990 – O justo desabafo

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assembleia-Apub-11-abril-20

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

r (2).

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ecentemente, completei 16 aninhos. Melhor, 61 anos, deixando de lado essa bobagem de eufemismo, cuja existência as dores das juntas desconhece.

Pois bem! E  é exatamente o avanço etário, creio eu, que amolece os corações e aguça a fonte do pranto. Talvez a proximidade da vida eterna contribua para exacerbar as lágrimas e fazer brotar a saudade do que jamais será vivido no futuro…

Durante a Assembleia Geral da APUB de ontem, dia 11 de abril, com pauta para decidir a eleição de delegados à Plenária Estadual da CUT (que não me representa!) e discutir sobre aposentadorias, condições de trabalho e campanha salarial, comovi-me às lágrimas. Copiosamente. Sobretudo, frustrei-me com uma das máximas do Barão de Itararé, que na sua sabedoria piedosa cunhou o dito imortal que assevera que “de onde menos se espera, daí é que não sai nada”, tantas vezes por mim apropriado. E isso ocorreu quando tomou a palavra o preclaro Prof. José Albertino Lordelo, da FACED. Atentamente, ouvi cada palavra que ele proferiu. Concordei com tudo. Dizendo de outra maneira, reconheceu que a carreira docente está cada vez mais aviltada, que os proventos são irrisórios e que a juventude não tem nenhum estímulo para abraçar a carreira universitária.

Confesso que jamais esperava ouvir da boca do nobre colega termos tão acres, tão duros, tão críticos acerca da atual condição docente. Justo ele que soergue as bandeiras do Proifes e da APUB governista. Se minhas retinas míopes e embaçadas pelos anos não me pegaram uma peça, vi, logo após o justo desabafo do Prof. Lordelo, a face da colenda presidente da APUB, tornar-se ligeiramente ruborizada. Aliás, após o término da Assembleia, o assunto foi longamente comentado no pátio e no estacionamento da entidade. Se docentes que se identificam tanto com a visão de mundo da diretoria atual da APUB já começam a espernear, certamente a coisa está muito, mas muito mais grave do que a maquiagem governamental consegue encobrir.

Enquanto voltava para casa, e enfrentava o trânsito soteropolitano caótico, fiquei pensando no que fizera a UFBA perder o competente Prof. Sérgio Gabrielli para a Petrobras e outros escritórios de consultoria pelo mundo afora. Ganhar dez vezes mais do que ganha um professor associado em fim de carreira, pode fazer a diferença na hora de bater o martelo para decidir qual profissão escolher…

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A-CARRANCA

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