580 – Totó e a diretoria da APUB

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nquanto eu lia e me divertia com os expedientes dos sabidórios governistas proifenses para barrar a greve que foi tirada na Assembleia histórica da APUB do dia 29 de maio, ouvi um som já familiar aos meus ouvidos, vindo do meu idiossincrático computador. A princípio, imaginei mais uma das chorosas mensagens dos simpatizantes do Proifes, órfãos da representação sindical de fato e de direito. Com uma certa má vontade, inteirei-me do conteúdo. No corpo da mensagem havia uma lacônica e misteriosa frase: “Quem sabe o Saci se refastele (sic) dela…” Verifiquei que havia uma foto em arquivo anexado. Ao abri-la, pude ler uma legenda já pronta sobre uma imagem vorazmente canina, com o perdão da expressão “politicamente incorreta” se os cães pudessem opinar sobre ela…

De soslaio, vi que o Saci se deliciava com a leitura sobre as viagens de Gulliver, digo, do governador Jaques Wagner, segundo o próprio executivo estadual, muito importantes para o Estado da Bahia. Pelo menos foi o que o ilustre disse. Achei a reação sacizesca  meio estranha. O barba branca viajava e o Saci tinha êxtases! Como dizia a filha de um cantor baiano, “estranho, não?”.

Discretamente, imprimi a foto digital recebida, tendo o cuidado, antes, de envolver a impressora com uma velha colcha cheniile, bem pesada, para que o barulho da máquina não interrompesse o prazer surrealista do meu amigo de gorro vermelho e pito.

Ao perceber a minha presença, ele me agradeceu e voltou ao seu divertido ofício de imaginar possíveis tabernas frequentadas pela equipe governamental baiana, e dos bons uísques ingeridos – que ninguém é de ferro! –  pelos que se empenhavam tanto em vender a imagem da Boa Terra – e, quem sabe, até muito mais do que isso…

– Valeu, chefia! Depois eu dou um olhada…

Ao acordar, meio zonzo ainda de um resto de labirintite, deparei-me com uma foto aberta na área de trabalho do meu computador, com um bilhete na base do monitor.

– Chefia, tomei a liberdade de entrar no seu e-mail e pegar a foto do Totó, para inserir nela uma pequena contribuição… Se valer a pena, publique-a, please.

Pensei, pensei, pensei se valia a pena publicar aquela bobagem. Lembrei-me do poeta: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena!”.

Mesmo não podendo dizer nada sobre a dimensão de minha alma, nem mesmo sabendo se a tenho – no sentido professado pelas religiões -, resolvi arriscar.

Ordenei-me cartorialmente: PUBLIQUE-SE.

Em poucos minutos, a intervenção do meu amigo desocupado, misto de arte e de escracho,  já fazia parte de zilões de pixels luminosos espalhados por essa quase infinita iconosfera de meu Deus…

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