1391 – A mão invisível das Assembleias

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Vaca Tatá
Bovina baiana

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A fala do Prof. Francisco Santana, aposentado do IFIS/UFBA, sem dúvida, enriqueceu a concorrida Assembleia da APUB, de ontem, dia 09 de junho de 2015.

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S.

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ei que é temeroso uma bovina falar de coisas humanas, mas até não me impedirem de dar meus pitacos, vou fazendo isso com destemor. Claro que dizendo sempre aos meus leitores e leitoras: se eu estiver equivocada, por favor, me corrijam.

O permanente movimento do real não permite jamais a solução perfeita, acabada, absoluta para as pinimbas humanas. Todas as respostas e soluções dos problemas estão na esfera histórica. A solução para um problema de ontem nem sempre será adequada para o momento atual. E por aí vai. Dizendo isto, reporto-me à Assembleia de ontem, dia 9 de junho de 2015, conforme me relataram. Como tudo na vida, ora se acerta no varejo, ora no atacado. O mesmo ocorreu com a plenária ora aludida.

Creio que os docentes acertaram quando votaram pela manutenção da greve e contra a proposta camicase que propunha que os professores solicitassem, a quem de direito, o corte dos seus próprios salários. Quanto a esta última proposta, se acolhida, a categoria certamente estaria se valendo do chicote do capital opressor  para se autoflagelar… Felizmente, não passou.

Se eu não fosse uma bovina e tivesse o direito de votar, também não votaria a favor de a APUB ou o fundo de greve ter que arcar com a fortuna de R$ 5.ooo,oo (cinco mil reais!) para uma “simples explicação” dos motivos da greve através de uma nota num jornal de grande circulação. Com essa grana, faixas, cartazes, banners, pirulitos, sanduíches e outros tantos recursos da comunicação visual poderiam ser confeccionados para colocar a população a par da situação em que as Universidades Públicas se encontram. É bom lembrar que nem sempre a consagrada mídia impressa chega aos rincões populares. No máximo, atinge a uma elite de leitores totalmente indiferentes às dores do mundo e, em especial, aos perrengues dos trabalhadores.

Confesso que sou fascinada pela dinâmica das assembleias. Não que eu as veja como um instrumento perfeito, posto que seja ferramenta da democracia. E a democracia é imperfeita, trabalhosa, embora insubstituível até o presente estágio em que se encontram os humanos.  Para mim, é um mistérios a “mão invisível” que quase sempre conduz as assembleias. Mas não há outra forma de evitar o porrete, a troca de socos e pontapés ou a opressão física. É o diálogo, a retórica, a astúcia verbal que aos poucos vão plasmando a “consciência” coletiva, que não raras vezes embarca de gaiata no navio do engano… Vence o diálogo quando os partícipes não são simplesmente parte de um rebanho passivo que segue para o matadouro. Quando isso não ocorre, triunfa a esperteza dos capus, e o projeto de emancipação humana fica adiado. Mas é como eu disse: as assembleias às vezes acertam no atacado e erram no varejo. Alguns asseveram que a maldição da mão invisível do economista escocês Adam Smith tão cedo não será amputada… Sabe-se lá o que as Moiras reservam aos humanos!

Eu era capaz de jurar que a proposta de uma manifestação da categoria nas imediações do luxuoso Hotel Pestana, por ocasião do V Congresso do PT, feita por um docente durante a assembleia de ontem, seria bem acolhida. Imaginei que a presença da presidente Dilma Rousseff, a principal responsável pelo que estão chamando aí de “estelionato eleitoral”, praticado contra o que seria uma Pátria Educadora, fosse suficiente para mobilizar os docentes para o referido Hotel Pestana. Enganei-me redonda e bovinamente. Foi aí que atuou, segundo suponho,  a “mão invisível”. Sob a alegação de que os professores poderiam ser confundidos com os “coxinhas” da direita que lá estarão protestando, a categoria perdeu a grande oportunidade de sair dos muros da UFBA e marcar a sua posição de descontentamento com os ataque que a Educação vem sofrendo em benefício do famigerado superávit primário. Na greve de 2012, também a “mão invisível” impediu uma manifestação em frente ao Banco Central daqui de Salvador, na avenida Garibaldi, alegando o perigo do trânsito para a integridade física dos docentes…

De toda forma, os pequenos arranhões do frágil  processo democrático, em permanente movimento de equilibração/desequilibração,  não me impedem de considerar a beleza que foi a Assembleia de ontem, repleta de aprendizado – quem sabe muito superior às aulas que alguns docentes insistem em ministrar em plena greve decidida por um coletivo!… As belas falas da maioria dos oradores constituíram significativos tijolos do delicado edifício da Democracia em permanente construção. E seu instrumento maior, a Educação, não deve temer em utilizar a “Pedagogia do Constrangimento”, nas palavras da Profa. Salete da Silva, para inibir os que só têm olhos para os seus próprios umbigos.

Um forte MUUUU! em solidariedade aos que lutam por uma Educação Democrática e Emancipadora!

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Uma resposta to “1391 – A mão invisível das Assembleias”

  1. altino Says:

    SOBRE FOCOS E ESTRATÉGIAS!!!
    a questão do FOCO da greve foi objeto de destaque na assembléia da terça, dia 09/6.
    O foco é o ajuste? Primeiro cabe ressaltar que, em realidade, o que se chama de ajuste é tão somente um pacote de retirada de direitos dos trabalhadores e da sociedade que, no geral, perde com o sucateamento do setor social, da educação, da saúde e outras áreas enquanto “esse governo” destina bilhões para as empreiteiras e outras empresas através do pacote lançado essa semana que – na contramão de vários outros países- privatiza portos, ferrovias, estradas….e dá-lhe benesses: no Rio concederam 30 anos para empresas explorarem a Ponte Rio Niteroi construida, como lembram muitos, a peso de ouro durante a ditadura, com recursos dos trabalhadores! Na Bahia, a Prefeitura é mais generosa: concede 35 anos para exploração do terminal da Lapa!
    Segundo, que não existe um só caminho para se atingir objetivos, leia-se o foco. As estratégias competentes utilizam múltiplos caminhos e/ou formas.
    Terceiro, no caso dessa greve, há um fator complicador vez que um dos pontos centrais é a luta por algo amplo, político (de interesse dos que dominam e submetem o Estado/Governo) que é não o pacote de malvadezas, mas determinação do capital internacional. Daí que a problematica não é especifica da comunidade da UFBA e de outras IFES o que exige que o movimento docente, discente e dos técnico-administrativos (junto com O SINASEFE e outras categorias em luta) têm que ocupar as ruas – sair dos guetos, de ficar falando para nós mesmos – e mostrar e explicar para a sociedade os objetivos centrais do Governo e seus aliados.
    Sem que a sociedade – especialmente os trabalhadores – entendam o que está em jogo, as implicações desse pacote, pouco sucesso teremos (e já temos algumas semanas em greve). Carreira e Salários estão dependendo do “ajuste” que justifica, por parte do governo, o congelamento salarial e nada mudar na carreira!
    Daí que deve-se usar e abusar de estratégias que CRIEM FATOS POLÍTICOS, que “constranja educativamente” nas ruas não só o partido da presidenta bem como todos os partidos que apoiam o ajuste e as MPs e, em consequência, a ampliação da exploração dos trabalhadores.
    Com medo dos coxinhas, entonces, não se vai mais á rua? Esse discurso ajudou a barrar importante manifestação de rua com o OBJETIVO de CONSTRANGER não só a PRESIDENTE )que estará no congresso nessa quinta….) mas o partido á qual é filiada, que lhe elegeu e lhe dá sustentação politica junto com os que chamam de apoio” (será? ou nada disso é verdade?)
    Indo alé, pergunto: o MD não tem objetivo, foco? Não temos IDENTIDADE POLÍTICA para nos diferenciar e realizar atos defendendo nossas bandeiras em espaço e horários diferenciados dos coxinhas?
    Ah! saquei: agora estamos réfens dos coxinhas!!!
    Ou é isso ou está-se usando os coxinhas como uma desculpa para ficarmos no gueto, pra dentro e impedindo que não se possa CONSTRAGER EDUCATIVAMENTE os parlamentares que mentem abertamente para a comunidade da UFBA e, no congresso, apoiam e votam as maldades do governo e suas anti-sociais medidas!
    Enfim: o foco é o ajuste mas também é o Governo transgênico que aí está (afinal qual o Gen dominante: PT, PSDB ou PMDB???), os partidos de sustentação, o FMI (que cada vez mais transita pelo país), Banco Mundial e o capital internacional que determinaram esse tipo de ajuste que nada resolve, que retira dos trabalhadores para repassar para os ricos haja visto que medidas como a Taxação das Heranças, Fortunas é solenemente ignorada! Cadê “nossos parlamentares” que não apresentam e LUTAM para aprovar medidas como essa?
    Se o central é o ajuste neoliberal, cadê “nossos parlamentares que não CRIAM A CPI, O COMITÊ SUPRAPARTIDARIO, UM MOVIMENTO NACIONAL seguindo o exemplo da Grécia (para cujo trabalho foi convidada e Fatorelli) para AUDITAR A DÍVIDA?
    Ainda se tem muito a construir e fazer nessa greve mas, entre outras, destaco a urgente e fundamental necessidade de politizá-la e trabalha-la educativamente para conscientização da comunidade da UFBA mas também externamente, a sociedade!
    abraços,
    altino

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