890 – Estudar a vida eterna dá uma boa grana

A-vida-eterna-do-Saci

Prezado  Prof. Roque,

Preciso fazer-lhe um esclarecimento. Sei que o Sr. compreendeu o meu fastio para discutir neste Blog certos assuntos, como os relacionados ao espiritismo – e eu agradeço a sua compreensão! -,  mas isso não significa que  nunca os discuto. Tenho amigos queridos, espíritas e estudiosos da doutrina espírita, que volta e meia me tentam a sair da minha indiferença sobre o assunto. E às vezes até conseguem. De um modo geral, discutir religião não me empolga muito. Qual Feuerbach, sustento que as criaturas humanas criaram Deus, e não o contrário como a maioria acredita. Mas sei que estou em desvantagem. É avassalador o temor  do fogo eterno… Não foi à toa que as chamas foram escolhidas para ferramentar a “pedagogia do terror”, tão exercitada por religiosos terroristas trasanteontem, ontem, hoje e quiçá sempre!

É mais fácil e mais cômodo pensar o mundo como tendo sido criado por um “arquiteto universal”, ou um demiurgo, do que imaginar átomos e moléculas se batendo aqui, ali e acolá para resultar, no final, na formação um neocortex cerebral humano capaz de escrever livros e chamá-los de “sagrados” ou de consignar os frutos tormentosos de reflexões por décadas a fio, acerca da economia burguesa, denominando-os de “O Capital”. Ambas as produções são geniais. A dúvida para alguns é sobre qual delas incide o maior potencial para a emancipação humana… A temática é pauleira, eu sei.

Mas não quero que se sinta um “patinho feio” por trazer essa temática para uma lista de discussão de professores universitários. Aqui pode e deve rolar tudo. Democraticamente. Ao lhe responder sobre o meu fastio por assuntos da “transcendentalidade”, apenas deixei aflorar um pouco das minhas idiossincrasias. A ilustração acima com intervenção do meu debochado amigo de gorro vermelho e pito é apenas a pontinha do iceberg místico abrigado em doutas pesquisas universitárias.

Com isso, o que quero lhe dizer é que, por mais absurdo que possa parecer para alguns, tudo pode se motivo de discussão e pesquisa. No último caso, principalmente se tem a grana como combustível.

E a religião ou assuntos ligados a ela não estão sozinhos nessa parada. Só para ilustrar, foi-se o tempo em que alguns filósofos andavam em andrajos, ou que se matavam ingerindo cicuta… Veja, por exemplo, o grande filósofo da pós-modernidade Edgar Morin, que faturou horrores como consultor da Orus, organização  não governamental parceira do Banco Mundial; ou observe como os livros da grande filósofa petista de Pindorama, Marilena Chauí, povoam as escolas públicas brasileiras. Apesar de serem distribuídos gratuitamente para os alunos, é de se pensar que tanto a editora quanto a autora da obra devem levar uns bons cobres, como se dizia antigamente. O liberal Roberto Campos costumava lembrar que não há almoço de graça… 

Mas veja, prezado professor, como palavra puxa palavra: tudo começou com o Prof. Francisco Santanas comparando o ex-presidente Lula com o Füher nazista. O Sr. protestou e escorregou para religião, espiritismo, transcendentalidade. E eis que, para sustentar o nosso diálogo, eu acabo chegando onde não queria. Ou seja, nessa competente filósofa que continua defendendo o PT, mesmo depois do “mensalão”, e que desce o porrete na mídia (às vezes, com razão!). E essa mesma mídia que veicula propagandas do partido do governo e do Palácio do Planalto, que por sua vez decide o patrocínio que a Caixa Econômica Federal dará ao próximo The Voice da Globo, versão local, e assim por diante. Coisa de doido, não?

Bom, por hoje é só.

Atenciosamente,

Menandro Ramos

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Veja a fonte da Vida Eterna (AQUI)

Abaixo, a sequência de mensagens trocadas com o Prof. José Roque, do Instituto de Química/UFBA:

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OBSERVANDO valores em REAIS, voltei ao passado.

Na TV TUPI/RIO: A GRANDE CHANCE selecionava futuro cantores. As afiliadas estaduais através de: A CAMINHO DA GRANDE CHANCE selecionava os estaduais para concorrerem na Nacional. Lá em Araci, no CINE BRASILIA, em  1970, TENTEI SER CANTOR, na seletiva: A CAMINHO DO CAMINHO DA GRANDE CHANCE, uma espécie de THE VOICE ARACI. A música escolhida, a minha geração cantou: VOCÊ NÃO É DOCE, MAS ENJOEI DE VOCÊ (Wanderley Cardoso). Frustração geral: o juri reprovou o meu futuro-cantor. Waldick Soriano era o nosso ídolo.

TUDO ISSO para comentar: MULTIPLIQUE 550 MIL REAIS x 13 e o resultado é igual a 7,15 milhões.

550 mil reais foi o que Carlinhos Brown recebeu, apenas, no show da vidada de ano em Copacabana/Rio de Janeiro. Se ele conseguir mais 12, ou seja, um show por mês, irá faturar até a virada de 2014, o total de 7 milhões e 150 mil reais.

Hoje, observei o meu contracheque na internet. COMPAREI os dois valores, o de um PROFESSOR REALIZADO e o cachê do CANTOR. Conclui: Trabalhando alguns anos chegarei a aquele valor. Cada qual com a sua FAMA.

ISSO REMETE AO FATO: um amigo chega em casa e pergunta à esposa: cadê juninho? Já tocou violão? Já jogou o baba? Que nada! Tá trancado no quarto estudando matemática e português, fala direto que deseja ser professor-doutor, respondeu a esposa. Eis que o pai, desesperado entra no quarto e joga tudo na cama e em riste fala: Eu já te disse para pensar em gravar um CD sertanejo e que o seu caminho é o Barcelona e você vem com essa bobagem de professor-doutor. Sai dessa. ASSUSTADO, o filho gaguejou: painho eu já comprei o DVD: Os filhos de Francisco, já vou treinar. Ainda bem, não quero recaída, retrucou o pai.

JOROMOTA.

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Prezado Prof. Roque,

Para o meu amigo de gorro vermelho e pito, quando  há esse desequilíbrio brutal na balança da “economia” (ou poder de fogo) é por conta de o capitalismo ser o sr. do pedaço. Sacou? Mas há quem admita não ter solução para o problema… Nesse caso, imperaria a lei do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. (Sabe daqueles peixinhos miúdos que acompanham o tubarão com o propósito de abocanhar uns fiapinhos de merenda?)

Alguns ainda admitem a solução só após a morte: “os justos herdarão o reino dos céus”. Mas há os que acreditam que a luta coletiva pode fazer a vida melhor: com justiça social e vida decente para os que têm uma face humana e são dotados de sentimento…

Esses últimos, ou são vistos por alguns como loucos ou subversivos perigosos.

Só para lhe fazer a segunda provocação (rss) do Ano Novo, Caro Prof. Roque, em qual dessas categorias o ex-presidente Lula seria incluído? E Hitler, para lembrar as boas lições recentes do Prof. Francisco Santana?

Atenciosamente,

Menandro Ramos

 

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Prezado Prof. Menandro:

ATO NÚMERO UM:

Resposta nota 10.

Louco e desequilibrado: Hitler. Tivemos sorte de estarmos lá. Mas, segundo a doutrina espírita, poderíamos ter estado na Alemanha de Hitler via processo da reencarnação.

Subversivo perigoso: LUIS INÁCIO LULA DA SILVA. Foi capaz de transformar um País miserável numa nação respeitada. Socializou o CAPITAL entre todas as classes sociais, de A a E.

Hoje, em Salvador, temos subversivos moderados, bons moços e moças. Não temos os chamados perigosos.

O debate LULA deve ser deixado de lado, pois não empolgou a galera.

ATO NÚMERO DOIS:

Menandro: Alguns ainda admitem a solução só após a morte: os justos herdarão o reino dos céus.

José Roque: Segundo a Doutrina Espírita todos herdarão, como o sistema é justo, os pecadores conforme o grau do pecado terão frequentar umbrais para evoluir.

Menandro: Mas há os que acreditam que a luta coletiva pode fazer a vida melhor: com justiça social e vida descente para os que têm uma face humana e são dotados de sentimento…

José Roque: Muitos acreditam que essa luta coletiva já passou, foi um rio que passou em minha vida e o meu coração se deixou levar (às vezes aparecem uns Black Bloc, outros dias, professores, acolá motoristas de ônibus, são lutas pontuais, não são lutas coletivas)…

Estar voltado para o capitalismo não é sinônimo de fazer a vida ruim, sem justiça social e sem vida descente, a MAIORIA têm duas FACES HUMANAS E SÃO RICOS DE SENTIMENTOS.

Segundo o Professor Luciano J. Borges é preciso não confundir. Artista é artista e paga-se o preço do momento. Concluiu: o mesmo pai/mãe é capaz de pagar 200 reais para o filho assistir o show de Ivete, ou 02 mil por um abadá, mas sente-se ofendido se um professor cobrar 100 reais por uma aula de recuperação para o filho.

JOROMOTA

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Nossa !!!

Pecadores ? Frequentar umbrais para evoluir ?

Será a vida imitando a arte ou arte imitando a vida ?

Arte de quem?

Como que a luta coletiva já passou? Não sobrevivemos em sociedade (coletiva) enquanto espécie, condição de sucesso evolutivo (não apenas biológico e aqui dá-se um salto de qualidade, surge alguma esperança)?

Não seria o conflito (paradoxo) entre o individualismo fundamental ao capitalismo e entre a necessidade de ter que viver coletivamente um dos fatores radicais na resultante de lutas de grupos dispersos, podendo chegar ao limite da passeata de um só? Na reivindicação de um só? Na greve de um só? Todos juntos em separado lutando por conquistas pessoais, individuais, por um mundo de cada um em separado? E ainda tendo que se submeter à regras de uma ditadura da vontade divina (segundo as escrituras dos homens!) autoritária, com a primeira dela (mandamento) exigindo submissão total e exclusiva?  Como fica a liberdade, se estou condenado a obedecer e obedecer e obedecer?

Só consigo escrever: nossa !!!

Maurício Cardeal

UFBA

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Prezado Prof. Roque,

Em primeiro lugar, quero fazer uma correção: onde escrevi “descente”, leia-se “decente”. Só percebi agora ao ler a sua mensagem. O “S” a mais muda o sentido da frase, assim como a luta desenfreada por acumular, acumular mais “$”,  pode mudar o sentido e a beleza da vida… Rss para não perder a piada…

Quanto aos “umbrais da transcendência”, minha inapetência é muito grande para enfrentá-los. O máximo que posso fazer respeitar o Evangelho Segundo o Espiritismo, de Kardec, mas sem ânimo para considerá-lo uma obra a ser investigada.

Não tenho nenhuma dificuldade para mencionar como “grandiosa” a obra de Divaldo Franco. Sem dúvida, centenas de pessoas são beneficiadas por ela que, de alguma forma, tapa uma ínfima parte do grande buraco da omissão do Estado. Mas é muito pouco. Isso deveria ser responsabilidade do Estado. Continuo advogando a racionalidade e a ciência a serviço da humanidade. Mas não uma ciência competente na arte da fabricar bombas, de matar, de ferramentar o capitalismo para aculumar, para controlar, par construir discursos legitimadores da exploração de um indivíduo sobre outro.

Comungo da perplexidade do leitor e agora debatedor Prof. Maurício Cardeal. Não consigo mais avançar na minha escrita. Faço minha a surpresa dele: nossa!!!

Fraternalmente (mas uma fraternidade materialista),

Menandro Ramos

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PS – 1) Há quem diga que o assistencialismo espírita pode, tranquilamente, ser comparado com o “marketing da bondade” do Criança Esperança, praticado com muitos holofotes pelos herdeiros de Roberto Marinho. Pessoalmente, creio não ser possível colocar Divaldo Franco no mesmo cesto de ladinos globais. Justiça seja feita… Mas defendo que o ser humano não precisa de “caridade”, mas de justiça.

2) Aqui na Bahia mesmo há cantores famosos que praticam a caridade, ajudando as pobres criancinhas órfãs dos cuidados dos Estado. Consta que eles o fazem em segredo, mas coincidentemente, a mídia sempre divulga o “gesto caridoso”. Salvo engano, os seus livros sagrados que um dia os li por curiosidade, fazem referência aos “fariseus” e “sepulcros caiados”. Salvo erro, no Novo Testamento.

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MENANDRO e DEMAIS: é bom reconhecer o ganho. Vocês ganharam, porém não me convenceram.

Sigo o adagio popular: política, capitalismo, religião e futebol não se discute. Cada um tem o seu, a sua verdade.

Para mim e para muitos, os temas: Hitler, Mussolini, Franco, Getúlio, Brizola, LULA, cristão, não-cristão, ateu, não-ateu saturaram por si só, fazem parte de um passado recente. Preciso de novos temas-debates. Portanto, não voltarei a comentá-los, mesmo que seja provocado.

Começo a retomar a concentração para as aulas finais do semestre 2013.2; as atividades no laboratório; orientações e atividades administrativas, IMPORTANTES PARA AS FUTURAS PROGRESSÕES. Continuo defendendo que a progressão para PROFESSOR TITULAR seja um ato automático, não burocrático. Nos encontraremos em novos temas.

JOROMOTA.

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