760 – Chico contesta Stédille

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Stédille é porta-voz da presidente

Francisco Santana
Prof. aposentado da UFBA

I) (Des) Qualificando o autor da proposta
O Stédile não só é um porta-voz e prolongamento do governo Dilma. Sempre foi um carreirista colaborador do sistema disfarçado de oposição e de líder de sem terra. Um agente duplo. Sempre colaborou com o governo FHC em momentos críticos:

a) Um deles foi usando o MST para destruir uma forte greve de caminhoneiros que fugiu do controle das centrais e ameaçava o plano real e o governo de FHC como um todo.

b) O outro foi usar o MST para descaracterizar a manifestação potente contra a venda da VALE. Havia em torno de uns 50.000 manifestantes e uns 3.000 do MST. Mas o MST era mais compacto organizado, com muitas bandeiras e uniformizados de maneira característica. A imprensa e a mídia usou o MST com tomadas estratégicas para passar para a opinião pública que o único movimento que existia era o do MST, movimento ordeiro que queria do governo apenas uma fábrica de farinha. A escolha do MST para fazer sua reinvindicação justamente na  mesma data da manifestação contra a venda da VALE foi estratégica. Nenhum líder do MST, Stédile, Rainha e outros se pronunciaram sobre a venda da VALE que estava sendo decidida ali no Congresso onde eles estavam reunidos com ACM e Temer e que era o principal evento em Brasília. A imprensa maximizou o MST e chamou os manifestantes contra a privatização da VALE de punguistas na marcha do MST; Jabor chamou os manifestantes de carrapatos nas botas do MST. Isso contribuiu para os congressistas decidissem pela privatização da VALE pois pela visão passada pela mídia graças ao apoio do MST, o movimento contra a privatização da VALE não existiu, pois a versão da mídia vale mais que a realidade.

Foi por essa e outra razões que eu vetei, numa assembleia há muitos anos,  a participação do MST numa programada passeata de professores pois o MST ofuscaria a passeata dos professores. Sempre no movimento sindical havia um petista infiltrado que oferecia essa ajuda “desinteressada” do MST, para no fundo sabotar os movimentos sindicais em benefício do governo FHC.

Segue nos anexos fotos e notícias como prova do crime. Não encontrei a foto de Stédile e Rainha com FHC agradecendo a fábrica de farinha.

II) Analisando a proposta
a) A proposta seria burra se fosse originada da oposição, mas como vem do governo é esperta e safada.

No momento máximo das manifestações foram contabilizados em todo o Brasil o total de 1.100.000 manifestantes. Supondo que cada um represente vinte votos teremos numa eleição constituinte, 22.000.000. Ora, no Brasil têm 140.646.446 eleitores, a maioria obrigada a votar. Logo, o sistema ganharia de lavagem para os candidatos representantes dos manifestantes.

E essa nova constituinte seria dez vezes mais reacionária do que a passada. Legitimaria todas as privatizações, além de privatizar o resto, inclusive a previdência brasileira que não conseguiram ainda; tirariam o artigo da constituição que obriga fazer a auditoria da dívida, etc. etc.

Não houve nenhuma revolução no Brasil. Esse movimento incomodou, mas não abalou o sistema, apenas o acordou, mesmo assim, não totalmente.

b) Nenhum dos políticos ou partidos atuais tem legitimidade para convocar uma constituinte. Constituinte não é uma receita médica que se avia levianamente em qualquer farmácia. Só uma revolução ou movimento da consciência nacional que gere novos partidos políticos e lideranças completamente descomprometidas com o sistema que aí está e no seu programa eleitoral tenha a convocação dessa constituinte após sua eleição. Como aconteceu na Venezuela.

Não creio que nem nas próximas eleições tenhamos essas condições. As próximas eleições reproduzirão o quadro atual com alguns retoques.

Essa sugestão de constituinte demonstra só que a Sra. Dilma na sua ignorância e incompetência pode chegara às raias da delinquência.

stédile-acm-rainha.

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Em 23 de julho de 2013 23:29,
Nair Casagrande <naircasagrande@yahoo.com.br> escreveu:

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“Se não viabilizarmos uma constituinte, entraremos numa crise política prolongada”

Para João Pedro Stedile, a mobilização popular por reforma política e conquistas sociais deve continuar para arrancar uma constituinte exclusiva que faça as reformas necessárias

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 23/07/2013

 Nilton Viana, da Redação

 Em junho, no auge dos protestos que sacudiram o país, o Brasil de Fato publicou uma entrevista com João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro das articulações dos movimentos sociais brasileiros por mudanças sociais, para fazer um balanço e entender o significado daquele momento.

Agora, passado um mês daquele momento histórico, e após a realização do dia nacional de paralisações, convocado pelas centrais sindicais e pelos movimentos sociais, publicamos nova entrevista com Stedile. O dirigente acredita que está definitivamente enterrada qualquer possibilidade de mudança política através do atual Congresso. E ele é taxativo: “Se não viabilizarmos uma assembleia constituinte, entraremos numa crise política prolongada, cujos desdobramentos ninguém sabe como acontecerão”.

Brasil de Fato – Passado o primeiro mês das grandes mobilizações e da paralisação de 11 de julho, que balanço você faz?

João Pedro Stedile – O resultado das grandes mobilizações ocorridas em junho é extremamente positivo. A juventude passou a limpo a política institucional e rompeu com a pasmaceira da política de conciliação de classes, em que se dizia que todos ganhavam. Depois, tivemos a paralisação nacional do dia 11 de julho – organizada pelas centrais sindicais e pelos setores organizados da classe trabalhadora – que apesar da manipulação da imprensa burguesa foi realmente um sucesso. A maior parte da classe trabalhadora nos grandes centros do país não foi trabalhar. E seguiu-se em muitas cidades mobilizações representativas ou massivas, por demandas locais, contra a prepotência da polícia, contra os governos locais, como o caso do Rio de Janeiro, Vitória, Porto Alegre, etc. Tudo isso recolocou as massas em movimento atuando na luta política concreta e usando as ruas como espaço de disputa.

E qual o significado disso do ponto de vista programático?

Do ponto de vista programático, estamos assistindo a uma conjugação de dois polos: de um lado a juventude contestando a forma de fazer política, a falta de representatividade do Congresso, do poder Judiciário e governos. Desnudando a gravidade da crise urbana, na situação dos transportes e a vida nas cidades. E fazendo a crítica à Rede Globo e apoiando a democratização dos meios de comunicação. E de outro lado, com a entrada em cena dos setores organizados da classe trabalhadora, foi posto na agenda as demandas por reformas estruturais, relacionadas com as necessidades socioeconômicas de todo o povo. Como é a garantia dos direitos sociais, contra a lei de terceirização e precarização das condições de trabalho, pela redução da jornada de trabalho e o fator previdenciário. Também a pauta da soberania nacional contra os leilões de petróleo e a pauta da política econômica, contra as altas taxas de juros, por uma reforma tributária, que revise inclusive a política de superávit primário que vem sendo aplicada desde o governo FHC.

Por que a proposta da presidenta Dilma de realizar uma constituinte e um plebiscito não prosperou?

A presidenta Dilma sentiu o barulho das ruas e num primeiro momento apresentou a proposta de realização de uma constituinte e a convocação de um plebiscito oficial para consultar o povo sobre essas mudanças. Foi uma boa iniciativa, apesar de que o plebiscito proposto estava relacionado a pequenas mudanças eleitorais, que não tinham uma relevância maior de reforma política. Mas, por incrível que pareça, ela foi boicotada e derrotada. Primeiro por sua base parlamentar, que na verdade não é base do governo, é base das empresas que financiaram suas campanhas. Segundo, foi boicotada pelo PMDB e por parte da própria bancada do PT. E assim está definitivamente enterrada qualquer possibilidade de mudança política através do atual Congresso. Ou seja, se comprovou, mais uma vez, que ninguém corta seus próprios privilégios. Pior. Em meio a toda essa mobilização, os principais representantes dos poderes constituídos se comportaram com escárnio frente às demandas das ruas, ao usar os jatinhos da FAB para ir a festas e jogo da seleção. E as maracutaias do presidente do STF com suas mordomias, sua promiscuidade com a Globo, empregando um filho, e a denúncia de que recebeu mais de 500 mil reais sem trabalhar da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tudo isso deixou a presidenta derrotada politicamente. Acho que seu futuro depende agora de muita coragem. Primeiro deveria fazer uma reforma ministerial para trocar imediatamente vários ministros da área política, Casa Civil, da Justiça e da Comunicação que ainda não escutaram as ruas… E dar uma prova de que quer mudar. Se afastar o mais rápido possível do PMDB e seguir ouvindo as ruas!

Como você vê o comportamento e os objetivos da burguesia brasileira frente a essas mobilizações?

Os setores organizados da burguesia brasileira e que a representam nos mais diferentes espaços também ficaram atônitos diante das mobilizações, sem saber o que fazer e tateando suas táticas. Vejam a própria postura da Globo como foi se alternando ou as orientações que davam para suas polícias militares. Eles continuam divididos. Uma parte continua apoiando o governo Dilma, embora preferisse que o Lula voltasse para dar mais segurança ao pacto de classes que se estabeleceu em 2002. E outra parte da burguesia, mais ligada ao agronegócio e ao setor rentista do capital financeiro, se articula em torno de um único objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma para colher os frutos nas eleições de 2014. Porém, eles ainda não têm um candidato que consiga representar seus interesses e ao mesmo tempo capitalizar os desejos de mudança das ruas. Até porque eles não são a mudança, eles são o retrocesso, a volta aos programas neoliberais e a maior dependência do Brasil aos interesses estrangeiros. Eles vão continuar tentando motivar a juventude para que coloque temas reacionários ou utilizar o 7 de setembro para exaltação da pátria, como faziam no passado. Mas, para nossa sorte, acho que eles também estão mal na foto, como diz o ditado. E a juventude não entrou nessa. E com a entrada da classe trabalhadora em cena, se colocaram temas da luta de classe na rua.

O que deve acontecer nas ruas daqui para frente?

É muito difícil prever o desdobramento. É certo que as mobilizações vão continuar. Tanto de maneira pontual contra questões locais, como o caso do governador do Rio de Janeiro, os pedágios de Vitória, a luta pela tarifa zero, que só está começando… E os setores organizados da classe trabalhadora já se programaram para diversas mobilizações durante todo o mês de agosto. Dia 6 de agosto teremos manifestações dos setores sindicais, na frente de todas as sedes patronais, contra o projeto de terceirização e pela redução da jornada de trabalho. Na semana de 12 de agosto, teremos uma grande mobilização dos jovens estudantes, por temas relacionados com a educação. Dia 30 de agosto está marcada nova paralisação nacional com a mesma pauta política e econômica da mobilização do dia 11 de julho. Tenho certeza que essa paralisação será ainda mais significativa. E na semana de 7 de setembro teremos mobilizações contra os leilões do petróleo, da energia elétrica, as mobilizações do grito dos excluídos que envolvem as pastorais das igrejas etc. Assim, teremos um agosto muito ativo. Mas o principal é que consideramos que está se abrindo um novo período histórico de mobilizações de massa, que será prolongado, até que se altere a correlação de forças políticas na institucionalidade.

E qual é a proposta dos movimentos sociais frente a essa situação?

Frente a essa conjuntura, temos discutido nos movimentos sociais e realizado inúmeras plenárias locais, estaduais e nacionais dos mais diferentes espaços para ir acertando os passos unitários. Achamos que devemos estimular todo tipo de mobilização de massa nas ruas, como já descrevi sobre o mês de agosto. E por outro lado, a única saída política a curto prazo é lutarmos pela convocação de uma constituinte exclusiva para promover as reformas políticas que abrirão espaço para as necessárias reformas estruturais. Como o Congresso não quer constituinte e derrotou o próprio governo, cabe às forças populares se mobilizarem e convocarem por conta própria um plebiscito popular que pergunte ao povo uma única questão: você acha necessário uma assembleia constituinte exclusiva para realizar as reformas? E com esse plebiscito popular, organizado por nós mesmos, colher milhões de votos, por exemplo, entre setembro e novembro, e aí fazer uma grande marcha a Brasília e entregar ao parlamento a proposta, para que eles convoquem a eleição dos constituintes junto com a eleição de 2014. E aí teríamos o Congresso temporário, funcionando, e outra assembleia constituinte que teria, por exemplo, seis meses (durante o primeiro semestre de 2015) para promover as reformas que as ruas estão exigindo. No próximo dia 5 de agosto, realizaremos uma plenária nacional de todos os movimentos sociais brasileiros, para debater essa e outras propostas e aí darmos os encaminhamentos necessários. Espero que os dirigentes que por ventura lerem essa entrevista se motivem a participar dessa importante plenária que será realizada em São Paulo.

 Mas você acha que essa proposta tem viabilidade política?

Nesse momento estamos fazendo muitas consultas entre os movimentos sociais, correntes partidárias, forças populares e a aceitação é muito grande. Se conseguirmos organizar um plebiscito popular e ele recolher milhões de votos, isso será a pressão para encontrar uma saída política. Se não viabilizarmos uma assembleia constituinte, entraremos numa crise política prolongada cujos desdobramentos ninguém sabe como acontecerão. Até porque as eleições de 2014 não vão resolver os impasses colocados nas ruas.

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3 Respostas to “760 – Chico contesta Stédille”

  1. O Saci-Pererê Says:

    Recentemente, circulou nas listas dos professores da UFBA uma postagem da Prof. Nair Casagrande, da FACED/UFBA, com entrevista de João Pedro Stédille, dada ao “Brasil de Fato”, em que o mesmo diz que “Se não viabilizarmos uma constituinte, entraremos numa crise política prolongada”.

    O Prof. Francisco Santana, prontamente, contestou Stédille,
    apontando-o como porta-voz da presidente Dilma e resgatando velhas fotos do tempo de ACM, ex-senador baiano…

  2. Lulis Says:

    Quando alguém que se diz líder de trabalhadores que busca justiça social empresta o seu prestígio para apoiar soluções de um governo que distribuiu esmolas para perpetuar-se no poder e favoreceu amplamente a empresários, construtoras e banqueiros – em troca de financiamento de campanhas, amargas dúvidas assaltam as mentes honestas sobre a sinceridade de certas lideranças…
    Parabéns, Prof. Chico! Ainda que parte da inteligência da Universidade Pública se renda diante do pró-labore governamental que a torna acrítica, a chama da academia crítica não se apagará jamais.
    Ainda teremos muitas decepções até o trabalhador ter consciência de classe e aprender a se vacinar contra impostores e falsos líderes.

  3. Zemaria Porto Says:

    Nunca ninguém me respondeu satisfatoriamente de onde vem o dinheiro que financia as caravanas de ônibus dos comandados de Stedili e de Rainha…

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