616 – Dialogando com o Prof. Dilton O. Araújo

O Saci aproveitou a visitinha dos estudantes às dependências da FAPEX, neste período laborioso de greves das IFES, para lembrar que alguns  vêem a referida fundação de apoio como uma espécie de “Banco Central da UFBA”…

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Prof. Dilton e demais Colegas,

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reio que o Sr. tem razão nas suas colocações, Prof. Dilton.

Sempre temos que ser muito críticos, cuidadosos. E, às vezes, não o somos suficientemente o quanto deveríamos ser. Quantas vezes nos esbarramos com a falsa consciência, não é verdade? E como ela é capaz de nos enganar! Quantas vezes somos massa de manobra, boi de piranha, inocentemente, não é mesmo? Partidos, sindicatos, corporações, credos… Tudo pode nos engambelar!

Podemos, sim, estar o tempo inteiro manipulados  por “capos” inescrupulosos que visam só o proveito próprio… Concordo com o Sr. e acho sábias e oportunas as suas colocações.

A “boa” História, a “boa” Ciência e a “boa” Filosofia, enfim, podem ser de grande valia para toda a humanidade. E não apenas para uns poucos, como vem ocorrendo o tempo inteiro. E ainda bem que podem ser úteis a nós pobres mortais – aos quais me incluo -, e não apenas aos “pesados”, “densos” historiadores, cientistas em geral, filósofos ou que tais, os quais não são “donos” exclusivos desse extraordinário patrimônio que a humanidade vem construindo historicamente, desse tal “conhecimento”.

Também não gosto do escárnio público. Via de regra, não, embora quem tem um amigo saci, não tenha muitas chances de virar um monge budista… Certa vez, quando eu apenas lia um livro sobre o budismo, sem a mínima pretensão de me refugiar no Tibet, até pela lonjura que me separa de lá, ele me passou um monumental sabão, e me mostrou o risco de me tornar um “zen mané“, indiferente às dores do mundo, e interessado apenas no meu particular Nirvana transcendental. Quando tentei rebater, ele trouxe outro exemplo de mansidão – do cordeiro imolado para a redenção dos pecados humanos (Agnus Dei Qui tollis peccata mundi!) – que perdeu a cabeça e passou a zorra – com perdão do termo nada acadêmico – nos vendilhões do Templo.

Mesmo sendo ateu (porém de formação cristã, fui católico um dia), achei a ilustração interessante, e até imaginei JC no contexto da UFBA, tentando defendê-la contra os privatistas que diuturnamente  a atacam… Já pensou? Seria preciso um convênio com uma fábrica de chicotes…

Mas voltando à vida, se pudesse evitar, certamente, não faria execrações públicas de colegas, mesmo sabendo que o faço a praticamente “pessoas jurídicas”  que ocupam funções e cargos públicos… Porque o silêncio, em alguns casos, de qualquer um que tem o acesso mais sistematizado à refexão e não o faz na hora certa, pode estar estimulando os que atentam contra os trabalhadores, de forma consciente ou não. Também pode denotar cumplicidade com os equivocados, da parte dos que podem fazer algo, mas se refugiam no confortável silêncio, e, às vezes, até velhaco…

O Sr. já observou o quanto a UFBA tem se comportado assim, silenciosa, até mesmo indiferente, depois do infortunado governo Lula? Mesmo que  o dito cujo tenha saído com alto índice de popularidade, o sociólogo Chico de Oliveira sempre lembra que o infeliz Adolfo também gozava de grande popularidade e aceitação, na época dos execráveis campos de concentração na Europa nazista. Creio que o Sr. pode me dar boas aulas sobre o assunto, pois o conhece bem, enquanto estudioso de profissão que é. O pouco que sei, é mais através da cultura de Almanaque, e por ter uma curiosidade quase doentia em saber sobre certas coisas… Ninguém, felizmente, me cobra nada e também não recebo nada de agências financiadoras, daqui e de alhures, para fazer o que não gostaria…

Como vê, professor, viver é assumir permanentes riscos e perdas.

Tenha também um produtivo dia.

Atenciosamente,

Menandro Ramos
FACED/UFBA
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Quoting Dilton Oliveira de Araújo diaraujo59@gmail.com:

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Só, professor, que eu sou contra os paredões da vida, mesmo esses simbólicos aí. Muito menos contra o “trabalhador”. Sou contra as humilhações e escárnios públicos contra supostos inimigos de classe. Isso é velho, é antigo, não contribui com nada, nem mesmo com as lutas dos trabalhadores. Por isso, o meu alerta. É preciso ter cuidado quando se está com o poder nas mãos. Se não cabe para você, que bom, mas essa é uma constante da história, não só pelo “mau uso” do poder pela burguesia, mas também pelos supostos líderes das classes trabalhadoras que, muitas vezes, não passam de defensores de ditaduras que, não raro, transformam-se em máquinas sanguinárias de poder.
felicidades, tenha um bom e produtivo dia
Dilton Oliveira de Araújo
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Em 6 de agosto de 2012 08:51,
<menandro@ufba.br> escreveu:
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Car@s,
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Talvez a compreensão que a pós-modernidade trouxe para alguns sobre “universidade pluralista”, seja essa de achar tudo muito engraçado, inclusive a traição que a categoria dos docentes sofreu pela “ação competente” dos proifenses et caterva
Como não temos impulsos sanguinários, nem tampouco a menor sede de poder – não somos candidatos a nada! -, talvez seja interessante instituirmos mesmo um paredão simbólico para quem atenta contra o trabalhador.
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A propósito, é atribuída ao dramaturgo baiano Dias Gomes a seguinte frase: “Aos inimigos o poder; a nós, o direito de poder esculhambá-los”. Gosto dessa frase e queria ter sido o seu autor.
A ideia de construir um “paredão simbólico” – por vias indiretas – do Prof. Dilton é excelente! Parabéns! Muito boa mesmo, professor!
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Quem sabe o Saci não evoque o “Fuzilamento” de Goya, pela segunda vez para o seu Blog… Afinal, a ARTE deve ter outras funções além de decorar as mansões burguesas…
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Atenciosamente,
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Menandro Ramos
FACED/UFBA
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Quoting Dilton Oliveira de Araújo <diaraujo59@gmail.com>:
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É tudo tão engraçado, tão divertido….. só falta mesmo o paredÃO!!! (se não controlamos certos impulsos e sede de poder……!!!!!)
Dilton Oliveira de Araújo
Em 5 de agosto de 2012 08:46,<menandro@ufba.br> escreveu:
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Você não pode deixar de comparecer à próxima Assembleia. Fale com seus colegas de Unidade, amigos, conhecidos, pois precisamos lotar o Auditória de Aqrquitetura/UFBA.
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A Assembleia do próximo dia 7 de agosto, convocada pela diretoria da APUB, promete ser quentíssima, pois além de ser votada a permanência ou não dos docentes da UFBA na greve, vai-se pedir, também, a inclusão de um ponto na pauta, vital para o movimento docente, a fim de que se delibere sobre a expulsão da Prof. Silvia Lúcia Fererreira da presidênci da entidade. A sua postura inadequada em Brasília, contrariando o que foi decidido pela Assembleia, motivou o pedido de impeachment da atual dirigente da entidade sindical, que acontecerá justamente na próxima AG da categoria. Para evitar maiores transtornos à seção sindical do ANDES-SN, conforme decisão da Justiça do Trabalho em duas instâncias, assumirá a atual vice-presidente, Profa. Heloísa Santos Pinto. A deposição de um dirigente sindical tem amparo no Estatuto/Regimento da entidade. Até mesmo os que alegam que o processo de anulação do plebiscito, de acordo com a ação movida pelo Prof. Francisco Santana, está sub judice, até estes que querem fazer valer o Estatuto/Regimento da APUB de 2006, encontrarão amparo para a deposição da presidente no referido documento de regramento da entidade:
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ART. 15 – Compete à Assembleia Geral deliberar sobre: 
I – […] destituição da Diretoria ou Conselho Fiscal […]
(Confronte AQUI).
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O Saci não perdeu a piada:
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– Em Brasília, julga-se o Mensalão. Em Salvador, a Expulsão! E é tudo ÃO, como na propaganda  do cervejão!
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Atenciosamente,
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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA
e assessor do Blog do Saci-Pererê
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2 Respostas to “616 – Dialogando com o Prof. Dilton O. Araújo”

  1. Menandro Ramos Says:

    O meu amigo de gorro vermelho e pito aproveitou enquanto eu “dialogava”, civilizadamente, com o Prof. Dilton Oliveira Araújo, docente da UFBA, o qual ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, para imaginar Jesus Cristo como professor da UFBA, brandindo o chicote contra os vendilhões da res publica… Vê se pode! Espero que não me levem à fogueira por heresia, pois essa ideia é única e exclusivamente da lavra do pilantrinha debochado.

    Na alegoria sobre o que ele obrou, se a compreendi bem, é algo inspirado na FAPEX, ou em outra fundação e entidade privada qualquer de apoio.

    Depois da fala de um estudante durante a Assembleia dos professores, realizada no dia 2 de agosto passado, em que referiu-se à FAPEX como uma espécie de Banco Central da UFBA, depois dessa fal, o diabinho de gorro vermelho e pito toda hora me pergunta se isso tem mesmo procedência. E eu nego o tempo inteiro, pois não sei nada sobre isso e nem quero saber nada sobre essas trabalheiras contábeis que a minha massa cinzenta não tem a menhor condição de acompanhar…

    *******************

    Nem queria divulgar essa referida Arte Sacra no Blog dele, mas pensei com os meus botões:

    – Se Cristo for uma criação humana apenas, não tem importância, pois ele, conforme foi pintado pelos evangelhistas, era meio comunista, meio crítico dos poderosos crueis da sua época, fazendo tudo para levar o máximo possível de pessoas para o famoso Reino de Deus, talvez uma espécie de Nova Atlântida…

    Ademais, mito ou não, sempre me falaram dele pregando em favor dos pobres, dos oprimidos, dos humildes, dos enfermos, dos sem-teto, dos sem-terra, dos despossuídos, enfim – porém bons de coração! -, fazendo belos sermões sobre o amor, a solidariedade e o escambau…

    Coindidentemente, tudo ou quase tudo que a verdadeira esquerda recomenda e pelo qual luta. Claro que não essa esquerda que o partido do governo e coligados traíras fingem ser ou fingiram um dia, porque, agora, não engana nem mais as criancinhas das quais JC falava nas suas pregações ao pé de uma montanha bíblica. Seria talvez a esquerda autêntica que, se não existe ainda, precisa ser urgentemente inventada, construída como utopia a ser perseguida!

    Por outro lado, se JC existir mesmo como filho de Deus, contrariando o que penso por enquanto, não é pelo fato de eu negar a sua existência que ele vai ferrar comigo, com perdão do termo pouco piedoso. Ou ele não seria misericordioso como seus seguidores sinceros acreditam e marketeiros seus divulgam…

    *******************

    Na verdade, para dizer o que penso, se existisse, mesmo, ele poderia até dizer, em relação ao que a presidente da APUB fez com a categoria:

    – Olhe, Profa. Lúcia Ferreira, a senhora pisou feio na bola. Bote feio nisso!Comportou-se com sua categoria da mesma maneira que Judas se comportou comigo. Mas um Filho de Deus tem que exercer e exercitar o perdão sem nenhum esforço. Assim, eu a perdoo. Vá em paz e reflita sobre o seu gesto e não o repita jamais pela vida afora. Só imponho uma condição: renuncie à presidência da entidade que ora dirige e não passe jamais na porta da casinha da rua Padre Feijó, como penitência eterna. Por Deus Pai misericordioso! E bote misericordioso nisso!

  2. Sinalva lessa seixas Says:

    Meu professor querido essa foi a maneira que encontrei de tet o seu contato. Perdi meu tel e seu número foi junto. A nossa turma irá fazer um encontro e você é um professor junto com Jorge Uzeda, Epaminondas, Ialmar que gostariamos de reencontrar. Meu contato e: 75 9 8223 6644 . Se tiver o número dos outros professores. Você passa para mim. Vamos relembrar os momentos bons que passamos juntos. Esse reencontro vai ser um reencontro maravilhoso. Fica com Deus. Grande beijo.

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