326 – Não à barbárie britânica!

(clique na arte para visualizá-la melhor).

 

Não à barbárie britânica!

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

 meu amigo Saci-Pererê da UFBA, como ele gosta de ser identificado, já que outros Sacis existem por aí, é radicalmente contrário às guerras, holocaustos, torturas. Para ele a humanidade merece coisa muito melhor. Por isso fica perplexo e ao mesmo tempo furioso com a barbárie praticada por certos países que arrotam civilização e regras para os outros cumprirem – só paraos outros -, pois jamais eles próprios as cumprirão. Ou seja, toda a mise-en-scène de “civilização” não passa de um finório exercício da hipocrisia do colonizador.

O velho continente europeu está em permanente débito para com os povos do mundo. As grandes navegações deixaram um rastro de morte, dor, doença, sofrimento, advindo da colonização, do esbulho e, sobretudo, da “lógica justificadora” de carnificinas perpetradas pelo Estado mediador da cobiça burguesa. Contraditóriamente, também veio da vetusta Europa alguns marcos normativos como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de outubro de 1789, por incrível que pareça, sob inspiração da Revolução Americana e de um inegável sentimento de reciprocidade ideológica (1776)…

Desde a “Gloriosa” Revolução inglesa, ou até mesmo antes dela, como marco da história da gênese capitalista, passando pelas revoluções e lutas – gloriosas ou não -, ocorridas no Continente Americano e outros, o uso das armas tem sido uma constante nas contendas entre interesses de países e de classes. A máxima romana antiga Si vis pacem para bellum (Se queres a paz, prepara-te para a guerra) de Publius Flavius Vegetius Renatus (do seu livro “Epitoma rei Militaris“, escrito provavelmente em 390 D.C.), tem sido pretexto e “álibi” chinfrim, não apenas para os países “donos do mundo” se armarem até os dentes em nome da PAZ, como também para fazer rodar e lucrar as poderosas indústrias armamentistas. Diga-se de passagem, custeadas, grande parte delas, pela “inteligência” dos centros de pesquisa das universidades dos países signatários do Clube dos Ricos, e o dinheiro do contribuinte que poderia ser destinado a outros investimentos sociais edificantes como educação, saúde etc.

Mas é essa contradição do real que transforma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 – pensada originalmente pelos Estado Unidos e aliados, para ser  uma arma contra a antiga URSS -, numa referência universal contra seus próprios autores, incluindo-se aí a parceira e amiga de fé, a Armada britânica.

De repente, o papel da inteligência inglesa – das suas notórias universidades; das suas Reais Academias de Ciências (juntando-se, claro, os seus nobres cientistas e pensadores); da sua força política e competência diplomática – é colocado em cheque –, inclusive o próprio papel das Ciências praticadas no planeta, se o fruto das epistemologias continuar sendo utilizado para ceifar vidas, legitimar hegemonias espúrias e trazer o sofrimento para a humanidade ou parte dela, sob qualquer que seja o “álibi”, desculpa ou pretexto.

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