979 – Vice-Reitor: uma joia rara

.

VICE.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

r (2).

.

ecebemos uma mensagem, cujo título era: “Muito cacique para pouco índio”. No corpo do texto, o missivista falava das dificuldades dos candidatos para formar uma chapa, por conta de ninguém querer mais ser vice. Ah! Os vice-reitores! AH! Os vice-chefes de qualquer coisa!

Concordo que os vices, hoje mais do que nunca, estão desprestigiados, meio em baixa. Recentemente, soube até que uma das pró-reitorias da UFBA andou destinando um tablet para as chefias dos Departamentos. Mas só para as chefias. Os vices ficaram só chupando o dedo… Rss.

Quanto ao “muito cacique para pouco índio”, creio que o leitor está repetindo um equivocado chavão. A compreensão que os povos indígenas de Pindorama tinham do “chefe”, era bem diferente da que se tem hoje. Os caciques ou morubixabas não tinham privilégios. Muito pelo contrário. Eles eram respeitados porque viviam para servir. Materialmente, não recebiam nada em troca. Apenas – ou não apenas! -, o respeito das suas comunidades. Diferente do autor do Príncipe que dizia que era preferível ser temido, os chefes indígenas preferiam ser amados. O antropólogo francês Pierre Clastres argumentou muito bem sobre o quanto os índios brasileiros lutaram para que o Estado nunca fosse emplacado. Diferente, portanto, dos astecas, mais e incas.

Dessa forma, a alusão do missivista sobre o cenário das eleições da UFBA e o “caciquismo” não tem o menor fundamento.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: