530 – Gabrielli, o soldado de Wagner

Para o Saci, a banda petista da UFBA está em festa, pois um dos seus soldados pode sonhar com o generalato...

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

 

 

 

u estava pensando justamente sobre o grande novelo que é a política partidária quando o Saci entrou esbaforido:

viu chefia, o Zêzêu dançou…

Percebi, logo, que o patife tentava imitar o finado Cabeça Branca quando se dirigia ao deputado Zezéu, mas me fiz de desentendido.

– Quem? Não entendi!…

– O ex-secretário da Seplan, cara! O coitado teve que arrumar os panos para dar lugar ao ex da Petrobras… Quase choro quando li o desabafo do pobre para a imprensa: “Fiquei um ano montando intensamente projetos de larga escala, com alcance regional e nacional, e na hora de capitalizar isso para a Bahia, eu saio”. Não é de cortar o coração, chefia?

Reclamei com ele pelos modos chulos como se dirigia a uma autoridade e, sobretudo, a um representante do povo na Câmara federal… Mas ele parece que não me ouviu, e continuou tagarelando:

– O raciocínio dos caras é muito simples, chefia: O Estado da Bahia é como se fosse uma empresa de capital misto que precisa de um gestor com experiências em negócios internacionais e marketing cultural. Se tudo estiver nos conformes, depois da posse, disponibilizam-se ações do Estado na bolsa para os investidores do Atlântico Norte, ou quem sabe, para os dos Tigres Asiáticos e… Bem, falou-se que o ex-presidente da Petrobras era mais pirotécnico do que técnico. Se é vero, não sei, mas que ele fez muito marketing da bondade, isso fez. Veja isso chefia.

Como eu me recusara em ler o pedaço de papel que me estendera, ele mesmo começou a fazer leitura em voz alta:

Escute só. Só escute: No mínimo foram pelo menos 55 projetos de patrocínio de festas e eventos destinados à Bahia no ano da graça de 2011. São João e Carnaval abocanharam a maior parte da grana. A merreca de R$ 14,7 milhões foi destinada a mil e um projetos: do “São João do Dendengoso 2011” (R$ 1,56 milhão) à festança da Associação de Magistrados da Bahia. No Carnaval de 2011 choveu muita grana na horta dos trios Tripodão e Novos Baianos e dos blocos do Olodum e o Ileaiê (Fonte AQUI). É mole ou quer mais?

– Chega Saci! Besteira tem limite! Tenho mais o que fazer! Faça-me um grande favor! Vá ali no Relógio de São Pedro e me verifique a hora…

– Precisa não, chefia. Olhe a hora aí no canto inferior do monitor, do lado direito…

Meio abobalhado, ainda olhei na direção indicada. Quando me voltei para lhe passar um bom sabão, por me fazer de bobo, ele já havia desaparecido como que por encanto.

Esse Saci é uma praga! Solta um traque no elevador e deixa o ambiente cheirando a pólvora. O pândego me fizera lembrar de coisas já arquivadas na minha memória. Eu havia lido, no ano passado, que a Petrobras fora privatizada sem licitação e que o seu novo dono, o PT, era quem dava as cartas. Só que o cumpadre Lula, que apadrinhava Gabrielli, já não estava mais como síndico do Palácio do Planalto, que tinha agora o comando de uma síndica, que por sinal não morria de amores pelo agora ex-presidente da Petrobras… Uma complicação! Lera também sobre as confusões envolvendo o nome da empresa e a bronca da presidente Dilma, que fizera o soldado Gabrielli verter copiosas lágrimas: “Ache 56 milhões de votos, sente na minha cadeira, e aí você pode achar o que quiser”. (Dê uma espiadinha AQUI).

De repente, bateu aquela dúvida: quem sabe se o preclaro ex-presidente da Petrobras não resolvera seguir o conselho da Sra. Rousseff, e tomara o Palácio de Ondina como um primeiro degrau? Caramba! Estaria o povo baiano condenado a ver o Estado da Bahia, coitadinho, ser vendido para acionistas estrangeiros, seguindo o mesmo destino de privataria da ex-nossa Petrobras, com gasolina por hora da morte e preços ditados pelo guloso mercado internacional, exatamente numa época em que alcançara o boom da produção e da competência técnica? Teríamos também o “tapa-boca” do patrocínio cultural, largamente usado em outros carnavais e forrós? O pilantrinha de gorro vermelho e pito provocara um verdadeiro tsunami na minha cabeça.

– Ah! Se eu te pego, Saci de um figa!

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Uma resposta to “530 – Gabrielli, o soldado de Wagner”

  1. altino Says:

    ALÔOOOOOOOOOOOO!!!
    Não houve alterações na lógica e forma de se fazer política no país. em que pese a crise de representação (aqui e no mundo), pouco tem sido feito pela sociedade civil organizada para discutir e tentar mudar o crítico quadro.
    É VERO QUE ESSE ANO TEMOS ELEIÇÕES ANO??? para prefeito e……
    que tal começar uma TEMPORADA DE QUESTIONAMENTOS, DEBATES E OUTRAS AÇÕES SOBRE “ESTADO E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA”??????????
    abraços,
    altino

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