991 – Reitorado Tripartite – a semente

.

REITORADO-TRIPARTITE

O Saci esclarece que as letras A, P e T, nos três acentos, demarcam os lugares dos representantes de cada categoria, antes que alguém traduza como um “comitê antipetista”. Aliás, que seria perfeitamente pertinente para a saúde da UFBA …

.

Menandro Ramos
Prof. FACED/UFBA

V.

.

.

amos combinar, Colega, a decisão de ser dirigente de uma universidade não é um ato extremo, pensado apenas para salvar o sacrossanto espaço universitário ameaçado pelo desgaste cotidiano. Falando francamente, já que não corremos o risco de alguma criança ler este post, e ficar traumatizada em relação às lides acadêmicas, a escolha que alguém faz de se candidatar a reitor ou reitora, ainda que de forma não declarada, esconde um pouco a vaidade de ocupar o magnífico cargo e, talvez, em maior intensidade, a sedução pelo poder. Poder esse que abre as portas para muitas e muitas conquistas pela vida afora, infinita enquanto durar.

Não quero tratar, aqui, apenas de conquistas financeiras, uma vez que todo mundo sabe que ser reitor afeta o salário de qualquer um. E para muito melhor. Refiro-me aos inúmeros privilégios que o cargo faculta. Foi da boca do meu amigo de gorro vermelho e pito que ouvi a sonora frase: “As vantagens de ser reitor, são como uvas em cacho – nunca crescem sozinhas”.

Só à guisa de ilustração, cito a facilidade que tem o mui colendo ex-reitor da Universidade Federal da Bahia e Pai da Universidade Nova para publicar seus valorosos textos. O que não acontece com os pobres mortais.

Quem se dispuser a “dar um Google” no ilustre nome do Prof. Naomar de Almeida Filho vai encontrar, de cara, aproximadamente, 16 mil resultados. Depurando melhor a pesquisa, chega-se sem qualquer trabalho, a centenas de citações que tranquilamente redundariam em gordas  pontuações para a sua progressão docente, se necessário fosse.

Como é público e notório, escrever um texto para uma revista de pedigree pontua mais do que dar aulas… Ainda que o docente tenha ingressado para ensinar – sem desmerecer a importância da pesquisa e da extensão. Dessa forma, fica demonstrado que são inúmeras as vantagens advindas de estar dirigente de uma universidade ou mesmo de ser um ex-reitor. Por extensão, da mesma forma que nos tempos da realeza, na República, parentes e aderentes de magníficos, envergam também alguma magnificência que nem o melhor espírito republicano presidencialista conseguiu de todo extirpar. Vide Lulinha da Silva, o Ronaldo dos Negócios”.

publicação-naomar

O “printscreen”  do Google mostra que o ex-dirigente da UFBA tem fácil acesso de publicação nas mídias empresariais. Ou seja, quem foi rei, continua majestade…

Apressei-me em escrevinhar essas linhas toscas, há muito intencionadas na minha cabeça, por conta de uma queixa que recebi da Profa. Rilmar, da FACED, ontem, na Assembleia Geral da APUB. A colega queixou-se que eu havia feito de forma muito discreta a referência dos três votos a favor do “Governo Tripartite”, ao postar, neste Blog, notícias sobre o I Debate da Oposição APUB, ocorrido na Faculdade de Arquitetura/UFBA.

De fato, foi uma breve referência, porém muito mais por conta das circunstâncias do que por entender a proposta como menos importante. Muito ao contrário. Sempre advoguei a gestão tripartite, embora saiba que o conservadorismo da maioria das pessoas converta tal proposta em desqualificação pelo gracejo chinfrim. Embora compreendendo as dificuldades de se construir uma revolucionária arquitetura desse modelo de gestão incluindo as três categorias (professor, técnico-administrativo e estudante), pela ousadia da proposta inusitada, nem por isso ela não pode ser pensada. Mais uma vez é Felippe Serpa quem fala mais ou menos assim: “No movimento do real, qualquer evento pode se precipitar”.

Ou seja, voto universal para a escolha de reitor, da mesma forma que o reitorado tripartite, podem ser apenas estágios passíveis de serem conquistados. Hoje ou amanhã. Desde que os novos construtos tenham como alvo o bem comum, a democracia e a felicidade de todos.

De memória, cito Montesquieu: “Todo ser humano que galga o poder, tende a exacerbar-se”. A ideia dos três poderes Executivo, Legislativo e Judiciário advém dessa lógica. Mutatis mutandis, se o excesso de poder pessoal tende a sufocar o poder coletivo, fortaleçamos o poder colegiado. É essa a ideia.

ecos--de-68Os ecos das demandas estudantis de 68 continuam reverberando…

Anúncios

Uma resposta to “991 – Reitorado Tripartite – a semente”

  1. kamenezes Says:

    Legal esse texto. Eu não tinha ideia de que essa possibilidade existe… afinal, a universidade ainda precisa das bençãos do MEC para aprovar a reitoria escolhida pela comunidade acadêmica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: