866 – A ponte Salvador-Itaparica (2)

PONTE.

O (4).

.

Saci anda farejando uma boa discussão. Há poucos dias uma caiu na lista de discussão da UFBA em forma de carta aberta. Como o pilantrinha costuma dizer, “caiu na rede é peixe”. E lá foi ele publicando a carta do Prof. Ronan Rebouças Caires de Brito, do IBIO/UFBA, sem a autorização do mesmo. Mas eu não creio que o autor vai ficar zangado com ele… Afinal, quem escreve quer ser lido!

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR JAQUES WAGNER

Caro Jaques, permita-me chama-lo assim pois nossas idades são equivalentes e também não tolero essa formalidade institucional das excelências e senhorias. Escrevo-lhe porque acho que ainda há tempo para você não embarcar nessa aventura de construir uma ponte ligando Salvador a Itaparica. Vou sequenciar o meu raciocínio:

1- A Ponte é cara, e será muito mais quando os empreiteiros forem solicitando os reajustes no contrato.

2- Aponte é um solução ponto a ponto e não contempla a enorme possibilidade de desenvolver o Recôncavo por outros modais.

3- Estamos desconsiderando uma hidrovia espetacular que nos foi dada da graça, iniciada a 152 milhões de anos e consolidada nos últimos 400 mil anos, e sabiamente utilizada pelos nosso ancestrais Tupinanbás e portugueses.

4- Não estamos enxergando um mega serviço de ferrys e catamarãs conectados à Via Portuária para veículos leves e passageiros.

5- Não estamos vendo outro mega serviço de ferry e catamarãs localizados na Ponta da Sapoca em Paripe, para veículos pesados, com conexões trimodais com o mar, a ferrovia e a rodovia BR324.

6- Não estamos enxergando os inúmeros portos que pode ser construído em toda franja da Bahia para receber e embarcar esses catamarãs para pessoas e carros leves.

7- Esquecemos que existe um rodovia federal a BR101 que já drena o fluxo de veículo perto de Feira de Santana para quem vai para o norte ou sul e vamos causar a imprudência de levar esse tráfego para dentro de Salvador, sobrecarregando ambas BR324 e BA001, passando por Itaparica, parece-me uma solução, se não pouco inteligente, desastrosa sob o ângulo do planejamento estratégico.

8- Não estamos considerando a via circular para carros leves proposta pelo arq. Paulo Ormindo, que tanto tem alertado para essa ideia desastrosa da Ponte, e esta sim, daria maior visibilidade ao Recôncavo Baiano.

9- Alguém conhece a fundo o DECRETO Nº 13.387 DE 27 DE OUTUBRO DE 2011 que considera áreas de interesse público para efeito de desapropriação das terras ao longo e não tão ao longo da rodovia que ligaria a ponte Salvador-Itaparica à ponte do Funil e com direito à revenda? Já viram que grande parte das áreas destinadas ao interesse público estão nas cotas acima dos 20m, logo o filé mignon para a construção de modelos habitacionais com vista para os dois lados da Baia.

10- E por fim, alguém já visualizou a cicatriz de uma obra que irá por definitivo impedir a visão da grandeza do Golfo e dos morros azulados de São Francisco do Conde e a unidade formal desse imenso estuário

Por fim Jaques, ainda é tempo, pare com isso e jogue areia no ventilador desses empresários e no seu entourage de arquitetos e pense num grande programa para o desenvolvimento para o Recôncavo, que permita a um simples pescador de Mutá, Pirajuia, ou Maragogipe a pegar a criançada para passar um final de semana em Salvador, visitando os shoppings e tomando sorvetes e maltados na Cubana. Melhore a vida dessa gente.

Um abraço, fraterno

Ronan Rebouças Caires de Brito
Professor do Instituto de Biologia da UFBA
ronan@ufba.br

————————

Leia também outro post sobre a a tal ponte AQUI.

6 Respostas to “866 – A ponte Salvador-Itaparica (2)”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na lista da UFBA:
    ——————————–

    Anos passados alguém escreveu e a juventude 70/80 gostava de repetir. Do rio tudo se fala, mas nada se diz das margens que o oprime. Hoje, até em músicas falam: muros e mares separam e as PONTES UNEM. Ai de te NITERÓI e ARARIBÓIA, sem a ponte.

    Joromota.

  2. osaciperere Says:

    Circulou na lista da UFBA:
    ——————————–

    Caro José Roque

    Existem outras formas mais inteligentes e baratas de unir os mares. E também existem pontes e pontes. Araribóia pode ter ficado feliz, mas garanto que o cacique Taparica, pai de Catarina Paraguaçu não gostaria de ver seu Kirimurê violentado pelo empresariado que de tão gordo precisou comprar novos cinturões para segurar as calças porque o primeiro furo já não era suficiente.

    Grande abraço, Ronan

  3. osaciperere Says:

    Circulou na lista da UFBA:
    ——————————–

    Car@s,

    Lamentavelmente, a retórica empresarial continua seduzindo… E até segmento da universidade – que supostamente deveria ser crítico -, cai no conto.

    É como diz o Saci: alta escolaridade inútil…

    Tudo em nome do progresso, do empreendedorismo e até da ciência.

    Bom para quem, cara-pálida? E não estou me referindo às migalhas…

    Saudações universitárias,

    Menandro Ramos
    FACED/UFBA

  4. osaciperere Says:

    Circulou na lista da UFBA:
    ——————————–

    Prezados RONAN, MENANDRO E DEMAIS.
    Lamentavelmente, os supostos sábios, ditadores da teoria, não admitem nada em contrário e, aí, estupidamente, ficam a rotular, todos que opinam de forma mesmo ingênua ou independente. Fazer uma ponte nunca será o céu e nunca será o inferno. O que todos devem fazer é avaliar os prós e os contras.

    Não se fará a ponte. Será feita uma ferrovia, aí, a ferrovia vai passar próxima a uma caverna cujo s morcegos em extinção serão supostamente prejudicados, aí aparece uma ONG que nem sabe o que é morcego e provoca o embargo, o desvio da ferrovia para mais 50 Km. Lá nos 50 Km há uma espécie de borboleta em extinção, aí surge outra ONG coordenada pelo Cacique Taparica e aí a ferrovia e desviada para mais 70 Km.

    Finalmente, cada um defende o seu princípio e nada é feito.
    EU JOSÉ ROQUE MOTA CARVALHO EXIJO A EXTINÇÃO DE FERRYS E BARCOS MOVIDOS A DIESEL E GASOLINA E QUE RETORNEM DE IMEDIATO OS NOSSOS SAVEIROS E CANOAS. SALVEMOS A BAÍA E A ILHA. Com certeza, Yemanjá que nunca mais teve aquele encontro amoroso com náufragos de canoas e saveiros vai sair da solidão.
    SEJAMOS CONTRA AS IDÉIAS, NÃO SEJAM CONTRA AS PESSOAS. Parto do princípio: se alguém coloca algo polêmico deve estar preparado para o sim e para o não, caso contrário é STANILISMO.

    Nota: não morro de amores pela ilha. Com ponte ou sem ponte, continuarei indo ao PARAÍSO PRAIA DO FORTE.

    JOROMOTA

  5. Duílio Says:

    Vejo 2 vantagens na construção dessa ponte:
    1 – Ressarce as grandes construtoras da contribuição que deram na época da campanha que elegeu o político de plantão.
    2 – Passa para o eleitor alienado a idéia de progressso, de mais oportunidades e sobretudo comodidade para os moradores da ilha e adjacências.
    Para quem será que Jaques Wagner governa? Para as massas ou para os empresários e burguesia como um todo?
    Por acaso ele pega ônibus, fica na fila do SUS, compra roupa em camelô, mora em puxadinho ou bebe cachaça crua ou k-suco?

  6. osaciperere Says:

    Circulou na lista da UFBA:
    ——————————–

    Olá meninos,

    Não existe nas redondezas até o Baixo Sul, nem mais uma jataipeba para o convés dos saveiros, nenhum louro ou olandi para o tabuado e cintado, nenhuma sucupira para a quilha e sobre-quilha, nenhuma mussutaiba para as canas de leme e malaguetas, nenhuma taipoca para a verga dos peneirinhos, nenhum cunduru para os mastros dos saveiros de um pau e traquete, nenhum vinhático para fazer as canoas. Isso agora ou é pirateado ou vem do Pará, arrasando as matas de lá como fizemos com as nossas do Recôncavo e Baixo Sul. Muito provavelmente parte dessas madeiras está nas esquadrias da sua janela, ou nas portas e na mesa e cadeiras da sua sala de jantar. Agora o que temos é um bocado de terra no Recôncavo sub utilizada que boa parte poderia ser plantada com dendê para produzir um biodiesel de alta qualidade para mover os ferries e catamarãs de última geração, geridos por um estado competente e independente. O vento continua no mesmo lugar que Amerigo Vespucci o encontrou e o deixou, porque não construir grandes balsas de cascos de bambu laminado de alta tecnologia e altamente resistentes, movidas a vento para levar cargas de cá para lá e trazer de lá para cá? Quanto às borboletas e os morcegos, ai que saudade deles quando meu pai andava escondido da longa perseguição de Dutra em uma casa que moramos em São Tomé de Paripe. Ali, além de morcegos, que sem dúvida dão personalidade à uma moradia, haviam as levas de borboletas em setembro e os siris que comíamos aferventados, apenas, e íamos brincar no caís que não mais existe, porque o mar foi aterrado por uma fábrica de cimento, essa mesma que estou propondo aproveitar para um dos terminais de ferrie. Assim é o mundo meu caro José Roque, impermanente, e sabedoria às vezes é mais importante do que conhecimento. Quanto ao meu amigo Menandro, sinta-se à vontade de usar esses pequenos opúsculos no seu blog, essa é a ideia.

    Um forte abraço a ambos

    Ronan

Deixe uma resposta para osaciperere Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: