593 – O governador e o poeta

A mídia divulgou:

“Enquanto o governo não negocia com os professores ”por falta de dinheiro”, Jorge Portugal anda rindo à toa com um belo contrato de R$ 1,5 milhão que ganhou, com dispensa de licitação.” (Fonte: AQUI)

O Saci aproveitou o ensejo para lembrar a pessoa ilustre do luso Fernando e  do seu célebre poema, bem como para observar que, nos tempos atuais, alguns poetas preferem ressignificar o ouvir estrla$ bilaquiano…

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MAR PORTUGUÊS

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu

*****

OUVIR ESTRELAS

Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo Perdeste o senso!”
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora:
Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

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