814 – Ser ou não ser um pizzaiolo?

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Quem sabe no futuro, o ministro Celso Melo dirá: "Éramos seis!"

Quem sabe, no futuro, o ministro Celso de Mello dirá: “Éramos seis!”

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OMenandro Ramos
Prof.  da FACED/UFBA

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voto consumou-se. Inês é morta. Qualquer que fosse a decisão do colendo ministro Celso de Mello, alguém iria dizer nesse imenso país a óbvia sentença de um único verbo: “Mellou!”

Ser ou não ser um pizzaiolo? Julgar não é fácil. Ademais, a verdade não é tão cristalina assim, pois se o fosse, o insigne ministro Celso de Mello não precisaria de duas horas para apresentá-la. E, ainda assim, deixando todo o país perplexo e pouco convencido. Exceto os petistas and brothers. Se por uma lado, conforme o próprio ministro salientou no início do seu quilométrico “antilibelo”, o Supremo não pode ceder a pressões das ruas, por outro, não pode também ceder a pressões do partido do governo e demais coligados. Ou será que o partido hegemônico implicado deixou a coisa correr solta, como alguém ingenuamente poderia supor num estado de direito comprometido visceralmente com o capital?

Só para efeito de adensar mais a reflexão, será que a Ação Penal 470, (para não torná-la chinfrim com a alcunha de “Mensalão”) teria a mesma repercussão que teve, data venia,  se não envolvesse altas somas de dinheiro? E de dinheiro público, habilmente disfarçado? Teriam o mesmo tratamento os ilustres acusados, se não fossem quem são – figurões com notáveis passagens pelos mais cuidados tapetes vermelhos dos salões da República – e se não pudessem dispor de verdadeiras fortunas para bancar os mais renomados e mais doutos causídicos do país?

Dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é lei. Há muito, nos ensinaram essa verdade. Inexoravelmente, talvez, nunca a lei se curvará aos clamores da rua, posto que são parvos e ignorantes. A lei é imparcial e seus ilibados representantes constituem o que há de melhor na sociedade em matéria de saber jurídico. Em Roma dos césares foi assim. E em todos os tribunais do mundo. Ontem, hoje, amanhã. A massa ignara jamais entenderá as sutilezas que fazem um regimento interno ter mais valor que uma Lei – a tal  lei 8038/1990, que segundo as luzes sapienciais do ilustrado Magister “se limitou a dispor sobre normas meramente procedimentais”.

– Fazer o que, né, chefia? – resignou-se o Saci –  Que venham os embargos infringentes! Quem pode, pode!… Que se proclamem, então, mártires: Zé Dirceu, Delúbio, Genoíno e tantos outros, e que os indenizem por danos morais, coitadinhos. E que a História faça justiça, não apenas ao corajoso Celso de Mello, mas que sejam incluídos no monumento aos Próceres da República os irreprocháveis nomes dos ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.

E viva a República!

PIZZA-BRO-PIZZAIOLO

2 Respostas to “814 – Ser ou não ser um pizzaiolo?”

  1. Francisco Santana Says:

    Interessante, que uma semana antes, todo mundo já sabia o voto dele. Realmente foi um gasto de saliva desnecessário.

  2. Ignacio Cat Says:

    “Mellando” ou não a expectativa adiada de ver Zé Dirceu atrás das grades, com ou sem embargos infringentes, ninguém pode dizer que a mão do chefe da quadrilha não está melada de lama. Pena que o Corleone acima dele escapou!…

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