21 – Lutar, pra que?

 

 

 

- La vie est belle! - filosofou o Saci para o seu amigo Pica-Pau, que escutava atento...

- La vie est belle! - filosofou o Saci para o seu amigo Pica-Pau, que escutava atento...

 

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Do pilantra do Saci-Pererê, recebi o que se segue, via e-mail, acompanhado de uma foto-montagem. Não sei se é uma carta-renúncia de militância ou se é mesmo uma oração contra balas perdidas. Achei-a estranha, mas nem de longe passou pela minha cabeça a idéia de “moderá-la”. Como Voltaire, morro defendendo o direito dos meus adversários poderem se expressar como lhes dá na telha.

“A vida é bela e curta. Assim deve pensar a atual diretoria da APUB. E ela tá certa. Uma casinha maneira de praia, um solzinho no ponto e uma cervejinha bem gelada. O resto o companheiro Lula proverá. Afinal, a diretoria da  APUB é Proifes, que por sua vez é do chefe presidente.

Por falar nisso, olha aí o Bill, na presidência, com muita grana para pesquisa e a proteção do milagroso São Carlos… Muito trabalho, trabalho duro para botar pra correr os espíritos de porco que ainda acreditam em sindicato combativo. Besteira pura. O sol nasceu pra todos, mas a sombra é só para quem flexibiliza. Tá aí o Palacete da Sereia de Aratuba, para dizer se é ou não é. Dinheirinho em caixa, poupança pro futuro. Nenhum gasto com faixas e cartazes com dizeres de movimentos contestatórios. Movimento só da Bolsa. Sindicalismo, só de mercado. O resto é devaneio de pobre.

O céu tá azulzinho que dá gosto. E como! Só uma única nuvenzinha no horizonte das preocupações: que esse horror de professores folgados da UFBA não queira vir todos praqui, pois são apenas quatro quartos. O máximo que pode abrigar é a diretoria e alguns amigos. Mais disso é promiscuidade. E é bom que não se queira ampliar os cômodos. Esse negócio de puxadinho acaba desvalorizando o Palacete.

Agora é relaxar e gozar dessa tranquilidade paradisíaca. Uma ilha de lazer é o local ideal para se refugiar dos problemas do mundo e se tornar o aprisco de um sindicato local, de âmbito estadual. Esta transformação é realmente muito profuuuuuunda! E até, porque não dizer, revolucionária?!!

No mais, é confiar na competência do Delegado Magalhães e rogar ao Todo Poderoso que nos livre sempre das balas perdidas. Amém.”

 

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Publicado originalmente no Blog Construindo a Conlutas na UFBA.

Uma resposta to “21 – Lutar, pra que?”

  1. Menandro Ramos Says:

    Eu fiz questão de enviar para as listas da UFBA/APUB a mensagem abaixo. O “adesismo” do Saci já está passando dos limites:

    “Lutar, pra que?

    Você, certamente, já indagou dessa forma, sobre a inutilidade da luta do ser humano debaixo do Sol. Quem não já?

    Se eu religioso fosse, por certo, contentar-me-ia em citar o Eclesiastes: “Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho […] debaixo do sol […]?”

    Mas pensando bem, ainda que eu o fosse, verdade verdadeira, o Saci não merece qualquer consideração, muito menos uma citação de um dos Livros Sagrados, ou assim considerados por alguns… Ainda que minha querida mãe (que Deus a tenha, caso exista céu) costumava dizer que a capacidade de perdoar eleva o cristão a pináculos divinos inefáveis…

    Mas vamos ao que interessa: o Saci, ao que parece, capitulou…

    Enquanto o Delegado Magalhães bota a mão no juízo, para dar conta da violência que assola a Ilha, o Saci tá lá no bem-bom de papo pro ar, a setenta metros do Palacete da Sereia de Aratuba, tostando até dizer chega. Ele e o seu amigo Pica-Pau”.

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