1315 – Viver não cabe no Lattes

Lattes 1

Para o Saci, há quem desminta o “spray” da foto acima…

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O que uma imagem (enviada pelo Prof. Francisco Santana) não pode desencadear? Uma fusão ou fissão de um núcleo duro? Sabe Deus!…

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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O.

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saudoso Felippe Serpa, professor da Faculdade de Educação e ex-reitor da UFBA, costumava brincar dizendo que a maior “desomenagem” que se podia prestar a César Lattes, notável físico brasileiro e co-descobridor do méson pi, era a de batizar o sistema utilizado para cadastrar cientistas, pesquisadores e estudantes com o nome de “Plataforma Lattes”…

Brincadeira à parte, e, quem sabe, até um pouco de exagero sarcástico do querido Pajé da FACED, tenho ouvido inúmeras críticas à Plataforma Lattes. Deliberadamente, deixei de fazê-la de repositório da minha “produção” acadêmica, intelectual e artística pelo menos há cinco anos. Optei pelas velhas caixas de camisa, utilizando-as como depósito de alguns certificados de minhas participações em eventos acadêmicos e pelo grande repositório virtual cibernético, correndo conscientemente o risco do ataque das traças e dos não menos impiedosos crackers ciber-heréticos, já que a Terra está solta no espaço, e também considerando que viver é um permanente risco de partir bruscamente para o infinito…

Recentemente, fui convidado por uma colega a participar de uma reunião em que se discutiria os critérios de “produtividade” da Capes.  Não disse que sim, e não disse que não participaria. Preferi dizer que estaria primeiro observando a paisagem. Que o meu envolvimento para valer dependeria do andamento e da configuração da proposta a ser discutida.

Ao completar trinta e cinco anos de labor na UFBA, e mais de cinco anos de trabalho não concomitante em empresa privada, portanto perfazendo um total de quarenta anos e alguns quebrados de contribuição para o país com minha força de trabalho, creio que não devo ocupar o lugar que seria do jovem docente. De qualquer forma, me prontifiquei a dar alguma contribuição, por menor que fosse, para que o tema envolvesse mais e mais pessoas interessadas, desejando que tivesse bons desdobramentos para o trabalhador docente. Além, claro, para a produção do conhecimento e enriquecimento da cultura.

Não estou sozinho quando digo que a CAPES foi desvirtuada do seu projeto original. Meu conterrâneo Anísio Teixeira, se pudesse ver os caminhos e descaminhos trilhados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior, certamente não estaria lá muito satisfeito…

Repetidas vezes, venho indagando qual seria o metro justo para se medir o resultado do labor docentes da área das Exatas (ou aproximadas!), da Saúde, das Humanas, das Letras ou das Artes. Haverá entre elas umas mais importantes do que outras? Se sim ou se não, que cânone utilizar? Salvo erro, alguns coordenadores de Programas de Pós-Graduação, diferentes de intelectuais propositivos, se comportam como simples tarefeiros ou cabos de turma: nunca ousam propor ou inovar. Simplesmente, cumprem determinações ditadas por semi-deuses do Olimpo…

De alguma forma, ainda que de longe, acompanho o drama de alguns desses programas, permanentemente ameaçados de rebaixamento ou até mesmo de extinção, por não preencherem os critérios ditados pelo “neo-produtivismo” vigente. Sei de casos de docentes amigos que simplesmente foram “enxotados qual cão sarnento” – para usar a expressão de um dos professores descredenciados de um desses programas -, sem o menor respeito humano, por ter ficado três anos sem publicar  em revista  de pedigree (qualis de peso), mesmo tendo contribuído de forma significativa e competente para a sustentação dos referidos programas.

Há de se perguntar até que ponto algumas publicações, de fato, contribuem para o avanço do pensamento científico, filosófico, artístico. Até porque carradas de denúncias são feitas a produções  plagiadas e de cópias deslavadamente mal feitas citadas e recitadas ad nauseam em cascatas bibliográficas…

Creio que qualquer avaliação da produção docente deverá passar pela redefinição dos critérios do que é produzido e da inclusão de novos “produtos”. Sobretudo deverá passar pelo respeito ao trabalho do outro.

Aproveito para lembrar ao Leitor ou à Leitora, à guisa de ilustração do que vem ocorrendo pelo país afora, que a Faculdade de Educação onde estou lotado, atualmente, dispõe de mais de vinte doutores por ela mesma formados, que não foram até hoje credenciados ao PPG-Mestrado e Doutorado em Educação. E aí, fatalmente, brotam duas perguntinhas básicas: 1) O que os gestores dos Programas de PPG têm feito para a inclusão desses profissionais? 2) Se esses docentes não têm o perfil de pesquisador, ou se suas teses foram irrelevantes e até mesmo pífias, por que lograram aprovação por uma banca supostamente competente, séria e ilibada?


Como uma coisa puxa outra, e PPG puxa a Plataforma Lattes, o meu amigo de gorro e pito resolveu lembrar aos “lattistas puros”, a partir de um “spray” fotografado de um muro qualquer, uma grande verdade:  “Viver não cabe no Lattes“. E, claro, aproveitou também para postar outras cositas mas sobre o dito cujo…

LATTES-2015

Para o Saci, se os bichos falassem dariam bons conselhos aos humanos…

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Para o Saci, não tem mais-mais: no absolutismo acadêmico produtivista esclarecido, quem tem mais, vale muito mais… (clique na arte para melhor visualizá-la).

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