1372 – Por um reitor sincero!

Vaca-Tata-p

Vaca Tatá – bovina baiana

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AC.

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s grossas nuvens no horizonte rubro do agonizante mês de maio, prenunciam greve na UFBA. Mas o grau de precisão da previsão meteorológica contemporânea acerca dos atores sociais nunca é absoluto. E talvez nunca o será. Imagino, como leiga nessa área, a complexidade para calcular a interpolação de variáveis outras além do vento, da pressão atmosférica, do teor de umidade, além da força da gravidade fortemente preponderante, segundo suponho, e humor dos fluidos…

Ainda mais que nesse horizonte acadêmico eu não consigo ter clareza, definitivamente, do que está pretendendo o comandante-em-chefe da UFBA – como o chama respeitosamente o meu amiguinho de gorro vermelho e pito, titular deste blog. Salvo melhor juízo, o reitor Salles é um enxadrista de primeira, que mensura cuidadosamente cada jogada no tabuleiro político. Certamente, ele aprendeu com os erros do Pai da Universidade Nova, que era, tempos atrás,  uma espécie também de deep blue, porém de processador muito mais limitado, e com bugs  não corrigidos na época…

Se eu soubesse, de fato, de que lado está o Reitor da UFBA – se do lado ANDES-SN, ou do Proifes governista –  eu arriscaria dizer se amanhã a greve dos docentes vai emplacar ou não. Como não tenho elementos para uma afirmação mais consubstanciada na dialética do concreto, prefiro não arriscar meus cornos em profetizar levianamente como quem deglute uma porção de capim. Nunca concordei com a tese de que o reitor está acima das pinimbas sindicais. No fundo, bem no fundinho, ele nutre uma simpatia ou inclina suas asas reitorais para um dos lados.

Quem tem boa memória sabe que o magnífico dirigente da UFBA, qual o extraordinário Mané Garrincha, aquele “Anjo da Pernas Tortas” dos Anos 50, driblou de fazer gosto seus interlocutores durante os debates que participou durante a campanha para reitor, com o propósito de não admitir publicamente algum lado, diferente do que fez dois de seus colegas candidatos, que assumiram corajosamente as bandeiras defendidas pelo ANDES-SN, completamente antagônicas das sustentadas pelo Proifes, e sem medo de perder os votos dos pelegos. Os dias subsequentes às inscrições dos referidos candidatos mostraram, entretanto, ao lado de que chapa estava a diretoria da entidade dos professores da UFBA… Ao longo do processo eleitoral, soube-se também do apoio incondicional da base dos partidos governistas – dita “de esquerda” -, ao candidato João Carlos Salles. Como corolário, é quase natural que se indague: O atual dirigente da UFBA ficará confortável em contrariar essa mencionada base que lhe deu sustentação política?

No próprio Ato Público em Defesa da UFBA, realizado na Reitoria, no dia 25 de maio, o magnífico não conseguiu esconder a sua preferência pelas falas dos box-preferencia-2015instituídos, em detrimento dos instituintes. Quem não viu foi por que não quis ver…

Três anos atrás, salvo erro, na data de 29 de maio, a base dos docentes da UFBA, ligada ao ANDES-SN, deu um zignal inesperado na diretoria da APUB, e acabou votando a alteração da pauta proposta pela mesa, e votando, em seguida, pela greve. Só que, na época, houve o efeito surpresa. Agora, entretanto, não. Acrescentando que, naquela ocasião,  o Palácio da Reitoria não exercia um controle direto sobre um grande segmento de docente como hoje o faz. O número de participantes dos dois últimos eventos convocados pelo reitor Salles, não deixa dúvida sobre sua liderança política e seu poder de intervenção no tímido movimento sindical docente, parte cooptado, parte indiferente, parte depauperado.

Inteligente e bem informado que é, o magnífico reitor da UFBA sabe muito bem que o empenho do governo em assegurar o quinhão do superávit primário é o responsável por toda penúria que se descortina para a Educação, e outras esferas sociais também vitimizadas. Se isso for verdade, por que, então, tanto se empenhou em convocar um Ato Público para tratar de generalidades brilhantes que não atacam nem de longe o problema pela raiz? Por que não canalizou a energia dos seus eleitores e admiradores para – por exemplo -, deflagrar uma campanha, ou outra forma de pressão qualquer, em favor da auditoria cidadã da dívida, a única providência racional capaz de trazer a transparência de que tanto o país precisa para ter certeza de que seus filhos não estão sendo feitos de trouxas e à mercê das volúpias dos partidos políticos formadores da base governista?

Essas angustiosas perguntas e as demais considerações acima tratadas, não me dão segurança para afirmar que o magnífico dirigente da UFBA estará disposto a confrontar o governo petista. Até onde sei, greve é confronto…

Se não fosse pretensão desta bovina que vos escreve, ou em última análise pensar que houve pura coincidência, diria que as  palavras iniciais de abertura do Ato Público em Defesa da UFBA, proferidas pelo magnífico reitor, foi uma contestação deliberada a um meme deste Blog (veja AQUI). Contrariando o que dissemos, afirmou ele: “A UFBA não pede socorro, luta!” Pois que seja! Estamos pagando para ver e aplaudir!

***

Ainda que a palavra “luta” não faça parte do repertório da APUB proificista, será um colírio para os olhos dessa incorrigível bovina esperançosa, ver à noite do dia 28 de maio, fotos dos braços levantados de uma multidão de docentes votando pela deflagração da “greve já” por tempo indeterminado – recurso extremo, mas único que o governo considera.

Se isso ocorrer, estarei convencida de que a tentativa de indução da diretoria da entidade pela não greve através do “Informativo Especial” da APUB foi inócua, bem como de que o magnífico reitor da UFBA não “mexeu com os pauzinhos” para abarrotar o ambiente da Assembleia de pelegos e influir na votação… E, sobretudo, que foi sincero quando disse que “A UFBA não pede socorro, luta!”

 

Uma resposta to “1372 – Por um reitor sincero!”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ———————————
    Logo após o Ato Público em defesa da UFBA, o reitor deu uma longa entrevista a um canal de TV. Falou das ações junto ao MEC, das medidas de segurança e das dívidas. Mas, neste último caso, deveria esclarecer a origem, tipos, prazos de vencimento dos débitos, etc. Quem banca a universidade pública e quem trabalha na instituição precisa saber como os recursos são geridos. Deste modo, pelo menos um resumo do demonstrativo financeiro da instituição deveria ser apresentado. E ainda está em tempo.

    Telésforo / Igeo

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