1024 – O gueto bucólico de São Lázaro

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São-Lázaro--Ilha-da-Fantasi

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Francisco Santana
Prof. Aposentado da UFBA

 

A

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s invectivas feitas contra o Prof. Menandro Ramos por professores de S. Lázaro não são condizentes com a formação de docentes de uma faculdade onde se lecionam ciências políticas.

A UFBA está inserida num contexto muito maior, e ela é, precisamente, parte de um sistema cujo mantenedor principal é o governo federal, e cuja administração é feita verticalmente pelo MEC, subordinada também ao CDES,  ou seja, estrategicamente sujeita às decisões do governo federal, tanto do Presidente da República como do Presidente do Banco Central.

Ora, desde pelo menos o plano Real, que os donos do poder no Brasil inseriram definitivamente o país no sistema neoliberal ditado pelo FMI, onde se persegue o estado mínimo, com a privatização da educação e, a partir daí, os governos que se seguiram adotaram as diretrizes do Banco Mundial para a nossa política educacional.

Como consequência, S. Lázaro não poderá constituir uma ilha da fantasia sem entrar em confronto com o sistema (ou se amoldar ao sistema), na qual os partidos que apoiam o sistema se dispam de seus compromissos partidários, e ajam como se estivessem numa comunidade hippie na paz e no amor.

box-1O Prof. Menandro tem uma posição política bem definida e coerente sobre essa questão, sobre o modelo político e os que o apoiam. E, como eleitor, tem pleno direito de cobrar dos candidatos uma definição deles. Já os candidatos e seus cabos eleitorais não têm o direito de cobrar do Prof. Menandro sua definição por qualquer candidato. É uma inversão de valores.

E a definição sobre quem o representante sindical legítimo e legal da categoria é fundamental, pois ela é uma linha demarcatória clara entre quem é claramente governista e entre quem é, no mínimo, independente dos governos. As diferenças entre o ANDES e o PROIFES não são somente de caráter ideológico e político doutrinário. O PROIFES é uma criação artificial, ilegítima e ilegal do governo via CUT com a finalidade de anular o movimento sindical nas Universidades. Não se trata de afirmação gratuita, mas de fatos comprovados.

O PROIFES foi criado após a greve contra a reforma da previdência de Lula. A reforma que tirou direitos fundamentais do funcionário público, como o direito à aposentadoria integral e a ausência de desconto para a previdência depois de aposentado, entre muitos outros. Muitos juristas afirmaram que ela foi inconstitucional.

A mesma reforma sobre a qual Lula declarou: “jogo o povo contra o funcionário público, mas faço a reforma da previdência”.

A mesma reforma sobre a qual a CUT declarou, apoiando-a: A CUT não representa o funcionário público, só os celetistas. E não satisfeita, a CUT fez um comício em S. Bernardo apoiando a reforma da previdência de Lula e xingando os funcionários públicos, cujo adjetivo mais brando foi o de “parasitas”.

Mas o ANDES e outros sindicatos do funcionalismo público se rebelaram da tutela da CUT e aliados com federações e confederações tradicionais trabalhistas, resistiram e não deixaram passar barato a reforma.

A partir daí, o governo estabeleceu uma estratégia de destruir o ANDES. Primeiro com Jaques Wagner no Ministério do trabalho, mandou cassar o registro sindical do ANDES. Mas a medida não prosperou, pois não tinha base legal e o ANDES recuperou seu registro.

box-2Depois, sob o comando da CUT, tentou legalizar a ONG PROIFES, como sindicato nacional. Para isso, convocaram uma assembleia num galpão da CUT para acontecer às 15h, e se alojaram no galpão desde a manhã, almoçaram no interior do galpão, munidos de centenas de procuração, e impediram que os professores contrários entrassem para a assembleia, colocando seguranças brutamontes na entrada.

Esses fatos foram documentados com fotos, conforme se vê abaixo e no site do ANDES. Também umrelato do professor Leher (UFRJ)  pode ser consultado (AQUI).

Dada as irregularidades no processo e também à legislação, essa tentativa também não prosperou. Está em curso, no momento, a terceira tentativa: criar sindicatos estaduais, registrá-los através de brechas na lei, proibir a ação do ANDES nesses estados, e transformar o PROIFES em uma federação nacional. Trata-se de uma estratégia torpe que todo professor deveria repudiar, independente de ser governista ou oposição, por uma questão de ética.

Os professores que não se definiram, cometeram, portanto, um ato falho.

E, como eu não tenho uma ideia preconcebida contra nenhum dos candidatos, acho que se deve dar uma segunda oportunidade aos candidatos João e Rogério.

Diante, agora, desses esclarecimentos, quem eles reconhecem como a legítima entidade representativa dos professores das Federais? ANDES ou PROIFES?

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Além da versão em vídeo, há outra versão, abaixo, em Slide Show e outra em PDF.

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A origem do Proifes em PDF – Clique AQUI

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10 Respostas to “1024 – O gueto bucólico de São Lázaro”

  1. Menandro Ramos Says:

    Não se pode a priori, colocar qualquer que seja o candidato no index.
    Todos concordam que eles precisam ter informações sólidas para se posicionarem.

    A chance é essa. Sem subterfúgios, sem escapadelas retóricas, sem tergiversação. É pegar ou largar.

    Comenta-se que o colendo candidato Prof João Salles se apressou em responder o Prof. Fernando Conceição a respeito de possíveis insinuações de injúrias pronunciadas contra as comunidades do Calabar e dos Alto das Pombas. Qual seria a razão de tanta presteza, de tanta agilidade? Entretanto, o mesmo não aconteceu quando reiteradas vezes, através da lista “debates-l” e do Blog do Saci-Pererê, demos a oportunidade ao candidato titular da Chapa 1 de esclarecer, de uma vez por toda, as dúvidas que pairaram sobre sua posição a respeito do ANDES-SN ou Proifes. Na oportunidade que ele teve, por ocasião do Debate realizado no PAF I, não respondeu a contento. O mesmo pode ser dito sobre o candidato titular da Chapa 3, Prof. Luiz Rogério.

    Tenho certeza que o querido Prof. Antônio Câmara, apoiador declarado do Prof. João Salles, na mensagem que endereçou ao Blog do Saci-Pererê, não atinou para o que reiteradas vezes levantamos. A meu ver, alçou o cargo de reitor de uma instituição federal a um Olimpo metafísico: “O reitor, enquanto reitor não é um sindicalista, logo não será problema seu as pendências jurídicas ou as decisões da categoria. Cabe ao mesmo respeitar as decisões da categoria. Tudo isso é para dizer que uma falsa polêmica atirada contra João Carlos”. É óbvio que reitor, enquanto reitor, não é um sindicalista. Uma criança de colo, antenada com as coisas do mundo, sabe disso. Como sabe também que Marilena Chauí, Emiliano José, Nelson Pellegrino, Alice Portugal (licenciada da UFBA), Olívia Santana, entre outros apoiadores do governo Lula/Dilma, também não fazem parte do Colégio Eleitoral que elegerá os próximos dirigentes da UFBA. Ainda assim, manifestaram apoio pela candidatura do Prof. João Salles. Diferente de políticos ligados ao DEM, PSDB, entre outros que constituem a chamada “oposição”.

    Dessa forma, creio que não é nenhum disparate pensar que o Prof. João Salles goza da simpatia do partido do governo e que, talvez, mantenha um “flerte” com ele. Só o próprio pode esclarecer o que intriga muita gente.

    Isso tudo me deixa ávido por ouvir dos candidatos algo muito simples:

    “Caso eleito, não me prestarei a transformar o meu reitorado em correia de transmissão do governo ou dos partidos políticos, quaisquer que sejam”.

    Evidentemente, que não necessariamente dessa forma, pois cada um tem sua própria maneira de manifestar-se sobre a AUTONOMIA da UFBA.

  2. Menandro Ramos Says:

    Só uma correção faria ao Prof. Francisco Santana. Talvez seja melhor em lugar de ONG, dizer OG…

  3. Francisco Santana Says:

    Em outro e-mail eu teria dito:

    “Dize-me com quem andas e te direi quem és”.

    Para esse caso, acho agora melhor, a versão de Millôr:

    “Dize-me com quem andas e te perguntarei: Quem és??”

  4. Amilcar Baiardi Says:

    A posição de Câmara é clara. Reitor não é sindicalista. Àqueles que querem patrulhar João, gostaria de lembrar que ele compareceu a todas as assembleias que deliberaram pela greve e por sua manutenção, dando legitimidade às mesmas. Quanto ao apoio que governistas teriam dado a João e oposicionistas não, gostaria de lembrar à Câmara que esta é uma cobrança indevida. O que a oposição pretendeu foi não interferir, entendendo que a universidade tem regras próprias e quanto menos politização e polarização partidária houver, melhor. Este é o caminho para resistir ao aparelhamento dos aparatos do governo, muito ao gosto do PT e do PC do B. Eu que me situo no campo da oposição, e que desde o primeiro momento apoiei João, em nenhum momento me preocupei em obter declarações com cunho nitidamente partidários. A UFBA necessita do cultivo de princípios universais próprios aos grandes centros de geração do saber e política partidária, como lembrava Weber, devem estar distantes da universidade,
    A. Baiardi

    • Marco A. Pereira Says:

      As pinimbas nunca terão fim no meios dos intelectuais. A falta de objetividade é gritante. As críticas que tenho visto a respeito de João é porque ele não tem objetividade. Se quisesse, ele acabaria com a polêmica, falsa ou não, dizendo o seguinte: não serei instrumento do PT. Porque ele não diz, então? é porque é do mesmo naipe dos politicos que tanto criticamos. pAra não perder votos dos petistas, que são muitos na Ufba, ficam rolando o lero.
      Me irrito quando esses acadêmicos de meia tigela pensam que o povo é idiota e pode ser enrolado o tempo todo!! ARGH!

    • Anitinha Says:

      Câmara clara e câmara obscura dependem da luz. Fiat lux para essa discussão sem fim! Pule logo do muro, João!

  5. Grazielly Grazy Says:

    Sou fã de Francisco Santana. Não sou da Ufba, mas queria ser sua aluna. A segurança que ele aborda os mais diversos temas me encanta. Beijocas para ele.

  6. Francisco Santana Says:

    A pergunta que Menandro e Altino fizeram no debate foi com outras palavras : Qual é a entidade sindical que é a legítima representante da categoria dos professores das IFES? ANDES ou PROIFES? Essa pergunta pode e deve ser respondida pelos candidatos a Reitor, sem tergiversação. A essa altura em vista dos fatos citados não se pode dizer que não há diferenças profundas entre as duas.

    • Geraldo S. Sousa Says:

      Se Baiardi que se diz oposição não sacou isso, o que dizer da turma de Joviniano, Israel e Claudia? A opção por esse ou aquele candidato faz, às vezes, o adulto escolado ter comportamentos simplesmente infantis.
      Querem por que querem botar Andes e Proifes no mesmo Saco.

  7. Duílio Says:

    Tem candidato torcendo pelo silêncio de João… kkk

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