892 – As pequenas bobagens do cotidiano

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O-Grito

Para o Saci, são as pequenas bobagens do cotidiano que tornam a nossa vida tão rica…

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

O (4).

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meu amigo de gorro vermelho e pito é dado a “filosofices”, como ele mesmo costuma mencionar. Hoje cedo, me saiu com essa:

– Chefia, a vida é uma grade bobagem mergulhada num mar de contingências. Isso é vero. Mas, pense bem, se não fossem essa pequenas tolices do nosso conturbado dia a dia, o que seria de nós? Se não fossem as nossas pequenas ou grandes vaidades, como enfrentaríamos este árido deserto que é o existir?

Pegado de surpresa, não consegui fazer outra coisa senão franzir o senho. Era a deixa que ele queria.

– As idiossincrasias de Santos Dumont, por exemplo, deixaram para a humanidade um legado até então inexistente. A preguiça dele em consultar o charmoso mas inconveniente relógio de bolso, levou-o a bolar o relógio de pulso; a inveja que ele nutria dos pássaros, desde pirralho, fez com que desenvolvesse o 14 BIS… E assim caminhou e caminha a humanidade.

– De fato, essas coisas são, no mínimo, interessantes…

– A lista de discussão do professores da UFBA é uma prova do quanto as idiossincrasias das pessoas pode suscitar grandes reflexões. E, o melhor, meramente contingenciais.

– E vero.

– Muito mais do que isso, chefia. Além de vero, é patético, mas é fenomenal também! Dialeticamente… Veja que o olhar sagaz do Prof. Francisco Santana já fez outras inserções do vasto campo do conhecimento, além dos que já foram propostos. Dessa vez, ele mete no bolo a Lógica e a Estatística. E ele tem razão em fazer isso. Esses dois ramos do conhecimento humano deveriam estar bem mais presentes no meio universitário…

– Sim, mas é bom lembrar que nem todos estudam Lógica ou Estatística… Na maioria das vezes, têm apenas noções básicas para lidar com situações menos complexas…

– Como não? Ainda que não tenham uma sistematização nos bancos escolares, lidam constantemente com outros semelhantes, desde tenra infância, e possuem um neocórtex cerebral. E isso é suficiente para estimular zonas cerebrais capazes de realizar admiráveis piruetas silogísticas. Veja, por exemplo, alguns que usam com maestria as falácias ad hominem. Ora, pouco importa que saibam o nome esquisito da coisa. O fato é que, num debate, quando não podem argumentar contra uma ideia ou proposição do adversário político, vão logo desqualificando o dito cujo, quando não tergiversam, ou saem pela tangente.

– Concordo com você. Diante do comprometimento partidário de alguns, velado ou escancarado, ao ser  feita uma crítica ao partido do governo, quando o crítico não é reduzido a ossos de lesma, evoca-se imediatamente o “mensalão” tucano como se o adversário tivesse cultivando um saudosismo de governos também comprometidos com o neoliberalismo.

– Sacou? E aí vem um  sabidinho e diz, em outras palavras: “Esta lista não está à altura de doutos como eu”! Caramba! Por que então esses doutos não trazem assuntos relevantes?

Sem que eu esperasse, assustei-me com um par de cornos que adentravam pela sala onde eu me encontrava. Era a Vaca Tata, toda serelepe, que chegara de viagem, cheia de óculos escuros e necessaire.

– Eu respondo meninos! Eu respondo! Muito simples: ou é porque são totalmente ignorantes em Lógica e Estatística, ou é porque são exatamente o contrário – expeeeertíssimos!

Era impressionante aquela intervenção bovina. Pensei com os meus botões: das duas uma – ou existiam coincidências ou, logo que chegara de viagem, a Vaca Tata telefonara para o Prof. Francisco Santana para saber das novidades da UFBA…

Abaixo, uma postagem do Prof. Francisco Santana que circulou na lista de discussão dos docentes da UFBA.

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Estupraram a Lógica ou
Quando vires as barbas do vizinho a arder…

Francisco Santana
Prof. Aposentado da UFBA

Seguirei o adágio popular: Quando vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho.

Vou tomar o máximo de cuidado agora quando escrever minhas mensagens, pois como vimos, independente do assunto, o tom ou diapasão pode revelar nossas mazelas freudianas.

O nosso psicólogo de plantão, o SACI, por exemplo, conseguiu tipificar em mensagens com exigências expressas em tom doutora,l indícios de: Narcisismo, megalomania, intolerância, vocação policialesca, censura inquisitorial, TPM etc.

Aos quais o professor A. Pugliesi acrescentou: vaidade, impressionismo (exibicionismo?) além de invocar a ação dos psicólogos, semiólogos, sociólogos entre outros profissionais dessa Universidade.

Ai de mim, que sou leigo nessa área, tentar desafiar os especialistas, por isso prefiro analisar as referidas mensagens de intimação a ordem, do ponto de vista da lógica, pois esta não pode ser maculada, muito menos numa lista de debates universitária.

Quando eu recebo uma mensagem, identifico logo o autor e o início da mensagem sem precisar abrí-la. Posso, portanto deletá-la de imediato sem tomar conhecimento caso seja de meu gosto fazê-lo.

Mas me retrucam. Eu não quero me dar a esse trabalho. Coloca-se então um antispam.

Mas um dos listeiros reclama que o Sr. José Roque consegue burlar seus antispans. Aí eu começo a acreditar que o Sr. José Roque tenha poderes divinos. Pois comigo acontece o contrário, há mensagens que eu não coloco antispam e e elas são eliminadas por próprios critérios de spam do gmail, tanto que eu tenho que fazer consultas periódicas à lista de spam para ver se não tem alguma mensagem importante.

Não seria o caso do departamento de informática ou do CPD fornecer uma assistência a esses pesquisadores? Eles não deveriam se envergonhar de precisarem dessa assistência. Eu adoraria.

Mas aí um dos reclamantes declara: “insistem em tratar de um mesmo assunto, sem atentar que ele já se esgotou e que a maioria o repudia”.

Aí não só a lógica, mas a estatística foi violentada. A APUB tem quase três mil professores associados entre ativos e inativos. Até agora só sei de um que repudia explicitamente. Por outro lado, o critério na internet de se identificar se um assunto é interessante é se ele é repetido muito, e não o contrário.

Parece que há aqui um falso entendimento do que seja a convivência num coletivo. As manifestações espontâneas e não dirigidas dos indivíduos do coletivo é que vão dar um retrato do que o coletivo prefere. Não é a opinião de um iluminado.

Por uma avaliação grosseira pode-se dizer que a maioria não gosta de debates em geral. Que um pequeno grupo gosta e de variados tipos. E que 4 indivíduos inconformados se sentem incomodados com isso.

Mas alguém retruca: “Gostaria de continuar na lista para receber mensagens que tratem de assuntos de elevado interesse científico, acadêmico e político”. Se esse assunto não vem, o próprio poderia suscitá-lo. Se ele tivesse esse elevado interesse, com certeza apareceriam vários professores para comentá-lo. Se não aparecesse, ou ele não tem esse elevado interesse ou você estaria acusando os professores da UFBA de só se interessarem por trivialidades.

Mas alguém pode retrucar: “Eu estou incomodado e quero sair”. Saia, mas o faça em silêncio. Até para não ficar na alça de mira dos psicólogos de plantão, como ocorreu.

Eu entrei nessa lista porque ao responder uma mensagem clicando os procedimentos padrões do g-mail, veio uma mensagem dizendo que para participar dela teria que me inscrever, o que fiz. Se por acaso quisesse sair, o faria em silêncio sem formalizar ou se quisesse formalizar e não encontrasse o link adequado escreveria educadamente ao responsável pedindo orientação sem necessidade de nenhum alarde. Afinal o responsável pela lista não é um empregado nosso ao qual posso dar ordens. É assim que se trata educadamente um coletivo, agradece-se o convite para entrar e pede-se licença para sair. A não ser que o coletivo tenha lhe cometido uma ofensa grave (o coletivo e não algum indivíduo do coletivo).

 

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