1282 – Pega ele aê: Luiz Caldas na UFBA

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Luiz-Caldas-2015.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

F.

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oi durante uma reunião no EduCanal, da FACED, que soube que Luiz Caldas iria cantar na UFBA. Algumas pessoas presentes já estavam no embalo de Axé. Não havia mais clima para discutir nada. Mal eu saí da sala, o Saci – que me espreitava sinistramente -, deu as caras.

– Chefia, queria lhe pedir uma favor!

– Se eu puder lhe atender, Saci…

– Você pode, sim! É só para entregar esse troço aqui a Luiz Caldas, lá no Campus de Ondina!

– E quem lhe disse que eu vou?

– Como não vai?

– Não indo, ué!

Sua cara de decepção deu-me pena. Pensei que alguém do EduCanal podia servir de “correio”. Ainda corri para tentar falar com um dos participantes da reunião, porém não havia mais viva alma no corredor.

Meio desapontado ele balbuciou:

– Puxa! Você não vai mesmo? Pensei que houvesse uma convocação – obrigatória portanto! -, da administração central da UFBA aos alunos, professores e técnicos…

– Que maluquice é essa Saci? Onde já se viu obrigar alguém a comparecer a um show?

– Ô! Sei lá! Do jeito que a coisa anda, meu caro, nada me surpreende neste país! Ainda mais que a UFBA há muito tempo perdeu a sua radicalidade crítica…

Ocorreu-me, então, perguntar-lhe o que ele queria entregar ao cantor.

nada não! Era só um trechinho da “Estética do Oprimido” de Boal. Queria que Luiz Caldas tomasse conhecimento… – e dizendo isso foi-me passando um envelope reutilizado, contendo meia folha de papel ofício dentro.

– Aproveite e leia, chefia.

Não me fiz rogado, curioso que fiquei. Li atônito o que estava desenhado com “letra de professora”:

” O Pensamento Sensível é arma de poder – quem o tem nas suas mãos domina. Por isso, os opressores lutam pela posse do espetáculo e dos meios de comunicação de massas, que é por onde circula e se impõe o pensamento único autoritário.

Quando exercido pelos oprimidos, o Pensamento Sensível é censurado e proibido – eles não têm direito à sua própria criatividade: máquina não cria. Aperta-se um botão… e produz. Podem ser usados como macaquinhos de realejo em programa de auditório…”
(Augusto Boal – A Estética do Oprimido, p. 18).

PS: Canalize sua genialidade, Caldas, para a Arte Emancipadora! “Nega do Cabelo Duro” é bullying para divertir perversamente o senhorzinho na Casa Grande…

Quando terminei a leitura, fiquei que nem um pimentão vermelho. Dei graças aos céus por não ter encontrado alguém para levar aquela coisa deselegante ao Pai do Axé. Sobretudo o desconcertante post scriptum. Afinal, a UFBA devia saber de sobra o que estava fazendo ao convidar o talentoso cantor e genial instrumentista para a sua calourosa. Mas ao erguer a cabeça do papel para passar-lhe um sermão, ele já havia desaparecido. Não sem antes, porém, de lambuzar meu monitor de marcas de batom de cor violeta…

Ah! Salafrário de uma figa!

BATON-NO-MONITOR-2015

 

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