1359 – Esquerdinha da UFBA desafiada

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MOINHOS-REAIS

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Menandro Ramos

Prof. da FACED/UFBA

O.

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Saci adora botar pilha no mundo dos semblantes humanos… Para ele, o Prof. Francisco Santana está disposto a ensinar a UFBA a pensar e, sobretudo, a chamar a “esquerdinha” à coerência. Hoje cedo, o pestinha me sugeriu postar numa página à parte algumas observações que o Prof. Francisco fez no espaço de comentários de outro texto de sua autoria publicado neste Blog, intitulado A falsa epifania da esquedinha.

Também ele me chamou a atenção de algo que não me havia ocorrido.

– Praticamente, o Prof. Chico desafia os que se dizem “esquerda”, mas que, na verdade, não passam de esquerdinhas doidivanas e oportunistas…

– Se você me explicar melhor, Saci… Não entendi bulhufas!…

–  Veja bem, chefia! O Prof. Chico serve na grande mesa das listas de discussão da UFBA alguns pratos capazes de desafiar aos mais refinados degustadores e comensais cibernéticos. Ele reconhece que a CLT vem da ditadura getulista e que foi de fato outorgada, mas reconhece também que nenhum outro instrumento é capaz de trazer atualmente ao trabalhador brasileiro mais garantias do que a Consolidação das Leis Trabalhistas. E aí vai buscar amparo em Marx para mantê-la intacta, mesmo contrariando alguns falsos comunistas que a demonizam: “O homem aprende a merecer o que tem”. Com isso, o Prof. Chico está desafiando os intelectuais ditos de esquerda a desatar um nó que perdura por décadas…

– É verdade, Saci. Há décadas a CLT apanha impiedosamente!…

– O detalhe, chefia, é que o Prof. Chico não é de direita. Muito pelo contrário. O tempo todo ele se vale de Marx e Engels para sustentar suas teses em favor do trabalhador e contra o capital.

– É verdade. Daí, segundo suponho, ter se expressado com o termo “esquerdinha” para contrapor ao que seria o verdadeiro ideário de esquerda. Ideário esse que ele é signatário. Talvez o que vem “manchando” o currículo do Prof. Francisco Santana seja o fato de ser nacionalista, além de admirar as ideias de Brizola, bem como de reconhecer em Getúlio Vargas um estadista que trouxe inquestionáveis benefícios para o trabalhador.

– Pois é, chefia! Ninguém de sã consciência pode negar os inúmeros benefícios que o presidente Vargas acabou trazendo para o trabalhador, quer queira a esquerdinha, quer não. Ainda que com muitas mazelas no seu currículo político – e que isso seja dito para não transformá-lo num santo! – ainda assim, Getúlio foi um estadista de fato, coisa que os “democráticos” FHC e Lula nem de longe aproximaram…

– Aí você se esbarra numa verdadeira casa de marimbondos, Saci!…

– Mas aí está o diferencial do Prof. Chico! Ele vem desafiando a esquerdinha da UFBA a provar o contrário… Cadê que ninguém se manifesta na “debates-l” em relação à sua postagem? Fazem beicinho diante das afirmações do Prof. Chico, mas se limitam a ser apenas voyeuristas das listas de discussão. Cadê os cientistas políticos da esquerdinhas, os filósofos, os sociólogos? Cadê a coragem e bagagem para contestá-lo?

Enquanto o pestinha falava, parecia que a sua carótida ia explodir de intumescida que estava. Lembrava o próprio Prof. Francisco Santana nas assembleias, contestando os argumentos dos seus adversários.

Depois de algum tempo vociferando impropérios contra a chamada por ele de “esquerda de conveniência”, deu-me o ultimato.

– Você tem que promover um debate entre o Prof. Chico e alguns representantes dessa esquerdinha da UFBA, com o tema específico “A importância da CLT para o trabalhador brasileiro”!

– Mas eu, Saci? Logo eu? Me inclua fora disso!

– Tá vendo você? Já quer tirar o corpo! Como professor, se quiser, pode muito bem fazer um contato com o reitor da UFBA e solicitar a ele que organize esse grande debate entre o Prof. Chico e representantes da esquerdinha, no salão nobre da Reitoria da UFBA, um local mais do que próprio, para um evento dessa natureza e um tema dessa relevância. O próprio Prof. Chico reconheceu recentemente a liderança do reitor e a sua capacidade de arregimentar plateia para eventos iguais ao que participou recentemente o Prof. Ricardo Antunes, da UNICAMP, para debater sobre a terceirização.

– Já disse Saci: me inclua fora disso! Isso seria atribuição da diretoria da APUB, se a tal não estivesse do outro lado…

Furibundo, ele saiu praguejando e chispando fogo pelas ventas. Antes, porém, ainda disparou:

– Eu só queria que me explicasse o porquê de o reitor  organizar um debate sobre a terceirização que, pelo menos até agora, não afeta diretamente aos docentes e servidores da UFBA, como lembrou o Prof. Chico, e esse mesmo reitor não haveria de querer patrocinar um outro debate – mais que oportuno! – sobre os reiterados ataques à CLT, que diretamente, se implementados, afetam a vida de todos os trabalhadores, sejam eles da esfera pública ou privada.

Para dizer a verdade, eu nem questionaria o acolhimento ou não por parte do reitor da proposta do Saci. Certamente, ele não teria nenhuma dificuldade em assumi-la. O que eu acho difícil, e quase impossível até, é participação, por motivos óbvios, de certos colegas da UFBA, comprometidos até a raiz do cabelo com o governo, em querer participar de um evento que com certeza desnudaria os inúmeros ataques que segmentos ditos de esquerda perpetraram contra o trabalhador, sob os auspícios de partidos ditos de esquerda, a partir do início do mandado do ex-presidente Lula.

Um tanto pessimista, cheguei a imaginar o cenário desolador do  salão nobre da Reitoria da UFBA: nas cadeiras de alto espaldar, o debatedor Prof. Francisco, ladeado pelo mediador (o magnífico reitor ou um seu representante), e as demais cadeiras vazias pelo não comparecimento dos debatedores e representantes da dita esquerda, enquanto que no doutoral ou na plateia, uns três ou quatro gatos pingados encharcados de suor,  por culpa do ar condicionado não ter sido ligado, da mesma forma que o sistema de som não o fora…

 


 

Abaixo, algumas considerações do Prof. Francisco Santana, sobre a postagem  A falsa epifania da esquedinha, atendendo ao pedido do meu amigo de gorro vermelho e pito:

 

1) Há um princípio elementar que. por incrível que pareça, até pessoas inteligentes e militantes em política tem dificuldade em entender. Ele é mais conhecido anunciado na forma oposta:

NÃO HÁ CRIME SEM LEI QUE O DEFINA.

Analogamente:

NÃO HÁ DIREITO SEM LEI QUE O DEFINA.

Você não pode ser a favor do direito e contra a lei que define esse direito.

Quem define os direitos trabalhistas no Brasil é a CLT. Se você defende esses direitos obrigatoriamente tem que defender a CLT.

Mas a esquerdinha brasileira é contra a CLT e ao mesmo tempo se diz a defensora dos direitos dos trabalhadores definidos pela CLT. Não é mais incoerência, é piração total.

Já a direita é coerente, ela é contra a CLT e ao mesmo tempo contra os direitos dos trabalhadores definidos nela que limitam a lei de lucro máximo do capital, são a favor da liberdade de ação do capital contra qualquer restrição legal – O ESTADO FORA – a mesma consigna da esquerda.

Daí num debate no Congresso, os trabalhadores serão prejudicados pois seus pretensos defensores são incoerentes e confusos e a direita é coerente e objetiva.

Esse histórico de incoerência da esquerdinha levou à existência de projetos adormecidos no Congresso contra a CLT que a direita se aproveita de um momento oportuno para aprová-los. Como foi o caso da terceirização.

Depois da existência da CUT os trabalhadores e funcionários públicos só têm perdido direitos e não tem ganho nenhum novo expressivo.

Durante 20 anos de Ditadura, os celetistas só perderam um direito, o da estabilidade aos 10 anos que foi trocado pelo FGTS. Já os funcionários públicos, na ditadura mantiveram todos os seus direitos, salvo que os novos passaram a ser contratados pela CLT. Com o novo regime jurídico único, depois da Constituinte, tanto celetistas como estatutários passaram a ter direitos dos dois regimes anteriores como 13º (da CLT), estabilidade e licença prêmio (do estatutário) etc.

De lá para cá o funcionário público perdeu:

– Quando se aposentava era promovido um nível. Já era

– Licença prêmio acumulada contava para a aposentadoria.

– Aposentadoria com salário integral. Foi tirada em 2003 por governo do PT.

– Estabilidade no momento que era aprovado em concurso público.

– Aí inventaram estágio probatório de um ano.

– Aumentaram o estágio probatório para dois anos

– Eduardo Suplicy (esquerda) chegou a propor no Congresso estágio probatório de 10 anos. Ora, a CLT de 1943 dava estabilidade aos 10 anos ao trabalhador celetista.

Por ora é o que eu me lembro.

Antes da CUT Direito Adquirido era sagrado; depois da CUT passou a ser discutível e nesse jogo o liberalismo é que faz gol.

Ora, dirão, a esquerda criticava a CLT porque queria trocá-la por algo melhor. Que algo melhor era esse? O CONTRATO COLETIVO DE TRABALHO. E o que tem ele dentro para os trabalhadores?Abrâmo-lo. Nada. Nada mesmo, salvo direitos de reivindicar e agir: Direito de Greve, liberdade sindical, Direito a Negociação e para não dizer que não tinha nada, Direito ao Salário Mínimo.

Abramos agora a CLT. O que ela tem dentro? Quase mil artigos garantindo centenas de direitos entre os quais, Descanso Remunerado, horas máximas semanais de trabalho, férias, aviso prévio, 13º salário, horas extras, horas extras noturnas, vários benefícios e auxílios, em caso de doença e gravidez, periculosidade, insalubridade, FGTS, indenizações em caso de demissão imotivada etc., etc. Tudo isso será perdido em caso e trocar a CLT pelo CONTRATO COLETIVO DE TRABALHO e os trabalhadores terão que conquistar tudo enovo. Alguém acredita nisso? Algum professor acredita que com sua força e união dos professores conquistarão de volta a aposentadoria em tempo integral? É brincadeira. E os outros direitos perdidos? Esses, os professores já esqueceram. Foi preciso eu lembrar agora alguns deles.

A partir de 1980 foi criada uma nova esquerda cuja função era porfim a CLT em nome da LIBERDADE. Como dizia Saint Simon: LIBERDADE AOS PÁSSAROS PARA DELEITE DOS CAÇADORES.

Então a esquerdinha propôs e propõem ainda trocar a CLT por um nada. Por um pacote com a embalagem fulgurante da Liberdade e adereços de ideologias libertárias e quando se abre o pacote está vazio?

Isso é o chamado CONTO DO PACO. Pura vigarice. O CONTRATO COLETIVO DE TRABALHO é o bilhete premiado dos vigaristas. Só que nesse caso o vigarista ilude a boa fé do cidadão mostrando uma lista fraudada da Loteria, em que comprova que o bilhete foi premiado. Já a esquerdinha promete ao cidadão que o bilhete será premiado no próximo sorteio e o Professor da UFBA acredita piamente nisso.

Quanta desonestidade, incompetência, incoerência, imbecilidade e irresponsabilidade.

No próximo e-mail explicarei porque disse que o PSTU foi naquele momento laranja do PT. Na realidade o PSTU não é laranja do PT.

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Uma resposta to “1359 – Esquerdinha da UFBA desafiada”

  1. Francisco Santana Says:

    A minha afirmação de PSTU laranja do PT surgiu no trecho seguinte do meu e-mail:

    Em 1995, no Othon Palace de Salvador-BA, é feito o seminário de onde sairia o projeto de flexibilização da CLT de FHC. Participaram desse seminário: LULA, VICENTINHO, MERCADANTE, além de Pazzianoto, Ieda Crusius, Pastore, e outros. Pastore abriu o Seminário e Lula o encerrou. Esse projeto de flexibilização da CLT acabou sendo arquivado devido à forte reação das federações getulistas e o PT, um dos autores do projeto teve medo de se queimar dentro da classe trabalhadora. Interessante que PSTU, agindo como laranja do PT exibiu com os retratos dos deputados manjados do PFL et caterva com os dizeres: “Não votem mais nesses traidores dos trabalhadores que votaram num projeto que vai tirar 13º, férias etc. dos trabalhadores etc. ” (mais ou menos assim). Realmente eles votariam mas não votaram pois o projeto foi arquivado. É assim que haje o PT, faz a armação contra a classe trabalhadora (Lula e Vicentinho entre outros foram os autores do projeto) mas quando a bomba dá chabu saem de fininho e deixam o pau de merda na mão dos idiotas de direita.

    Vamos agora tentar restaurar os fatos que deram origem a minha versão acima.

    1) Em 1995, no Othon Palace de Salvador-BA, é feito o seminário de onde sairia o projeto de flexibilização da CLT de FHC. Participaram desse seminário: LULA, VICENTINHO, MERCADANTE, além de Pazzianoto, Ieda Crusius, Pastore, e outros. Pastore abriu o Seminário e Lula o encerrou.

    2) Em 2001 FHC envia à Câmara projeto que seria o produto das conclusões daquele seminário de 1995. Ementa do Projeto de Lei 5483/2001: Altera o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. (Estabelece a prevalência de convenção ou acordo coletivo de trabalho sobre a legislação infraconstitucional).

    Devido a série de emendas surgidas no decorrer da tramitação do projeto ele foi aprovado com texto bem diferente da ementa proposta. Mas mesmo com a ementa proposta não se poderia afirmar que foi votado o fim do 13º, férias etc. Veremos adiante o significado de tudo isso.

    3) Logo em seguida a aprovação do Projeto de Lei 5483/2001 apareceu um cartaz bonito de alto custo tipográfico, com o logotipo CUT – PSTU, com os retratos dos deputados do PFL e aliados correspondentes a bancada do estado correspondente (Para cada estado um cartaz diferente) dizendo em outras palavras que esses deputados votaram (e foi aprovado) o fim do 13º, Férias, etc. Dos trabalhadores. Perguntas:

    a) Por que um cartaz caro distribuídos para para todos (ou quase) os sindicatos da CUT não tinham a sigla PT e nem PCdoB, os principais donos da CUT?

    b) O PSTU partido minúsculo, teria dinheiro e estrutura para fazer os cartazes e distribuí-los por quase todo o Brasil?

    c) Esse fato beneficiou e muito eleitoralmente o PT, PCdoB, PSB e outros partidos aliados do PT que tinham condições de disputar as eleições; o PSTU não tinha representação legislativa nem na Câmara nem na maioria das assembleias estaduais e continuou sem ter.
    d) Se estivesse o nome PT nos cartazes, os deputados prejudicados processariam o PT por difamação e calúnia? Provavelmente. Já um PSTU não valeria a pena. Um deputado processou um blogueiro que divulgou a notícia.

    Esse cartaz ou apenas a notícia passou a ser divulgada como Hoax todos os anos eleitorais pela internet. Geralmente só com o nome dos deputados de Pernambuco. O ano passado mesmo foi divulgado com a maioria dos deputados já afastados e pelo menos um deles morto.

    Diante desses fatos eu afirmei que nesse episódio, o PSTU agiu como laranja do PT. Eu não disse que o PSTU é laranja do PT. E de fato não é, pois o PSTU originou-se de uma corrente que foi expulsa do PT em 1992. Mas eu como eu não sou religioso, não estigmatizo moralmente os conceitos; para mim laranja pode ser usado como sinônimo inocente útil em determinadas circunstâncias. Laranja é o cara que corre o risco do ônus enquanto o beneficiário fica protegido.

    O fato é que a sigla PSTU foi usada para caluniar políticos do PFL e assemelhados e o beneficiado foi o PT (e seus aliados) que não correu risco nem de desgaste político nem de intimação da justiça.

    Mas o que foi aprovado realmente em 2001?

    A ementa inicial do Projeto de Lei 5483/2001 era: Altera o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. (Estabelece a prevalência de convenção ou acordo coletivo de trabalho sobre a legislação infraconstitucional). Ou seja o acordo feito entre a FIESP e CUT em 1993, já citado.

    Mas com as emendas dos defensores da CLT acabou sendo:

    Substitutivo do Projeto de Lei 5.483/2001
    aprovado pela Câmara dos Deputados em 04 de dezembro de 2001

    Art. 618. Na ausência de convenção ou acordo coletivo firmados por manifestação expressa da vontade das partes e observadas as demais disposições do Título VI desta Consolidação, a lei regulará as condições de trabalho.

    Parágrafo 1º – A convenção ou acordo coletivo, respeitados os direitos trabalhistas previstos na Constituição Federal, não podem contrariar lei complementar, as Leis 6321, de 14 de abril de 1976, e 7418, de 16 de dezembro de 1995, a legislação tributária, a previdenciária e a relativa ao FGTS, bem como as normas de segurança e saúde do trabalho.

    Parágrafo 2º – Os sindicatos poderão solicitar o apoio e o acompanhamento da central sindical, da confederação ou federação a que estiverem filiados quando da negociação de convenção ou acordo coletivo previstos no presente artigo.

    Art. 2º – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação e tem vigência de dois anos.

    Ora, pela relação dos direitos constantes na Constituição, vê-los no fim do texto, parece que por esse projeto não se pode modificar quase nada de direitos trabalhistas, nem 13º, nem férias, nem horas extras, etc., muito menos do que a CUT modificou sem cobertura legal em 1995 no acordo do salve-se quem puder, já citado no e-mail original:

    Os sindicatos da CUT do ABC assinaram em 1995, acordo coletivo tirando vários direitos dos metalúrgicos ilegalmente. Alguns dos ítens do acordo:

    – Jornada de trabalho flexível e fim do pagamento das horas extras
    – Concordância com um plano de 580 demissão voluntárias.
    – A empresa está autorizada a deslocar 130 metalúrgicos para postos de guarda e portaria e 150 para obras de construção civil.
    – Para não ser demitidos, 200 operários aceitam ser transferidos para a unidade de Taubaté.

    Pelo menos o Projeto de Lei 5.483/2001 não permitiria a CUT cortar as horas extras, como fez com o ACORDO DO SALVE-SE QUEM PUDER em 1995.

    Depois de sua aprovação na Câmara, o Projeto de Lei 5.483/2001 foi arquivado no Senado no governo Lula.

    E o que lucrou o PSDB, o DEM, com isso? Nada. Mas por trás deles e do PT estavam os seus patrões. Houve a tentativa, não colou, mas poderia ter colado. Mas de qualquer forma abriu-se um precedente.

    Já o projeto de terceirização não foi arquivado no governo Lula. Por que? Ficou lá de tocaia esperando o momento certo em que os dois cavalos do Diabo, Eduardo Cunha e Artur Maia ofereceram seus serviços.

    E o Congresso está cheio de projetos contra a CLT e a Previdência feitos de colaboração do PT com o PSDB, esperando o momento de apunhalar o trabalhador.

    Abaixo a Constituição Federal no seu artigo 7º. Aí vocês vão entender porque é difícil acabar com a CLT. O grande Joaquinzão e as federações trabalhistas colocaram na Constituição contra a vontade do PT e do PSDB esse artigo 7 e o * que define a UNICIDADE.

    Viva Joaquinzão.

    CONSTITUIÇÃO FEDERAL
    ………
    Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

    I – relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;

    II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

    III – fundo de garantia do tempo de serviço;

    IV – salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

    V – piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;

    VI – irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;

    VII – garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;

    VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;

    IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

    X – proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;

    XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;

    XII – salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

    XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)

    XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva;

    XV – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

    XVI – remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º)

    XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;

    XVIII – licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;

    XIX – licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

    XX – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;

    XXI – aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;

    XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;

    XXIII – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;

    XXIV – aposentadoria;

    XXV – assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

    XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;

    XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei;

    XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

    XXIX – ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

    a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

    b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)

    XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

    XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;

    XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;

    XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

    XXXIV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.

    Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013)

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