170 – Cogito Aprisionado

    
Para o Saci, a academia, hoje, considera um verdadeiro sacrilégio o pensar livre, sem vínculos com o produtivismo e o mercado… (Clique na arte para ampliá-la)

 

   
Inspirado num artigo de um ex-reitor da UFBA, publicado recentemente na Folha de São Paulo, o Saci tentou elaborar uma síntese grafo-visual do “Pensador” verde-amarelo, mas não gostou do resultado… (Clique na arte para ampliá-la)

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA


“…Se quisermos avançar no desejado processo de internacionalização, precisamos agora recriar o modelo nacional de pós-graduação”.
Naomar Monteiro, ex-reitor da UFBA

 

Na verdade, o meu amigo Saci também se inspirou na versão do “Pensador” do escultor inglês Barry Flanagan (1941-2009) para elaborar uma das suas charges. Embora a inspiração maior tenha sido o último texto do preclaro Prof. Naomar Monteiro, ex-reitor da UFBA, publicado na Folha de São Paulo.

Nos últimos tempos, tem havido outras publicações mais ou menos na linha do que vem pensando o Prof. Naomar. O período é oportuno. Mormente neste tempo de composição de ministérios pela presidente eleita. Provavelmente, quem apresentar as mais contundentes ideias sobre a universidade –  desde que esteja em sintonia com o “espírito” neoliberal -, é um forte candidato a sentar na cadeira que hoje ocupa o ministro Fernando Haddad, caso o mesmo não seja reconduzido para o cargo. A propósito, já circula na internet uma manifestação em prol de reconduzi-lo…

– Só por curiosidade, chefia, será que o ex-reitor da UFBA assinaria, atualmente, o referido apoio virtual em favor do Ministro Haddad? – indaga bisbilhoteiro o Saci.

Mas, voltando ao que inicialmente nos propusemos falar, verdade seja dita, os argumentos apresentados, ao que o Saci denomina de “projeto salvacionista naomariano”, encantam, e não é pouco… Para o moleque de gorro vermelho e pito, há uma insofismável plausibilidade no conjunto de argumentos apresentados. Na aparência, encantam. E pronto. Quem há de negar? Não tem o que discutir. É só alegria. Tristezas? Haah! Elas não pagam dívidas. O Saci lembra que, num outro artigo recente, o ilustre epidemiologista chama a atenção, em outras palavras, para a precisão com que lida com os números. Num irretocável – ainda segundo o Saci – argumento de autoridade, o ex-reitor assegura que, no seu campo de pesquisa, um simples descuido pode implicar em perdas de vidas humanas preciosas. É vero.  Tamanha eloquência só faz aumentar o respeito que o Saci nutre pelas estatísticas, tão bem esgrimidas pelo Prof. Naomar Monteiro.

Para o pândego do meu amigo, entretanto, o nó do borogodó reside no fato de outros intelectuais, tão lúcidos quanto o ex-reitor da UFBA, tecerem duras críticas aos projetos saídos da cachola do preclaro cientista. Sem desmerecê-lo, claro! Ao contrário. O Saci até o exalta:

– Afinal, chefia, o homem não chegou a Harvard só para ver o autógrafo de Bill Gates no livro de assinatura dos seus ex-alunos!…

Há, resumindo, outras cabeças pensantes – para deixar o Saci mais aturdido –,  que contestam o modelo naomariano para a universidade brasileira. Embora seja reconhecida a expansão da universidade nos últimos anos, há quem indague se essa universidade será capaz de atender ao propósito para o qual foi criada. Indaga-se ainda quem serão esses intelectuais que sairão dessa alquimia verde-amarela. Há quem afirme que o modelo vigente proposto de universidade seja um projeto do Capital financiado pelo Banco Mundial. Ou seja, se esta tese estiver correta, as universidades não seriam senão correias de transmissão do capital financeiro sem pátria. No caso das universidades dos países emergentes, elas seriam meras operadoras – auxiliares de segunda linha – do Sistema. Às universidades do chamado primeiro mundo caberia o desenvolvimento da vanguarda científico-tecnológica, do pensamento filosófico e artístico.

E isso sem falar naqueles maliciosos que vêem no cardápio do BI uma possibilidade ou estratégia de adicionar ao paladar do pobre um gostinho da essência acadêmica, tão cara/barata ao marketing político-eleitoral…

***

 

Bem, leitor, isso foi tudo o que pude reunir das ideias defenestradas do Blog do Saci-Pererê. Ou por ele próprio ou por um ente cibernético tão arteiro quanto o pilantrinha de uma figa.

 

 

Num esforço último, a síntese grafo-visual sacizesca, baseada na proposição salvacionista naomariana, foi buscar inspiração no Davi, de Michelangelo, no Tio San, de Montgomery Flagg e na arte do nordestino Beto Pezão. (Clique na foto para ampliá-la)

15 Respostas to “170 – Cogito Aprisionado”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na “Debates-l”:
    ————————————–———

    PóS-GRADUAçãO NOVA NO BRASIL, ARTIGO DE NAOMAR DE ALMEIDA FILHO

    “Precisamos recriar o modelo nacional de pós-graduação; antes de tudo, o abismo entre graduação e pós-graduação no país deve ser removido”

    Naomar de Almeida Filho é professor titular do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto Milton Santos de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, da qual foi reitor.
    ——————————————–

    Artigo publicado na “Folha de SP”:

    A universidade brasileira vive raro momento de inovação e expansão, propício para rever práticas e repensar estruturas. Nesse contexto, vale destacar a criação de novas modalidades de graduação, compatíveis com o “college” norte-americano e o “bachelor” de Bolonha, na Europa.

    A UFABC (Universidade Federal do ABC) foi inaugurada em 2005 com o bacharelado em ciência e tecnologia, um primeiro ciclo de três anos com onze opções de segundo ciclo.

    Em 2007, a UFBA (Universidade Federal da Bahia) aprovou a oferta de bacharelados interdisciplinares como primeiro ciclo para 81 opções de graduação. Dentro do Reuni, outras instituições seguem essa
    tendência inovadora: UFSC, UFRN, Ufersa, UFCG, UFRB, UFJF, Unifal, UFVJM, UFSJ, Unifei, UFV, UFRJ, Ufac e Ufopa.

    A Unesp abre o bacharelado em ciências exatas, curso de três anos com opções de segundo ciclo, e a Unicamp inicia um programa interdisciplinar de dois anos, primeiro ciclo geral para formação profissional específica.

    Em 2011, mais de 10 mil estudantes estarão matriculados em 26 cursos de graduação de primeiro ciclo, em algumas das melhores universidades brasileiras.

    A graduação se renova, portanto.

    Não obstante, se quisermos avançar no desejado processo de internacionalização, precisamos agora recriar o modelo nacional de pós-graduação.

    Para isso, antes de tudo, o abismo entre graduação e pós-graduação, que trava a educação superior brasileira, herança do Parecer Sucupira de 1966 e da reforma universitária de 1968, deve ser removido.

    Assim, poderemos integrar graduação e mestrado, diferenciando-os do doutorado.

    Mestrado é educação em métodos, conhecimentos e práticas, enquanto doutorado implica formação em pesquisa e criação. Por isso, a matriz curricular do doutorado, efetivamente focada na produção orientada de conhecimento e inovação, terá o mínimo de cursos.

    Em todos os níveis, componentes curriculares serão organizados não por titulação, mas por nível de profundidade. Flexíveis, estarão abertos a qualquer aluno, de graduação ou de pós, que demonstre estar habilitado a cursá-los.

    Enfim, haverá relativa autonomia entre processos formativos e processos avaliativos (exames de qualificação, teses e dissertações), com bancas compostas por examinadores externos aos programas, que, excluindo o orientador, permitirão maior controle de qualidade acadêmica.

    Essas propostas articulam soluções consagradas em países com tradição universitária consolidada. A estrutura curricular mínima define o modelo inglês de doutorado.

    A centralidade do trabalho de pesquisa, criação ou inovação inspira-se no modelo alemão. A sequência de exames de qualificação tem como referência o modelo norte-americano dos “graduate studies”.
    A avaliação da tese por examinador externo antes da defesa tem base no modelo francês, com a figura do “rapporteur”.

    Renovada, a arquitetura curricular dos programas de pós-graduação será mais orgânica ao ciclo atual de crescimento da pesquisa nacional. Isso facilitará a inserção internacional da universidade brasileira, contribuindo para o desenvolvimento soberano do país.

    (Folha de SP, 12/11/2010)

  2. Menandro Ramos Says:

    Sacizada!

    Aconteceu uma coisa incrível: o texto que eu havia postado em resposta ao texto do ex-reitor, o Prof. Naomar Monteiro, simplesmente desapareceu. Queira deus que não tenha sido arte do Saci. Monteiro Lobato o denunciou como responsável por coisas inexplicáveis que ocorrem nas casas onde o moleque frequenta. Inclusive o pestinha costuma trocar os lugares das vírgulas, esconder letras etc.

    Vou tentar recuperá-lo de memória. Não sei se vou conseguir me lembrar de tudo. O velho Heráclito tinha razão, pois ninguem, de fato, se banha duas vezes no mesmo rio…

    Pensei até em recorrer ao Prof. Naomar, mas acho que não houve tempo para ele fazer uma cópia do texto. Tenho certeza que se ele o tivesse armazenado me daria uma cópia para eu publicá-la de volta. Essa mesma certeza não teria se fosse em relação ao presidente da APUB…

    Assim, leitor, a coisa foi muito rápida. No espaço de uma hora e pouca perrcebi que tudo havia sido abduzido pelo espaço cibernético. Paciência.

    Tentarei reescrevê-lo, pois. Felizmente tenho as cópias das charge do Saci. Como redijo o texto diretamente no blog, sem backup, pago pela minha boa-fé no peralta estripulento…

  3. Menandro Ramos Says:

    Circulou na “Debates-l”:
    ————————————–

    Em 19 de novembro de 2010 10:05, escreveu:

    Ze Afonso e Marcos,
    Nada como um bom debate acadêmico de nível.
    É disso que a Universidade precisa.

    No caso específico, valorizo mais ainda a participação de vcs no debate porque estão no foco dos acontecimentos, nesse caso no front ibérico do Processo de Bolonha, um na Universidade da Beira Interior (UBI) e outro na Univ. Pompeu Fabra.

    Replico as contribuições de vocês ponto a ponto:
    De Marcos:

    “…minha impressão do chamado Mestrado Integrado é a pior possível. Na prática, não se trata em absoluto de Pós-Graduação stricto sensu, como temos hoje no Brasil, mas de uma continuidade da Graduação, que foi encurtada aqui de quatro a cinco para três anos.”

    O CONCEITO DE SENSO ESTRITO NA PG É INVENÇÃO BRASILEIRA, DO PARECER SUCUPIRA, QUE JUSTIFICA O SENSO LATO PARA PREENCHER O FOSSO GRADUAÇÃO / PÓS, TERRA DE NINGUÉM ABERTA AO MERCADO PRIVADO DE ENSINO. É CLARO QUE O CONCEITO DE MESTRADO INTEGRADO (BOLONHA NA VERSÃO IBÉRICA) É MAIS COMPATÍVEL COM OS MASTER ANGLO-SAXÕES QUE COM AS MAESTRÍAS E MESTRADOS LATINO AMERICANOS.

    “… não se estabelece uma ruptura de níveis entre Graduação e Pós-Graduação, como ocorre em nosso caso, com um processo de seleção, preparação de um projeto de pesquisa como condição de acesso à Pós, elementos geradores da consciência ou pelo menos ‘sensação’ de que se transitou para uma situação nova: a de pós-Graduando . Com o modelo Bolonha, nada disso acontece e os estudantes de Mestrado continuam a agir e atuar como os de Licenciatura, com a percepção de que estão apenas dando seguimento a dois anos mais dos estudos, no mesmo ritmo e espírito com que estiveram cursando os três anos anteriores, na Licenciatura.”

    ANÁLISE CORRETA. E’JUSTAMENTE A SUPERAÇÃO DESSA RUPTURA ENTRE GRADUAÇÃO E MESTRADO QUE ESTAMOS PROPONDO, DESLOCANDO O RITO DE PASSAGEM MAIS SELETIVO E RIGOROSO PARA O DOUTORADO. ENTÃO NAO VEJO ISSO COMO DESVANTAGEM.

    “… Com o modelo Bolonha, esta diferenciação entre Acadêmico/Profissionalizante na prática deixa de existir nos Mestrados Integrados, com todos fazendo um pouco de tudo, sem uma diferenciação clara para os que pretendem seguir caminhos mais marcadamente acadêmicos. Resultado: dissertações de Mestrado que deixam muito a desejar e, principalmente, candidatos doutorais muito mais fracos e com menos experiência de uma real Pós-Graduação de orientação acadêmica. […] Aliás, antecipo problemas quando chegarem aos nossos Programas de Pós-Graduação, para reconhecimento e revalidação, os diplomas obtidos na maioria dos cursos de Mestrado Integrado europeus pós-Bolonha. Poderão, em alguns casos, obter reconhecimento como Mestrados Profissionalizantes, mas dificilmente como Mestrados Acadêmicos.”

    TIVEMOS ANTEONTEM AQUI O ENCONTRO NACIONAL DOS MESTRADOS PROFISSIONAIS, PROMOVIDO PELA PROFA. TANIA FISCHER. DISCUSSAO DE ÓTIMO NÍVEL. CONVERGIMOS JUSTAMENTE PARA A NECESSIDADE DE SUPERAR A DIFERENCIAÇÃO E O PRECONCEITO QUE DESVALORIZA A FORMAÇÃO PROFISSIONAL NO NÍVEL MESTRADO NO BRASIL. O MESTRADO ACOPLADO À GRADUAÇÃO, COM ENFASE NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL (MASTER = MEISTER), FAZ PARTE DE UMA TRADIÇÃO DE 200 ANOS NO MODELO GERMÂNICO/ANGLO-SAXÃO DE HUMBOLDT-BERLIN-HEIDELBERG/ NEWMAN-OXBRIDGE/ GILMAN-HOPKINS-HARVARD. ESSE MODELO VALORIZA (E RITUALIZA) O DOUTORADO.

    QUANTO À REVALIDAÇÃO, O PROBLEMA NO MUNDO GLOBALIZADO, COM O BRASIL PROTAGONISTA SERÁ EXATAMENTE O SIMÉTRICO OPOSTO. VEJA O OUTRO LADO: O QUE SERIA EQUIVALENTE AO MESTRADO ACADÊMICO BRASILEIRO (NA VERDADE UMA LICENCIATURA PARA O ENSINO SUPERIOR) NA SORBONNE, EM OXFORD, EM SALAMANCA, EM COIMBRA OU EM BOLONHA? OU EM HARVARD OU PRINCETON, NA MCGILL OU NA MONASH? SE NESSES CENÁRIOS ACADÊMICOS, REPRESENTATIVOS DE 18 DAS 20 NAÇÕES MAIS PRODUTIVAS CIENTÍFICAMENTE, A HABILITAÇÃO PARA A PESQUISA E O ENSINO SUPERIOR É O DOUTORADO?

    De Zé Afonso:
    “… Temos no Brasil uma sistemática de pós-graduação consolidada como política de estado que é muito mais condizente com a responsabilidade científica, teórica e epistemológica que a produção científica exige.”

    O MODELO DE PG NO BRASIL É CONSOLIDADO A PARTIR DA REFORMA DE 1968, NUMA TRAJETÓRIA DE ISOLACIONISMO POLÍTICO DA DITADURA MILITAR. CLARO QUE, NOS NÍVEIS ALTOS DO SISTEMA DE PRODUÇÃO ACADÊMICA, AS REDES DAS COMUNIDADES DE PESQUISADORES SUPERAM AS BARREIRAS, MAS DE MODO INDIVIDUALISTA E LIMITADO. O CONTEXTO ATUAL É OUTRO. O BRASIL ESTÁ PRESTES A ENTRAR NA OCDE, TEM UMA POLÍTICA INTERNACIONAL PROTAGÔNICA, ESTÁ NUM CICLO SUSTENTADO DE DESENVOLVIMENTO. QUANTO A ESTE MODELO SER “MUITO MAIS CONDIZENTE” COM O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO, HÁ CONTROVÉRSIAS. APESAR DO SPRINT RECENTE EM NÚMERO DE PUBLICAÇÕES (FUNDAMENTALMENTE EM ÁREA BÁSICA) ESTAMOS LONGE DE SER UM PARQUE UNIVERSITÁRIO IMPORTANTE NO MUNDO. SOB QUALQUER PARÂMETRO, DE RANKING OU DE IMPACTO.

    AS OUTRAS OBSERVAÇÕES DE ZÉ AFONSO SÃO SÁBIAS E POR ISSO CONCORDO COM ELAS.

    NO GERAL, SOBRE AMBOS OS COMENTADORES, RESPEITO AS RESPECTIVAS INTERPRETAÇÕES POREM AS INTERPRETO COMO PRESAS A REFERÊNCIAS RESULTANTES DE FORMAÇÃO NUM MODELO CONSOLIDADO POR TRÊS GERAÇÕES DE APLICAÇÃO DO PRÓPRIO MODELO. QUEM FEZ DOUTORADO NO BRASIL NOS ANOS 2000 DEVE TER SIDO ORIENTADO POR ALQUÉM DOUTORADO NOS ANOS 1990 QUE, POR SUA VEZ, FOI DISCÍPULO DE QUEM SE DOUTOROU NOS 1980, NA PRIMEIRA ONDA FORMADA PELA PG CONCEBIDA POR SUCUPIRA.

    NO ESPÍRITO UNIVERSITÁRIO DE ALTO NÍVEL DOS DEBATES, AGUARDO OUTRAS QUESTÕES.
    Abs
    Naomar

    Citando José Afonso Jr :

    Marcos e colegas,

    Também tenho tido a oportunidade de observar os processos de adaptação das universidades européias a “plataforma Bolonha”. Estou fazendo meu pós-doc em Barcelona como professor visitante na Univ. Pompeu Fabra. Tive a oportunidade de ministrar aulas no master e coincido nos diagnósticos apontados na sua mensagem.

    Temos no Brasil uma sistemática de pós-graduação consolidada como política de estado que é muito mais condizente com a responsabilidade científica, teórica e epistemológica que a produção científica exige. Isso sem falar mas aberrações que tenho ouvido aqui na Europa, de universidades (que obviamente não citarei aqui publicamente) que para se adequar ao downsizing contido no acordo de Bolonha, tem operado. Exemplo: monografias de conclusão de master em ciências humanas com 25 páginas!

    A postura de ampliar o acesso à pós-graduação merece ter o debate ampliado, sobretudo com perspectivas que garantam o caminho percorrido e consolidado no Brasi e tomando muito cuidado com as perspectivas quantitativas que se apresentem nem sempre com contrapartidas qualitativas. Na verdade, falando no popular, nem o terceiro mundo é tão terceiro assim, nem o primeiro é tão primeiro quanto parece. Porque, prezados, nada é perfeito e assim é a vida.

    Abraços a todos.
    —————————
    José Afonso Jr.

    PPGCOM – DCOM – UFPE. Recife, Pernambuco, Brazil.
    Visiting Scholar at Univ. Pompeu Fabra – Barcelona, Spain (2010-2011).

    zeafonsojr@gmail.com

    cel-mob. BR/ 55-81-8856.3272
    cel-mob. ES/ 34-666.902.185

    http://www.ufpe.br/ppgcom/ http://afdeautofoco.blogspot.com/
    —————————————————-

    On 18/11/2010, at 20:59, Marcos Palacios wrote:

    Prezado Naomar, prezado(a)s colegas,

    Li com interesse o seu artigo, publicado na Folha de São Paulo e reproduzido pelo Jornal da Ciência. Estou no momento em temporada como Professor Visitante na Universidade da Beira Interior (UBI), na cidade de Covilhã (Portugal), desde fevereiro deste ano. Durante este período tive oportunidade de conviver com colegas docentes e pesquisadores nesta Universidade, onde tive a melhor das acolhidas, e ministrar aulas para estudantes de Graduação (aqui Licenciatura), Mestrado e Doutorado.

    Lamento, mas minha impressão do chamado Mestrado Integrado é a pior possível. Na prática, não se trata em absoluto de Pós-Graduação stricto sensu, como temos hoje no Brasil, mas de uma continuidade da Graduação, que foi encurtada aqui de quatro a cinco para três anos. Com isso, têm-se, na verdade e na prática, uma Graduação de cinco anos e – como possível continuidade – o Doutorado.
    Na minha avaliação as desvantagens são muitas:
    a) não se estabelece uma ruptura de níveis entre Graduação e Pós-Graduação, como ocorre em nosso caso, com um processo de seleção, preparação de um projeto de pesquisa como condição de acesso à Pós, elementos geradores da consciência ou pelo menos ‘sensação’ de que se transitou para uma situação nova: a de pós-Graduando . Com o modelo Bolonha, nada disso acontece e os estudantes de Mestrado continuam a agir e atuar como os de Licenciatura, com a percepção de que estão apenas dando seguimento a dois anos mais dos estudos, no mesmo ritmo e espírito com que estiveram cursando os três anos anteriores, na Licenciatura. Ritos de Passagem continuam sendo importantes, especialmente em ambientes altamente simbólicos, como o Universitário;
    b) nosso modelo de Mestrado atual (inclusive com a clara separação entre Mestrado Acadêmico e Profissionalizante) continua oferecendo uma via de preparação inicial de pesquisador (Mestrado Acadêmico), que tem por meta a culminação de sua formação e o início de sua efetiva contribuição ao Conhecimento no estágio do Doutorado. Com o modelo Bolonha, esta diferenciação entre Acadêmico/Profissionalizante na prática deixa de existir nos Mestrados Integrados, com todos fazendo um pouco de tudo, sem uma diferenciação clara para os que pretendem seguir caminhos mais marcadamente acadêmicos. Resultado: dissertações de Mestrado que deixam muito a desejar e, principalmente, candidatos doutorais muito mais fracos e com menos experiência de uma real Pós-Graduação de orientação acadêmica. Aliás, antecipo problemas quando chegarem aos nossos Programas de Pós-Graduação, para reconhecimento e revalidação, os diplomas obtidos na maioria dos cursos de Mestrado Integrado europeus pós-Bolonha. Poderão, em alguns casos, obter reconhecimento como Mestrados Profissionalizantes, mas dificilmente como Mestrados Acadêmicos;
    c) para completar, Bolonha reduziu o Doutorado de quatro para três anos. Paradoxalmente, acredito que no modelo vigente no Brasil, e não no ora implementado por aqui, essa redução é mais plausível. Com o modelo de Mestrado Integrado, os estudantes chegam ao Doutorado menos preparados do que no modelo anterior e têm um prazo menor para concluir essa etapa, quando de fato necessitariam de mais tempo, para garantir a consolidação do que não foi devidamente sedimentado no Mestrado. Não me parece um panorama muito promissor, menos ainda um modelo a ser emulado.

    Acredito que temos no Brasil um modelo consistente de pós-Graduação por mérito, que consumiu anos de aprimoramento, com implantação de processos sérios de avaliação pela Capes, montagem de programas de incentivos a projetos de cooperação nacional e internacional, criação dos mais variados tipos de bolsas e apoios e – insisto – com clara demarcação entre etapas distintas de formação Graduação/Pós-Graduação. Essa clivagem e os Ritos de Passagem que a acompanham não são desvantagens nem anacronismos, mas pontos a nosso favor.

    Temos poucas vagas na Pós-Graduação? O acesso é demasiadamente restritivo? Ampliemos o número de vagas, criemos mais cursos de Pós-Graduação. Tornar a Pós-Graduação mais “democrática” através de sua dissolução em um banho ácido de Graduação não me parece, em absoluto, uma solução, mas pode representar o abandono de conquistas fundamentais, pelas quais temos trabalhado e lutado ao longo das três últimas décadas em nosso país.

    Saudações Universitárias

    marcos Palacios
    Professor Titular
    FACOM/UFBA

  4. Menandro Ramos Says:

    Circulou na internet:
    ———————————-
    Em 20 de novembro de 2010 23:27
    Francisco Santana escreveu:

    Prezados Listeiros

    Para se discutir essa questão da universidade brasileira é bom relembrar o episódio do Don Quixote de Cervantes descrito no memorável filme de Grigori Kozintsev. Como dizia Odorico Paraguaçu, se Cervantes não escreveu esse episódio, perdeu uma grande oportunidade, pois os créditos ficam para Grigori Kozintsev. O episódio é o seguinte:

    Chega à Mancha, um médico alienista, oriundo de Salamanca (podia ser de Bolonha), especialmente chamado pela família de D. Quixote para curá-lo. O médico chega logo declarando suas qualidades e seus cabedais: “Sou formado em Salamanca, lá aprendi a verdadeira ciência; o que se pratica aqui não é ciência, é superstição e charlatanismo; aqui costuma-se tentar curar espinhela caída colocando-se uma mosca dentro de uma noz e pendurá-la no lado direito da cama; que superstição absurda; eu aprendi em Salamanca (Bolonha) que é do lado esquerdo que se coloca.”

    Essa comédia se repete constantemente na evolução da Universidade Brasileira e creio que nas Europeias também, pois se não lá não teria existido o tal processo de Bolonha.

    Quando houve a Reforma de 1969, um conceituado jornalista de um conceituado jornal baiano, escreveu: “A grande novidade dessa Reforma, é que ela extingue a Cátedra e cria a cadeira.”

    Realmente no mercado de móveis, a cadeira deve custar mais barato do que a Cátedra, donde uma economia para a Universidade.

    Como se não bastasse o Prof. Naomar nos afirma agora que a grande vantagem do Mo-delo de Bolonha é que ele extingue o Mestrado Strictus Sensus e Latus Sensus e cria o Mestrado Integrado.
    Realmente, no mercado de compra e venda de diplomas e títulos, o Mestrado Integrado é bem mais barato do que o Mestrado Strictus Sensus e até mesmo do que o Mestrado Latus Sensus. Donde uma economia para os cofres da União.

    Com o tempo não se brinca. Já diziam os pragmáticos: Time is Money. E Marx definia o valor (valor de troca) da mercadoria como o tempo social médio necessário para produzi-la.

    É evidente que de dois cursos com iguais recursos materiais e humanos, o de maior duração tem maior valor, não só no sentido do seu custo, como no dos benefícios de conhecimento que traz para o aluno. Ninguém paga por um curso de 3 anos o mesmo valor que pagaria para um de 5, nas mesmas condições médias sociais.

    Afirmar portanto que um mestrado integrado vale mais que uma graduação completa com mestrado strictus sensus, não é apenas desonestidade é roubo. Você está querendo vender um produto falsificado ao comprador. Não é mais propaganda enganosa, é caso de polícia.

    Também em Marx, Braverman, James Boggs e outros, a tendência natural e sadia com a evolução tecnológica de um capitalismo ainda progressista (vivo, não em crise) é manter o jovem o maior tempo possível dentro da escola, retardando sua entrada no mercado de trabalho. A tentativa de expulsar precocemente um jovem da escola é uma perversão de um capitalismo degenerado, em crise, estagnado e em desespero.

    A perversão pode ser pontual, atingindo apenas uma classe restrita ou até indivíduos com problemas pessoais forçando-os à necessidade de um diploma terminal para ingres-sar no mercado de trabalho.
    Mas a pior das perversões é a tentativa do Estado de deixar de gastar com o aluno para fazer ao mesmo tempo o ajuste fiscal e demagogicamente dizer que aumentou o número de diplomados. E o pior, chamar esse curso de nível superior.

    Com esse tal Mestrado Integrado, o governo pretende economizar sua responsabilidade sobre o jovem em 2 a 5 anos: 2 de graduação + 2 de Mestrado Stritus Sensus + 1 de prorrogações possíveis. Se não falar dos 3 anos de doutorado, pois a turma do MI ficará diante de um fosso ainda maior entre ela e a verdadeira pós-graduação que passará a ser agora o doutorado. Sob o pretexto de vencer o fosso entre graduação e Mestrado cria-se um fosso ainda maior entre um falso mestrado e a verdadeira pós graduação na forma do doutorado. Mas infelizmente não será o que vai acontecer. O que vai acontecer será coisa muito pior como veremos adiante.

    Primeiro, o feitiço pode virar contra o feiticeiro. A turma que acaba ingressando nos BI é despreparada e pode passar mais do que o tempo previsto para concluir e a não ser que hajam regras rigorosíssimas de jubilamento gregos e troianos ficarão frustrados. Mas esse não é o cerne da questão.
    Então a principal razão, o móvel principal da criação dos BI e das reformas em geral que estão acontecendo na Universidade Pública Brasileira não é a economia que se vai fazer para o estado? Não é o aumento do superávit primário com o ajuste fiscal para se pagar os juros da dívida brasileira que já está em trilhões, embora esse seja um dos pontos sagrados do plano Real? Não. Primeiro porque o governo economizaria mais não fazendo os BI do que os fazendo baratos. Segundo porque ele já vem economizando a muito tempo, cortando verbas e sucateando a Universidade além do arrocho salarial, principalmente em cima dos aposentados. Não precisa dos BI para isso. Mesmo que interesse a ele para dizer que aumentou a inclusão universitária.

    A necessidade do BI está fora dos muros da universidade pública. Está no mercado de compra e venda de diplomas, hoje um dos grandes e promissores mercados. Tão promissor, que empresas estrangeiras já compraram a FACS e a Ruy Barbosa.

    Mas para que esse mercado tenha atrativo é necessário que a Universidade Pública, padrão de excelência seja nivelada por baixo para valorizar o mercado privado. Ela tem que ter cursos de curta duração para esses serem valorizados na sua venda no mercado privado.

    Ou como dizia o velho Marx, a mercadoria para ser trocada tem que ter um duplo valor: o de troca e o de uso. O valor de uso quem dá é a Universidade Pública referenciando-o e o de troca é dado pelo tempo social médio necessário nela incrementado.

    É por isso que disse acima: “Mas infelizmente não será o que vai acontecer. O que vai acontecer será coisa muito pior como veremos adiante.” O Mercado não se contentará com a proletarização do mestrado, avançará sobre o doutorado.

    Essa é a história do sucateamento do ensino público fundamental e secundário. Come-çou com a criação de cursos fajutos terminais dentro do currículo do curso colegial sob a alegação de inclusão maior no mercado de trabalho. Essa falácia foi se desmoralizando ao longo do tempo, pois esses cursos terminais fajutos não poderiam competir jamais com os cursos profissionais de nível médio já existentes, como nenhum BI desses pode competir com um bom curso de Hotelaria, no mercado de trabalho atual. E assim o en-sino público secundário voltou a ser, por gravidade, novamente propedêutico, mas to-talmente desqualificado e destruído. E paralelo a ele o curso secundário privado alta-mente lucrativo para seus donos.

    Aí cabe a analogia do analista de Salamanca de D. Quixote com os pós doutores de Bolonha. Dirá o último: “Aqui ninguém entende de estrutura curricular; imagine que criaram cursos terminais no ensino secundário; barbaridade; eu aprendi em Bolonha que é no College que se faz isso”.
    Então se alguém quiser saber o futuro do ensino superior público no Brasil, é só olhar para o ensino secundário público atual. Se quiser saber o futuro do professor de univer-sidade pública é só olhar a situação do professor do ensino secundário público hoje. É apenas uma questão de tempo.

  5. Menandro Ramos Says:

    Circulou na internet:
    ———————————-

    Prezado Professor [Francisco Santana],

    cc: Prof. Menandro

    Parabéns pela análise desses novos tempos. Sobre BI, REUNI e assemelhados a Congregação da FMB teve e tem firme posição; exemplo mais recente, é o parecer anexo.

    Saudações Acadêmicas Bicentenárias,

    José Tavares-Neto
    Faculdade de Medicina da Bahia (FMB)
    Universidade Federal da Bahia (UFBA)

    ——————————————————————————–

    PARECER (Processo UFBA n° 23066.027069/09-04)
    Este parecer consta de comentários e propostas.

    COMENTÁRIOS:
    O primeiro comentário é sobre o princípio da igualdade, que tem uma dimensão jurídica, mas é fundamentalmente ético. Para realizar este princípio, temos que recorrer a outro: o da equidade. Ruy Barbosa ensina que tratar desiguais de modo igual é aprofundar a desigualdade. O sistema de cotas é um exemplo de equidade, uma “obrigação de diferenciação” positiva. Já a reserva de vagas para o BI-Saúde em Medicina, é “obrigação de diferenciação” perversa, pois termina por favorecer as classes privilegiadas.

    Os alunos do BI oriundos das classes subalternas, cotistas ou não, vão ser pressionados a ingressar
    imediatamente no mercado de trabalho, quando estiverem com o diploma de bacharel, em qualquer cargo ou função, mas os alunos das classes hegemônicas poderão esperar o tempo que for necessário para entrar e cursar Medicina. O segundo comentário se refere também à nota técnica Procuradoria Federal-UFBA n° 826/2010, nessa a Procuradoria Federal junto à UFBA falou do “competitivo processo de seleção interna” no BI, e ressaltou que, “quando do ingresso no BI, sabiam que uma percentagem de vagas dos cursos lhes era destinadas”, são previsíveis algumas das consequências dessa seleção interna, se o vestibular específico levar em conta o desempenho processual no BI: a) uma disputa fraticida entre os
    graduandos do BI, por notas, sendo impossível um desenvolvimento acadêmico cooperativo; b) uma relação conflituosa entre alunos e docentes, uma vez que estes últimos serão responsabilizados pela seleção a partir das notas e pela frustração do objetivo de muitos dos graduandos do BI: um curso profissionalizante, como o de Medicina. O terceiro comentário se refere à sugestão no parecer da profa. Iguaracyra Araújo, segundo o qual, “para não ficarmos excluídos das decisões sobre o BI-Saúde (…), que seja indicado um representante desta unidade” ao colegiado do Bacharelado. Lendo o regimento interno do
    Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC), ao qual o BI-Saúde está vinculado, constatamos que, no Art. 15, Parag. 1°, “Os colegiados dos Bacharelados Interdisciplinares serão compostos por todos os professores do quadro permanente dos cursos de graduação da Unidade, além dos professores que solicitarem sua participação no respectivo colegiado e de um representante de cada Unidade Universitária relacionada à área de concentração do respectivo curso que solicitarem sua participação.” (sem grifos no original). Ora, a Faculdade de Medicina da Bahia já foi excluída dessas decisões no momento crucial,
    quando não foi ouvida. Ademais, constam no Projeto Político-pedagógico do BI-Saúde (ver p. 17) cinco disciplinas com o código MED, as quais foram incluídas sem a aprovação prévia dos departamentos de Medicina ou de qualquer outra instância da FMB. Essas disciplinas, componentes da pós-graduação e graduação já extintos, ao contrário de demonstrar uma pretensa participação da Faculdade de Medicina da Bahia no PPP do BI, indicam desconhecimento das mudanças pedagógicas em curso e claramente apontam para uma inclusão não autorizada pela Medicina.

    Último comentário: Segundo a Resolução Processo UFBA n° 23066.027069/09-04 (Parecer: duas páginas) 2 Consepe n° 02/2008, Art. 6°, Parag. 1°, são no mínimo 20%, ou seja, no mínimo 32 vagas anuais (de 160 vagas anuais do curso médico), oferecidas a um curso de 100 vagas anuais (pelo menos de início, significando mais de 50 por cento). O curso de Medicina é o mais concorrido da UFBA: em 2009 a relação foi de 01 vaga para 28,8 candidatos (a relação para Psicologia, no segundo lugar foi 14,7). O BI Saúde apresenta uma competição é muitíssimo menor, com 01 vaga para 10,4 candidatos. Não será surpresa se os segmentos da comunidade baiana que se preparam para entrar no curso de Medicina pelo processo
    seletivo atual, disputando com uma vaga para 29 candidatos, reagirem ao constatar a redução de vagas, de 160 para 128, sem informação prévia. Mais um dado, por último, mas não menos importante: o vestibular específico do BI-Saúde para o curso médico, com o “competitivo processo de seleção interna”, define a disputa de uma vaga em Medicina para três bacharéis do BI.

    PROPOSTAS:
    1 – Em respeito às especificidades dos diversos cursos, o CONSEPE consultaria às Congregações das Unidades Universitárias que decidiriam se o curso iria ou não destinar vagas para os alunos egressos do Bacharelado Interdisciplinar. Essa seria, por princípio, uma obrigação dos cursos que apoiaram a criação o BI Saúde, mas não dos demais;
    2 – Os cursos da área de Saúde que decidirem participar do processo anterior destinarão um percentual de 5% das vagas anuais regulares oferecidas. Se a Congregação considerar mais prudente uma proposta que, no momento, minimize o grave dano ao curso médico, sugiro que, ao menos, modifique-se o Art. 6°, Parag. 1°: estabelecendo para os cursos da área da Saúde o percentual de 5% das vagas anuais . Desse modo, fomentar-se-á a participação do egresso do BI-Saúde nos diversos cursos, e não quase que exclusivamente no curso de Medicina; 3 – A Congregação da FMB-UFBA não deve indicar nenhum representante desta Unidade para participar do Colegiado do BI-Saúde, mantendo assim a postura pela
    mudança do Art. 6°, Parag. 1° que destina um percentual não inferior a 20% das vagas do curso médico. Se houver alguma mudança que a Congregação julgue favorável ao curso médico, ela pode rever esta posição.

    Em conclusão, S. M. J., para cumprir os objetivos a que se propõe, o BI-Saúde deve se manter a partir de uma demanda própria e não permitir ser usado como forma de escapar do processo de seleção para entrar no curso mais competitivo da UFBA: Medicina.

    Salvador, 1° de Outubro de 2010

    Prof. Marco Antônio Vasconcelos Rêgo Prof. Ronaldo Ribeiro Jacobina

    DELIBERAÇÃO DA CONGREGAÇÃO DA FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA: parecer lido e discutido na sessão ordinária de 5 de Outubro de 2010, e aprovado por unanimidade nesta mesma reunião. Parecer revisto pelo Prof. Jorge Carvalho Guedes. Salvador, 5 de Outubro de 2010, Secretária da Congregação da FMB-UFBA, STAE Denise Sapucaia.

  6. osaciperere Says:

    Naomar, Colegas,

    Volto ainda uma vez (e última, pois acho que outras vozes de devem fazer ouvir nesse debate) a responder às ponderações feitas às minhas considerações ao seu artigo publicado na FSP e JC.
    Para facilitar a leitura, já que as respostas foram dadas ponto a ponto, coloco em azul minhas novas argumentações, seqüencialmente às do colega Naomar:

    Em 19 de novembro de 2010 13:05, escreveu:
    Ze Afonso e Marcos,
    Nada como um bom debate acadêmico de nível.
    É disso que a Universidade precisa.

    No caso específico, valorizo mais ainda a participação de vcs no debate porque estão no foco dos acontecimentos, nesse caso no front ibérico do Processo de Bolonha, um na Universidade da Beira Interior (UBI) e outro na Univ. Pompeu Fabra.

    Obrigado.

    Replico as contribuições de vocês ponto a ponto:
    De Marcos:

    “…minha impressão do chamado Mestrado Integrado é a pior possível. Na prática, não se trata em absoluto de Pós-Graduação stricto sensu, como temos hoje no Brasil, mas de uma continuidade da Graduação, que foi encurtada aqui de quatro a cinco para três anos.”

    O CONCEITO DE SENSO ESTRITO NA PG É INVENÇÃO BRASILEIRA, DO PARECER SUCUPIRA, QUE JUSTIFICA O SENSO LATO PARA PREENCHER O FOSSO GRADUAÇÃO / PÓS, TERRA DE NINGUÉM ABERTA AO MERCADO PRIVADO DE ENSINO. É CLARO QUE O CONCEITO DE MESTRADO INTEGRADO (BOLONHA NA VERSÃO IBÉRICA) É MAIS COMPATÍVEL COM OS MASTER ANGLO-SAXÕES QUE COM AS MAESTRÍAS E MESTRADOS LATINO AMERICANOS.

    Não me parece ser automaticamente uma desqualificação o fato de o lato senso ser uma invenção brasileira. A Especialização, com suas 360 horas e direcionamento a temáticas mais específicas, pode ser uma forma perfeitamente aceitável de continuidade de estudos e aperfeiçoamento profissional, para quem deseje uma formação pós-graduada mais rápida e sem vinculações imediatas com uma carreira acadêmica. Se as Universidades públicas não utilizam mais esse modelo de formação e deixam esse tipo de curso para as instituições privadas, é de se perguntar se não seria o caso de oferecermos mais cursos desse tipo, como parte do menu corrente das universidades públicas e não apenas em caráter excepcional e – muitas vezes – como mal-disfarçados caça-níqueis para melhorar as receitas dos Programas e complementar os salários de docentes, como atualmente ocorre.

    “… não se estabelece uma ruptura de níveis entre Graduação e Pós-Graduação, como ocorre em nosso caso, com um processo de seleção, preparação de um projeto de pesquisa como condição de acesso à Pós, elementos geradores da consciência ou pelo menos ‘sensação’ de que se transitou para uma situação nova: a de pós-Graduando . Com o modelo Bolonha, nada disso acontece e os estudantes de Mestrado continuam a agir e atuar como os de Licenciatura, com a percepção de que estão apenas dando seguimento a dois anos mais dos estudos, no mesmo ritmo e espírito com que estiveram cursando os três anos anteriores, na Licenciatura.”

    ANÁLISE CORRETA. E’JUSTAMENTE A SUPERAÇÃO DESSA RUPTURA ENTRE GRADUAÇÃO E MESTRADO QUE ESTAMOS PROPONDO, DESLOCANDO O RITO DE PASSAGEM MAIS SELETIVO E RIGOROSO PARA O DOUTORADO. ENTÃO NAO VEJO ISSO COMO DESVANTAGEM.

    Receio que partindo do que diz considerar ser uma “análise correta”, você tire conclusões que me parecem non-sequitur, face àquilo que aqui se observa desde a implantação do modelo Bolonha: o Rito de passagem no Doutorado não poderá ser “mais seletivo e rigoroso”, como você sugere, pois os Mestrados Integrados fornecerão candidatos menos preparados para os programas doutorais. O que se observará será – quase que fatalmente, na maioria das áreas – um rebaixamento das barreiras para admissão ao Doutorado, para absorver os formados pelo Mestrado Integrado. Da mesmo forma que me parece que você está defendendo o Mestrado Integrado como forma de assimilar o grande número de concluintes nos Bacharelados Interdisciplinares (B.I.s) que, uma vez formados, terão dificuldades de decidir o que fazer com o título obtido. Faço uma sugestão: direcione aqueles com vocação acadêmica para os nossos Mestrados Acadêmicos – já existentes – e proponha a criação de Mestrados Profissionalizantes para aqueles que não demonstrarem esse tipo de vocação. Não há qualquer demérito em não ter vocação acadêmica.

    “… Com o modelo Bolonha, esta diferenciação entre Acadêmico/Profissionalizante na prática deixa de existir nos Mestrados Integrados, com todos fazendo um pouco de tudo, sem uma diferenciação clara para os que pretendem seguir caminhos mais marcadamente acadêmicos. Resultado: dissertações de Mestrado que deixam muito a desejar e, principalmente, candidatos doutorais muito mais fracos e com menos experiência de uma real Pós-Graduação de orientação acadêmica. […] Aliás, antecipo problemas quando chegarem aos nossos Programas de Pós-Graduação, para reconhecimento e revalidação, os diplomas obtidos na maioria dos cursos de Mestrado Integrado europeus pós-Bolonha. Poderão, em alguns casos, obter reconhecimento como Mestrados Profissionalizantes, mas dificilmente como Mestrados Acadêmicos.”

    TIVEMOS ANTEONTEM AQUI O ENCONTRO NACIONAL DOS MESTRADOS PROFISSIONAIS, PROMOVIDO PELA PROFA. TANIA FISCHER. DISCUSSAO DE ÓTIMO NÍVEL. CONVERGIMOS JUSTAMENTE PARA A NECESSIDADE DE SUPERAR A DIFERENCIAÇÃO E O PRECONCEITO QUE DESVALORIZA A FORMAÇÃO PROFISSIONAL NO NÍVEL MESTRADO NO BRASIL. O MESTRADO ACOPLADO À GRADUAÇÃO, COM ENFASE NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL (MASTER = MEISTER), FAZ PARTE DE UMA TRADIÇÃO DE 200 ANOS NO MODELO GERMÂNICO/ANGLO-SAXÃO DE HUMBOLDT-BERLIN-HEIDELBERG/ NEWMAN-OXBRIDGE/ GILMAN-HOPKINS-HARVARD. ESSE MODELO VALORIZA (E RITUALIZA) O DOUTORADO.

    Concordo plenamente que a Formação Profissional (incluído aí o Mestrado Profissionalizante) deve ser altamente valorizada. Vejo no Mestrado Profissionalizante uma via fundamental para aqueles que, terminando sua graduação, desejem continuar seus estudos, porém não necessariamente com um direcionamento acadêmico como meta final. É lamentável, por exemplo, que no Brasil tenhamos mais de 30 Mestrados Acadêmicos em Comunicação, e nenhum Mestrado Profissionalizante, por exemplo em Jornalismo ou Relações Públicas, áreas que poderiam claramente se beneficiar com esse tipo de pós-graduação de caráter profissionalizante.
    Por outro lado, discordo frontalmente da idéia de que a valorização do Mestrado Profissionalizante deve ser feita através da eliminação do Mestrado Acadêmico e a criação de um Integrado, que acabará por não ser nem uma coisa nem outra.

    QUANTO À REVALIDAÇÃO, O PROBLEMA NO MUNDO GLOBALIZADO, COM O BRASIL PROTAGONISTA SERÁ EXATAMENTE O SIMÉTRICO OPOSTO. VEJA O OUTRO LADO: O QUE SERIA EQUIVALENTE AO MESTRADO ACADÊMICO BRASILEIRO (NA VERDADE UMA LICENCIATURA PARA O ENSINO SUPERIOR) NA SORBONNE, EM OXFORD, EM SALAMANCA, EM COIMBRA OU EM BOLONHA? OU EM HARVARD OU PRINCETON, NA MCGILL OU NA MONASH? SE NESSES CENÁRIOS ACADÊMICOS, REPRESENTATIVOS DE 18 DAS 20 NAÇÕES MAIS PRODUTIVAS CIENTÍFICAMENTE, A HABILITAÇÃO PARA A PESQUISA E O ENSINO SUPERIOR É O DOUTORADO?

    Em primeiro lugar discordo frontalmente da sugestão que nosso Mestrado seja apenas uma “Licenciatura para o Ensino Superior”. Aliás, acho até que esse é um componente em geral negligenciado e para o qual se deveria ter mais atenção em nossos Programas. Considero que o mais importante na formação impartida por um Mestrado Acadêmico seja, justamente, a iniciação à pesquisa que esse percurso representa, preparação para o novo Rito de Passagem a ser enfrentado, quando de uma seleção para o Doutorado.

    Não tenho a menor dúvida que um Programa europeu que adote o modelo Bolonha pode validar um Mestrado Brasileiro, seja ela acadêmico ou Profissionalizante. E por uma razão muito simples: nossos Mestrados, dos dois tipos, são no mínimo comparáveis ao que de melhor se faz na Europa pós-Bolonha. O fato de adotarmos uma sistemática distinta não nos faz inferior. Neste caso, dá-se o contrário. Levar em conta a Globalização não significa, necessariamente, a adoção de padrões europeus ou norte-americanos, mas sim estarmos aptos produzir uma formação científica e acadêmica igual ou superior àquela oferecida em outros centros universitários. Minha experiência de docência aqui e minhas visitas a vários centros de excelência de Portugal e da Espanha fazem-me convicto que estamos respondendo à altura.

    Insisto: levou anos para montarmos nosso sistema de pós-graduação, que – acreditem – faz inveja à maioria dos colegas europeus que entra em contato com nosso modelo e o conhece mais de perto. Conhecendo e vivenciando outros modelos, cresceu-me o orgulho de ter participado, nos últimos 30 anos, da criação e aperfeiçoamento de “nosso modo de fazer”.
    Vamos com calma, com responsabilidade e sem ganas para simplesmente emular e copiar modelos como o de Bolonha que, afinal de contas, ainda não foi sequer testado por um tempo suficientemente longo para servir de paradigma a coisa alguma.

    Temos o que melhorar em nosso sistema, temos que expandir vagas preservando a qualidade, mas – por favor – sem perdermos de vista o que de nosso fizemos de bom. Nem sempre ser Brasileiro é estar no pior dos Mundos.É só.
    Saudações,

    Marcos Palacios
    Professor Titular
    FACOM/UFBA

  7. osaciperere Says:

    Repasso para os colegas uma contribuição externa ao debate. Trata-se da manifestação do Prof. Elias Machado, ex-docente da UFBA e atualmente na UFSC. Creio que é uma maifestação equilibrada e pro-positiva, que deve ser conhecida por todos.
    Saudações,
    marcos palacios
    ———- Mensagem encaminhada ———-
    De: elias machado
    Data: 25 de novembro de 2010 13:30
    Assunto: Re: [sociosdasbpjor] Mais sobre o modelo de pós-graduação e crítica a Bolonha
    Para: sociosdasbpjor@yahoogrupos.com.br

    Prezado Marcos e colegas,

    Muito oportunas esta tua provocação e os comentários feitos até agora. Olha, na condição de ex-aluno de programas de pós-graduação brasileiros e europeus, uma vez que fiz Mestrado na UFRJ e Mestrado e Doutorado na Espanha, gostaria de acrescentar algumas questões a este debate. Como sempre se deve ter muito cuidado ao copiar modelos adotados em outros países sem uma prévia avaliação crítica. A Pós-Graduação no Brasil e na Europa tem histórias totalmente diferentes. O modelo brasileiro emula o modelo dos Estados Unidos, com Mestrado e Doutorado, como ritos de passagem bem claros, principalmente se considerarmos o MPhil e não o Master of Arts dos Estados Unidos e Reino Unido. Na Europa pré-Bolonha, não existia a tradição de Mestrados Acadêmicos, entrava-se direto no Doutorado logo depois da graduação que, em geral, sequer existia como um Programa formal, bastava o aluno estar vinculado a um orientador que o acompanhava até a defesa da tese. Em certo sentido, uma exceção era a França que exigia o DEA, Diploma de Estudos Aprofundados para se matricular no Doutorado, embora todos saibamos que o DEA não chegava a ser um Mestrado nos termos brasileiros. No caso de Bolonha devemos, em primeiro lugar, com bem frisou o Jorge Pedro, distinguir o que existe de bom e que deve ser emulado como a mobilidade docente e de alunos, padronização de créditos e títulos, etc… do que deve ser avaliado criticamente, a redução dos prazos de conclusão da titulação, a criação dos mestrados híbridos, separação entre centros de excelência ( com pesquisa e ensino) e centro de ensino (para formação voltada mais para o ensino profissionalizante) e a redução dos prazos de conclusão do Doutorado, sem uma prévia formação para a pesquisa na Graduação e no Mestrado.

    Creio que não se pode desconhecer o contexto político, acadêmico e social em que a reforma de Bolonha aconteceu e está acontecendo. Como disse antes, na Europa como um todo, até Bolonha não existia o Mestrado Acadêmico e havia uma necessidade de melhorar o nível de entrada no Doutorado – não esqueçamos que se podia ingressar direto no Doutorado – reduzir o tempo de conclusão do Doutorado que em países como Alemanha, Espanha e França poderia em média chegar a sete anos e, ainda, em um contexto de desemprego massivo, acima de 10% quando se pensou o modelo, (com picos de 14% na França, 12% na Alemanha e 20% na Espanha) aumentar o número de matrículas na Universidade. Para Bruxelas, mesmo que tenha 50 anos e uma família com três a quatro filhos, se estiver matriculado na Universidade, o indivíduo não aparece como desempregado e não necessita receber seguro desemprego…. E não se pode desconsiderar ainda um aspecto muito importante. A universidade européia começou a verificar desde meados dos anos 1980 as conseqüencias de um processo de massificação em decorrência do apogeu da social democracia no pós-guerra em que antes de Bolonha havia casos, principalmente na França e na Espanha, de turmas para mais de 200 alunos sem qualquer possibilidade de cursos práticos ou de orientação individual. A Faculdade de Comunicação da Complutense chegou a ter mais 15 mil alunos e a da Autônoma de Barcelona mais de dez mil. Com o modelo de Bolonha se estimula a massificação das matrículas no ensino superior, com destaque para os cursos profissionalizantes de curta duração, mas não nessariamente a massicação das turmas, com estímulo ao trabalho orientado e a criação de dois tipos de universidades: os chamados centros de excelencia voltados para a pesquisa e o ensino das elites e as universidades grandes e massificadas. destinadas a titulação em massa, com ênfase nos cursos superiores de curta duração, até três anos e os mestrados profissionalizantes. Se pegarmos o caso espanhol que conheço bem; teríamos os modelos da Complutense, massificada e a Carlos III, quase totalmente voltada para a pesquisa, ambas em Madri, assim como em Barcelona, a Autônoma em contraponto com a Pompeu Fabra. Se tivermos este contexto bem claro, poderemos analisar melhor o modelo de Bolonha, sem pré-conceitos, vendo o que tem de bom e o que tem de ruim. Pela experiência do Marcos, da Liriam e do Jorge Pedro, parece que os resultados em certos aspectos são ruins do ponto de vista acadêmico. Mas do ponto de vista de um burocrata de Bruxelas, os resultados podem ser ótimos! Se não vejamos: se antes entrava-se sem nenhuma experiência de pesquisa no Doutorado, agora se pode argumentar que por pior que seja o Mestrado, mesmo que seja híbrido, o aluno tem alguma experiência em pesquisa antes de postular o Doutorado, apesar de que não existam regras claras para esta passagem, como dissse a Liriam. De minha turma de 40 doutorandos apenas 3 defenderam as teses em quatro anos e os três eram sul-americanos: dois brasileiros e um argentino. E a turma tinha colegas espanhóis, portugueses, franceses e alemães. Ainda que, paradoxalmente, na Universidade Autônoma de Barcelona, apenas três catalães estivessem matriculados….

    Outro aspecto que o burocrata pode chamar em causa própria para defender este modelo, é a redução média dos tempos de titulação de alunos de graduação, mestres e doutores, não apenas pela questão da redução dos índices de desemprego, mas também pela melhora dos índices de escolaridade e, em última instância, de satisfação social da população que tem um número maior de pessoas tituladas. Como sabemos bem, pela experiência da expansão do ensino universitário no Brasil, independentemente da qualidade do curso, ainda continua sendo uma questão de status ter ou não ter curso superior e, ao fim e ao cabo, mesmo que não exerça a profissão em que se formou, quem tem nível universitário, consegue melhor salário. Além disso, a adoção do modelo de Bolonha tem um componente estratégico para a União Européia se reposiconar no mercado mundial da educação diante da realidade da mundialização. Se for aprovada a abertura de mercados na área de educação, como proposta pelos Estados Unidos há anos na Organização Mundial do Comércio, com o modelo de Bolonha a União Européia teria melhores condições de ocupar novos espaços no exterior em contraposição ao modelo dos Estados Unidos e do Reino Unido há muito exportado para alguns países da África como Egito, do mundo Árabe, da Ásia e da Oceania e da própria França, com a American University of Paris, possibilitando que os recursos que faltam no mercado interno, agravados pela crise econômica – vejam-se os casos da França, Portugal e Reino Unido em que se aumentaram as taxas acadêmicias recentemente com violentos protestos dos estudantes – sejam obtidos no exterior, quer abrindo filiais em outros países, como acaba de ocorrer com a Universidade de Berlim, em São Paulo, quer através da conquista de alunos das Américas Central e do Sul, da África, da Ásia, do mundo Árabe e da Oceania, como aliás já ocorre com muitas das universidades de elite dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, no caso da Espanha com a América Latina e de Portugal com os países africanos e em parte do Brasil.
    Dito tudo isto, creio que seja oportuna a discussão proposta pelo Marcos porque temos um modelo diferente de pós-graduação que, embora necessite ser aperfeiçoado, tem muitos pontos positivos e que não pode ser substituído por outro que sequer foi suficientemente provado e testado. Não significa que Bolonha não tenha aspectos positivos e que devam ser emulados, mas apenas que devemos ir com calma e, mais do que isto, atuarmos no caso das organizações acadẽmicas e científicas como SBPJOR e SOCICOM para que a CAPES emita uma resolução sobre a revalidação destes diplomas. Atualmente nem o Conselho Nacional de Educação, nem a CAPES se pronunciaram sobre o assunto e o fato é que – falo porque já analisei dois casos de pedido de reconhecimento de mestrados em Jornalismo defendidos na City University de Londres – e a comissão fica numa tremenda saia justa. No nosso caso rejeitamos os pedidos aqui na UFSC depois que a coordenação do curso da City University informou que, na verdade, não se tratava de um Mestrado Acadêmico, MPhil, mas de um Master of Arts, profissionalizante. No Reino Unido existe esta clara diferença e isto pode facilitar a atuação das comissões, mas em países como a Espanha que conheço bem, não existe esta diferença nítida. Nos dois pedidos as “dissertações” eram na verdade trabalhos de 40 páginas, sendo que constavam de duas reportagens e um artigo acadêmico de mais ou menos 15 laudas e não poderiam sequer ser comparadas a boas monografias de conclusão de cursos de graduação brasileiras.

    Como sabemos que os mestrados do modelo Bolonha são todos mais ou menos deste tipo, evidamentemente, em pouco tempo teremos um problema político pela frente, uma vez que estaremos negando em bloco a revalidação destes diplomas se analisarmos os processos em comparação com os mestrados acadêmicos. Muito provavelmente, na minha opinião, concordando com o Marcos, poderíamos resolver ao menos em parte o problema se estes títulos fossem revalidados como similares aos de mestrados profissionalizantes. É verdade que não resolve totalmente a questão que é muito complexa e porque em áreas como Comunicação não existem mestrados profissionalizantes no Brasil, mas ao menos teríamos um marco legal para orientar quem analisa os processos e tampouco deixaríamos quem frequentou estes cursos totalmente desamparado de reconhecimento de seus estudos. Em resumo, necessitamos, como estamos fazendo aqui nesta lista, discutir melhor a questão em vez de simplesmente emular este ou aquele modelo. Por fim, o Thomas tem razão, no Brasil, não se exige em todos os casos, uma formação prévia de Mestrado para entrar no Doutorado, mas a entrada direta é um mecanismo excepcional e que somente, no caso de jovens talentos, pode ser utilizado devido a existência de programas muito bem sucedidos como o PIBIC/CNPq que forma pesquisadores na graduação, que não tem similar nem na Europa, nem nos Estados Unidos, ou então ser aplicado nos casos de profissionais brilhantes com formação autodidata e que por terem uma idade mais avançada e uma sólida produção científica não teriam porque se submeter a um Mestrado antes de um Doutorado. No processo de mercantilização e precarização do ensino, cada vez mais, o número de titulados aumenta, em todos os níveis, (Graduação, Mestrado e Doutorado), mas o que nem sempre se discute e é isto que mais interessa, é a qualidade destes titulados e a competência que terão ou não para prestar os serviços demandados pela sociedade.

    Com um abraço a todos,

    Elias.

  8. osaciperere Says:

    Prezados Colegas,
    Ultimamente tem havido manifestações sobre modelos de cursos, envolvendo bacharelados, mestrados, doutorados etc. Acredito que boa parte das discussões e pontos de vista ocorrem porque o Brasil não tem um projeto de nação (mas apenas de poder) que contemple a universidade pública. Ou seja, um plano de formaçào profissional para funcionar em sintonia com a realidade brasileira. Deste modo, a universidade pública seria muito mais útil ao país se estivesse formando bons professores de matemática, física, quimica e português para atuarem compulsoriamente – por determinado tempo – no ensino básico e superior nas capitais e no interior. Se estivesse formando bons profisssionais da área de saude para atuarem compulsoriamente – por determinado tempo- em clínicas e hospitais públicos nas capitais e no interior. Se estivesse formando bons engenheiros e profissionais afins para atuarem em empresas estatais e organismos públicos. Se estivesse formando profissionais de diversas áreas em sintonia com a demanda dos setores produtivos da sociedade. Enfim, formar e distribuir bem os profissionais acredito que seja a chave para tirar o país do subdesenvolvimento, reduzir as desigualdades regionais e evitar desperdícios.
    Telésforo

    ————

    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Telésforo Martinez
    Enviada em: quarta-feira, 24 de novembro de 2010 17:21
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: [Debates-l] modelos de cursos

  9. osaciperere Says:

    Colegas,
    Vou ser curto e direto:

    NUNCA PROPUZ ELIMINAR O MESTRADO ACADÊMICO DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA

    NUNCA ESCREVI QUALQUER LINHA A FAVOR DE um monstrengo híbrido bolonhês

    NUNCA ESCREVI QUALQUER LINHA CONTRA a criação de muitos Mestrados Profissionalizantes, lado a lado com a manutenção de um número razoável de Mestrados Acadêmicos, oferecendo ao recém-graduado a oportunidade de escolher que tipo de formação pós-graduada deseja.

    NUNCA PROPUZ ADOTAR O MESTRADO INTEGRADO (DENOMINAÇÃO QUE ALIÁS EXISTE APENAS EM PORTUGAL)

    Não sei porque é tão difícil fazer o debate num viés pro-positivo.
    Mas sou otimista porque os argumentos que Iara traz reforçam a pertinência de dessacralizar o Mestrado em nosso país.

    Abs
    Naomar

    Citando Marcos Palacios :

    > Prezada Professora Iara,
    >
    > Tampouco tenho qualquer dúvida de que Mestrados de tipo
    > Profissionalizante sejam um caminho correto e eficaz para aqueles que
    > desejem continuar seus estudos para “buscar posição gerencial no
    > ambiente produtivo”. Nem todo estudante que termina uma graduação
    > deseja seguir carreira acadêmica e seria muito de se estranhar se assim fosse.
    >
    > Minha discordância com relação à posição do Prof. Naomar é quanto à
    > eliminação do Mestrado Acadêmico, através da sua diluição em um
    > Mestrado Integrado, como acontece no caso do modelo Bolonha, que na
    > maioria dos casos não é nem uma coisa nem outra, nem Acadêmico nem
    > Profissionalizante, justamente por ser híbrido.
    >
    > Temos no sistema brasileiro a clara distinção entre os dois tipos de
    > Mestrado. O Mestrado Acadêmico é e – em minha opinião – deve continuar
    > a ser uma preparação para o Doutorado. Trata-se de um primeiro estágio
    > de formação de um recém-graduado, que aspire a uma carreira acadêmica e de investigação.
    >
    > Se eliminarmos o Mestrado Acadêmico, como se dará a preparação do
    > recém-graduado que queira cursar um Doutorado? Como pode haver uma
    > seleção rigorosa no Doutorado, sem uma prévia formação do candidato
    > como pesquisador?
    >
    > Nosso problema é a distorção hoje existente, com relação à oferta dos
    > dois tipos de Mestrado: temos pouquíssimos Mestrados
    > Profissionalizantes, o que obriga a TODOS que queiram continuar seus
    > estudos a buscar um Mestrado Acadêmico. Na minha área (Comunicação),
    > por exemplo, temos mais de 30 Mestrados Acadêmicos e *nenhum*
    > profissionalizante. E trata-se de uma área que poderia se beneficiar
    > enormemente de Mestrados de tipo Profissionalizante (por exemplo, nas
    > várias modalidades do Jornalismo Especializado – Esportivo, Politico,
    > Cinetífico, etc- ; nas áreas de marketing, relações públicas, etc). Em
    > um curso de Letras cabem perfeitamente Mestrados Profissionalizantes
    > que especializem, por exemplo, em Tradução Simultânea, e assim por diante.
    >
    > Os Mestrados Profissionalizantes estão devidamente regulamentados pela
    > Capes (
    > http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=31&d
    > ata=23/06/2009) e podem ser criados em qualquer área de conhecimento.
    > Se não temos mais cursos desse tipo é por nossa própria inação. Não
    > temos necessidade de reformar o sistema e criar um monstrengo híbrido
    > bolonhês para fazer frente à necessidade de formação
    > profissionalizante. Não vejo no artigo do Prof.
    > José Roberto Cardoso qualquer sugestão nesse sentido.
    >
    > A solução ,portanto, parece-me ser a criação de muitos Mestrados
    > Profissionalizantes, lado a lado com a manutenção de um número
    > razoável de Mestrados Acadêmicos, oferecendo ao recém-graduado a
    > oportunidade de escolher que tipo de formação pós-graduada deseja.
    >
    > Minha defesa da manutenção do atual sistema com dois tipos de Mestrado
    > estriba-se em minha idéia de que a Universidade *deve*, sim, estar
    > vinculada ao mundo do trabalho e ao sistema produtivo e formar pessoal
    > capacitado para atender a demandas concretas de mercado reclamadas
    > pela sociedade, mas* não
    > deve* – em nenhuma hipótese – afastar-se de sua missão precípua, qual
    > seja a de produção de novos conhecimentos, pela via da formação
    > acadêmica, pesquisa pura e aplicada.
    >
    > A flexibilização na formação não deve seguir a via da simplificação
    > pela fusão de tipos diversos de encaminhamento pós-graduado. Minha
    > experiência em Portugal está a dar-me a oportunidade de vivenciar os
    > dois sistemas e estou convencido da superioridade de nosso modelo. É
    > mais caro? Sim, manter opções diferenciadas é oneroso. Mas não sou
    > partidário de uma avaliação de sistemas educacionais que tenha como
    > medida maior a simplificação e o barateamento dos processos de
    > formação, mesmo que com a justificativa de que dessa forma criaremos mais vagas.
    >
    > Nosso desafio continua enorme: ampliar o acesso sem perder a
    > qualidade, mas pelo contrário incrementado-a. O Mestrado Integrado não
    > me parece, em absoluto, um passo correto em tal direção.
    >
    > Saudações,
    >
    > Marcos Palacios

  10. osaciperere Says:

    Prezado Naomar e demais colegas,

    Minha opinião sobre nosso sistema de PG é bem simples: em time que está ganhando, é melhor não mexer. Nosso sistema melhorou enormemente nos últimos 20 anos, avançou para concepções interessantes como o mestrado profissional, os mestrados acadêmicos e doutorados têm cumprido bem seu papel. O melhor é manter o sistema, aprimorar a avaliação, resolver as distorções que a última revisão do Qualis criou (envio artigo em anexo a respeito), e resolver problemas operacionais nos MPs, que, ao não serem custeados pela CAPES, criam entraves legais e operacionais importantes.

    Sinceramente, Naomar, considero as idéias que você apresentou mal vindas, diante de um sistema que vem funcionando bem, que não precisa desta renovação proposta, mas antes de consolidação e aprimoramento do trabalho bem feito que já vem sendo realizado.

    Agora, dentro da UFBA, temos de refletir sobre as indicaçoes negativas da última trienal da CAPES, na qual tivemos mais cursos que pioraram a nota do que os que melhoraram. Em vez de inovar o tempo todo, o que precisamos é entender o que tem ocorrido com as condiçoõs de trabalho de professores e pesquisadores da UFBA, que têm se deteriorado fortemente na última década. No meu entendimento, precisamos mais arrumar a casa do que fazer casas novas, sem alicerces sólidos.

    Att
    Charbel El-Hani
    IBIO-UFBA

    —————————————————————-
    Universidade Federal da Bahia – http://www.portal.ufba.br

  11. osaciperere Says:

    Ciculou na lista “debates-l”:
    ——————————

    Sugiro que as boas e sólidas respostas que se opoem – como eu tbem me oponho- ao modelo proposto pelo prof. Naomar sejam consolidadas num artigo a ser enviado para publicação na Folha de Sao Paulo pois, sabemos bem isso, independentemente da qualidade das análises, a repercussao de uma lista interna é pífia.

    Com o pequeno poder que o reitorado lhe conferia o Prof. Naomar conseguiu implantar na UFBA o seu modelo altamente discutível de B.I. abandonando unidades existentes, fechando na prática orgãos como o CEAO – com 50 anos de existencia (coisa que nem a ditadura fez) – e privilegiando novos Institutos cujos diretores foram noemados porque alinhavam incontinenti com o projeto de massificação ilimitada (nao confundir com democratização pois esta pressupõe distribuição equânime da qualidade). Imaginem o que tal homem nao poderá fazer se, falando com exclusividade nos meios de opiniao pública, for guindado a algum cargo federal de responsabilidade?

    Saudações Universitárias,

    Zamparoni
    ————————————

    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Prof. Dr. Valdemir Zamparoni
    Enviada em: quinta-feira, 25 de novembro de 2010 16:35
    Para: Marcos Palacios
    Cc: grupojol@googlegroups.com;
    debates-l@listas.ufba.br;
    apubdebates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l]
    Mais sobre o modelo de pós-graduação e crítica a Bolonha: uma contribuição externa

  12. osaciperere Says:

    Circulou na Debates-l da UFBA
    —————————–

    Prezados,

    Gostaria de parabenizar o colega Marcos Palácios pelas lúcidas e inteligentes observações.

    Parece-me que o que Naomar propõe busca apenas ser uma adequação ao modelo de curso que ele trouxe para a Ufba. Em suma, o curso superior (BI) passa a ser apenas uma extensão do ensino médio e a pós-graduação em qualquer nível passa a ser apenas uma extensão do BI. Ou seja, a universidade vira um escolão de 3o. grau (como na maioria das faculdades particulares) que busca apenas tapar buracos da formação acadêmica do aluno para lhe outorgar um diploma universitário com o qual ele possa concorrer a empregos públicos (pois isso parece ser a única coisa que um “bacharel interdisciplinar” pode fazer na prática com seu diploma genérico).

    E onde vai parar a qualidade desses cursos?

    Como bem lembrou Palácios, esse deveria ser o papel dos nossos cursos de especialização (que no Brasil convencionou-se chamar erroneamente de MBA, sigla inglesa para mestrado em administração) e dos mestrados profissionais, e não dos mestrados acadêmicos e doutorados.

    Por que temos que nos adequar a modelos estrangeiros que ou ainda não foram testados ou têm sido piores do que os nossos?

    Pena que até agora poucas pessoas tenham se pronunciado sobre o assunto e temo que brevemente vejamos os nossos conceituados cursos de mestrado e doutorado transformados em MI e DI, todos distribuídos no mesmo sacolão/bolsa do REUNI.

    Abraços,
    Décio Torres Cruz
    Departamento de Letras Germânicas
    (Atualmente, em pós-doutorado na Universidade Metropolitana de Leeds, Inglaterra)

  13. osaciperere Says:

    Circulou na lista Debates-l da UFBA:
    ————————————————-

    Naomar, Marcos Palacios e demais colegas,

    Tenho acompanhado com atenção o debate proposto por Naomar e que julgo
    de grande importãncia, não só para nossa universidade, mas para as
    universidades brasileiras.

    Estou em estágio pós-doutoral na Espanha e tb tive oportunidade de
    “ver de perto” o funcionamento e alguns produtos de cursos de mestrado
    e doutorado, inclusive de alguns doutorandos que fizeram “sanduiche”
    em outros países (Itália, inglaterra etc.), e penso que, como Marcos,
    nossos cursos de pós-graduação nada devem aos da Europa pós Bolonha.
    Acho sim , como Marcos, que podemos nos orgulhar de nossos cursos.

    Eu não ia responder pq achei que nada tinha de novo para propor, mas
    depois julguei importante dizer que concordo plenamente com a idéia do
    mestrado profissionalizante. Não raras vezes me deparo com alunos ou
    ex-alunos que gostariam de continuar os estudos mas que dizem não
    querer a carreira acadêmica e não ter vocação para a pesquisa.

    No ano passado, no nosso programa (Psicologia), começou-se a discutir
    a proposta de um mestrado profissionalizante que parece ter uma boa
    aceitação na CAPES e no CNPq. Creio que se essa discussão puder
    agregar os vários cursoa que têm esse interesse, poderíamos ter um
    movimento mais geral e bem estruturado.

    Abç,
    Marilena Ristum
    Instituto de Psicologia
    —————————–

    —–Mensagem original—–

    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de ristum@ufba.br
    Enviada em: terça-feira, 23 de novembro de 2010 09:18
    Para: Marcos Palacios
    Cc: apubdebates-l@listas.ufba.br;
    grupojol@googlegroups.com;
    José Afonso Jr; debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l]
    [Apubdebates-l] Debate sobre Artigo na Folha

  14. osaciperere Says:

    Circulolou na Debates-l:
    ——————————–

    Colegas – concordo com o Prof. Zamparoni. Em qualquer assunto polêmico é importante a imprensa conhecer os dois lados da questão. A bem da verdade, os interesses pessoais e políticos dos dirigentes, a conivência e subserviência dos conselheiros e a omissão do corpo docente, permitiram a criação dos BIs que nada acrescentam às reais necessidades do Brasil e da Bahia. As insanidades acadêmicas também chegaram ao interior do estado, com a implantação de um Curso de Geologia em Barreiras, gestado entre quatro paredes do Instituto de Geociências. Quem é do ramo e tem consciência, sabe perfeitamente o custo e a complexidade de um curso desta natureza. Precisa funcionar próximo de laboratórios naturais. Precisa interargir com instituições técnicas e científicas. Precisa ter corpo docente qualificado e experiente em vários segmentos das Ciências da Terra. Precisa de razoável infra-estrutura de equipamentos, laboratórios e veículos. É profundamente triste e lamentável verificar o estado atual deste curso. Nenhum dos pré-requisitos citados vem sendo satisfeito e o curso caminha na base do faz de conta, com grosseiras improvisações e sem perspectiva de futuro. Infelizmente a grande maioria do corpo docente da Ufba não se manifesta – vive egoisticamente fechada em seu mundinho acadêmico – e o Mec não passa de mais um aparelho do sistema de poder. E nesta toada os nordestinos continuarão na informalidade e/ou ocupando empregos de baixa qualificação e sendo facilmente manipulados por governantes populistas.e inescrupulosos.

    Telésforo—————————–
    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Telésforo
    Enviada em: segunda-feira,
    29 de novembro de 2010 08:23
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: [Debates-l] insanidades

  15. osaciperere Says:

    Circulou na Debates-l:
    ——————————–

    Colegas – concordo com o Prof. Zamparoni. Em qualquer assunto polêmico é importante a imprensa conhecer os dois lados da questão. A bem da verdade, os interesses pessoais e políticos dos dirigentes, a conivência e subserviência dos conselheiros e a omissão do corpo docente, permitiram a criação dos BIs que nada acrescentam às reais necessidades do Brasil e da Bahia. As insanidades acadêmicas também chegaram ao interior do estado, com a implantação de um Curso de Geologia em Barreiras, gestado entre quatro paredes do Instituto de Geociências. Quem é do ramo e tem consciência, sabe perfeitamente o custo e a complexidade de um curso desta natureza. Precisa funcionar próximo de laboratórios naturais. Precisa interargir com instituições técnicas e científicas. Precisa ter corpo docente qualificado e experiente em vários segmentos das Ciências da Terra. Precisa de razoável infra-estrutura de equipamentos, laboratórios e veículos. É profundamente triste e lamentável verificar o estado atual deste curso. Nenhum dos pré-requisitos citados vem sendo satisfeito e o curso caminha na base do faz de conta, com grosseiras improvisações e sem perspectiva de futuro. Infelizmente a grande maioria do corpo docente da Ufba não se manifesta – vive egoisticamente fechada em seu mundinho acadêmico – e o Mec não passa de mais um aparelho do sistema de poder. E nesta toada os nordestinos continuarão na informalidade e/ou ocupando empregos de baixa qualificação e sendo facilmente manipulados por governantes populistas e inescrupulosos.

    Telésforo

    —————————–
    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Telésforo
    Enviada em: segunda-feira,
    29 de novembro de 2010 08:23
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: [Debates-l] insanidades

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: