577 – Pela lavagem da APUB, já!

Para a dupla Pica-Pau e Saci, a Terra gira, gira, gira e, nessas voltas, a seção sindical que deveria defender os trabalhadores, acabou se contaminando com as benesses palacianas e afins…

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ecebemos uma mensagem do Prof. Antônio Câmara, ex-presidente da APUB, em que ele coloca a entidade atual como uma espécie de má defunta, ou seja, em outras palavras, ela não merece choro nem vela. Dessa forma, não haveria mais razão para defendê-la.  Certamente, a história da nossa seção sindical, se for escrita com justiça e isenção, o apontará como um dos mais ardorosos defensores do trabalhador e crítico qualificado do capital. Bem diferente, mas bem diferente mesmo de outros presidentes que a APUB já teve.

Sempre estou de acordo com quase todas as ideias dp Prof. Câmara. Só que dessa vez vou me divergir dele, pois entendo que a APUB tem um passado honrado e precisa ser resgatada das mãos inadequadas que as tomaram. Sindicato é para lutar, e lutar não é apenas bailar. Muito menos servir de correia de transmissão da reitoria ou do governo.

Se a tomaram de assalto, cabe a nós, da base opositora, resgatá-la. Se há oito anos isso parecia quade impossível, hoje o cenário não é o mesmo. A conjuntura agora é outra e posso testemunhar o descontentamento dos professores com a condução que atual direção, em sintonia fina com o Palácio da Reitoria e com o MEC, vem dando à entidade.

Segundo entendo, o atual panorama que se descortina dá indícios de que temos amplas possibilidades de tomá-la de volta dessa direção governista. Entretanto, como os docentes  a ela filiados são livres para escolher o modelo de sindicato que querem, se nas próximas eleições entenderem que a APUB deverá continuar um sindicato chapa branca, paciência. Aí estaremos livres, leves, soltos  e com a consciência tranquila de que não fugimos da luta. Além do mais, a atual seção está bem instalada e conta com uma estrutura física razoável e de um corpo competente de servidores para conduzir a totina de um sindicato. Assim sendo, só pelas urnas e após elas – se for o caso -, devemos nos pronunciar em relação à criação de uma outra entidade para defender os interesses dos docentes da UFBA. Só assim!

Abaixo, a mensagem do Prof. Câmara.

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Menandro e colegas,

Abaixo a minha contribuição para o debate do movimento docente na UFBA:

 Caros colegas da oposição, tenho evitado pronunciar-me quanto à presente mobilização devido à minha decisão pessoal de não me disponibilizar a participar, enquanto liderança, do movimento docente. Por isso, tenho respeitado, à distancia, as iniciativas tomadas por colegas que de modo corajoso (com destaque para Menandro) têm empunhado a bandeira da luta e da resistência. No entanto, já há algum tempo não compartilho com o gasto de energia todo direcionado para as sucessivas diretorias pelegas da APUB, há pelo menos quatro anos tenho convicção de que é necessário fundar a secção sindical do ANDES-SN, pois considero que a estrutura da APUB alterou-se de tal modo que a ela não cabe mais essa representação.

Não podemos mais continuar reféns de uma agremiação que abriu mão da luta sindical, convertendo-se em aparelho burocrático representando o governo e as administrações universitárias. A APUB, com a sua atual estrutura não pode mais ser considerada um sindicato da categoria docente da UFBA-CEFET (pois a UFRB já tem sua secção sindical independente). Ao longo dos últimos oito anos, as sucessivas diretorias destruíram o sindicato, pondo no seu lugar um aparelho que se desfilou do ANDES-SN, alinhou-se à federação capa branca (PROIFES) e à direção da UFBA. Neste período, os diretores da APUB revezaram-se entre a administração universitária e o aparelho sindical, alteraram o estatuto, fecharam a lista de debates, apoiaram o REUNI, negociaram migalhas com o governo (criando um fosso ainda maior entre as classes de professores). Enfim, sob a direção da CUT-PROIFES comandaram a política de liquidação da luta sindical e fomentaram o vil servilismo aos governantes. Por isso, não se trata de combater na justiça para rever as decisões tomadas pelas sucessivas diretorias, pois, hoje, a estrutura sindical da APUB está completamente engessada. É necessário, avançar, em sintonia com o momento político, o que significa exigir do ANDES-SN (diretoria regional), com o apoio explícito de todo coletivo que hoje se considera em oposição à APUB, a convocação imediata de uma Assembléia docente na UFBA com pauta definida: reorganização do movimento sindical da UFBA (criação de nova secção sindical do ANDES-SN) e deflagração da greve. Carrear as energias despertadas hoje na UFBA para a AG da APUB é um erro que não devemos cometer. Eu pessoalmente não reconheço mais a APUB como organismo sindical, logo não posso me submeter a decisões tomadas nos seus fóruns. Por isso, defendo que na reunião de quinta-feira possamos caminhar no sentido de organizar a convocação dos docentes para uma ampla AG, fora do âmbito da APUB que avance na deflagração da greve e na reorganização da categoria.

Salvador, 23 de maio de 2012

Antônio da Silva Câmara

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