiva não terá aqui o poder de substituir a realidade, por mais que valham prêmios para os seus “conceptores”, diretores e equipe técnica.

Quando o cidadão comum é alçado, pelo voto, a uma cadeira parlamentar, sua vida muda como que da água para o vinho, ou para a boa cerveja estupidamente gelada – acompanhada, claro, de queijo do reino ou salmão defumado, entre outros divinos petiscos… Ou de tudo junto, quem sabe!

Por exemplo, à guisa se ilustração, só para sair da metafísica escolástica, a nobre deputada federal baiana, Alice Portugal, do PCdoB, tem um patrimônio, recentemente divulgado pela mídia, de  mais de 1 milhão de reais. Se ela não recebeu alguma herança ou se não tirou uma graninha extra na loteria, tudo foi obtido através da política. E olhe que ela é de um partido que se intitula “comunista”… Sem fazer apologia da miséria e da pobreza, há de se convir que é um patrimônio respeitável, se for considerar  a fortuna dos que a elegeram… É, simplesmente, desproporcional, como diria a presidente Dilma quando se referiu à força empregada por Israel contra o povo palestino.

E aqui é bom frisar que o patrimônio da ilustre deputada não é, ao que se supõe, fruto de cambalachos, de subornos, de mensalões. É tudo “beleza pura” dentro dos conformes e da lei. Bem verdade, leis feitas por eles próprios, os nobres deputados… Isso lá é.

É bom lembrar também que nem sempre o legal é moral. Evidentemente, não se pode compará-la  a tipos preconceituoso, homofóbicos, truculentos ou até mesmo “bobalhões espertos”   como os deputados Feliciano, Bolsonaro, a turma da bancada da bala, Tiririca, só para citar alguns. Isso não. O discurso da nobre parlamentar aludida é bastante progressista e aparentemente em defesa do trabalhador. Ocorre que o tempo ou as circunstâncias, ou sabe-se lá mais o quê, foram domesticando o espírito  outrora insurgente da nobre deputada Alice Portugal, fazendo-a atuar de forma mais veemente apenas em ambientes fechados e sem maiores repercussões, como em um encontro de aposentados promovidos pela diretoria governista da APUB. Não se tem notícias, durante esse tempo todo em que ela se tornou aliada do governo petista –  portanto parlamentar da situação -, de uma contraposição que a pudesse remeter aos primórdios da sua militância bonita e combativa. O tempo fez murchar a bravura indômita da deputada. Ou eu estou mal informado…

Percebe-se, com tristeza, que as partidas em favor do trabalhador, no grande futebol da mais-valia, não têm seus resultados alterados. É sempre o capital que leva a melhor. No máximo, o trabalhador consegue acertar algumas bolas na trave. O grande evento da Copa do Mundo de 2014 pode confirmar a ponta desse grande iceberg de ilusões, com verdadeiras goleadas do capital financeiro, através da construção de grandes estádios e a canalização de recursos públicos para os barões da construção civil… Quanto ao povo, ah! o povo se vestiu das cores da bandeira brasileira, torceu e sofreu, bem distante dos palcos luminosos, reservados apenas aos bem abonados financeiramente…

A impressão que se tem é a de que tudo não passa de um palco armado e lindamente iluminado, não sei por quem,  para que se tenha a ilusão da mudança, sem que uma única palha seja movida. E tudo com o propósitos de assegurar a manutenção de privilégios para os de sempre, qual um acerto entre cartolas de times esportivos competidores para alternar o destino da renda das bilheterias, e criando o consenso da importância da chama acesa do espírito olímpico e desportivo,  com o fito especial da manutenção dos estádios cheios.

Moral da história: você milita, vota, acredita, mas a realidade continua perversa para os pobres e oprimidos. Dessa forma, o retorno que os políticos de esquerda têm dado ao povo brasileiro é irrisório e, ao mesmo tempo, ilusório. Mas uma coisa é certa: a saúde de suas finanças pessoais vai muito bem obrigado.

E é por essas e outras que não se aposta na queda do voto em branco e nulo ou nas abstenções dos que já passaram dos 70 anos, ainda que elas estejam ocorrendo cada vez mais. Teme-se a sua divulgação e o efeito dominó que eles produzirão país afora, pois informação é tudo. Ou quase isso!…

Portando, a ordem veio de cima: “Eu quero que você não anule seu voto“!

———————-

Leia também “Os deputados que nadam no din-din“.

 

 

 

 

Anúncios

3 Respostas to “1173 – Quero você!”

  1. Osmário Rezende Leite Says:

    Preciso de dois esclarecimentos:
    1) Sempre soube que apenas os votos em branco são computados para o candidato que está na frente. Mas tenho recebido mensagens dizendo que voto nulos e brancos contam para quem está na frente. As normas mudaram ou são mensagens propositais para confundir o eleitor e forçá-los a votar?
    2) Como ter a certeza que estou votando nulo nestas urnas eletrônicas? Que número deve-se digitar? Qual os dígitos caracterizam o voto em branco? Quero ter a certeza de estar votando nulo, apesar de saber que estas urnas não são confiáveis (como já demonstraram professores da UNB e UFMG).

    • osaciperere Says:

      Prezado Osmário,

      Creio que artigo abaixo esclarecerá suas dúvidas. Destacaria o excerto “os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística“.

      ——————————-

      Voto nulo e novas eleições

      Polianna Pereira dos Santos1

      De dois em dois anos, em eleições municipais ou regionais, sempre surge alguém para hastear a bandeira do voto nulo, declarando a finalidade de promover a anulação do pleito. Já passou da hora de superar essa ideia e entender, de fato, qual função pode ser atribuída ao voto nulo e ao voto em branco.

      Para os defensores da campanha do voto nulo, o art. 224 do Código Eleitoral2 prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país. O grande equívoco dessa teoria reside no que se identifica como “nulidade”. Não se trata, por certo, do que doutrina e jurisprudência chamam de “manifestação apolítica” do eleitor, ou seja, o voto nulo que o eleitor marca na urna eletrônica ou convencional.

      A nulidade a que se refere o Código Eleitoral decorre da constatação de fraude nas eleições, como, por exemplo, eventual cassação de candidato eleito condenado por compra de votos. Nesse caso, se o candidato cassado obteve mais da metade dos votos, será necessária a realização de novas eleições, denominadas suplementares. Até a marcação de novas eleições dependerá da época em que for cassado o candidato, sendo possível a realização de eleições indiretas pela Casa Legislativa. Mas isso é outro assunto.

      É importante que o eleitor tenha consciência de que, votando nulo, não obterá nenhum efeito diferente da desconsideração de seu voto. Isso mesmo: os votos nulos e brancos não entram no cômputo dos votos, servindo, quando muito, para fins de estatística.

      O Tribunal Superior Eleitoral, utilizando a doutrina de Said Farhat3, esclarece que “Votos nulos são como se não existissem: não são válidos para fim algum. Nem mesmo para determinar o quociente eleitoral da circunscrição ou, nas votações no Congresso, para se verificar a presença na Casa ou comissão do quorum requerido para validar as decisões4.”.

      Do mesmo modo, o voto branco. Antigamente, quando o voto era marcado em cédulas e posteriormente contabilizado pela junta eleitoral, a informação sobre a possibilidade de o voto em branco ser remetido a outro candidato poderia fazer algum sentido. Isso porque, ao realizar a contabilização, eventualmente e em virtude de fraude, cédulas em branco poderiam ser preenchidas com o nome de outro candidato. Mas isso em virtude de fraude, não em decorrência do regular processo de apuração.

      Hoje em dia, o processo de apuração, assim como a maneira de realizar o voto, mudou. Ambos são realizados de forma eletrônica, e a possibilidade de fraudar os votos em branco não persiste. O que se mantém é a falsa concepção de que o voto em branco pode servir para beneficiar outros candidatos, o que é uma falácia.

      O voto no Brasil é obrigatório – o que significa dizer que o eleitor deve comparecer à sua seção eleitoral, na data do pleito, dirigir-se à cabine de votação e marcar algo na urna, ou, ao menos, justificar sua ausência. Nada obstante, o voto tem como uma das principais características a liberdade. É dizer, o eleitor, a despeito de ser obrigado a comparecer, não é obrigado a escolher tal ou qual candidato, ou mesmo a escolher candidato algum.

      Diz respeito à liberdade do voto a possibilidade de o eleitor optar por votar nulo ou em branco. É imprescindível, no entanto, que esta escolha não esteja fundamentada na premissa errada de que o voto nulo poderá atingir alguma finalidade – como a alardeada anulação do pleito. Se o eleitor pretende votar nulo, ou em branco, este é um direito dele. Importa que esteja devidamente esclarecido que seu voto não atingirá finalidade alguma e, definitivamente, não poderá propiciar a realização de novas eleições.

      ———————————————

      1 Bacharela em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Especialista (pós-graduação lato sensu) em Ciências Penais pelo Instituto de Educação Continuada na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (IEC PUC Minas). Assessora da Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais (PRE/MG). Professora de Direito Eleitoral na Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete (FDCL). E-mail: poliannasantos@gmail.com

      2 Art. 224. Se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 a 40 dias.

      3FARHAT, Said. Dicionário parlamentar e político. São Paulo: Melhoramentos; Fundação Peirópolis, 1996. 1 CD-ROM.

      4 Disponível em: . Acesso em: 26 maio 2013.

  2. Alice Portugal Says:

    Brasília, 15 de outubro de 2014.

    Ilmo. Sr.
    Professor Menandro Ramos
    Faculdade de Educação da UFBA

    Senhor Professor,

    Hoje, dia em que comemoramos o Dia do Professor, tomei conhecimento de que Vossa Senhoria teria publicado em um blog, do qual se apresenta como “assessor”, um texto contendo comentários maldosos e irônicos contra mim. Soube que tal texto teria sido enviado a uma longa lista de endereços eletrônicos da Universidade Federal da Bahia.
    Esta informação despertou minha curiosidade e fui até o blog “osaciperere.wordpress.com” para me inteirar do conteúdo da publicação de Vossa Senhoria. Deparei-me com um texto jocoso, no qual o ilustre professor faz inferências caluniosas sobre meu suposto patrimônio, tomando por base tabela divulgada pelo diário “A Tarde”, que por sua vez foi buscar as informações nas declarações de renda apresentadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral.
    Primeiramente, a título de esclarecimento, reproduzo abaixo carta que enviei à jornalista Mariana Carneiro, diretora de redação do jornal.

    “Brasília, 09 de outubro de 2014.

    Ilma. Sra.
    Mariana Carneiro
    DD. Diretora de Redação do Jornal A TARDE
    Salvador – Bahia

    Senhora Diretora,

    Cumprimentando-a cordialmente, dirijo-me a Vossa Senhoria para fazer correções em reportagem publicada na página B2 do jornal A Tarde desta quinta-feira, 09 de outubro, assinada pelo jornalista Rodrigo Aguiar, intitulada “Milionários baianos vão ocupar vagas no parlamento”.

    Embora o texto da matéria não faça referência ao meu nome, a tabela ao lado ilustra com números o propósito da reportagem, que é fazer uma interpretação simplista de quais seriam os parlamentares baianos que poderiam ser considerados milionários, uma vez que seu patrimônio excedesse o valor de um milhão de reais.

    A mesma fonte consultada pelo repórter, a declaração de bens feita à Justiça Eleitoral, evidencia que meu patrimônio consiste em uma única casa, financiada pela Caixa Econômica Federal em 329 parcelas, cada uma delas no valor de R$ 5.968,49, das quais paguei apenas 27 parcelas.

    Referida casa, no bairro da Federação, que não consta da lista de bairros nobres de Salvador, foi adquirida com a venda de um pequeno apartamento situado no bairro do STIEP, e com este financiamento, cuja cópia do contrato consta em anexo.

    A soma dos valores das prestações, em função dos juros e do prazo de parcelamento, excede em muito o valor do imóvel e trata-se do único patrimônio que possuo depois de vinte anos de mandato parlamentar, o que comprova que, longe de ser milionária, sou uma deputada cujo patrimônio condiz com sua remuneração e seu tempo de trabalho e de mandato parlamentar.

    Encareço a Vossa Senhoria que esta retificação seja publicada no jornal A Tarde, uma vez que, pelo grande prestígio deste conceituado jornal, muitos podem ter uma visão errônea dos fatos apenas com a leitura da matéria.

    Certa da atenção de Vossa Senhoria, agradeço e despeço-me.

    Atenciosamente,

    Alice Portugal
    Deputada Federal”

    Além de informar a Vossa Senhoria sobre o pedido de retificação que fiz ao jornal “A Tarde”, quero fazer algumas considerações sobre sua publicação e sobre o juízo de valor que o ilustre professor fez desta deputada.
    É no mínimo estranho que um professor que se diz de esquerda e se apresenta como defensor de altos valores morais e éticos dê total credibilidade a uma matéria publicada na grande imprensa e passe a fazer insinuações sobre o patrimônio de uma deputada reconhecida em toda a Bahia por sua defesa de bandeiras que não fazem parte da pauta abraçada pela grande imprensa.
    Caso todos tivessem a mesma postura do ilustre professor, tomariam como verdade absoluta as acusações que recentemente fizeram os grandes jornais e as televisões contra militantes do Psol e do PSTU que participavam de manifestações em São Paulo e Rio de Janeiro, atribuindo-lhes crimes de vandalismo, formação de quadrilha, porte de explosivos, incitação ao crime etc.. Não penso desta forma, conheço bem os barões da mídia brasileira.
    A imprensa tem lado, todos nós sabemos. E há tempos trabalha unificada numa verdadeira campanha de criminalização da política, tentando vender como iguais os desiguais. Existem muitos que, por oportunismo e má fé, fazem coro a esta campanha sórdida, corroborando com as calúnias assacadas contra quem não reza por suas cartilhas. Acompanham os jornalões em sua marcha contra os governos progressistas de Lula, Dilma e Wagner, mas são especialmente condescendentes com os governos de direita como o de ACM Neto, em Salvador. Portam-se como a “esquerda que a direita gosta”, até porque, constumam ser aliados nos momentos de embates contra o PT e o PCdoB. Séculos atrás, em guerras passadas, gente desse tipo ficou conhecida e estigmatizada como “quinta coluna”, pelos serviços que sempre prestavam aos inimigos.
    As referências irônicas que Vossa Senhoria faz sobre minha postura diante dos governos Lula, Dilma e Wagner, vaticinando textualmente que “O tempo fez murchar a bravura indômita da deputada”, decorrem da visão política do ilustre professor e de seu engajamento partidário, hoje mais próximo dos partidos do espectro direitista do que das agremiações partidárias progressistas e de esquerda. Quem vê com olhos deformados enxerga deformidade naquilo que não é espelho. Quem trabalha em aliança com a direita, passa a enxergar virtudes em conhecidos reacionários e inimigos do povo e defeitos nos que sempre se postaram ao lado da maioria da população, na defesa de seus direitos.
    Ao longo de minha vida parlamentar jamais tive meu nome envolvido em qualquer escândalo ou em qualquer episódio que manche minha história de lutas. Pelo contrário, sou sempre das primeiras a denunciá-los e a exigir punições quando houver culpa comprovada. Tenho orgulho dos votos que dei em defesa da educação, do funcionalismo e contra a reforma da previdência, mesmo contrariando orientação do governo. Sou e continuarei sendo uma deputada vinculada às lutas da educação, do serviço público, da mulher, das liberdades e da democracia. É assim que me conhece a comunidade universitária da UFBA.
    Atenciosamente,

    Alice Portugal
    Deputada Federal – PCdoB/BA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: