653 – Sem prazer, o sexo não existiria

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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meu amigo Saci é uma praga de Moisés. Tem que meter o seu pito em conversas alheias.

Pessoalmente, assino em baixo do que escreveram os dois preclaros colegas não muito afeitos às assembleias… Um tem as complexas Teorias da Comunicação na palma da mão; o outro, tem a ciência do “se, então” na ponta da língua e reduziria o Tratactus Logico-Philosophicus de Wittgenstein – sem exagero! – a um catálogo de cosméticos baratos. O Saci, entretanto…

– Veja, chefia, quando um deles escreve que “somos do processo de educação superior, produção de conhecimento e formação de quadros profissionais de ponta, que só pode existir na divergência sadia” parece que há um exagero. O colendo autor desse texto sabe muito bem que os interesses dos docentes da UFBA não estão alinhados e alguns não são muito sadios para a coletividade, pois há os que têm mais compromisso com a sustentação do atual governo, e há o que sustentam a luta incansável em favor da categoria. Estes últimos contribuem para uma instituição melhor e em sintonia com os interesses da maioria. Já os primeiros, turbinam-se por motivações pessoais diversas como status, contas bancárias estufadas, coroas de louropodium e apenas fortalecem o ideário da Torre de Marfim a serviço dos ilustrados… e do capital!

– Você pirou, Saci! O que move os professores da UFBA é o prazer pela investigação, pela crítica, pela descoberta, pelo conhecimento desinteressado, pela partilha desse fabuloso acervo que a humanidade vem construindo ao longo dos…

– Momentinho, chefia, toda generalização é temerária, e, em alguns casos, burra mesmo! Concordo apenas com a primeira parte de sua fala “o que move os professores da UFBA é o prazer”- pois sem prazer, nem o sexo existiria! O resto é poesia, ou mais poesia do que ciência, sem demérito para a poesia…

– Desse jeito, não tem diálogo…

– Diálogo? Carece não… Pelos menos aqui, ou melhor, lá no “dilema do prisioneiro”. Por que dialogar com a ex-diretoria destituída, traidora da categoria? O que ela tem a nos ensinar para o exercício democrático? Traição? Credo! Vá matar o capeta!..

– Você já está misturando tudo. Está certo que o professor João Rocha tente sensibilizar os docentes da UFBA e mostrar o seu lado augusto perdido; está certo que seus simpatizantes exercitam – com prazer! – o que aprenderam outrora nos seus Cursos de origem para preservar suas crenças. Tudo bem! Mas você acha certo colocar todos os docentes da UFBA no mesmo balaio?

– Pela madrugada, chefia! Ninguém tá querendo botar os professores da UFBA no mesmo cesto. Quem falou isso?

– Foi o que entendi!…

– Entendeu mal, seu burrinho! Só uns poucos estão no balaio do governo…

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Prezados,

Não entendi por que o Prof. Tomassoni fez referência ao “dilema do prisioneiro” para tratar do contexto atual da APUB. Afinal o “dilema do prisioneiro” é um problema da Teoria dos Jogos onde dois jogadores querem aumentar ao máximo a sua própria vantagem sem lhe importar o resultado do outro jogador (como no caso de um prisioneiro que, separado do seu parceiro, procura ter vantagens denunciando o outro mesmo que tenha, como resultado, a própria posição ameaçada). A questão conceitual que interessou a lógicos e sociólogos é a “lógica da cooperação”.
Sim, talvez isso valha para nosso caso.

Waldomiro Silva Filho

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Prezado/as Colegas,

Da maneira como isto vai, a divisão só tenderá a aprofundar-se. Acabaremos temos duas eleições! A situação da APUB, na prática, digam o que quiserem os que quiserem dizer, continua *sub judice.* Tomando-se em conta o ritmo de nossa Justiça, com suas idas e vindas, apelos e tecnicalidades, isso pode prolongar-se *per omnia saecula*… Na agora famosa assembleia que gerou a intervenção/deposição legal/golpe (escolham a opção preferida), uma voz de bom senso sugeriu que fossem aguardadas as eleições para a Diretoria, que já se aproximavam. Foi voz vencida.
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Não é momento de termos bom senso, pactuarmos entre todos a eleição como instrumento para resolver a divisão e restaurar algum tipo de unidade em torno do que se apresentar como proposta majoritariamente apoiada pelos docentes como um todo? Não vejo outra possibilidade senão tentarmos a formação de duas chapas, claramente indicativa dos campos de ideias em oposição, incluindo filiações Andes/Proifes, lugar das consultas e referenduns, cor de camisas a serem usadas etc Estamos vivendo uma situação que divide profundamente colegas, alguns dos quais trabalhando nesta universidade há décadas e até com relações pessoais de proximidade.
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Difícil acreditar que se possa imaginar que essa divisão REALMENTE se estruture entre “aqueles que querem destruir a Universidade Pública” e “aqueles que querem a excelência do Ensino Público”. Colocar as coisas em termos de uma dicotomia tão simplista desabona a capacidade intelectual de quem dela faz uso e desrespeita a audiência para qual se dirige. Diferenças de ideias são um indicador de saúde. Morbidade seria o consenso em questões tão complexas.
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Temos imensos problemas nas Universidades Federais, mas também temos dados positivos: nunca em tão pouco tempo foram criadas tantas. Precariamente criadas, precariamente equipadas material e humanamente? Em grande parte. Mas é impossível não se considerar que a simples criação foi um avanço e que agora a luta é pela melhoria. Discordamos quanto às maneiras de implementar essas melhorias? Discordamos até do que se deva definir como “melhorias”? Certamente, e nem poderia deixar de ser diferente, pois universidades (públicas) de excelência podem ser produto de vários modelos de estruturação e gestão, como poderemos constatar se olharmos o que acontece em outras partes do mundo, nos cinco continentes. O que me parece ainda um balizador essencial para a convivência em uma comunidade universitária é que as ideias devem fluir, os debates devem acontecer (em fóruns físicos e virtuais), decisões majoritárias tomadas (deixo em aberto a discussões sobre que fóruns são legítimos) e implementadas. Ou caminhamos juntos para a realização de eleições para nossa entidade e através delas definimos posições essenciais, de acordo com a vontade da maioria, ou não vislumbro como saírmos do impasse e prosseguirmos em nossa faina acadêmica com um mínimo de unidade, que permita que continuemos a nos respeitar como colegas e partícipes que somos do processo de educação superior, produção de conhecimento e formação de quadros profissionais de ponta, que só pode existir na divergência sadia e respeitosa para poder frutificar. A Universidade somos nós, mas é maior que a soma de todos nós. Nós passaremos, ela subsistirá. A despeito dos Andes(s) e Proifes(s) conjunturais…
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Saudações,
marcos palacios
Professor Titular FACOM/UFBA

*”A man must cast his own shadow…”* (Ursula le Guins)

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Caros e Caras
Peço atenção ao texto abaixo;
*Dilema do prisioneiro APUB velha e APUB livre.*
Ao confrontarmos as perspectivas do movimento docente na UFBA (sem maior rigor político ou cientifico) observamos o declínio e vivacidade de proposições.
O modus operandi com o qual antigos dirigentes tem se colocado na lista é de se assombrar.  As lições de um movimento docente não cordato aos interesses inescrupulosos do Estado, aqui em suas diversas escalas de atuação, foram cruciais para retomarmos/repensarmos o movimento docente. Sem movimento ficamos a mercê de ações negociadas sem a presença das bases deste movimento, que somos nos. Os custos de um acordar desta inconveniente letargia ainda terão repercussões, mas não é esse o ponto.
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Os interesses que visam destruir a carreira docente, a universidade pública e sua qualidade são muito claros, e estão sendo implementados em velocidade absurda com ajuda de mecanismos autoritários, travestidos de plumas populares ou democráticos. O conjunto das políticas implementadas para o ensino superior apontam claramente para uma total dilaceração de valores básicos e enorme precarização do trabalho docente e da qualidade de ensino. Os idealizadores do movimento de inserção a qualquer preço lesam o futuro de todos, pois desqualificam as condições de real mudança qualitativa na educação. Assimilam valores das políticas quantitativas de indicadores vazios e esvaem o futuro das pessoas com falsas promessas de acesso a um mundo cada vez mais complexo.
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E para ficar mais difícil ainda, conseguem criar condições de manipulação dos movimentos sociais criando uma pax subserviente e aniquiladora dos movimentos sociais. A cidadania on line tem limites exorbitantes e permitem sua total manipulação.
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Aprendemos com o movimento docente nacional e na UFBA que esta PAX estava e está aniquilando nossa capacidade de resposta enquanto docentes que somos. Entendemos de modo verdadeiramente democrático e no debate, que isto não poderia mais continuar. A autonomia dos docentes da UFBA depende centralmente de dizermos um não qualificado as tentativas de afirmar que tudo o que aconteceu foi um golpe ou uma conspiração. O papel dos docentes que organizam a  CPT é sério e comprometido, não há nenhuma ação espúria ou contraditória e acima de tudo não há nenhuma injustiça, imoral ou antidemocrática no processo.
O dilema do prisioneiro está ai presente, quando alguns buscam incitar o contrário utilizando-se de argumentos pífios e falseando os fatos.
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Estamos em processo de muitas mudanças e uma delas atingirá diretamente nossa capacidade de posicionar as reais perspectivas dos docentes da UFBA e uma delas é a ELEIÇÃO para a APUB que se avizinha. A outra está em luta pela transformação daquilo que nos afeta mais diretamente que é o Estatuto e o Regimento da universidade, seu aprimoramento é fundamental. Entre outras tantas situações que poderíamos elencar, mas vamos com uma de cada vez.
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Fiquemos atentos a tudo e aos inexoráveis e mortais prazos e também aos embustes que nos poderão ser impostos. De REUNI, EBSERH, PL, Estatutos e Regimentos, vamos abrindo todos os flancos (só para parafrasear V. Mayakovsky).
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Att.
Prof. Marco Antonio Tomasoni
Universidade Federal da Bahia
– UFBA Instituto de Geociências – IGEO Dept° Geografia-IGEO/UFBA
– Programa de Pós-Graduação em Geografia Laboratório de Estudos Ambientais e Gestão do Território
– LEAGET Av. Barão de Geremoabo, s/n.
– Campus Ondina 40170-290 Salvador, Bahia, Brasil
Tel: +55(71)3283-8535 Cel: +55(71)9326-7221 -8726-4166
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