1091 – Alemanha redescobre o Brasil

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redescobrimento

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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N.

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os dias de hoje, a meninada desde cedo já aprende que o Brasil não foi descoberto, mas invadido pelos portugueses, uma vez que já havia aqui seres humanos com polegar opositor e tele-encéfalo… Atualmente, pode soar como piada, mas garanto que ouvi muito na minha infância a ensebada pergunta em simulações de ambiente escolar: “- Quem descobriu o Brasil? – Pedro Álvares Cabral. – Em que ano? – Em 1500”.

Refletindo sobre essas marchas e contramarchas do suposto ensino da História, embora seja um mero amador da matéria, fico pensando se o termo não estaria correto. Pelo menos, da ótica do colonizador. Creio que, na perspectiva do europeu, a civilização do Novo Mundo aconteceu a partir da vinda dos intrépidos navegadores do Velho Continente. E em especial, com a chegada dos nossos irmãos lusos.

De fato, o protagonismo do português, foi muito maior do que o de outros povos. Até porque, na ocasião, Portugal estava na crista da onda.

A julgar pelo estrondoso fracasso da famosa “Nau do Descobrimento”, que negou fogo por ocasião dos festejos dos “500 Anos” de Pindorama – que segundo alguns foi por conta do pé-frio de FHC – os portugueses não foram nada do que contam as piadas. Ao contrário. Não sei exatamente que histórias os dirigentes contavam aos navegadores da época, mas o fato é que uns loucos e aventureiros meteram as caras e singraram por mares nunca dantes navegados, enfrentando escorbuto, calmarias, ventos, tufões, tempestades, monstros marinhos e o diabo a quatro. Meu instinto de conservação exacerbado, vulgarmente designado por alguns de “covardia”, certamente me colocaria mais para o time das viúvas e órfãos, contribuindo generosamente para avolumar o mar salgado de Portugal… Certamente, se eu vivesse naquela época, não haveria eufemismo de “Cabo da Boa Esperança” nem mesmo a bela voz de alguém que cantasse como Caymmi para me convencer que é doce morrer no mar. Navegar não seria tão impreciso quanto viver? É o que me pergunto sempre.

O fato é que os portugueses e outros destemidos europeus como espanhóis, franceses e holandeses deixaram suas ocupações – ou desocupações – para tentar achar aqui o que não tinham perdido. Sexagenário que sou, ainda me pergunto o que motiva um ser humano a tamanha peripécia: desilusão amorosa, decepção de outra ordem, vontade de “progredir”, necessidade de acumular bens – por julgar o futuro inseguro, crise de desemprego ou, simplesmente, espírito de aventura? Ou, ainda, um pouco de tudo misturado?

De modo que, no princípio, aqui chegaram os lusos ofertando sorrisos largos e colares de vidro. Os germes e o aço distribuíram depois, tão logo foi instituído o escambo assimétrico do pau-brasil, e ao trazerem o gado bovino e a cana-de-açúcar para o nativo cuidar, e ao levarem para o Velho Continente o que podiam extrair de valioso das entranhas virgens do Novo Mundo.

Prazam os céus que os simpáticos alemães não reconfigurem o descobrimento português. A história nos mostra que, aqui, em se plantado tudo dá. E sem impostos. A Copa da FIFA está aí para não me deixar mentir.

Por coincidência, por sincronicidade ou por repetição da história como farsa – sabe Deus! –, tal qual os portugueses, a simpática seleção alemã também se aportou no sul da Bahia. Trazendo, diga-se de passagem, um sorriso ancho e sedutor para os hospitaleiros nativos, que retribuíram tudo com admiração e humildade, conforme a mídia apregoou…

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Enquanto eu redigia estas toscas linhas, alguns professores da UFAB, através da lista de discussão “debates-l”, travavam uma alegre e interessante discussão acerca dos resíduos deixados pela atuação da seleção canarinha. Confira nos comentários abaixo.

 

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4 Respostas to “1091 – Alemanha redescobre o Brasil”

  1. osaciperere Says:

    Quem diz que o nazismo é passado é porque quer revivê-lo no presente. Aliás o ex presidente do STJ declarou em alto e bom som: vivemos num estado nazista. Mas deixemos essa parte para o fim. Vejamos alguns dados que provam que o nazismo não é passado.

    1) Josip Simunic, jogador croata foi afastado da Copa de 2014, pela FIFA, acusado de entoar cânticos nazistas para comemorar a classificação para a copa.
    O nazismo portanto é um tema atualíssimo e vamos provar abaixo que não se trata de um caso isolado mas de um caso cultivado desde o fim da 2ª guerra.
    2) Recentemente uma deputada alemã pediu ao parlamento alemão para cassar a cidadania alemã de Hitler não por razões políticas ou ideológicas, mas por uma questão meramente burocrática: a sua naturalização como alemão tinha sido uma fraude para ele poder concorrer à presidência da Alemanha. E por que os alemães não cassaram? seria um primeiro passo se livrarem do estigma do nazismo.
    Mas a elite alemã não o quer. Ela ainda tem a nostalgia de Hitler. Sonham em um dia reabilitarem a imagem de Hitler para afirmar no futuro que os alemães estavam corretos em apoiar Hitler. Quando para o bem do povo alemão deveriam de uma vez por toda enterrarem de vez esse passado, fácil de ser enterrado, bastando para isso revelando os verdadeiros criadores do nazismo que estavam por trás de Hitler. Hitler era um fantoche, mendigo, covarde, um paria humano que foi transformado num mito com muito muito dinheiro. Mas isso condenaria a própria elite da DC.
    São portanto os alemães que não querem esquecer o nazismo. Não é necessário lembrá-los. O nazismo continua ocupando um ponto central dentro da política alemã; é portanto um questão atualíssima por mais que a GLOBO queira esconder.
    3) Quem governa a Alemanha hoje é a DC – Democracia Cristã. DC é sinônimo de nazismo. A DC foi o refúgio de todos os políticos dos partidos nazista e fascista no após guerra. Konrader Adenauer era membro do partido nazista. O nazismo portanto se perpetuou sob novas formas e siglas. Por quê? Porque o lema é o mesmo de todas essas siglas e imperialismo americano e do nazismo: O ANTI COMUNISMO.
    4) Na Alemanha fica a principal sede da OTAN. Desde o fim da guerra que os oficiais nazistas foram incorporados a ela e treinaram gerações e gerações de novos oficiais na ideologia nazista. O serviço militar na Alemanha Ocidental após a 2ª guerra era de 3 anos feitos na OTAN e sob a supervisão desses oficiais nazistas.
    5) Após a dissolução da URSS esse exército, nazista na forma e conteúdo, a serviço do imperialismo americano, Chamado OTAN, na verdade a nova Wehrmacht, invade com um arsenal descomunal e sofisticado um país, a Iugoslávia, sem defesa para arsenal tão desproporcional tanto no ar como na terra e provocam a maior limpeza étnica desde as armênios feita pelos turcos e a dos palestinos feita por Israel. 500.000 sérvios são expulsos da Croácia recém criada. E quem sabe a história dos sérvios nas duas grandes guerras sabe também que deve ter sido preciso uma violência inaudita para forçar esses sérvios abandonarem a Croácia. O Genocídio não deve ter sido pequeno. Entretanto os generais croatas (colaboradores do nazismo na 2ª guerra) responsáveis pelos genocídios não foram em sua maioria condenados e os poucos condenados foram depois indultados. Enquanto os generais sérvios que cometeram (ou não) crimes semelhantes foram condenados até penas de fuzilamento por tribunais poucos legítimos.
    O que eu falo acima e falarei adiante, vocês não vão encontrar em registros da imprensa sadia brasileira. Encontrarão nos números do jornal HP da época, talvez no anuário do moribundo Cadernos de Terceiro Mundo e na Tribuna da Imprensa, já fechada, nos números da época. Hoje já é possível captar alguma coisa na internet.
    A Iugoslávia teve contra si, não só a OTAN e suas ramificações para militares ou de sequestro, mas sobretudo o controle da comunicação e da mídia. Os sérvios foram demonizados ao extremo o que facilitava suas condenações por tribunais suspeitos.
    O caso de Milosevic foi emblemático. Era o presidente eleito da Iugoslávia. Renunciou pois com a destruição da Sérvia pela OTAN foi responsabilizado por ter resistido à OTAN e ter perdido a guerra e não ter evitado a perda de Kosovo.
    Sequestrado em sua residência foi entregue a um tribunal armado pelos EUA e a ONU (o caso dele é muito parecido com o de Joana D’Árc). Defendeu-se durante 4 anos sem reconhecer a legitimidade do tribunal e colocando em cheque seus acusadores. Incomodados com a firmeza de Milosevic, os seus detratores o assassinaram na prisão. Não se sabe se usaram drogas especiais para provocarem a sua morte ou apenas negligenciaram a assistência médica. Mas há o consenso de que o responsável pela sua morte foram as autoridades promotoras do tal tribunal armação da ONU. Um ano depois de sua morte, a principal acusação contra ele, um massacre na Bósnia, foi considerado pelo mesmo tribunal sem fundamento.
    6) Pelos relatos festivos das fontes anticomunistas, deu-se para perceber que o regime DC alemão e os nazistas croatas se regogizaram do feito de destruir a Iugoslávia como se fosse uma recordação dos grandes feitos da Wehrmacht da época de Hitler. Os Iugoslávos que heroicamente tinham resistido ao nazismo na 2ª guerra eram agora punidos, numa grande revanche da Wehrmacht(OTAN).

    Os cânticos nazistas do jogador croata Josip Simunic, não foram um caso isolado, mas a ponta de um iceberg. Ele foi punido por indiscrição, para que se não apurasse a extensão do câncer.
    E assim como o governo brasileiro em caso de vitória da seleção brasileira a usaria para seus fins políticos, o governo nazista da Alemanha usará a vitória da seleção alemã para seus fins nazistas.
    O nazismo portanto está na ordem do dia e em regime de urgência.
    7) Mas tudo isso que eu disse é pinto comparado com o atual avanço do nazismo patrocinado por Obama tendo como carro chefe a Wehrmacht OTAN, a SEALS e o JSOC. Sobre isso vide o livro, SEGUNDA GUERRA FRIA de Luiz Alberto Moniz Bandeira e GUERRAS SUJAS, de Jeremy Scahill, no qual foi baseado o filme de mesmo nome, GUERRAS SUJAS, que ganhou o OSCAR de melhor documentário no último festival.
    B) Mas o surrealista é que os brasileiros desde 1980 vêm assistindo passivamente e sendo cúmplice da construção de um movimento fascista que finalmente assume o poder em 2002 sem nem desconfiar.
    Esse assunto fica para depois

    Francisco Santana

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”, da UFBA:

    O problema é que ainda não sabemos o que sejam, nação, pátria, time de futebol, territórios geopolíticos, e territórios subjetivos e simbólicos. Ouvem-se os hinos nacionais, choram os torcedores nos estádios, choram os de casa, choram os que assistem os jogos através das vitrines dos shoppings e nos bares, e não sabem porque estão chorando, se pela nação, pela pátria ou pelos meninos alinhados em frente à bandeira da FIFA. O que não sabem é que estão chorando pela pátria, que aliás, é o único momento que lembramos que ela existe. Portanto, Viva a Los Hermanos, que passaram e passam os mesmo perrengues que nós por aqui e espero que tragam essa copa para a América do Sul.

    Ronan Reboucas Caires de Brito

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    Concordo. Há uma absoluta incapacidade de separação entre nação, pátria, time de futebol, territórios geopolíticos, e territórios subjetivos e simbólicos. Isso chega a tal ponto que é possível confundir-se e identificar-se até mesmo uma equipe de futebol com o passado nazista de uma nação ou presente de colaboração (?) econômica de outra, como na postagem do colega Francisco de Santana…

    Marco Palacio

  3. Roberto Alves Says:

    Chico X Palacios: água e óleo! Adoro a perrengue dos dois. Um comunista; o outro, neoliberal pós-moderno… KKKKK

  4. Francisco Santana Says:

    Roberto Alves Says:
    julho 11, 2014 às 11:10 am | Resposta

    Chico X Palacios: água e óleo! Adoro a perrengue dos dois. Um comunista; o outro, neoliberal pós-moderno… KKKKK

    Prezado Roberto Alves

    A)

    Sinto-me honrado por você ter me chamado de comunista. É um grande elogio.

    Na realidade eu me considero um materialista tipo darwinista ou enciclopedista e também um nacionalista. Gostaria de merecer o título de comunista, mas sei que é muito difícil ser um.

    No meu conceito, um comunista deveria dominar o método materialista dialético, ter grande conhecimento da economia política atual e aliar isso no espírito ao conceito Zulu de Ubuntu, que está expresso no manifesto da ANC:

    “Ao contrário do homem branco, o africano quer o universo como um todo orgânico que tende à harmonia e no qual as partes individuais existem somente como aspectos da unidade universal”.

    O contrário portanto do individualismo e do narcisismo dominantes, não só devido a nossa sociedade consumista, hedonista mas das ideologias de nossas elites como as do produtivismo e da competitividade adotada pela quase totalidade dos decentes de nossas universidades.

    É portanto uma qualidade que não depende só de uma opção individual mas de uma época. Como dizia Marx, em outros termos, referindo-se a época que gestou a revolução francesa: “uma época que exigia gigantes e gerou titãs”.

    Os grandes comunistas foram gerados modernamente em duas épocas, A Revolução de 1917 e a da derrota do nazismo pelo exército vermelho e as frentes patrióticas de libertação lideradas pelos comunistas da 3ª Internacional; seu grande símbolo é a batalha de Stalingrado. No Brasil foram gerados Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Mariguela, Herzog, David Capistrano e muitos outros. O número é incontável. Mesmos que muitos desses comunistas tenham errado e mesmo depois se corrompido devido a força das novas relações políticas e sociais, ficou em sua memória aquele perfil que define um comunista.

    E evidentemente eu acho que não preencho esse perfil. Mas recebo com orgulho esse seu elogio.

    B)

    Quanto ao Prof. Marcos Palácio ser ou não neo-liberal, o direito de resposta é dele. Entretanto me sinto obrigado a comentar sobre o conceito neo-liberal. Na minha opínião é um eufemismo que deveria ser enterrado pois funciona como uma droga qualquer para anestesiar a humanidade enquanto os banqueiros chupam seu sangue.

    O termo correto para o sistema político-econômico atual é neo imperialismo. Não a nada nele que lembre a palavra liberal, pelo contrário é a negação do liberalismo.

    O Sr. Hayeck era um mau caráter que tinha dois discursos. Um demagógico para o público em geral e para cientistas políticos em particular. O outro, sincero e coerente para os banqueiros. Esse segundo discurso constava de duas receitas simples e curtas:

    1ª – PORRADA NOS SINDICATOS.

    2ª – CONTRATAR COM ALTOS SALÁRIOS ALUNOS BONS EM MATEMÁTICA PARA MIGRAREM PARA A ÁREA DE ECONOMIA POLÍTICA.

    Com isso criar uma grande literatura pseudocientífica em economia mas com grande dificuldade de leitura graças a formulação matemática complexa e a um economês hermético, com abundância de eufemismos e neologismos. Promover os autores dessa literatura com prêmios Nobel e outras formas de promoção desde publicações em revistas de excelência a colunas de comentaristas especializados e bem pagos da mídia e da imprensa em geral.

    3ª – Através de medidas draconianas do estado, impor uma política recessiva, arrocho salarial, desemprego e transferências de grandes patrimônios, subavaliados, privados ou estatais, para as mãos dos banqueiros em troca de papéis podres.

    Justificar que tudo isso está sendo feito por grandes teorias econômicas modernas de autoria de sumidades prêmios NOBEL. Daqui que alguém honesto consiga provar que essas teorias são charlatanismos, morreu Maria Preá.

    4ª Nunca esquecer a primeira regra: PORRADA NOS SINDICATOS.

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