710 – O Papa e a primeira missa no Brasil

Primeira-Missa

Segundo o Saci, quando o pintor Victor Meirelles foi buscar inspiração na biblioteca francesa de Sainte-Geneviève para pintar a plateia indígena da primeira missa, após a invasão portuguesa a Pindorama, os carinhos dos gringos já haviam se manifestado pela Terra de Santa Cruz…

Missa---detalhe

Na pintura acima, como diz Roberto Carlos, “detalhes tão pequenos de nós dois”, ou melhor , “de nós muitos”… segundo o meu amigo de gorro e pito.

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

E (3).

stão de vento em popa os preparativos dos piedosos brasileiros (Globo, empresários, governo), que receberão, pela primeira vez,  a visita de Sua Santidade argentina. Tudo a ver. Segundo um amigo muito ligados às coisas do Vaticano, os gestos simpáticos de Francisco I são dele mesmo. Ele é assim, jeito de boa praça, risonho, sangue bom, sem tirar nem por. Não tem nada de marketing da igreja católica para recuperar o leite derramado nos últimos tempos, como alguns, maledicentemente, insinuam. É pura intriga da concorrência que alarga os horizontes de atuação no Congresso. Que o diga o crescente prestígio do deputado Feliciano, da Comissão de Ética (sic)…

Pessoalmente, achei muito simpática a atitude do Santo Padre quando voltou à “pensão” em que se hospedara, para pagar sua conta e despesas que lá fizera, dias antes de ser escolhido o titular do trono de São Pedro. Quantos, em seu lugar, fariam o mesmo? Quantos não dariam o “espeto”? Aliás, sinto que ele, quando toma uma criancinha nos braços, está sendo sincero, bem diferente de alguns políticos brasileiros (e estrangeiros!) por aí fazendo média com a massa… Até a forma dele fazer o mimo, ou “bilu-bilu” na bochecha, é diferente!

Não sei se é só impressão minha, mas me parece que Francisco I, ou Jorge Mario Bergoglio, vem sendo mais bem acolhido pelo seu rebanho do que Bento XVI, ou Joseph Aloisius Ratzinger, o ex-papa vivo. Talvez o fato de este último, de algum modo, ter sido forçado pelas circunstâncias a saudar a grandeza do Terceiro Reich: Heil Hitler! Talvez nem seja isso, mas por conta de um sorriso maroto e de um carisma pessoal que o patrício de Maradona traz consigo. Até porque, se for revirar os baús da história, consta lá, em algum lugar, que o Sumo Pontífice, no passado, envolveu-se de alguma maneira com a ditadura argentina, e até seu nome esteve associado ao desaparecimento de sacerdotes e ao apoio à repressão ditatorial ocorrida no país vizinho – justa ou injustamente -, o que prova que errare humanum est.

Mas o  que me cativou nele, mesmo, foi a sua simplicidade, foi o fato de despojar-se do luxo, do enorme quarto de quinhentos metros quadrados, das inúmeras mordomias, de ele ter reconhecido os exageros cometidos pela Igreja que ora dirige.  Logo a Santa Madre Igreja que fora assentada nos alicerces de  um pescador humilde, segundo a designação de JC, seu titular maior: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas, que quer dizer Pedro – Pedra – (João, 1, 41-42). Ou, ainda:  Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mateus 16:18).

Se é verdade o que registram alguns livros, foram muitos os desmandos e pedradas da Santa Madre Igreja: da opção preferencial pelos ricos ao comércio das indulgências; das atrocidades nas cruzadas aos desatinos da nada Santa Inquisição; ou da purificação do corpo dos seus contestadores – ou concorrentes -, pelas chamas. Isso para não mencionar uma suposta omissão do experiente diplomata Eugênio Pacelli, depois transformado no papa Pio XII, diante da escalada do ensandecido füher nazista, responsável por cerca de 60 milhões de vidas ceifadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Assim, se eu não estiver sendo levado pelo ardor e pela propaganda global fazedora de cabeças, vejo que esse papa estará imprimindo logo, logo,  no seu pontificado um grande diferencial em relação aos seus antecessores. Não diria que romperá com os dogmas de uma igreja que ele já encontrou ferreamente conservadora. Isso não. Como diz um outro amigo, se Francisco I intentasse isso, não ficaria, sem dúvida,  nem para ver o final da Copa do Mundo entre Brasil X Argentina, com Deus puxando a brasa para o Brasil, já que Ele é brasileiro…

Não creio que Sua Santidade irá mudar  a opinião da velha e conservadora hierarquia da igreja sobre o casamento entre homossexuais, sobre o aborto, sobre o uso de preservativos, sobre o celibato clerical. Aliás, este último item me parece o mais problemático, uma vez que, geralmente, quem partilha de herança não exerce de bom grado a suposta “verdadeira amorosidade cristã”. Mas não é contra nada disso que Francisco I se destacará. Tenho pra mim que o grande marco que Sua Santidade deixará como herança para seu rebanho é a introdução do intrumento bandoneón em atos ecumênicos, aposentando, definitivamente, os tradicionais e antiquados cravos e órgãos dos cânticos litúrgicos. Ad majorem Dei gloriam! (para a maior glória de Deus).

Quem sabe mesmo se não influenciará as práticas políticas dos de cá, cujas celebrações finais também aposentarão  a velha e manjada pizza italiana, substituindo-a por suculento churrasco argentino, ao som do caliente tango portenho… De novo, Ad majorem Dei gloriam!

 

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