516 – Prouni é mais para os pobres ou para os ricos?

O Saci escavou, escavou e encontrou a verdade… Um tanto quanto ambígua! Ou não…

.Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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epois de ouvir coisas horríveis que ocorreram com pessoa que ousaram criticar alguns governos por esse mundão afora, em diferentes épocas, o Saci ficou apavorado, certamente temendo pela sua única perna ou, quem sabe, pelo meu próprio pescoço. O primeiro impulso que teve foi de encerrar a conta do Blog. Algum tempo depois, já com a cabeça mas refrescada, após um bela chuveirada, pensou na possibilidade de se restringir a escrever apenas sobre amenidades como horóscopo, hi-society, santos do dia, fofocas da TV, receitas para remover manhas e outras tantas cositas light.

Eu não saberia dizer por quanto tempo ele ficou todo quieto, paradão na sua cadeira predileta de três pernas. O fato é que já tinha me esquecido dele, quando senti o ar da sala impregnado daquele cheiro horroroso do seu cachimbo. Tentei protestar, mas ele sacou mais rápido a palavra, como um trator desgovernado:

– Chefia, estive examinando o Programa do Prouni. Rapá! A proposta é muito bem elaborada. Há muito que não vejo nada tão redondinho assim. A começar pela forma como o Portal do Prouni o apresenta:

[Prouni] é um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que oferece bolsas de estudos em instituições de educação superior privadas, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior.

Atônito, eu o olhei sem acreditar no que eu estava vendo. Aquele não era o combativo companheiro que eu havia conhecido antes. Teria ele sido nomeado para alguma coisa numa nessas secretarias de governo? Como atualmente tudo está conectado com os partidos coligados da situação, talvez tivesse sido beneficiado com alguma boquinha vantajosa. Lembrei-me de Roberto Gomes em sua “Dialética da Razão Tupiniquim”:

[…] existem duas maneiras de aniquilar com o artista: censurando-o ou promovendo-o a uma espécie de ornamento social. E é assim que o homem sério exorciza aquilo que teme[…]

Talvez fosse aquilo. O Saci tinha, praticamente, virado um jarro alvi-negro pitando. Mas logo a ficha caiu para mim.

EPA! Mas qual! Que bobeira a minha… O Saci era um ente mitológico, e como tal não poderia ocupar cargos públicos. Se bem que isso não poderia ser um impeditivo tão rigoroso assim, pois certos políticos viraram mito quando estiveram com a titularidade do poder, e nem por isso foram destituído dos altos cargos ocupados… Ao contrário. Houve até o caso de um deles, que saiu com alta popularidade, que por pouco não sai mais… Mas nada daquilo importava no momento, a não ser descobrir o que passava naqueles pobres neurônios sacizescos. Pensei até na possibilidade de ele ter um só hemisfério cerebral, e, consequentemente, nem precisar do corpo caloso que todos nós somos obrigados a ter.

Para aumentar mais ainda a minha aflição, ele me apresentou por escrito um verdadeiro libelo em favor do tal Prouni.

Apresento, em seguida, para quem tiver paciência de ler, e sobretudo tranquilidade para aconselhar, o que o pestinha denominou de Método Indutivo de Verdades Verdadeiras, com Aporte em Sete Premissas Fundamentais:

A Dialética do Prouni 

Saci-Pererê da UFBA

Preâmbulo

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Prouni é um programa de inclusão trilateral oferecido à sociedade brasileira pelo eminente governo que findou e reiterado pelo que o sucedeu recentemente – este agora com propósitos de impedir, a qualquer custo, a solução de continuidade desse e de outros projetos em curso, fato tão comum na administração pública. A fórmula que não encerra nenhum componente de magia ou de esoterismo, é muito simples e pode ser compreendida como uma estrutura trifocal, cujas esferas estruturantes, imbricadas entre si, são constituídas de três entes na geometria política: Capital – Governo – Trabalho. Sendo que este último ente, ou seja, o Trabalho, seguindo a lógica da política de reparação, é o maior beneficiado de todos, como nunca se viu antes no Brasil, para tomar de empréstimo um dos slogans mais prestigiados peloexcelentíssimo ex-presidente Lula da Silva de mui saudosa memória.

A assertiva da concentração de benefícios na aludida esfera do Trabalho se dá através do recurso discursivo in heptapraemissal (em sete premissas), conforme desenvolvimento supra:

A primeira verdade, e a mais universal de todas, consigna-se na real ajuda que o programa presta ao estudante brasileiro sem muitos recursos financeiros. Verdade verdadeira. O estudante sem dúvida sai no lucro, pois a grana destinada ao pagamento dos seus estudos é líquida e certa.

A segunda verdade fixa-se na ideia de que o Brasil também é sobejamente beneficiado. Verdade verdadeira. Se o Brasil é constituído de brasileiros e brasileiras, e se o estudo melhora a vida de cada indivíduo que dele faz jus, logo, a melhoria de vida dos estudantes brasileiros implica em lucros reais para o Brasil.

A terceira verdade funda-se no pressuposto de que um programa de bolsas beneficia sobremaneira as pessoas pobres, pois os ricos podem arcar tranquilamente com as vultosas mensalidades cobradas nos cursos superiores. Dupla verdade verdadeira, uma vez que os estudantes pobres são beneficiados, de fato, com as bolsas e também é correto dizer que os estudantes ricos podem assumir as altas mensalidades dos cursos universitários, conforme menção infra.

A quarta verdade embasa-se na constatação de que as instituições privadas beneficiam-se com largas somas pecuniárias pela parceria com o governo Federal. Verdade verdadeira, pois toda instituição privada de ensino, enquanto empresa privada, existe para ter lucro e a finalidade precípua de qualquer organização empresarial é acumular o máximo capital que puder. Este é o único e principal objetivo. Lembrando aqui que “capital” é um ser vivo capaz de se multiplicar infinitamente. Os outros objetivos, ditos filantrópicos, aqueles bem “simpáticos” que constam no material publicitário impresso que grande público tem acesso, ou, contemporaneamente, nos sites e portais das empresas, funcionam apenas como a emblemática rainha da Inglaterra, cuja bela coroa que adorna sua fronte real, apenas empresta solenidade à “organização” (estatal ou empresarial, conforme o caso).

A quinta verdade tem por convicção o pensamento de que, assim como o Capital, o Trabalho se robustece na transação mercantil-universitária. Verdade verdadeira, pois as Universidades Privadas também são empresas, conforme já foi dito, e, como tal, detêm as forças produtivas (força de trabalho humana + meios de produção), forças essas capazes de fazer girar a roda de qualquer economia. As Universidade Privadas são, pois, empresas situadas historicamente no modo de produção capitalista – ainda que algumas delas se autodenominem de instituições filantrópicas… Para isso acontecer, de fato, seus reitores e membros da cúpula empresarial precisam, urgentemente, abrir mão dos abonados proventos com que são regiamente contemplados.

A sexta verdade constata que os estudantes lucram horrores com o Prouni. Verdade verdadeira, pois as bolsas distribuídas são destinadas a milhares de estudantes espalhados pelo Brasil afora. De 2005 para cá, segundo dados oficiais, quase 500 mil bolsas! já foram distribuídas.

A sétima verdade deduz acertadamente que o número de Universidades Privadas beneficiadas com os recursos do Prouni é infinitamente menor do que o total dos estudantes beneficiados até o presente momento. Verdade verdadeira, pois 500 mil alunos contemplados é um quantitativo muito maior intergiversavelmente do que uma ou duas centenas de empresas capitalistas universitárias parceiras.

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Conclusão:

O que se pode concluir é que, de acordo com as cifras aqui rigorosamente abordadas, os estudantes pobres, em número elevadíssimo, levam uma vantagem enorme sobre o reduzidíssimo número de empresários ricaços. Talvez estes últimos, constituam apenas 1% da população. Dizendo em outras palavras – o Prouni é mais, muito mais para os pobres. Quanto aos empresários da educação, apenas uns três ou quatro gatos pingados dele se beneficiam.

Este é o nosso parecer. Salvo melhor juízo (S.M.J.).

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2 Respostas to “516 – Prouni é mais para os pobres ou para os ricos?”

  1. Vinicius Says:

    Que lixo! Que pobreza de argumentos! Só mesmo alguém profundamente desinformado, mal intencionado ou ingênuo pode ter escrito isso.

    • osaciperere Says:

      Apresente os seus argumentos densos, então, para defender o indefensável Prouni. Dizer que os argumentos são pobres lhe obriga a apresentar argumentos ricos de defesa… Caso não o faça, entenderei… Rss.

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