618 – Dia 15 de agosto tem execução!

Para o Pica-Pau, o Saci “é frouxo pra caramba”, pois desmaia até vendo groselha…

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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u sempre digo às pessoas que me rodeiam: não queiram nunca ter um amigo saci. Claro que os amigos do saci não são amigos da onça. Isso não. Pelo contrário… Mas o que esses tais pestinhas tumultuam a nossa vida, só quem tem um desses amigos é que pode dizer. Imagine que, desde a madrugada, o abusado do meu amigo de gorro vermelho e pito está do meu pé para anunciarmos o tal patíbulo do dia 15 de agosto! Pode uma coisa dessa? Ele encafifou que temos que fazer um registro histórico com cadafalso, guilhotina, carrasco, Maria Antonieta e todas as referências icônicas da Revolução Francesa… Eu posso com uma coisa dessa? Tentei obstruir sua maluquice, indagando-o por que não a Revolta dos Alfaiates, conhecida também por Conjuração Baiana, ou outras referências daqui das nossas bandas… Sabe o que ele me respondeu, com a maior cara de anjo?

– AH! É mesmo! Pode ser! Bem lembrado. Quem sabe se pegarmos uma ilustração antiga da Praça ou Jardim da Piedade, enquadrando a cúpula da igreja… Foto não presta, pois pegaria o shopping, que não tem nada a ver. O limite seria entre a Junqueira Aires e a João Florêncio Gomes, para não pegar o prédio da antiga Secretaria de Segurança Pública, que não tem também nada a ver. Ou será que tem?…

Como vi que aquela conversa iria render muitas velas de sete dias, preferi tirar meu time, de fininho.

Aquela patacoada que o pestinha queria armar, entretanto, teve o mérito de me trazer à mente os posicionamentos de alguns docentes sobre a deposição da colenda presidente da APUB. O ser humano é fogo. Logo, transforma tudo num BA-VI ou numa disputa entre brasileiros e argentinos…

Curiosamente, três docentes da Faculdade de Comunicação se manifestaram a respeito do impeachment da diretoria da APUB. Acho isso muito bom, pois os colegas da FACON, salvo as honrosas exceções, nos últimos tempos andavam meio sumidos e não vinham dando suas contribuições – o quanto são capazes de dar! -, às questões levantadas nas Assembleias. Pelo menos de maneira presencial. E aqui, o propósito não é fazer crítica a quem quer que seja. Por Tupã! Agora, entretanto, três docentes da referida Faculdade, manifestam-se de forma envolvente e competente, como o fazem com tudo o que abraçam. Justiça seja feita! Todos eles aqui citados são pessoas doutas, pesquisadores com os pés no chão. Bambas mesmo!

Tão logo foi lançada a lebre da destituição da diretoria da entidade, um deles protestou imediatamente. Na bucha, aventou aquilo ser um golpe. Não sei se o ilustre professor vem acompanhando as Assembleias ou se apenas consulta o site da APUB, e, por assim dizer, a versão “oficial” dos fatos, fotos e eventos. Não creio, entretanto, que ele, antenado que é, negaria o que aprendeu quando ainda na sua graduação… Com certeza, não. Por certo, houve algum ruído na comunicação, para usar um jargão da sua área. Creio que, se ao menos nos tivesse honrado com a sua ilustre visita a este Blog, teria visto umas imagens em vídeo – sem edição – para formar algum juízo da situação. De qualquer forma, vejo-o como sendo uma pessoa razoável, e que não se recusará em examinar os argumentos da sua colega de unidade, segundo suponho, no que diz respeito às normas/estatutos de qualquer associativismo, como mencionou um outro seu colega de Faculdade.

Claro que as preocupações do professor que mencionou a palavra “golpe” – quanto  ao zelo dos docentes para que a democracia sindical seja mantida -, são sempre louváveis. Pessoalmente, também, me insurgiria se suspeitasse de algum “golpe”. Aliás, não teria muito sentido se o tolerássemos, a partir do que passamos por longos anos, iniciados no fatídico 31 de março de 1964. Seria um retrocesso se acolhêssemos o pensamento golpista.

As manifestações de desapreço pelo ato perpetrado pela Profa. Silvia Lúcia Ferreira, em Brasília, em favor das propostas proificistas, e contrário aos interesses da categoria, são legítimas e a proposição de destituir a diretoria da APUB merece ser ouvida e examinada para posterior decisão. Claro que com direito de defesa, como qualquer processo democrático. Dizer que a presidente da entidade não pisou na bola é querer protegê-la. Diria melhor: seria desonesto para com a categoria aquele que tentasse livrar sua barra.

Mencionei, numa outra postagem, que talvez fosse melhor destituir apenas a presidente, uma vez que a destituição de toda a diretoria implica na constituição de uma direção pro-tempore, e isso, num período de greve, significa mais trabalho e dispersão de energias para o movimento. Alguns até podem ter uma compreensão contrária, mas não entraria nessa discussão. Para mim tanto faz o peixe ou o cardume. Entendo, entretanto, que alguns não se chafurdaram na lama, com o é o caso da vice-presidente, a Prof. Heloísa Pinto, que colaborou com o Comando Local de Greve, durante o período que substituiu a titular em gozo de férias. O que não podemos é minimizar o ato da presidente. Isso nunca. Se o fizéssemos, estaríamos no rol dos que estão contrários ao movimento legítimo da base em defesa da categoria.

Além da contribuição que deu uma dessas pessoas referidas  – Profa. Simone é o nome da docente -, lembrando oportunamente a existência de um artigo no Estatuto da entidade (Art. 15, AQUI), que prevê deposição da diretoria em situações faltosas específicas, como aliás não poderia deixar de ser em qualquer contrato associativista, além dela, como dizia, manifestou-se com precisão o Prof. Fernando Conceição, conforme postagem abaixo.

Pelo exposto, é bom reafirmar que não se recomenda golpe algum ou atentado contra a democracia sindical. Muito pelo contrário: o que se quer é fortalecê-la por meio de remédios previstos pela “convenção coletiva” democraticamente consignada.

Vejamos o que escreveu o Prof. Fernando Conceição:

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Aprendi que no Estado Democrático de Direito a soberania está não com os que nos representam em seus cargos, mas na mão do soberano. Soberano, no caso, somos os associados que pagam as contas, ou seja, cada um que assinou o contrato social (no caso a ficha de filiação à Apub) e se mantém em dia.

De forma alguma será golpe, como afirmam algumas vozes, se os estatutos da instituição previrem o remédio da destituição dos dirigentes por descumprimento de preceitos estatutários, entre os quais o de desobedecer as decisões aprovadas democraticamente em assembleia. Se os ocupantes de cargos dirigentes atuam contra os interesses do soberano que diz representar, chega-se a um ponto de ruptura dos compromissos assumidos. O que caberia a cada uma das partes? Aos primeiros, se não apegados aos seus próprios interesses, entregar a carta de renúncia. Se não o faz, ao soberano compete agir pelos meios postos à sua mão. Assim é em qualquer democracia, ou mesmo em regimes árabes (quem diria?).

Somente será golpe se os estatutos e regimentos da Apub não preverem a cláusula da destituição, o que seria uma grave lacuna para facilitar os desmandos e abusos dos dirigentes.

Asseguradas as condições para a ampla defesa desses dirigentes, uma assembleia convocada para tal fim pode, de forma legal, limpa e transparente, “impeatchmar” a direção da entidade.

O recomendável é que a destituição fosse não em bloco, mas nomeada caso a caso, com espaço para a defesa individual dos atingidos com a medida.

É assim em qualquer associativismo, desde as calendas gregas… Pregar o contrário é que é golpe baixo para enganar trouxas. (grifo nosso)

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Honestamente, será que podemos dizer que o Prof. Fernando Conceição está propondo algum golpe? Se está, eu desaprendi a ler.

Abaixo, uma das muitas provas que temos do desrespeito da presidente da APUB para com os que ousam pensar diferente dela. A negativa que deu sem nenhuma justificativa sequer à solicitação de ajuda para o translado de um professor a Brasília, a fim de participar de mobilização da categoria  – aprovada até mesmo pela Proifes! -, comprova a sua má vontade em colaborar com os que criticam a proposta de carreira apresentada pelo governo.

Se o exposto, aqui, puder contribuir para que alguns docentes, afastados do processo, meditem sobre o desmonte da APUB pela sua atual diretoria, e, a partir daí, possam formar suas convicções, fico extremamente feliz. Mesmo que votem pela permanência dos que – por um biênio! -, foram os verdadeiros golpistas. São estas as regras da democracia sindical.

Este Blog, ao longo do tempo, foi colecionando muitas provas do desleixo da diretoria da APUB com o que não fosse camarote carnavalesco, forró e caruru. Justiça seja feita, dizem que o caruru que eles fazem é nota dez!

Segundo os cálculos do Saci, o gasto desnecessário do nosso rico dinheirinho com a nota publicada no Jornal a Tarde (12.08.2012) será “um dos últimos da diretoria da APUB, antes de a lâmina afiada do julgamento da Assembleia descer tinindo”.

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5 Respostas to “618 – Dia 15 de agosto tem execução!”

  1. osaciperere Says:

    Como se vê, na nota publicada pela direção da APUB no jornal A Tarde, é flagrante o achincalhe aos 350 professores que estiveram presentes na Assembleia do dia 07/08/2012… Mas essa farra logo, logo, vai acabar!

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:

    —————————-

    Camaradas,

    Leiam com atenção a nota da apub no jornal a tarde deste domingo – que saiu sábado a noite – com acusação sem provas ao comando local de
    greve. Deveria ter publicado um edital de convocação da Assembleia Geral do dia 15. Mais uma vez não cumpre as deliberações das assembleias docentes e tenta encontrar no comando de greve o seu bode expiatorio. É mais uma prova incontestável de descumprimento de suas funções como diretoria.

    Se quiséssemos poderiamos processar a diretoria da APUB por assedio moral. Por outro lado, cabe um mandado de segurança para garantir direitos dos associados e da categoria em greve a ser impetrado pelos associados enquanto durar a greve nacional da categoria docente e para garantir a normalidade da entidade que relizará eleições em novembro, o que significa a eleição de junta interventora a ser determinada pela justiça em assembleia dentro de 15 dias ou menos. […]

    Jonicael

  3. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:

    ——————————–

    Colegas,

    bem, ao menos temos aqui uma declaração *sincera* de intenções: trata-se de uma *Execução*.

    Não se trata, portanto, de um debate, de uma discussão em termos de encaminhamentos possíveis e alternativos, de apresentação de argumentos pró e contra, de uma deliberação. Já está decidido, *execute-se*. Usando de Humor, a verdade é dita com todas as suas letras. Nós brasileiros somos mestres no uso do Humor para expressar coisas sérias. E temos aqui mais uma prova dessa habilidade nacional. O Humor desvela aquilo que estava encoberto.

    A três meses de uma eleição regular, secreta, universal, parte-se para uma* execução*. Não são três anos, são três *meses*!

    Insisto: uma remoção de Diretoria é – a meu ver – ato *gravíssimo*, que só se justifica em *casos extremo*s (desvio de verbas, corrupção ativa ou passiva, abandono de funções etc). Para esses extremos os Estatutos fazem provisões para destituições, não para situações geradas por diferenças de avaliação e de condução políticas.

    Propor a destituição de uma Diretoria, em meio a uma greve e em uma situação de extrema divisão do Movimento Docente, parece-me uma via totalmente indefensável de resolver diferenças. Uma atitude irresponsável, até, uma vez que acirrará ainda mais as divisões. Deveríamos, isso sim, estar buscando pontos de mínimos de consenso para a saída do impasse em que estamos presentemente colocados. A oposição à atual Diretoria deveria estar em campanha para eleições, constituindo sua Chapa, preparando um Programa para buscar o voto da maioria dos associados e em seguida – devidamente eleita, *se assim o for* – partindo para a *reversão *das situações de filiação ao que quer que seja, abolindo plebiscitos, fazendo assembléias
    diárias*,* se entender que essa é a forma adequada de condução política do Movimento Docente. Ao invés disso, parte-se para, um rito sumário, uma * Execução*.

    É de fato uma perda de tempo continuar discutindo esse assunto. O colega já fechou a discussão. Falta somente acionar a guilhotina.

    Parabéns pela sinceridade.

    marcos palacios
    Professor Titular
    FACOM/UFBA

    • Menandro Ramos Says:

      Ainda bem que restaram o humor e a sinceridade.

      Quero a execução sim, sem subterfúgio, com transparência. O motivo? A traição efetivada pela infeliz diretoria da APUB à categoria. Não digo, entretanto, queremos, pois isso só vou saber após a Assembleia se pronunciar.

      A meu ver, “execução” significa liberação da APUB dos governistas que transformaram a nossa entidade em aparelho do partido do governo e dos seus coligados interessados apenas nas boquinhas advindas da subserviência interesseira. O custo disso tudo tem sido uma universidade calada, dócil, acrítica, avestruz, apenas maquiada de progressista, cujo craquelê do panqueique já começa a dar sinais de desgaste…
      SMJ.

    • osaciperere Says:

      Circulou na “debates-l”:

      ————————-

      Prezado Marcos Palacios e demais professores,

      Não precisamos ir tão longe para perceber que dias piores virão na UFBa, caso esse movimento continue liderado pelas correntes políticas que hoje coordenam a greve na nossa universidade. Basta lembrar que no dia 19 de abril último, sem que houvesse ainda qualquer deliberação da categoria por paralisação das atividades docentes, três professoras da Faculdade de Educação, que hoje compõem o comando de greve, decidiram FECHAR A FACULDADE COM CADEADO, tentando impedir o acesso de docentes, discentes e servidores técnico-administrativos. Os professores que se negavam a cumprir tal ?ordem? e exigiam o seu direito de ir e de vir, foram rechaçados em microfone, desqualificados grosseiramente pelas referidas professoras e pelos poucos estudantes que participavam do “ato público”. As “comandantes” alegavam que a direção da faculdade tinha conhecimento sobre o ato promovido naquele dia. Procuramos imediatamente a direção para pedir esclarecimentos e providências, evitando que novos episódios ocorressem e provocassem mais conflitos entre docentes e discentes, mas não obtivemos nenhuma resposta oficial da Direção.

      Saudações universitárias,
      Claudia Miranda
      Depto de Educação Fisica/FACED/UFBA

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