1004 – As velhas arenas e os novos petistas

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Arena-di-Coliseu

A prática de repassar dinheiro público, proveniente dos impostos, aos “construtores amigos” já existe de priscas eras…

Carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito

Autor  não identificado

Para júbilo dos amantes de textos clássicos, segue uma carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito

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Roma, 22 de junho de 79 d.C. – [79 depois de Cristo, há 1935 anos]

t.

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ito, meu filho, estou morrendo. Logo, eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. 

Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.

Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma “per omnia saecula saeculorum”, e sempre que o olharem dirão:

Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou.

Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.

Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. 

Vel caeco appareat” (Até um cego vê isso).

Portanto deves construir esse estádio em Roma.

Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: 

Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo: pão e circo).

Esperarei por ti ao lado de Júpiter.”

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PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito inaugurou o Coliseu com 100 dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano. 

A propósito de Copas e Olimpíadas … Continua válida a pergunta de Vespasiano:

– “Onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?”

Assim, a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Cuiabá, Recife e Manaus, mesmo que nem haja ludopédio por esses lugares. Só para se ter uma ideia:

Em Cuiabá, a Arena Pantanal terá 43.600 lugares. No último campeonato de Mato Grosso a média foi inferior a 1.000 pessoas por partida.

Em Recife, haverá um novo Estádio, embora todos os grandes clubes locais já tenham o seu.

Em Manaus, pior ainda: a Arena terá 47 mil lugares. No último campeonato estadual, juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971. 

As gentes da Terra Papagalli não ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram 5 novos estádios e 4 são deficitários.
Vespasiano estava certo – o grande negócio é construir estádios!

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NB – Em latim: clunis = nádegas

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2 Respostas to “1004 – As velhas arenas e os novos petistas”

  1. Saci-Pererê Says:

    Após ler a carta, alguém nos escreveu advertindo:

    “Depois dessa, em 2014 não vote com o clunis, mas com a cabeça…”

  2. Duílio Says:

    Petistas, pcdobistas, peemedebistas e outros dráculas oportunistas…

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