881 – O amado de ACM

.

Amado de ACM

Pegando carona do Prof. Fernando Conceição, o Saci botou mais lenha na fogueira: ou socialismo ou apenas a luta fratricida pela banana diária…

.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

C (2).

ento e um anos depois do nascimento do autor  de “O Cavaleiro da Esperança”, o Prof. Fernando Conceição, da FACOM/UFBA, levantou a seguinte lebre gorda: “Jorge Amado nasceu ruralista, cresceu comunista e morreu carlista”. (AQUI). De fato, sem negar o mérito do romancista baiano, parece que o seu ardor por justiça social foi minguando, minguando… No final de sua vida, dizem os maliciosos, limitou-se a escrever cartas de apoio ao carlismo. Aliás, o que foi uma pena, pois se uma coisa ele fazia bem era contar histórias. De “Tieta do Agreste” para trás, li quase tudo dele. Encantei-me, especialmente, com “Os Subterrâneos da Liberdade”, “Cacau”, Terras do Sem-Fim, São Jorge dos Ilhéus, “Mar Morto”, “Capitães de Areia”, Jubiabá, “ABC de Castro Alves”, além, claro, de “O Cavalheiro da esperança”. Mas quem sou eu para fazer julgamentos de competência literária?

Arrisco-me a dizer que era de se esperar – de quem bebeu na fonte popular para inspirar-se e notabilizar-se no mundo inteiro -, a capacidade de resistir aos afagos dos poderosos.  Mas qual! Ainda que seja difícil julgar, parece que ser amado pelo influente político baiano foi-lhe, na época, mais proveitoso. Precisar não precisava não, pois ele já era conhecido no mundo todo. E até muito admirado.

Pessoalmente, gosto da forma como escrevia. Mas sei que nunca foi unanimidade. Tanto no estilo quanto nos envolvimentos com políticos truculentos. Aqui e alhures.

Há de se argumentar, hoje, na perspectiva do capital econômico, que através da obra amadiana a Bahia tornou-se conhecida e que contribuiu para aquecer o turismo – que na verdade só alguns poucos lucram. Provavelmente, isso é vero. Mas é vero também que a sorte dos “capitães de areia” e dos trabalhadores eternamente escravizados nestas terras baianas não mudou muito. Os coronéis e os “bataclans” continuam existindo como antes, mas só que agora com outros disfarces e, quem sabe, mais luxo. O turismo sexual que o diga.

Diz-se, com frequência, que o homem se vê envolvido com suas circunstâncias… Pode até ser. Mas confesso que, no íntimo, preferia que o escritor grapiúna continuasse a produzir pequenas centelhas de insurgência,  hoje tão fora de moda… Juro que preferia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: