381 – A glória do Naopensador da UFBA

Se depender do Saci, a entrada do Campus de Ondina, da UFBA, será tão visitada quanto o Taj Mahal, as Muralhas da China e a Torre Eiffel. Clique na arte para visualizá-la melhor.

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Saci está muito estranho. Não deu a mínima para um e-mail que alguém nos enviou, o qual reproduzo logo abaixo. Nos últimos dias, está colocando todas as suas energias no projeto de uma megaescultura que deverá, logo mais, encaminhar aos dirigentes da UFBA para apreciação. Segundo ele, a monstruosa obra de ferro e cobre, de sete centímetros a mais do que a Estátua da Liberdade, de Nova Iorque, deverá – caso o projeto seja aprovado – ser instalada na entrada principal do Campus da UFBA de Ondina, em homenagem ao pujante pensamento universitário baiano.

O traquinas de gorro vermelho e pito me saiu agora com uma excêntrica tese de “Reitorado de Resultados” que, segundo ele próprio, colocará por terra tudo que foi produzido criticamente, até então, pelas universidades brasileiras. Ainda segundo o pilantrinha, a estrela do tal “Reitorado de Resultados” começou a brilhar quando um certo ex-dirigente da UFBA reavaliou suas ideias contra as cotas e passou a vislumbrá-las como intrumento político. Daí para a frente, a história ficou conhecida, pois ganhou todos os espaços que faz jus na mídia empresarial.

Para minha surpresa – o Saci é uma mina fértil! – o meu debochado amigo me jurou – pela tocha da Estátua da Liberdade! -, que tão logo conclua sua saga buonarottiana, irá se dedicar ao campo médico da epidemiologia, pois, a seu juízo, o mesmo está enormemente desfalcado…

E viva a glória! E viva a imortalidade! E viva a deusa Fortuna! Depois de Rodin, Saci Buonarrotti.

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Oi Menaci [creio que a “intimidade” deva ser um acrônimo de Menandro + Saci],

Bom dia! Encontrei um amigo outro dia e ele me dizia: o Naomar desapareceu da Ufba, pensava ele, que foi por perder apoio e tal. Lêdo engano… Veja esta matéria produzida pela Ufba que superlativa o papel de Naomar em conselho não sei do que. A legenda diz que ele foi o responsável por incluir cotas de cor e ainda defende o estudante pobre. Na verdade, eu acho que ele só teria dito o que está no corpo da matéria, sobre estudante não saber língua estrangeira, o que é o óbvio. Estamos assistindo que filme?

O jornal universitário não tem uma coluna escrita por professor, um comentarista autônomo e crítico, é um informativo institucional. Bem, para o blog do Saci sugiro um contraponto, assim: escolha uma(s) notícia(s) do ufba em pauta, provoque alguma coisa, com a colaboração dos amigos do Saci, ou não, e abra a coluna de comentários semanais. Vejo que teria sempre uns dois ou três comentários, além de colocar semanalmente o debate, vejo potencial nesta proposta!!!

Depois podemos reunir tudo e analisar, provocando uma síntese. O Saci pode abrir e estabelecer um diálogo, verdadeiramente democrático. Pode garantir um tempo mais real para o debate. O que se escreve sexta à noite para as listas ufba, só é divulgado segunda pela manhã e olhe lá.  Neste ínterim, quem espera liberação de sua mensagem para entrar no debate, dança. A síntese geraria novos comentários, seria muito dinâmico para o Saci entrar toda semana nas listas, com coisas ditas e feitas pela ufba.

Não sei se esta proposta seria adequada para o blog do Saci, na minha opinião, é seu lugar natural, não me lembro se no blog o comentário fica on-line na hora. Acho que diz que está em espera… esse termo eu conheço… Talvez te dê mais trabalho, não sei, deveríamos pensar uma alternativa para gerar o diálogo temático semanal, pelas notícias institucionais. Vejo até o nome: Jornal Universitário: “O Saci Livre”, cujo diretor é o Saci, claro, você, o editor-chefe.(rsrsr)  e o Pica-pau, diretor de redação, que pica o pau em todo mundo.

Se tivesse vontade de começar a problematizar, com esta notícia de Naomar, que tal perguntar pelo projeto de universidade e de nação, para este investimento em intercâmbio estudantil? Na distribuição destas bolsas, mais que cotas, precisamos ter um projeto para a sociedade-universidade. De que vale a pessoa viver a mobilidade se a universidade não souber absorver. O docente vai trabalhar com o estudante que retornou de que maneira? Para fazer o que?

Não teria lógica os docentes reivindicarem uma cota de mobilidade universitária, para sua atualização?

5 Respostas to “381 – A glória do Naopensador da UFBA”

  1. osaciperere Says:

    Deu no site da UFBA:
    Dilma decide incluir cotas em programa de bolsas no exterior
    28/07/2011 – 5h05

    Mudança foi sugestão do professor Naomar

    De improviso, a presidente Dilma Rousseff decidiu, em evento no Palácio do Planalto, que a seleção para o programa de bolsas no exterior Ciência sem Fronteiras não levará em conta apenas o mérito. A presidente alterou o programa após os discursos dos conselheiros Naomar de Almeida Filho, ex-reitor da Universidade Federal da Bahia, e José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. Naomar discursou que a deficiência em língua estrangeira é o maior entrave para a participação dos estudantes da rede pública na seleção de bolsas. Ele defendeu mais investimento na capacitação dos alunos das classes de renda baixa.

    Após ouvir cobranças de dois representantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ela disse que as 75 mil vagas em cursos nas áreas tecnológicas e exatas serão distribuídas por Estados e uma parte será concedida de acordo com questões étnicas e de gênero. Após o anúncio, Dilma tentou mostrar que não havia contradição. Enfatizou que o mérito será “crucial” mesmo na seleção das vagas por questões étnicas e de gênero, sem dar detalhes. “A partir desse primeiro critério, de mérito, teremos de aplicar outros critérios que podem contemplar toda a questão relativa a gênero, à questão étnica”, afirmou. No evento, Dilma pediu para os empresários bancarem outras 25 mil bolsas.

    Fonte: Jornal Folha de São Paulo

  2. Dart Says:

    Você se supera a cada dia. Deve ter uma gama de pessoas na UFBA chateadas com você hem. Mas são ótimas suas postagens, apesar das críticas que nem sempre concordo, mas todos são livres.

    Forte abraço

  3. Maria Inês Marques Says:

    Olá pessoal,

    Vou entrar na provocação da pessoa que escreveu a proposta de tecermos alguns comentários sobre o que está acontecendo na UFBA e tomarei a importante questão da mobilidade estudantil e docente. Estive estudando fora por um programa de mobilidade docente e estudantil, promovido pela União Europeia. Ele foi promovido por meio de acordo internacional e o Brasil foi incluído e várias instituições participaram, dentre elas a UFBA.

    Realizei estudos sobre a mobilidade que revelou sua extrema complexidade, por isto, concordo com a referida pessoa do blog, quando diz que é preciso um projeto de nação e universidade. O professor Paulo da Costa Lima, ofereceu uma disciplina com Felippe Serpa na pós de educação sobre universidade e nação, foi uma oportunidade de pensar a importância de se ter um projeto de nação e de universidade. Não há como pensar em um projeto, sem o outro. Universidade referencia-se na sociedade e pode fazer muito para melhorá-la em diferentes campos.

    Estamos em tempos de pré-sal, que prometem muito desenvolvimento econômico para o país. Que projeto se tem para os jovens quando os tempos forem de fartura e de trabalho? Sabedores que somos do esgotamento do petróleo, como poderemos aproveitar melhor a riqueza para construir um futuro sem dependência? A UNESCO sinalizou que o caminho, é construir a sociedade do conhecimento e da informação. Em seus documentos, as disparidades entre os hemisférios norte-sul foram analisadas, concluiu-se que os países do sul, precisam sair da condição de meros consumidores para a de produtores de ciência e tecnologia. Como conseguir tal efeito? A UNESCO aposta na formação universitária, no conhecimento, na incorporação de valores que auxiliem a sustentatabilidade econômica dos países. Ela apresenta a mobilidade universitária, como alternativa para acelerar a construção deste novo cenário.

    A proposição da UNESCO encontrou eco na União Europeia, decidiram em 2000, que a Europa teria a melhor educação do mundo e viveriam a sociedade do conhecimento na plenitude. Os investimentos em desenvolvimento foram canalizados para as instituições educacionais, as universidades passaram por uma renovação física, foram dotadas de laboratórios e um amplo financiamento para pesquisas.

    A mobilidade universitária na UE passou a fazer parte da política de desenvolvimento, que define os projetos financiáveis para cumprir objetivos. Dentro dela, está a ação exterior e a cooperação para o desenvolvimento, que oferece empréstimos aos países emergentes e pobres, para projetos específicos, incluindo a formação de pessoas para sustentar o desenvolvimento. A política de mobilidade universitária está relacionada com o mundo do trabalho e integração regional. A UE montou programas para financiamento, democrático, das ações para a mobilidade, aqui, as bolsas nasceram em número limitado e com diferentes cotas, entre universidades, etnia, gênero… E as cotas para docentes? Estaremos restritos à alta concorrência da Capes e Cnpq?

    Mobilidade não é uma coisa nova, no Brasil, em diferentes momentos da universidade, tivemos hordas de professores e pesquisadores recebendo formação no estrangeiro. Nesta semana recebi da minha diretora a pauta do Consuni, a questão das bolsas seria definida, ou discutida. Pergunto se alguém está acompanhando isto? Houve algum debate? Interessa-nos debater?

    Eu creio que sim. Voltei de um processo de mobilidade docente e advogo a necessidade de todos saírem um pouco do seu nicho e vencer os desafios postos pela vida em outra sociedade. No entanto, deveríamos voltar para dar algum retorno aos nossos. Se este movimento não acontecer, partindo do docente, é possível que jamais ele possa dividir, com outros pares e universitários, sua produção e aprendizagens. Quando os estudantes iniciarem o intercâmbio, o que irão trocar? Que farão na universidade ao retornarem? Os professores dos estudantes em intercâmbio, não deveriam estar em constante diálogo e até mesmo desenvolver projetos conjuntos? Não deveriam eles fazer intercâmbio também?
    A novidade que a UE agregou à sua política educacional, veio da mais antiga tradição universitária, a mobilidade, a universidade era aberta, vivia das trocas de saberes, docentes e estudantes movimentando-se. A universidade estadunidense se renovou a partir de dois estudantes que foram estudar na Alemanha e absorveram seu modelo de ensino-pesquisa-sociedade. Para que ir estudar fora, para aprender línguas? Também, mas, fundamentalmente, para atualizar conhecimentos científicos e ajudar seu país, que estará pagando caro um intercâmbio. Isto está sendo considerado? Pelo que li nas listas, a pesquisa, o ensino e a extensão estão em debate. Com tão poucas linhas de financiamento, que áreas seriam mais contempladas, no caso de formar o estudante, de intercâmbio, para a pesquisa?

    Existe outro aspecto relacionado com o tema mobilidade, como parte da internacionalização da educação, que abriria outros tantos considerandos que não desejo abordar aqui. Ressalto apenas, que as avaliações, rankings institucionais, produtivismo docente, estão em seu bojo. Para procurar onde a UFBA está, lembrando da metáfora da banheira, requer que perguntemos: qual o nosso projeto de universidade-sociedade-baiana- brasileira?

    Então, como pensadora, sem estátua, advogo que pensemos melhor neste investimento para a mobilidade na UFBA e mantenhamos nossas reflexões on-line, porque um congresso docente presencial para pensar um projeto de universidade, está tão longe de acontecer, como uma estatuinte.

    Saudações Universitárias
    Maria Inês Marques
    FACED

  4. Menandro Ramos Says:

    A Prof. Maria Inês Marques, da FACED/UFBA, que recentemente contemplou ao vivo e em cores o cenário da União Europeia, através de estudo pós-doutoral, acolheu a proposta de um leitor do Blog do Saci-Pererê que sugeriu discussões sobre a UFBA no ambiente virtual.

    Quem é minimamente dado à observação e reflexão, reconhecerá sem dificuldade o silêncio tumular dos docentes da UFBA em relação a certas questões… Com a desistência da APUB em lutar pelas causas docentes, em troca de ter optado pela promoção de folguedos e quermesses, diga-se de passagem muito simpáticos, a categoria está desnorteada. A reverência quase sagrada que a atual “agremiação” docente tem pela Reitoria e pelo MEC pode ser facilmente comprovada nas chamadas e links que o site da APUB faz para os portais e assuntos de interesse das mencionadas instituições. “Dir-se-ia uma agência de propaganda se não lhe soubesse o que deveria caber”, debocha o Saci. Isso, na melhor das hipóteses, para não falar das referências a eventos globais que noticia, como o reality show do BBB e outros que tais. Todos eles registrados e denunciados pelo Blog do Saci-Pererê. E sem falar, também, da censura tirânica que a APUB exerceu contra os que ousaram pensar diferente de sua diretoria, bem como do expediente posterior de extinção da lista de discussão “apubdebates-l”.

    O já conhecido questionamento “o que fazer?” salta como corolário.

    Creio que a sugestão do leitor – de pilhéria ou não –, de os docentes criarem um espaço para o diálogo e o exame crítico acerca do que o UFBA em Pauta noticia, vai ao encontro do ideário democrático de não se ter apenas a “fonte” oficial.

    Aqui, abro um parêntese, e falo baixinho:

    – Ninguém de sã consciência haverá de negar o discurso privilegiado, por exemplo, de um ex-reitor, que via de regra tem acesso aos jornais e revistas de maior tiragem do país, exatamente em função do cargo público que ocupou… Consequentemente, são bem maiores as chances da visão de mundo de um magnífico falante – meritória ou não -, de ser acolhida como verdade sacralizada… Ora, sem o contraponto, a assimetria se instala. E tal assimetria desconstrói o que se entende por democracia.

    Fecho-o.

    Pois bem, na tentativa de contrapor à oficialidade, sem xingamentos ou insultos, disposta a forçar esse diálogo que infortunadamente não quer acontecer na UFBA, a Profa. Maria Inês dá o pontapé inicial, a partir da sugestão de um leitor do Blog do Saci-Pererê. Se será o primeiro e único, só o tempo dirá. Espero, sinceramente, que muitos outros “pontapés” ocorram.

  5. UFBA – Pompa, circunstância e aflição « Blog do Saci-Pererê Says:

    […] Tudo leva a crer que a vida de alguns docentes da UFBA, a dos conselheiros reais, é um róseo conto de fadas. Até merece a atenção escultórica projetual sacizesca… (Confira). […]

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