1321 – Só Janine salva!

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só-janine-salva.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

P.

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assado o espanto prazeroso de ter pela primeira vez um ministro “da área técnica”, como dizem por aí, ocupando o ministério da Educação, antes ocupado por economista, engenheiro, militar e “outros bichos”, como diz o meu amigo de gorro vermelho e pito, já está mais que na hora de perguntar: Janine fará o milagre que toda Pátria Educadora precisa? Andará com segurança pelos caminhos turbulentos da capital federal? Inundará os poderes republicanos, e sobretudo as casas parlamentares, com a Ética que a vida na pólis e a Política com pê maiúsculo tanto necessitam? Conseguirá convencer seus nobres colegas do MPOG e da Fazenda que a boa Educação não é feita com poucas merrecas, conforme ensinava Anísio Teixeira, dedicado estudioso do pedaço?

Segundo o meu amigo de gorro vermelho e pito, passado o júbilo de acolher de forma entusiástica a indicação do nome do Prof. Janine para o MEC como o salvador da nossa plantação de bananas, cabe agora refletir seriamente, com as ferramentas da Filosofia e do pensamento indagador, se há, de fato, condições materiais para que o celebrado professor de Ética possa caminhar sereno sobre as águas revoltas do governo petista, cujos signatários tanto contribuíram para o robustecimento do Mensalão e da Operação Lava-Jato.

Tão logo a mídia divulgou o nome do eminente filósofo, de imediato após o espoucar dos fogos de artifício, uma piada antiga foi resgatada pelo Saci:

“Conta-se que o Banco Mundial – para quebrar um pouco a tensão entre o executivo e o legislativo verde-amarelo, criada após os últimos acontecimentos no ringue político de Brasília, como sempre bem intencionado -, organizou uma disputa entre o recém-indicado ministro da Educação e o todo poderoso ministro da Fazenda. A prova consistia em identificar quem digitava mais rápido a letra do hino nacional brasileiro. Para juízes da disputa, foram convidadas as mais notáveis personalidades mundiais da Informática. Consta que até Bill Gates compareceu, disfarçando-se com peruca e óculos escuros, assombrado com a fama que tem o Brasil de ser o país dos arrastões, praticados indistintamente, por políticos, militares e civis envolvidos com o mundo do crime…

Acordado o dia e selecionada a plateia, eis que o presidente do júri deu o sinal. Hábil no teclado, o ministro Joaquim Levy mostrava para que veio. Parecia uma metralhadora: TIC-TIC-TIC TAC-TAC-TAC – “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas” – TIC-TIC-TIC TAC-TAC-TAC – lembrava, em frieza, um sniper profissional. Em fração de segundos, milhares de bytes muito provavelmente deviam estar sendo armazenados. Enquanto isso, o filósofo Renato Janine catava milho, quase que envergonhado por ver as letras desaparecerem pirracentas do teclado. Precisou de vontade férrea para controlar a vontade de dizer em alto e bom som que ‘só sabia que não sabia teclar’.

Mas eis que o imponderável aconteceu. De repente, um inesperado apagão transformou o recinto num breu. Não se enxergava absolutamente nada. Foi aí que alguém teve a ideia de  pegar o celular. Em poucos minutos, todo o ambiente ficou razoavelmente iluminado pelos visores luminescentes dos telefones móveis dos presentes. Viva a tecnologia de ponta!

Com semblante de poucos amigos, o representante do Banco Mundial pediu desculpas à plateia, e informou que um nobreak estava sendo providenciado para a conclusão da contenda.

Pedindo a palavra, o ministro da Fazenda foi incisivo.

– Senhores e senhoras presentes, senhores jurados! Creio que não há necessidade de esperar a chegada da energia elétrica ou do nobreak para a proclamação do resultado da competição. Foi visível a minha superioridade diante da lerdeza do prezado colega e ministro da Educação. Nada contra ele, muito pelo contrário, mas os sons produzidos pelo teclado que cada um de nós operou é suficiente para dizer quem é o mais veloz.

De forma serena, o Prof. Renato Janine fez um gesto de aquiescência com cabeça. O que significava dizer que, humildemente, se submetia ao veredicto dos jurados.

Foi quando alguém da plateia pediu para se manifestar. Não havendo nenhuma cláusula que impedisse a manifestação dos presentes, o representante do Banco Mundial concedeu a palavra ao solicitante.

– Senhores e senhoras presentes, senhores jurados! Os sentidos nos enganam com frequência. Pensando dessa forma, não vejo com bons olhos o critério da “barulheira do teclado” como cânone bom, justo e racional. O correto é que se verifique o tamanho do arquivo produzido por cada um dos contendores. Dessa forma, o autor do maior arquivo ganha a parada!

De forma estrepitosa a plateia se manifestou. Gritos de “É isso aí!” foram ouvidos por algum tempo. Os membros do júri e o encarregado do Banco Mundial manifestaram-se de pleno acordo.

Mal o encarregado de providenciar o nobreak adentrou-se pelo recinto, trazendo no ombro o pesado aparelho, a energia também chegou. Pareceu que marcaram encontro…

Reiniciado o computador, o representante do Banco Mundial destacou dois membros do júri para a conferência dos arquivos. Para surpresa de todos, foi verificado que, no frenesi de ser o mais veloz, o ministro da Fazenda não havia se preocupado em salvar o que digitava.

Já o ministro da Educação, mesmo não sendo um virtuose no teclado, preocupou-se em salvar cada linha que escrevia.

A conferência do arquivo do Prof. Renato Janine não deixou dúvida: ele era o vencedor, pois cravara 33 kbyte no HD.

Proclamado o mais veloz, e diante das palmas, o filósofo encurvou a cabeça para cumprimentar modestamente a plateia.

Enquanto, no centro da mesa, o encarregado do Banco Mundial sorria amarelo, o ministro da fazenda se apressara em sair, para que o público não pudesse ver sua cara de pastel…

De norte a sul, nos ambiente acadêmicos das universidades brasileiras,  não se fala noutra coisa senão na moral da história:

SÓ JANINE SALVA!

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