404 – Roberto Carlos em Jerusalém

Para o Saci, a humildade com que o o Rei Roberto cantou a bela canção “É preciso saber viver”, entre outras contendo mensagens religiosas, cativou o público presente. E a Grobo, como sempre, dando o “maiorrapoio” sem cobrar nada em troca… (clique na arte para vusualizá-la melhor).

 

O show não terminou

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

Esse Saci! Foi uma fuzarca sem precedentes. Veja se pode: o pilantrinha simulou uma entrevista com o Rei. Mas, tudo de mentirinha, claro. O cachimbo era o microfone; já a garrafa PET vazia sobre o sofá, o entrevistado. Alguém mais malicioso até podia enxergar no referido sofá, o divã, mas não era, não… Pensar nisso é bobagem pura. Era um sofá mesmo, e nada mais.

Ora o Saci era ele mesmo, ora o RC. Do canto da sala, eu me esbaldava com aquele exercício de ventriloquismo de voz nasalada.

SACI – E aí cara, diga alguma coisa para os seus milhões de fãs!

RC – Hã! Hã! Hã! Voncê, Saci, é uma branza mora, sabia? Mas vamos lá, meu amigo de fé, meu irmão camarada! Por onde e quando começar? São tantas as emoções

SACI – Eu uma brasa, Roberto? Imagine!… Isto não é um cachimbo… É um microfone…  Mas vamo que vamo. Diga , quando as crianças saírem de férias, colé de mermo?  Fale da sua rotina, da cama e mesa, fale sobre o quintal do vizinho ou mesmo sobre os botões da blusa e os travesseiros soltos pelo chão…

RC(risos nasalados)voncê me deixa envergonhado. Eu sou – além de muito tímido -, um bom moço… (mais risos nasalados)

SACISáure! A ideia não é essa… Tente pensar que você é mais do que um amante à moda antiga!… E que representa, sobretudo, a memória de uma parte da juventude brasileira… Fale pois do que você gosta.

RC – Então… Tem uma coisa que me dá muito prazer… Adoro correr por aí, sem rumo, fugindo de mim mesmo…

SACINóóósa! Nos anos de chumbo, na época da ditadura no Brasil, você já gostava de correr?

RC – Sim, sim. Naquela época era o maior barato…

SACI – Tudo debaixo dos caracóis?

RC – Sim, e muito embalo, muita ternurinha, muito tremendão!

SACI – Muito DOI-CODI também?

RCDói,dói… Não lembrado,não, Cara!…. O que sei é que nessa época tinha era muita gente com dor de cotovelo…

SACI – E as tardes de domingo, como eram gastas?

RC – Ah! A gente dava uma forcinha ao pessoal do Rádio e da TV e eles retribuíam também… Sem eles, eu e o Erasmo ainda estaríamos sentados à beira do caminho até hoje…

SACI – Alguma lembrança especial da época da jovem guarda?

RC – Tenho, sim! Fecho os olhos e ainda vejo a cena. Eu tinha acabado de tomar o café da manhã e corri para o calhambeque, pois o cadillac estava na oficina. Mal eu ultrapassei o portão e a caranga já voava. Falando sério, cara, pisei fundo e vi o ponteiro saltar de 150 para 300 km por hora. Na pista, as curvas da estrada de Santos escondiam o que estava além do horizonte. As folhas de outono amarelavam a paisagem. A cavalgada com aquela máquina quente abreviou o tempo de eu chegar até o meu barquinho, o Lady Laura III. Cara! Dentro dele tinha um cachorro… Ao me avistar, ele me sorriu latindo! Juro por Deus! Emocionado, não resisti e cantei: “quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo, olhando pra você e as mesmas emoções latindo!…

SACI – Puxa! Essa é bem diferente da história do homem que matou o homem mau!… Mas, e daquela primeira festa de arromba até o Muro das Lamentações, recentemente, me conta como é que foi… Subiu muita montanha?

RC – Cara! E como! Rios de saliva, oceanos de roupa azul, fugindo sempre do marrom… Foram muitas e muitas as flores do jardim da casa dos outros distribuídas…

SACI – E em termos de faturamento, de bufunfa, de arame, a Guerra dos Meninos (dos Niños) superou o patrocínio da multinacional do ninhozinho?

RC – Deu para descolar o leite das crianças… (risos nasalados).

SACI – Mudando de assunto, RC, você usa cartão de crédito?

RC – Ultimamente, eles é que me usam… (risos nasalados). Mas é preciso saber viver… saber viver, Cara!… É o que eu procuro e procurei sempre…

SACI – E as crianças órfãs da Palestina, chegou a ver alguma?

RC – Não estou sabendo, não! Me conta!

SACIJesus Cristo! Você não soube?

RC – Não soube, não! Que estupidez! Vai, me conta aqui como foi!!!

SACI – Sabe Roberto, outra hora eu lhe conto, pois vou ter que encerrar esta entrevista. O tempo ruge… Mas antes de concluir, queria que dissesse qual o seu maior desejo? 

RC – O de sempre, meu querido! O de sempre! Eu quero ter um milhão de amigos!!! (risos, muitos risos nasalados)

***

Algum tempo depois de encerrada a entrevista, o Saci alfinetou:

– Sujeito vivo esse Roberto. Já pensou, chefia, quanto ele não vai faturar se cada um desses amigos lhe adquirir um DVD do show em Jerusalém, a R$50,00? Faça a conta aí: 50 X 1.000.000 (cinquenta vezes um milhão!)…

Nossa Senhora! Esse Saci! Para ele, o show não terminou ainda!… – Não pude deixar de exclamar.

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4 Respostas to “404 – Roberto Carlos em Jerusalém”

  1. osaciperere Says:

    Um leitor me escreveu perguntando o porquê de eu não ter me referido à emissora de TV da qual o Rei é sócio, e sobre os programas de final do Ano que ela exibe.

    AH! Leitor! Por mais força estranha que a mídia exerça sobre a cabeça das pessoas, que por sua vez vão beijando as algemas que as aprisionam, esses são apenas detalhes pequenos…

  2. osaciperere Says:

    Recebi por e-mail:

    Para vc.. que anda pegando no pé do rei ultimamente….
    Hj o programa de Jô é só com ele… […]
    Assista!

  3. osaciperere Says:

    De uma leitora que não quer ser identificada:
    —————————————————–

    Esse Saci é um danado. Acabei de ver a entrevista de RC no Jô, através do Youtube, no endereço abaixo:

    Embora tudo tenha sido montado para causar uma impressão favorável ao comandante do Lady Laura, uma análise cuidadosa do que foi dito no programa global desvela a mistificação usada na construção da personagem e reforça a mistificação: tudo construído para fortalecer a imagem do cantor “bonzinho”, “legal”, “uma brasa mora”! É uma história hilária: depois de atropelar um sapo na estrada, nos EUA, o “Rei” voltou para o animal não ser estraçalhado por outros veículos. Idem com o caso da libélula de asa quebrada e o das “formigas loiras” no carpete branco…

    Um ato falho, entretanto, mostra a essência do capitalista usurário, que quer acumular, acumular sempre. Quando Jô pediu para ele não mais andar de moto, para vender ou dar o veículo, ele foi contundente:
    – Dar, não! Eu vendo!

    Assim, consciente ou não, ele acaba sendo um agente do capitalismo, cobiçado pelas gravadoras, emissoras de TV, empresários da cultura, da indústriacultural e mutchos outros empreendedores. Inclusive o empreendedores que lidam com a religião ou boa-fé dos fiéis…

    Quanto ao talento dele como cantor e compositor, nada a questionar. É inegável o carisma que tem para comover e mexer com a emoção das pessoas. No fundo, ele representa o que muita gente, tocada pelo espírito do capitalismo, gostariam de ser e de ter:
    de ser rei e de ter os súditos aos seus pés, consumindo compulsivamente suas produções (discos, shows), além de castelos, transatlânticos, carrões – muitos carrões! – e fans apaixonadas. “E que tudo mais vá pro inferno!”.

    Parabéns pelo olhar crítico e apurado, Saci. O resto é miopia crônica global.

  4. Francisco Santana Says:

    Variações sobre o mesmo tema: Roberto Carlos em Jerusalém.

    1) PRIMEIRA VARIAÇÃO – Quando um político procura ou pousa ao lado de astros ou ídolos famosos, é porque a política de seu país vai mal. Foi o que aconteceu com a Inglaterra na década de sessenta. A rainha Elizabeth II que só comparecia em jogos de tênis, Turfe e Polo, teve que ir ao estádio de futebol abraçar Bobby Moore. E também recebeu os Beatles no palácio.

    Essa aparição de Shimon Peres ao lado de Roberto Carlos pode significar que as coisas em Israel não vão bem. Mas por que terá vindo ele procurar a solução no Brasil, país de cristãos, seguidores portanto da religião do “Bastardo” (expressão usada pelos epígonos de Chaim Weissman e Bem Gurion)?

    Será por causa de Osvaldo Aranha? O grande defensor da criação do Estado de Israel (existe uma estátua dele em Telaviv.)?

    Ou será que o IMPÉRIO tem uma outra solução para Israel usando o fanatismo de seu povo para um novo êxodo, cuja nova terra prometida seria agora a tríplice fronteira onde fica o Aqüífero Guarany.

    Quando Herzl e Rostchild criaram o sionismo, evidentemente se enviou emissário à Palestina e voltando o emissário disse: “A noiva é linda, mas tem dono”. Daí pensarem na época numa solução mais imediata que seria a Argentina (pensaram também na África. Os imperialistas são muito pródigos em cortesias com o chapéu alheio). Mas Rostchild preferiu criar, para sorte dos argentinos, um marketing mentiroso sobre a Palestina: “UMA TERRA SEM POVO PARA UM POVO SEM TERRA”. A opinião dos árabes e palestinos não valia nada para os países imperialistas.

    Imagine agora se essa turma inventa outro marketing: “UMA ÁGUA SEM POVO PARA UM POVO SEM ÁGUA”!! Se Israel, com a criação do estado Palestino tiver de uma vez por toda de parar os assentamentos, para onde irão os judeus sem casa?. Os judeus que estão emigrando dos países subdesenvolvidos não estão mais ficando em Israel e procurando EUA e Europa. Se a crise mundial piorar muito, é bem capaz de precisar emigrar uma boa parte da população de Israel. Para onde ela irá? Aí aparecerão transnacionais que financiarão de bom grado a emigração de 2 milhões de sionistas para o Brasil contanto que eles se apossem do Aqüífero Guarany para essas multinacionais.

    Aí os chineses concordam, contanto que acrescentem uns 10 milhões de chineses na quota de imigração; e a África do Sul (ex), como tem relações com a Holanda e Alemanha, sugerem mas alguns milhões de negros de lá para fazer os trabalhos grosseiros e sujos. Quando não se precisar mais deles, os expulsem para outras regiões da A. Latina. Assim o conselho de Segurança da ONU aprovará sem veto.

    Portanto os brasileiros ficarão na situação de egoistamente torcer para que não criem ainda o estado palestino para dar tempo aos brasileiros ocuparem a região com um plano de colonização sustentável com os excluídos, marginalizados, desempregados, desapropriados e sem terras brasileiros.

    Esperemos o que Dilma Roussef vai dizer na ONU, quarta-feira, sobre o estado Palestino.

    2) SEGUNDA VARIAÇÃO – Que responde a indagação do Saci – Consumo é sinônimo de droga e o seu oposto é a realização. Se você faz um bolo de chocolate e depois o come se regogizando com um grupo de amigos, você se realiza, mas se você compra na Perini um bolão de chocolate e se empanturra, você apenas consome, você se droga.

    Numa sociedade extremamente consumista, a droga é uma decorrência natural.

    Se você faz como Elomar, toca suas canções para se integrar com amigos ou com uma platéia seleta que sabe apreciar sua música dando esse prazer a quem toca e a quem compõe, você se realiza como o Elomar. Mas se você compra uma porção de DVD e se intoxica de tanto ouvir suas músicas (do DVD), você está consumindo, se drogando.

    É claro, como em toda dialética há um ponto em que consumo se torna realização e vice-versa. Há uma zona de sombreamento.

    E não há diferença entre música clássica ou pagode. Se você bota aquela zorra no ouvido e sai por aí como um robô indiferente a todos, você está se drogando, você é um consumista. Não importa se a droga é cocaína pura comprada na mão da secretária de Roberto Marinho ou se é um crak comprado na mão de um pivete na Rua do Gravatá. Se você come um bolo até se empanturrar comprado na Perini ou uma goiabada numa barraca de feira. Consumo é consumo, realização é realização.

    Voltemos a Roberto Carlos. Graças aos drogados ou consumidores da sua música, para mim de baixa qualidade poética e musical, Roberto Carlos se realiza financeiramente, se realiza como ídolo, mas não sei se ele se realiza como músico de fato como faz o Elomar, nem outros grandes músicos brasileiros.

    Roberto Carlos e quejandos surgem de um mesmo modismo que grassou em todo mundo, e perdoem-me os fãs dos Beatles, os Beatles também não são exceção. Começam fazendo música para crianças retardadas, depois evoluem para falso protesto contra o velho, depois começam a cantar músicas românticas e no final se apresentam falsamente como críticos das injustiças sociais, se adaptando ao mercado da hora, como podem.

    No Brasil foi a jovem guarda, na Itália a intragável Rita Pavone e por aí vai. Outra de suas características era o plágio de músicas americanas com traduções altamente infiéis.

    Chico Buarque fez uma peça, RODA VIVA, que ilustra bem a trajetória desse tipo de músico de multidões.

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