619 – Por que destituir a diretoria da APUB?

Para o Saci, a diretoria da APUB não se contentou em tentar justificar a sua traição à diretoria no seu site: agora, ela paga uma fortuna para divulgá-la na grande mídia… Adivinhe com o dinheiro de quem?

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

O mais forte não é nunca
bastante forte para permanecer sempre no poder,
se ele não transforma a sua força em direito e a obediência em dever”.
Rousseau

.

meu amigo de gorro vermelho e pito insistiu comigo para responder à Profa. Marilena Ristum. Decidi não o fazer entretanto. Pela sua mensagem, quando ela pede “que se abandone a ideia de destituição“, é possível pensá-la uma pessoa de paz, correta,  que não quer senão evitar algo desconfortável como é o caso da deposição de uma diretoria a menos de seis meses para vencer seu mandato. De alguma forma, a compreendo. Não creio, entretanto, que seja necessário respondê-la, pois logo mais na Assembleia do dia 15 de agosto, a prezada colega irá conhecer mais detalhadamente os motivos de um impeachment ser evocado como remédio amargo para resolver uma pendência numa seção sindical mal resolvida. Ademais, como professora da área de Psicologia, a colega sabe mais do que eu como funcional a mente de quem se apega exageradamente ao poder, e das escaramuças de que se vale para não se afastar dele… De memória cito Montesquieu, que dizia: todos o que chegam ao topo do poder tendem a cometer exageros. Todos, sem exceção! Cabe aos governados, conscientes disso, criarem mecanismos de controle, de coação, em benefício do coletivo.

Não quero trazer aqui a questão da censura exercida de maneira ferrenha por essa e pela diretoria anterior, para que os docentes não soubessem da mudança de rumo da nossa até então brava seção sindical: da sua opção preferencial pelo governo. Não quero mencionar que se o colendo cientista político, Prof. Israel Oliveira Pinheiro, quando presidente da APUB matou, por assim dizer, a liberdade de expressão dos associados, ao impedir que seus textos circulassem na lista da APUB, a não menos preclara atual presidente, Profa. Silvia Lúcia Ferreira, simplesmente, esfolou a possibilidade de qualquer informação circular, que não fosse para falar de festas carurus e quermesses; não quero lembrar, aqui, que o auge do autoritarismo, até então, dessa infeliz gestão culminou com o golpe fatal de extinção da lista de discussão; não quero professar aqui que ambos os presidentes, portanto, atentaram contra a Constituição Federal de 1988, no seu Art. 5º., inciso IV: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Isso tudo não tem a menor importância agora, pois a direção da APUB se superou em falta de comprometimento para com a categoria, a partir dos embargos que fez às mobilizações indicadas por inúmeras entidades sindicais, desde abril abril passado, que tinha por propósito tão-somente pressionar o governo federal, na tentativa e fazê-lo cumprir o que havia acordado em 2011. Prefiro não lembrar que a própria Proifes governista – talvez para disfarçar -, havia consignado, em material de propaganda, apoiar as manifestações; não quero mencionar aqui que a direção da APUB acovardou-se, para logo apunhalar a categoria pelas costas. Tenho com provar tudo isso que digo, se preciso for, mas no momento prefiro ficar para mim.

Prefiro esquecer também que no dia 25 de abril passado, na Assembleia realizada no apertado espaço da casinha da rua Pe. Feijó, e com a participação de três ou quatro gatos pingados, a atual presidente da APUB fez-se de desentendida para não responder a pergunta da Prof. Celi Taffarel, que recebera a denúncia de que, a mando da diretoria da APUB, professores aposentados estariam recebendo R$ 50,00 por cada docente inscrito na entidade sindical, com o perdão do cacófato suíno… Ater-me-ia, se quisesse fazê-lo, apenas ao último ato da tragédia apubiana, quando sua presidente, na calada da noite, apunhalou pelas costas, repito, as decisões da categoria expressa na legitimidade – e legalidade se quiserem! – das últimas Assembleias realizadas tanto no Salão Nobre da Reitoria da UFBA, quanto no Auditoria da Faculdade de Arquitetura/UFBA.

Poderia, se necessidade houvesse, explicar com detalhes à prezada colega, que, rigorosamente, a APUB Sindicato não existe, pois a Constituição Federal, no que diz respeito à unicidade sindical, ainda não foi alterada; poderia também mencionar que a APUB, legalmente, ainda é seção do ANDES-SN e que a Justiça do Trabalho anulou em duas instâncias o viciado plebiscito realizado pela APUB, a pedido do Prof. Francisco Santana, que mostrou de forma competente que rabo de porco não é saca-rolha, nas palavras escrachados do meu amigo Saci. Data venia para proferi-las!

Sinceramente, não creio que seja necessário explicar à Profa. Marilena Ristum o porquê da deposição da diretoria da APUB. Tenho certeza que, na hora H ela vai entender tudinho. Contanto que não deixe de comparecer à Assembleia do dia 15 de agosto, o mês do cachorro louco, segundo dizem por aí.

Coitado do cachorro!… Tudo ele!

***

 

Colegas,

Dirijo-me, especialmente, aos colegas defensores da proposta de destituição da diretoria da APUB. Penso que essa é uma proposta vazia, no sentido de que é apenas destituitiva e nada propositiva. Meu problema é que não consigo avaliar se uma proposta é boa ou ruim sem considerar suas implicações futuras. Nesse caso, se destituirmos a diretoria, o que se propõe para o seu lugar? Quem assumirá o comando da APUB? Seria, talvez, o Comando de Greve? Qual a legitimidade do grupo que vai assumir? Qual é seu programa de atuação e seu compromisso político?

Será que, em lugar de propor a destituição, atropelando o processo de sucessão de uma nova Diretoria eleita pelos associados, não seria mais produtivo construir esse processo, iniciando por pensar na composição de uma chapa de oposição e na elaboração de propostas de atuação para essa chapa?

Afinal, estamos a poucos meses da eleição e, definitivamente, não vejo vantagem alguma em trocar uma Diretoria eleita por algo que nem sei o que é.

Finalizando, sugiro que se abandone a ideia de destituição e que se parta para a CONSTRUÇÃO do processo eleitoral.

Marilena Ristum
Instituto de Psicologia

—————-

Embora eu me recuse de explicar certas coisas que me parecem óbvias, principalmente em se tratando de professores da UFBA, temendo que o que me parece óbvio possa estar envernizado com a minha subjetividade, não obstruo qualquer tentativa de explicação por parte de outros docentes, como o faz agora a Prof. Maria Inês Marques, da FACED/UFBA:

Mais perguntas não querem calar:

 1-     Não é possível que não estejam vendo o ato de constrangimento coletivo, cometido por esta diretoria, que atinge todos os docentes na UFBA. Um grupo de golpistas? Quem são os golpistas, os que urdem contra a maioria, ou os que querem fazer valer a lei? Que golpe baixo… desqualificar pessoas do mais alto gabarito e responsabilidade social e institucional como golpistas…

2-     O texto colocado na impressa pela diretoria  só falta carimbar os docentes de bandidos com uma faixa de procura-se. A quem querem atingir? Aos desinformados a quem estão se dizendo inocentes e aviltados? Quer dizer que segundo eles, só destituir uma diretoria se for por impobridade financeira.

3-     Na minha opinião, a diretoria cometeu outras improbidades,  que são mais graves, como por exemplo, negação da soberania de uma assembleia. Não encaminhar  posições coletivas é grave, negar terminantemente o comando de greve é gravíssimo, mais ainda quando assina acordo à revelia de todos e ainda nos rifam. Ela  não comunicou a greve à reitoria, o fazendo por pressão das assembléias. Tudo já não teria sido motivo para os docentes reagirem?

4-     A apub-da proifes desligou a apub seção sindical  do Andes. A proifes é federação, não podemos ficar sem sindicato, que é a instância que forma a federação. Acham que a justiça vai entregar carta sindical a uma federação? Eles são apenas e tão somente um braço do Mec/Mpog para confundir  a categoria.  A apub não é sindicato e nem será, porque a justiça assim já determinou por duas vezes. Quem está mentindo aí?

5-     Tem alguma lógica um  abaixo-assinado? Respondo que sim, objetiva a desmoralização dos companheiros em luta, a diretoria pretende sair de  algoz para vítima.

Saudações e boas reflexões, sinceras e justas.

Vamos parar de referendar, entre todos nós, este título de golpista. Pela elegância na luta e respeito às regras, que são as da proifes.

Maria Inês Marques

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