453 – A chegada de Marighella no céu da APUB

Até El Greco (1541-1614), pintor cretense radicado na Espanha, entrou na dança pictórica. O Saci imaginou-se do lado oposto do revolucionário e poeta baiano Carlos Marighella, mas querendo faturar uns trocados em cima do ex-deputado e militante comunista, assassinado pelo terror dos anos de chumbo... Rapá! Pra que! Se isso acontecesse realmente, segundo ele, o chicote do "home" diria pra que veio!... Hum! Se diria... (clique na arte para visualizá-la melhor).

O Cordel Escrachado

Até uma capa de mentirinha o Saci imaginou para um cordel, também de mentirinha, escrito por uma certa pessoinha verdadeira, de gorro vermelho e pito...

.

A chegada de Marighella no céu da APUB

Saci-Pererê da UFBA

Eu vou contar a história
De um baiano valoroso
Que foi pro céu da APUB
Em dia não muito chuvoso
Fazer brandir o chicote
Num Saci muito manhoso.

Em tempos de Nao e Reuni
Aquilo tudo era a prova
Da história, o passamento.
Veio o BI, Uninova
E o Trabalho encontrou
No sindicato sua cova.

O triunfo do Capital
Acovardou a Seção
De lutar pelos direitos
Pelo salário, pelo pão
Daqueles que davam aulas,
Obreiros da Educação.

A direção da APUB
Entendeu que o sindicato
Podia ter regalias
Se apoiasse no ato
O governo plantonista
Contra quem paga de fato.

Pra disfarçar foi fazendo
Convênios a torto e a direito
Com pet shops, quitandas
Compondo coisas de efeito
Festas, quermesses a rodo
Tecendo o cenário perfeito.

Pra que lutar sindicato?
Isso é coisa do passado
Flexibilizar é negócio
Luta é coisa de finado
Trabalhador é peão
O eterno alienado.

No bom jogo de cintura
Vai-se levando o Mané
Aposentados, ativos
São todos Zeprequeté
Tendo plano de saúde
Não precisa nem ter fé.

E pra não dar na pinta
Dá-se uma placa ao Herói
Que plantou a liberdade
Ao morrer como um caubói
Dando a vida por justiça
Qual o exemplo de Hanói.

Mas a vida pega peças
E eis que vem o trovador
O bravo vate Marighella
Surge na sala sem pudor
Na hora H tira a azeitona
Do pastel enganador.

Mal ele entrou na sala
Bateu os olhos no Saci:
Tu tens cara de poeta!
Me dá esse Cordel aqui!
Vai comê-lo e sem pressa
Com farinha e pequi.

Se é desses que faturam
Com a miséria do irmão
Vai aprender a ser gente
A ter um bom coração
Ou te faço engolir
Uma brasa de tição!

Me perdoa guerrilheiro!
Bufou de medo o do pito
Queria faturar uns trocados
No embalo do agito
A cultura é um álibi
Pra gente ficar bonito.

Que vá reinar noutra praça
Pois em Sindicato se luta
Quem engana seus parceiros
Não é digno da labuta
Que nunca tenha alegria
e nem coma da boa fruta.

E o chicote certeiro
Atingiu a pobre rima
Voou Cordel feito inseto
Que nem dança de menina
Sobrou um Sa-Saci gago
Lamuriando sua sina.

***

Te-teeenho dii-di-dito!

Leia mais sobre a homenagem a Marighella (AQUI).

Anúncios

2 Respostas to “453 – A chegada de Marighella no céu da APUB”

  1. Cecilia de Paula Says:

    Sindicato é pra lutar!

    Já dizia Marighela e

    tantos outros

    que ainda estão na luta,

    sem se acovardar.

  2. altino bomfim Says:

    MENA!!
    nesses velsos descolados
    desvendas a desfaçatez
    de travestidos sindicalistas de ocasião
    que massageiam heróis
    disseminando a enganação!
    altino

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: