818 – A vida é bela…

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A-VIDA-É-BELA

MOSCA-AZUL

cifrao.

abe-se que alguns desqualificarão o livro do jornalista Otávio Cabral intitulado “Dirceu: a biografia: do movimento estudantil a Cuba, da guerrilha à clandestinidade, do PT ao poder, do palácio ao mensalão”. Dirão que o autor é editor da revista Veja e isso o invalida como pesquisador…

Mas o fato é que, “agente da mídia golpista”, ou não, o escrevinhador traz passagens interessantes  da vida pregressa do filho mais badalado da pequenina cidade mineira de Passa Quatro, considerado o genitor do “Mensalão”.

Quem se interessar pelas andanças do poderoso ex-chefe da Casa Civil de Lula da Silva, certamente vai devorar as trezentas e tantas páginas do livro numa sentada. Os três primeiros parágrafos do terceiro capítulo (“Ronnie Von das Massa”) remete o leitor às recentes manifestações de junho:

Às 18 horas de 24 de junho de 1968, José Dirceu de Oliveira e Silva, presidente da União Estadual dos Estudantes, pegou um megafone e começou a gritar palavras de ordem para os mais de 5 mil estudantes que se reuniam nas arcadas do Grupo Escolar Caetano de Campos, na praça da República. Fazia muito frio e garoava naquela segunda-feira nublada. Dirceu, principal líder estudantil do estado, usava sua indefectível capa bege e bradava bordões típicos da época. “Abaixo a ditadura!” “Fora, militares!” “Viva o Vietnã!” “Viva a democracia!” “Yankees, go home!”

A maioria dos estudantes repetia e aplaudia, quando, a contragosto, Dirceu teve de passar o megafone para Catarina Meloni, sua maior rival no movimento estudantil, a quem derrotara em uma controversa eleição para a presidência da UEE. Aliados dele começaram a gritar e a vaiar, impedindo o discurso de Catarina. Militantes da Ação Popular, grupo do qual ela fazia parte, reagiram. Apasseata contra a ditadura, convocada nas duas semanas anteriores em todas as faculdades e nas principais escolas secundárias de São Paulo, começava em clima de confronto.

Na esquina das avenidas São Luís e Ipiranga, a menos de duzentos metros do início da manifestação, um possante Aero Willys, com a chapa-branca de autoridade, estava preso no engarrafamento. Aos gritos de “quebra” e “põe fogo”, o carro foi cercado por um grupo, e seu motorista, expulso a pontapés e socos. Os manifestantes quebraram os vidros, viraram o automóvel e o incendiaram. A polícia, orientada pelo governador Abreu Sodré, da Arena, a não reprimir a passeata “para não produzir mártires”, observava de longe a comemoração dos estudantes enquanto o veículo flamejava.
A manifestação saiu do controle. No largo do Arouche, usando coquetéis molotov, pedras e paus, os jovens quebraram as portas de vidros e as janelas da sede da Secretaria da Educação e da Academia Paulista de Letras. Em seguida, saquearam uma farmácia do Exército. Na esquina de Ipiranga com São João, arrancaram um poste, com o qual arrombaram o First National City Bank de Nova York. Por onde passavam, os comandados de Dirceu usavam o megafone para pedir apoio da população. A maioria, porém, não queria saber de confusão. […]

2 Respostas to “818 – A vida é bela…”

  1. Z. Xavier Says:

    Li o livro na 1a. edição e gostei muito. O autor se baseia em fontes facilmente acessadas. Qualquer um pode fazer o caminho que ele percorreu e conferir. Aliás, ele não seria bobo de dar colher de chá ao pai do mensalão. Se bobeasse, Zé Dirceu meteria um processo nas suas costas. Ele se limitou a citar fontes conhecidas e públicas.

    E dizer que o Pai do Mensalão já esteve no Salão da Reitoria da UFBA a convite dos petralhas!!! Uma vergonha para a instituição!

  2. Duílio Says:

    Na pagina 20 desse mesmo livro tem uma pérola de informação: “mudou-se [Zé Dirceu] para uma república próxima, onde dividiu um quarto com Celso de Mello,então estudante de Direito da Universidade de São Paulo e futuro ministro do Supremo Tribunal Federa”… Por coincidência, até as pedras se encontram…

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