989 – O engenhoso Bolsa Família

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retirantes-e--o-bolsa.

Q.

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uando os capos do partido do governo sentaram à mesa para discutir o Projeto Bolsa Família, basePPROJERO-DE-PODERado em projetos outros da mesma natureza, daqui e de alhures, os demais brothers não demoraram muito para entender que aquilo poderia ser o filé mignon da hegemonia a ser construída pelo partido. Aquela ideia simples, asseguraria, quem sabe, o poder para o grupo dominante por mil anos…

Possuia amplas vantagens sobre quaisquer outras propostas de utilização do marketing da bondade. A primeira delas, era que a burguesia não espernearia, uma vez que não seria ela a pagar a conta. A outra vantagem era que o agraciado não esqueceria jamais a “ação humanitária” a seu favor. Qualquer um que faz três ou quatro refeições diárias, certamente, na mesma condição de carência não esqueceria também. Todo cérebro humano está programado para reconhecer o seu benfeitor. Aliás, até na escala animal, o condicionamento se dá por punições ou recompensas. Nesse caso, a positividade faria a diferença.

 

Mesmo que não se atrelasse o Programa Bolsa Família a outras ações de um projeto socialista correto, como o da reforma agrária assegurada, o investimento em saúde, em educação de boa qualidade, em formação para o trabalho, enfim, no largo espectro da infraestrutura social. Apenas aquela migalha da mísera Bolsa Família, e somente ela, seria suficiente para fazer alarde da tão desejada distribuição de renda. O resto, os grandes profissionais da propaganda a serviço do partido saberiam colorir na telinha e outras mídias…

***

Volta e meia divulga-se na rede um douto da economia cantando loas sobre as benevolências do governo petista. Evoca-se sempre aquele que está autorizado a falar, pois tem intimidade com números, cálculos, gráficos. E os torcedores da estrela triste, tão carentes de fatos e eventos que possam contraditar a realidade eivada de mensalões, propinodutos, estádios perdulários, buscam sofregamente esses gurus de coisa nenhuma.

O Prof. Francisco Santana, com a sua costumeira dedicação aos jogos de inteligência, joga areia na retórica pífia de alguns devotados defensores do partido do governo.

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Bolsa Marota

Francisco Santana
Prof. aposentado da UFBA

 

Como dizia o saudoso Jack. Vamos por partes. Primeiro a bolsa família. 

O governo atualmente gasta com o bolsa família 20 bi R$ e retira da seguridade social R$70 bi para pagar juros e serviços da dívida. A seguridade social abrange a previdência pública e o SUS. Os atendidos por ela são justamente quem ganha de zero a seis salários mínimos (estes uma minoria). Só nessa aí os banqueiros levam de 7X2 dos miseráveis. No geral o governo paga hoje um trilhão de reais de juros e serviços da dívida da dívida. Então no geral os banqueiros ganham do governo de 50 x 1 dos miseráveis brasileiros.

O dinheiro para a bolsa família o governo não tira dos banqueiros mas de quem ganha um salário mínimo para baixo (a maioria ) e acima de 3 salários mínimos (uma minoria). Ou seja, ele propala que tirou 32 milhões da miséria mas foi a custa de manter 80% da população brasileira numa pobreza crônica crescente. 

Desmistificando a Bolsa família. A bolsa família é a junção de dois programas propostos por Milton Friedman: o bolsa escola e a renda mínima. No de Friedman, a renda mínima está em torno de R$ 5.000,00  mensais enquanto que no governo brasileiro é de R$ 70,00 mensais por pessoa. Isto é, 71 vezes nos EUA mais que no Brasil. 

Esse programa foi introduzido na ditadura do Chile pela própria gang de Chicago (segundo os críticos das gangs de Chicago, a mais inocente foi a de Al Capone). Visava a privatização do ensino público fundamental e da saúde. 

No Brasil quem liderou a sua introdução foi o Eduardo Suplicy, por puro exibicionismo. Abramos um parêntese sobre o exibicionismo de Suplicy: 

(O exibicionismo de Suplicy é patológico inclusive ele faz tratamento. Alguém antipetista chamou ele de Mogadon. Uma das amostras disso foi quando ele requisitou verba do Senado para pagar o seu tratamento psicanalítico devido a Marta lhe terabandonado por Luiz Favres. Outra é a sua aparição de vez em quando no aeroporto de Brasília vestido de quimono de judô antes de embarcar. Fechado o parêntese voltemos à vaca -fria.

Então Suplicy lia com orgasmo no Senado a sua troca de correspondência com a Gang de Chicago de Friedman sobre renda mínima e bolsa escola. Quando era o próprio Friedman que respondia (raras vezes) ele ia ao delírio. 

Aí veio a campanha eleitoral de 1994. O PT tinha programa de educação elaborado por seus intelectuais e profissionais de educação, que era sério independente de ser viável politicamente ou não, ou ser só sonhador. E, como era feito para intelectuais, não tinha grande apelo popular como os CIEPS de Brizola.

Aí num programa eleitoral do PT, indisciplinadamente (exibicionistamente) e mentirosamente Suplicy afirma que o programa de educação do PT (e não era verdade) era o da bolsa escola. Para cada filho que o pobre botasse na escola, o governo pagaria um salário mínimo, ou seja, o governo teria uma despesa a mais equivalente a 40 ou 80 salários mínimos por professor (a) do ensino fundamental. Uma demagogia absurda.

Passou a eleição, Lula não foi eleito, mas Cristovão Buarque foi eleito governador de Brasília pelo PT. Aproveitando o pretexto para fechar os CIACS que Darcy Ribeiro tinha projetado e Collor tinha implantado, fechou o resto de CIACS e anunciou o projeto do bolsa-escola; anunciou só, e fez um arremedo pois um salário mínimo por aluno é muita cara de pau. Reduziu drasticamente o valor e o salário mínimo já era pequeno na época, o número de filhos etc. 

FHC então aproveitou a dica e fez também um bolsa escola barato. 

Aí veio o PT e com o consentimento de Henrique Meireles, pois o tutu dos banqueiros não foi afetado, pelo contrário, foi ampliado (contingenciamento das verbas assistenciais e de estrutura para sobrar para a dívida, empréstimos consignados com juros superiores até cinco vezes o da poupança etc.), juntou as verbas destinadas para bolsa família, vale gás e outros vales de lágrimas implantou o bolsa família atual e cobrou os votos através de uma propaganda esperta feita pela GLOBO. 

Esse é um resumo do bolsa família. Estou a disposição de outros esclarecimentos.

 

2 Respostas to “989 – O engenhoso Bolsa Família”

  1. Saci-Pererê Says:

    Circulou na “debates-l”:
    —————————

    O Lado bom do Governo Lula

    Sobre o governo Lula já circularam muitas piadas, mas concordo plenamente pela divulgação do serviço que ele já prestou à nação, após esses 2 andatos:
    Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; que não entende de economia, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.

    Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade.

    Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares, e não quebrou a previdência.
    Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse
    que o Brasil está melhor que o mundo.

    Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.

    Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado.

    Lula, que não entende de geografia, é ator da mudança geopolítica das Américas.

    Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo, etc.

    Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo(desmoralizado por brancos), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.

    Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

    Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.

    Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.

    Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual.
    Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.

    Lula, que não entende nada de história, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.

    Lula, que dizem que não entende nada, é melhor que todos os outros.”
    ————————
    Fonte: Pedro R. Lima, professor UERJ Economia

  2. Dilma quer acelerar economia | Blog do Saci-Pererê Says:

    […] O engenhoso Bolsa Família […]

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